Terceira edição do Fórum Inovação Saúde reuniu lideranças do setor no Museu do Amanhã
O Fórum Inovação Saúde reuniu, na última segunda-feira, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, profissionais da saúde para debater o futuro do setor no Brasil. Em sua terceira edição, a iniciativa, patrocinada pela Med-Rio Check-up, visa fomentar ideias e experiências de alto impacto para o sistema nacional de Saúde, onde o público compartilha tendências, conceitos e conhecimentos para a transformação e modernização do setor.
Dentre os destaques da programação, Paulo Chapchap, CEO do Hospital Sírio Libanês, Henrique Salvador, presidente da Rede Mater Dei de Saúde, e Maurício Lopes, vice-presidente executivo da Rede D’Or São Luiz, debateram sob a moderação de Ary Ribeiro, CEO do Hospital Sabará, as experiências inovadoras de gestão e governança na saúde.
Chachap mostrou a avançada mudança na estrutura organizacional que o Sírio Libanês passou nos últimos anos. “Criamos grupos ágeis, totalmente dedicados e autônomos, com objetivos relevantes. E isso não tem nada a ver com KPIs. Os objetivos estão fora do core, em um ambiente estável, ou no máximo, com mudanças incrementais, não disruptivas. Os squads estão focados em resolver problemas realmente diferentes dos problemas do dia a dia, visando a introdução de novas tecnologias.”, explicou.
Segundo ele, após quase dois anos do laboratório de inovação ser criado, já existem muitos resultados devido à rápida entrega em sprints. As pessoas, que em um momento poderiam ser receosas quanto à mudança, já pedem por mais e estão engajadas, falando a linguagem da inovação. “Não estou dizendo que é fácil, e não adianta organizar os grupos em comitês. É preciso organizar em unidades funcionais”, e complementou “E quando eles batem cabeça, deixo que se resolvam! Não tem sentido eu ser protagonista, é a tal da hierarquia do conhecimento. Que conhecimento eu tenho para discutir questões financeiras com o meu CFO? Se eu tiver um profundo conhecimento, teríamos que trocar de posição. Então naquela área, os squads tem que ter autonomia para decidir.”
Outro ponto fundamental para a reestruturação do hospital em direção à transformação organizacional foi o trabalho de reavaliação das competências de gerentes, superintendentes e diretores, através de uma análise e metodologia externas. Houve um plano de desenvolvimento para aqueles que se propuseram a caminhar nesta direção, e um plano de substituição para os demais. “Sem o caos, não há inovação”, explicou Chapchap em relação às mudanças citadas anteriormente.
Maurício e Henrique abordaram as formas de se relacionar e gerir a atividade médica, e como administrar os resultados nesses modelos. Maurício conta que um dos aprendizados do processo é a maior qualidade assistencial quando colocada uma segunda instância de diálogo com o corpo clínico. De acordo com o executivo, quando o médico está no plantão, ele tem muito menos tempo de entender a dinâmica completa do paciente do que outro médico que teve a oportunidade de compreender o paciente como um todo e conhecer o seu histórico. “Na hora que colocamos mais informação, nem que seja no beira leito, que interfaceie com o corpo clínico por completo, conseguimos trazer mais assertividade para o encaminhamento”.
Henrique conta que trazer o médico para participar da estratégia é fundamental e facilita a adesão ao modelo proposto. Isso inclui sentar periodicamente com as equipes, projetar dados, comparar os resultados das equipes. Por ser um movimento virtuoso, as pessoas acabam percebendo os benefícios.
Chapchap completa dizendo que deveríamos nos livrar dos arquétipos de médicos não poderem ser incorporados à gestão ou pacientes não participarem do seu cuidado, por exemplo. “Nós podemos fazer muito melhor do que estamos fazendo se trouxermos todos para resolver o problema. E resolver isso baseado em gestão e análise de dados. Estamos levando algumas ideias como se fossem verdade. APS é uma boa porta de entrada, orienta os pacientes, mas falar que resolve 80% dos casos, não resolve. Só resolve se houver uma integração total de dados disponíveis nas mãos dos médicos, com alta fluidez dessas informações. O que não existe hoje, em nenhum lugar do mundo”.
O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) firmaram, hoje (14), um termo de cooperação para agilizar os registros de patentes. O termo vai priorizar os pedidos feitos pelos núcleos de pesquisa do sistema Embrapii.
Na avaliação do presidente da Embrapii, Jorge Guimarães, a cooperação deve aumentar o interesse das empresas em desenvolverem tecnologias com as unidades credenciadas pela Embrapii. “Isso é uma oferta espetacular para as empresas”, ressaltou após a assinatura do termo. A empresa tem 42 núcleos de pesquisa credenciados no país que recebem fomento para desenvolver pesquisas em parceria com empresas.
O modelo da Embrapii, em que as empresas se tornam proprietárias das patentes, também aumenta a aplicação das tecnologias desenvolvidas, na avaliação do presidente do Inpi, Cláudio Furtado. “Para que patente se torne efetivamente um bem econômico, ela tem que ser explorada. Não é apenas o registro da patente no Inpi. [É] Isso que o modelo Embrapii está solucionando, fazendo com que as empresas sejam as proprietárias das patentes, porque aí elas já tem aplicação imediata”, disse.
Em seis anos, a Embarpii apoiou cerca de 800 projetos que resultaram em 300 pedidos de registro de propriedade intelectual, com R$ 1,3 bilhão em investimentos. A expectativa é que o acordo aumente esse volume. “O acordo que foi firmado hoje tem uma grande importância porque vai ser um gerador de propriedade intelectual”, disse Furtado.
Atrasos
O Inpi tem trabalhado para reduzir a fila de pedidos de patentes acumulada ao longo dos últimos anos. “Existe um estoque de patentes pedidas que sofreu um grande atraso. Esse atraso médio hoje é de 6,6 anos. É um atraso que está sendo resolvido”, disse Furtado. Os novos pedidos estão sendo processados, segundo o presidente do Inpi, de forma separada, em um prazo médio de oito meses.
O acumulo aconteceu, de acordo com Furtado, devido a falta de investimentos em tecnologia e um crescimento no número de pedidos acima da capacidade que o órgão tinha. Para contornar o problema, as avaliações estão sendo feitas levando em consideração os registros feitos em outros países. “Um uso de pesquisas relevante sobre patentes que já estão depositadas e foram concedidas no exterior. Nós não precisamos fazer retrabalho, fazer coisas de novo aqui”, explicou o presidente do instituto.
Em 2018, foram depositados 27,4 mil novos pedidos de patentes, sendo que desses, 7,4 mil eram de brasileiros.
Furatado diss que foi mudado até o regime de trabalho dos avaliadores, usando o trabalho remoto, como forma de aumentar a produtividade. “Foram 20 mil casos solucionados em aproximadamente três meses de trabalho”, disse Furtado. A meta é que a partir de 2021 o prazo médio para processamento dos pedidos de patentes seja de dois anos.
Expor a visão dos principais atores na área de Gestão em Saúde sobre os desafios e novos cenários para o setor. Essa é a proposta do Seminário Economia da Saúde, que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) promove no dia 29 de novembro. Entre os nomes confirmados estão o do diretor da OPTIONS Consultoria & Gestão, José Carlos Abrahão, que também já foi presidente da Confederação Nacional de Saúde diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS); Denizar Vianna, Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde; Edmar José Alves dos Santos, Secretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro; Enrico De Vettori, sócio líder da Deloitte do Brasil; Fernanda de Negri, coordenadora do Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade do Ipea; André Medici, Economista sênior do Banco Mundial; Tania Furtado, Coordenadora Gestão de Saúde FGV e Rubens Penha Cysne, Diretor da FGV EPGE. Inscrições no https://evento.fgv.br/economiadasaude/.
Serviço
Seminário Economia da Saúde
Data: 29/11/19
Horário: 9h às 13h
Local: Fundação Getúlio Vargas – Praia de Botafogo, 190, Botafogo – Rio de Janeiro
Fernanda De Negri aponta a baixa escolaridade do país, a alta burocracia e o ambiente de negócio é pouco propício à inovação e à competitividade como fatores para a baixa produtividade
Indicadores internacionais mostram que um trabalhador norueguês, o mais eficiente do mundo, produz seis vezes mais que o brasileiro. Enquando o profissional do país escandinavo gera US$ 102 por hora trabalhada, no Brasil, o valor médio é de US$ 16,8. Entre os fatores que explicam a ineficiência estão burocracia, baixa escolaridade, falta de infraestrutura, governança inadequada e tecnologia defasada. Para entender melhor o problema e debater soluções que se encaixem na realidade brasileira, a Agência CNI de Notícias entrevistou uma das maiores especialistas no assunto do país.
Fernanda De Negri é pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), economista com mestrado e doutorado em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pós-doutorada na Universidades de Harvard e no Massachusetts Institute of Technology (MIT). A autora do livro Produtividade no Brasil: desempenho e determinantes tem se dedicado ao tema, sob diversas perspectivas, há mais de uma década.
Na entrevista, a pesquisadora avalia o cenário atual, aponta gargalos que dificultam o ganho de produtividade no Brasil, propõe alternativas e um debate amplo sobre a agenda estratégica prioritária do país. “Enquanto sociedade, temos de pensar quais são os nossos reais problemas. Se a nossa prioridade são questões que estão ocupando a maior parte do debate público ou se o problema é como construir um país mais solidário, mais desenvolvido”, ponderou. Para a economista, se o Brasil realmente quiser encurtar a distância para os mercados mais produtivos, vai ter de avançar em questões estruturais já resolvidas em nações mais desenvolvidas e, simultaneamente, investir em inovação e tecnologia. Confira a seguir trechos da entrevista.
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Por que a produtividade do Brasil é tão baixa?
FERNANDA DE NEGRI – Nos anos mais recentes, entramos numa crise econômica que foi uma das piores da nossa história. Nesse contexto, o mercado fica reprimido pela alta taxa de desemprego e pelo baixo crescimento econômico, o que gera uma insuficiência de demanda. Numa análise de longo prazo, são vários os fatores que contribuíram para a defasagem do Brasil em termos de inovação e de produtividade. Mesmo nos anos em que o país estava crescendo, do início dos anos 2000 até 2010, o crescimento foi apoiado basicamente no aumento da demanda. Não houve ganho representativo de produtividade. Temos problemas estruturais, a economia brasileira ainda é muito fechada, a escolaridade é baixa, há muita burocracia e o ambiente de negócio é pouco propício à inovação e à competitividade. Não fomos capazes de resolver essas questões estruturais nas últimas décadas e ficamos muito dependentes dos surtos de crescimento por aumento de demanda, que não são sustentáveis no longo prazo. Pensando no longo prazo, precisamos aliar o crescimento de demanda com crescimento sustentado da produtividade, da inovação, de tecnologias.
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – O que tem nos países mais desenvolvidos que falta no Brasil?
FERNANDA DE NEGRI – Usando os indicadores do Banco Mundial, temos um ambiente de negócio muito burocrático, é muito difícil e demorado abrir e fechar empresas, ter acesso a crédito, resolver pendências jurídicas. Outro importante fator é a educação. Ampliamos o acesso nos últimos 20 anos, mas a qualidade da eduação do Brasil não andou no mesmo compasso. É preciso apostar, daqui pra frente, numa melhora do nível educacional, para termos efetivamente uma mão-de-obra mais qualificada, uma população capaz de dar condições para o país crescer de uma forma sustentada. O Brasil ainda é um país fechado ao mundo do ponto de vista de inovação e econômico. A nossa ciência ainda é pouco conectada. Ninguém produz conhecimento sozinho, você produz a partir de uma base construída pelos outros. Ou seja, a produção do conhecimento depende da conexão de ponta, depende da integração com o mundo. A desconexão do Brasil afeta muito a nossa capacidade de criar empresas mais competitivas no longo prazo.
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Como abrir o Brasil para o mundo? Há boas práticas internacionais que podem ser aplicadas à realidade brasileira?
FERNANDA DE NEGRI – Um desafio é a abertura comercial, outro é a integração da nossa academia com o mundo. Do ponto de vista comercial, o Brasil precisa ter uma estratégia de longo prazo de redução de tarifa de importação, uma agenda de longo prazo de acordos comerciais. É importante frisar o longo prazo. O país precisa preparar o tecido econômico para suportar a competição externa, não dá para fazer de uma hora para outra. A partir do momento que você tiver no horizonte uma estratégia que mostre claramente que, em dez anos, as nossas tarifas serão reduzidas pela metade ou menos da metade, teremos acordos com mais países, você começa a preparar as empresas para trabalharem com um cenário econômico mais competitivo em alguns anos e dar tempo para o ajustamento ocorrer. No aspecto da produção de conhecimento, temos uma série de ajustes que, muitas vezes, são pequenos. Precisamos mandar mais gente para o exterior para estudar, receber mais pesquisador estrangeiro tanto nas universidades quanto nas empresas. O Brasil precisa de um programa de atração de mão de obra qualificada, partindo do pressuposto que o conhecimento que o país precisa já é produzido lá fora e está na cabeça das pessoas. Para o movimento ocorrer, tem de haver uma estratégia consertada com ações como facilitar o registro de diplomas do exterior. A maior parte das melhores universidades no Brasil é pública e o professor ou pesquisador precisa fazer um concurso público em português para ser contratdo. Não é razoável esperar que os profissionais aprendam português trabalhar em universidades no Brasil porque o idioma da ciência mundial não é – e não será – o português. A gente tem de preparar uma estrutura nas universidades e nas instituições de pesquisa que seja capaz de receber pessoas que não falam português.
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – E o financiamento público? O volume atual é adequado para alavancar a produtividade no Brasil?
FERNANDA DE NEGRI – O Estado tem um papel fundamental em puxar a estratégia de desenvolvimento, de atacar problemas que o mercado não vai resolver. A redução da desigualdade também é um gargalo importante para o desenvolvimento. Nenhum país com o grau de desigualdade do Brasil conseguiu crescer de forma sustentada. É importante o setor público agir no sentido de gerar igualdade de oportunidades. Atualmente, as pessoas estão partindo de lugares muito diferentes, precisamos equalizar os pontos de partida para gerar uma sociedade um pouco mais igualitária. Tem uma série de falhas de mercado, em várias áreas, que exige uma papel mais forte do Estado. A inovação é uma delas. É um ponto que deveria ter uma política pública muito mais forte que a gente tem, especialmente agora, que estamos experimentando uma redução drástica no volume de recursos para incetivar ciência, tecnologia e inovação no país.
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Como técnicas de gestão podem impactar na produtividade?
FERNANDA DE NEGRI – Tem uma literatura econômica extensa nos últimos anos que mostra que a gestão é um elemento muito importante na produtividade das empresas. Considerando outras variáveis iguais, empresas com melhor gestão têm melhor desempenho. Dentro da lista de ações que uma empresa precisa adotar para ser mais competitiva, melhorar a gestão talvez seja a mais barata. O questionamento a se fazer é: por que as empresas não adotam boas práticas de gestão se elas não dependem de muito investimento? Uma parte por desconhecimento, outra por conta do formato e cultura ou falta de competição no mercado. Empresas familiares tendem a não implementar boas práticas de gestão, porque elas implicam em dar mais transparência à governança, em torná-la menos personalista. Em empresas familiares, o dono geralmente passa o comando para o filho ou neto, mesmo que eles não sejam os mais eficientes. Um terceiro ponto é a falta de competição. Se a empresa já consegue uma lucratividade satisfatória com uma produtividade baixa, porque não existe pressão, a competição é baixa num mercado fechado, para que ela vai concentrar esforços em ganhar competitividade? Se o lucro começa a diminuir, outro concorrente começa a ocupar o mercado, a empresa é obrigada a se mexer. Os líderes começam a se questionar por que não conseguem baixar o custo ou melhorar a qualidade do produto, reduzir o preço, eles passam a ter motivação para melhorar. Só sei se sou eficiente quando há base de comparação, quando olho para o lado e tem um concorrente fazendo mais e melhor.
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Há algum movimento significativo por parte do governo no Brasil em busca de aumento da produtividade?
FERNANDA DE NEGRI – Infelizmente, não. O governo não tem falado de inovação, de educação. Esse é um problema. Enquanto sociedade, temos de pensar quais são os nossos reais problemas. Se a nossa prioridade são questões que estão ocupando a maior parte do debate público ou se o problema é como construir um país mais solidário, mais desenvolvido.
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Focando em eficiência energética, há nesse campo uma oportunidade para o Brasil se destacar no cenário internacional?
FERNANDA DE NEGRI – Essa é uma área que o Brasil poderia contribuir para o mundo. Temos uma matriz que é relativamente limpa, porque vem de fontes renováveis, a maior parte são fontes hidroelétricas. Já temos uma história de apostar em fontes alternativas como ocorreu, por exemplo, o Pró-alcool. A alta incidência solar também abre possibilidades para o país, mas, para apostar em outros tipos de energia, é preciso desenvolver tecnologia.
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Nesse campo, você enxerga alguma ação estruturada que abra uma perspectiva positiva para o país?
FERNANDA DE NEGRI – Pelo contrário. A Agência Nacional de energia Elétrica (Aneel) propôs recentemente tributar a geração de energia solar em residências, o que reduziria o estímulo para as pessoas instalarem placas fotovoltaicas e produzirem a sua própria energia, na contramão do que é a tendência mundial. Em educação, ciência, tecnologia e inovação estamos andando para trás.
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Por falar em energia, qual o impacto da infraestrutura de uma forma geral na produtividade?
FERNANDA DE NEGRI – São temas correlatos e não estou falando apenas de estradas e portos, que é um desafio dos anos 1970. Estamos tratando também de infraestrutura contemporânea, que é rede de dados 5G, capazes de estimular e suportar o desenvolvimento de tecnologias que usem esse tipo de infraestrutura, principalmente para a indústria 4.0. Robôs cirúrgicos, por exemplo. Para avançarmos nesse campo, precisamos de uma rede muito rápida, segura e sem quedas, que permita a comunicação de quem está no comandando e o robô, que pode ser feito inclusive à distância. Esse é um fator importante para sermos mais competitivos no longo prazo.
AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – É o paralelo entre inovação e produtividade, correto?
FERNANDA DE NEGRI – Isso. Inovação é um dos principais motores da produtividade no longo prazo. É o que faz os países mais desenvolvidos serem mais produtivos. No Brasil, temos uma série de outros fatores que atrapalham a produtividade das empresas além da inovação, o que dá a impressão de que a inovação é um fator menos importante. Não é. É o mais importante. Precisamos resolver questões estruturais como burocracia e instituições que não funcionam direito e, ao mesmo tempo, apostar na inovação, porque se deixarmos para investir em tecnologia só após resolvermos os outros problemas, os nossos concorrentes estarão ainda mais na frente e não conseguiremos acompanha-los. Não tem receita fácil. É um conjunto de ações que precisam ser feitas de maneira coordenada para passarmos para um outro patamar de desenvolvimento.