Quando a mudança nem sempre é o melhor caminho

Avançar estrategicamente a fim de promover transformações é sinal de maturidade e pode resultar em conquistas mais sólidas num prazo maior

Publicado em: 11 de janeiro de 2018

Elencar prioridades e comprometer-se com mudanças são posturas fundamentais a quem quer renovar a carreira, conseguir novo emprego, ser promovido ou colocar ideias em prática. Esses desejos são recorrentes em todos os encerramentos e começos de ciclos e, em geral, envolvem promessas determinadas. O paradoxo é que, em grande parte dos casos, as metas são cumpridas apenas em parte ou até abandonadas, o que gera um círculo vicioso de frustrações. “A pessoa pode achar que está fazendo tudo certinho e a culpa pelas coisas não andarem está em fatores externos, como crise econômica, chefias, mesmo o acaso. Mas muitos podem se surpreender com as respostas a tais dúvidas”, explica Ana Carolina Lynch, psicanalista com formação em treinamento empresarial e consultora em gestão de pessoas.

Uma delas que pode gerar certo desapontamento é que talvez não seja a hora de concretizar mudanças, mas firmar as bases para que venham no médio prazo ou em um segundo ano. “Não conseguir algo específico não significa que a vida está parada, a pessoa fracassou ou nada foi feito. Muitos acham que precisam fixar metas todos os anos, como se tudo o que foi feito nos 365 dias anteriores devesse ser revisto. Nem sempre, e também não podemos mudar tudo anualmente. Isso é irreal, seria muito estressante”, explica Ana Carolina.

Pequenas conquistas precedem grandes transformações

Segundo a consultora, o importante, primeiramente, é descobrir aonde se quer chegar e depois organizar o passo a passo, que pode mudar ou se adaptar segundo fatores externos, incluindo eventuais riscos. “É preciso desenvolver a capacidade de fixar metas possíveis, saber lidar com espera, prazos e aprender a identificar oportunidades que indiquem readaptação dos planos. Pequenas conquistas, por vezes, podem ser mais interessantes do que viradas bruscas, precedendo transformações maiores que requerem experimentação”, diz.

Até recuar faz parte da jogada e não há mal nas reavaliações, quando admitimos que a tática  inicial não era tão ideal e precisava ser revista: “Não há qualquer demérito nesse movimento. Ao contrário, indica abertura, humildade e maturidade para reconhecer falhas. Até na guerra, o recuo é elemento estratégico e já contribuiu para algumas vitórias. O importante é não perder os planos e buscar aconselhamento ou assessoria especializada quando necessário. Ninguém precisa assumir o encargo de avançar solitariamente”, observa a Ana Carolina.

E uma vez concretizadas, todas as etapas devem ser celebradas como um marco, um rito de passagem frutífero. “Sentir-se contente consigo mesmo faz parte do processo de conquistas e as fortalece”, reforça a especialista. Para Ana Carolina, quem não comemora os desafios vencidos perde a amplitude de que foi bem-sucedido: “É preciso injetar alegria no dia a dia, e nada mais oportuno que ela venha a reboque das vitórias”.