Excesso de proatividade pode atrapalhar concretização de novos projetos

Publicado em: 30 de novembro de 2017

Em todos os fins de ano ou inícios, boa parte das pessoas mergulha num estado de ansiedade coletiva por transições e alento para solucionar situações de desgaste ou estagnadas. É como um disparador psicológico que indica um bom período para iniciar mudanças na vida pessoal, nos relacionamentos e, principalmente, profissionais. Nessa época, uma frase ecoa quase que invariável, seja silenciosamente ou compartilhada com próximos: “Ano que vem, tudo será diferente”. “Será? Tudo mesmo? É o que deveríamos nos perguntar ao avaliar com cuidado o que e quando é preciso mudar”, afirma Ana Carolina Lynch, psicanalista com formação em treinamento empresarial e consultora em gestão de pessoas.

Se o assunto é realização no trabalho – universo que costuma concentrar muitas das resoluções de fim de ano –, é preciso considerar fatores que, apesar de insuspeitos para alguns, podem virar obstáculos. “Querer assumir responsabilidades demais, fazer mais planos do que os que cabem em 12 meses ou fixar metas por demais desafiadoras achando que isso é algo positivo são exemplos”, alerta Ana Carolina. Segundo ela, trata-se do excesso de proatividade em planejar o futuro, postura que, ao contrário de produzir bons resultados, quase sempre desencadeia boa dose de estresse e pode até sabotar projetos.

“Tudo em excesso é prejudicial, até o desejo de ser eficiente. As pessoas podem se perder quando se exigem demais ao estabelecer projetos e buscar transformações. Há certa fantasia, alimentada pela ditadura do sucesso, de que temos total controle sobre o que está reservado a nós”, diz a consultora. Ela acrescenta que planejar e se movimentar são atitudes fundamentais, mas nem sempre a resposta é imediata. “Estamos nos distanciando de valores importantes, como amadurecer as ideias, saber esperar e perceber, a si e o entorno, que tem suas regras. As escolhas, por vezes, nos são oferecidas, e muitas trazem vantagens para as pessoas mais adaptáveis”, garante Ana Lynch.