Brasil vence a China e recebe nova fábrica de motor da Fiat

FABRICA-FIAT
Serão produzidos novos motores de três e quatro cilindros

A Fiat Chrysler Automobiles (FCA) vai instalar uma nova fábrica em seu complexo industrial de Betim, em Minas Gerais, para começar a produzir motores turbo para o mercado nacional e para exportação. O investimento previsto é de R$ 500 milhões. A nova linha de produção estava sendo disputada pela fábrica do Brasil e pela fábrica da China. O anúncio foi feito ontem pelo CEO global da FCA, Mike Manley, que veio a Betim para dar detalhes dos planos.

 

O investimento garantirá a produção de novos motores de três e quatro cilindros. Dois já são produzidos em fábricas da FCA na China e na Polônia e um tem patente desenvolvida no Brasil. A companhia não informou quais modelos receberão os novos motores. Disse apenas que serão modelos topo de gama das marcas Fiat e Jeep. A previsão é que os motores comecem a ser produzidos no último trimestre de 2020.

Com a nova unidade, os investimentos de R$ 8 bilhões que haviam sido anunciados no ano passado para o polo da FCA em Betim sobem agora para R$ 8,5 bilhões até 2024. Os recursos para a instalação da nova unidade de motores serão aportados pela montadora e por fornecedores. Os investimentos previstos também até 2024 na fábrica em Goiana, no Pernambuco, continuam sendo de R$ 7,5 bilhões.

A FCA já produz três famílias de motores no Brasil e com a quarta família aumenta sua capacidade instalada de motores e transmissões para 1,3 milhão de unidades por ano. Está nos planos do grupo exportar, até 2022, mais de 400 mil motores produzidos em Betim – incluindo os turbos. O principal destino será o mercado europeu.

A cerimônia do anúncio ocorreu ontem em um espaço da fábrica de Minas e teve a presença de Manley, do presidente do grupo para a América Latina, Antonio Filosa, e de John Elkann, chairman global. Antes da cerimônia, Manley se reuniu com um grupo de jornalistas e afirmou que a decisão de fazer o investimento no Brasil tem a ver com a experiência da equipe local.

“Se olharmos as habilidades e especialidades que existem aqui no Brasil e o que eles conseguiram fazer pela FCA e se a gente comparar com alguns outros lugares, que tiveram muita dificuldade… a equipe aqui se mostrou muito capaz”, disse o executivo.

A Fiat obteve do governador de Minas, Romeu Zema (Novo), o compromisso do Estado de devolver o valor relativo ao ICMS dos componentes exportados – algo que já é regra para exportações, mas que as empresas têm dificuldade em receber.

Manley lembrou que a nova unidade de motores é parte do plano maior de investimentos. “Até 2024 nós vamos lançar 24 ou 25 novos veículos. Isso faz parte de uma série de investimentos que vem”, disse Manley, reafirmando planos que já tinham sido anunciados. Das novidades, fazem parte modelos totalmente novos e renovações de versões de já existentes. Desse total, 15 novidades sairão de Betim.

 

Empresas do Japão querem investir no Brasil, diz embaixador

embaixador
Akira Yamada: ” Hoje, cerca de 700 empresas japonesas atuam no Brasil”              Foto de Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Na semana em que o presidente Jair Bolsonaro isentou os japoneses da exigência do visto de turismo e de negócios, o embaixador do Japão no Brasil, Akira Yamada, disse à Agência Brasil que aumentou o número de executivos japoneses interessados em vir para o país conhecer os projetos brasileiros e investir. Segundo ele, os investimentos estão atrelados às reformas da Previdência e Tributária em tramitação no Congresso Nacional.

“O governo Bolsonaro está apenas começando, espero que o novo governo tenha uma política de liberação da economia e política de livre comércio”, afirmou Yamada, informando que as empresas observam o Brasil com “muita expectativa”. “Se a política se estabiliza e a economia caminhar bem não só as empresas japonesas, mas muitas companhias do mundo terão muito interesse em investir no Brasil.”

De acordo com o embaixador, há cerca de 700 empresas japonesas atuando no Brasil. De acordo com ele, este número não cresce há cinco anos . No entanto, o diplomata está otimista com os possíveis avanços que virão. “Compartilhamos valores fundamentais básicos como democracia, direitos humanos e justiça. Queremos desenvolver ainda mais essa parceria não só no contexto bilateral mas nos fóruns internacionais.”

G20

Com a confirmação da presença de Bolsonaro na Cúpula do G20 (que reúne as maiores economias do mundo), em junho, em Osaka (Japão), o embaixador disse que o encontro deverá intensificar as relações Brasil e Japão.

A exemplo do governo dos Estados Unidos, o embaixador disse que o Japão apoia a entrada do Brasil no grupo de países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“As empresas japonesas têm muito interesse em investir no Brasil agora. Sinto que o interesse de empresas japonesas sobre o Brasil está se recuperando”, disse. Segundo o diplomata, há um interesse mundial no Brasil, como observa a partir de relatórios de bancos sobre a economia no mundo.

Exportações

Yamada destacou que as autoridades brasileiras e japonesas estão em contato permanente para destravar os obstáculos à exportação. Segundo ele, os principais obstáculos se concentram nas questões fitossanitárias.

“O Japão tem um sistema muito rígido na questão sanitária. Se houver alguma carne contaminada isso afetaria o Japão. Uma vez concluindo o estudo sanitário, a carne poderá voltar a entrar no mercado japonês. O tema sanitário não é político, é técnico.”

O embaixador ressaltou que o “frango brasileiro quase domina o mercado japonês”. Porém, os produtores brasileiros querem elevar os números. Pelos dados oficiais, o Brasil exporta para o Japão principalmente minérios de ferro e concentrados, além de celulose e café cru. Do Japão, o Brasil compra óleos combustíveis, peças de veículos, aparelhos, automóveis, motores e pneus.

Imigração

Para embaixador, a relação entre Brasil e Japão começou há 110 anos com a chegada dos primeiros imigrantes japoneses. Ele ressaltou que há aproximadamente 2 milhões de japoneses e descendentes japoneses no Brasil, o maior contingente populacional fora do Japão.

De acordo com o diplomata, o empenho na parceria pode ser observada, por exemplo, na execução do Projeto de Desenvolvimento do Cerrado (Prodecer), um programa de cooperação iniciado na segunda metade dos anos 1970 com a participação de técnicos e pesquisadores japoneses para incentivar o plantio de cereais, sobretudo soja, no cerrado brasileiro.

“Tanto os japoneses como os brasileiros têm de estar orgulhosos com a história do Prodecer. Esse projeto é um marco na história mundial da agricultura”, afirmou Akira Yamada.

Esportes

Entusiasmado, Yamada disse que os Jogos Olímpicos e Paralímpicos em 2020, em Tóquio, serão “os mais inovadores da história”. Sem entrar em detalhes, ele afirmou que haverá o uso de tecnologia avançada, incluindo biometria facial e robótica.

Admirador do futebol brasileiro, o diplomata afirmou que aguarda com ansiedade o mês de junho quando o Japão participa, como convidado, da Copa América. “Meu sonho é que o jogo final seja entre Brasil e Japão”, disse o embaixador, lembrando que no que se refere às tradições milenares nipônica, o reconhecimento do Brasil é total.

A pedido do governo brasileiro e da Confederação Brasileira do Judô, atletas brasileiros irão ao Japão para aprender a metodologia do ensino de judô nas escolas públicas. O objetivo é implementar nos colégios a prática que é disciplina para os alunos japoneses.

Carrefour prevê investir R$ 2 bi no Brasil em 2019

O grupo Carrefour Brasil prevê investimentos de R$ 2 bilhões no País e aposta em abertura de novas lojas, sobretudo para a bandeira de atacarejo Atacadão e nos formatos de conveniência “Market” (supermercados) e “Express” (de conveniência), afirmou nesta quarta-feira, 27, o presidente da varejista, Noël Prioux. No ano passado, a subsidiária brasileira recebeu aporte de R$ 1,8 bilhão.

Segundo Prioux, pelo menos 20 lojas do Atacadão serão abertas este ano, além de mais 30 unidades de menor porte. Outra aposta da varejista será o canal de comércio eletrônico, segundo afirmou o executivo ontem, em teleconferência com jornalistas.

A companhia, que anunciou a criação de um novo cargo – a vice-presidência de operações para o Atacadão -, desqualificou os rumores saída de Roberto Mussnich, que é responsável pelo canal atacarejo.

Dívida Pública Federal tem queda de 1%

A Dívida Pública Federal (DPF) – que inclui o endividamento interno e externo do Brasil – teve redução de 1%, em termos nominais, em abril, na comparação com março deste ano, informou hoje (28), em Brasília, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) do Ministério da Economia.

O estoque da dívida passou de R$ 3,917 trilhões em março para R$ 3,878 trilhões no mês passado. A redução ocorreu devido ao resgate líquido (mais resgates de títulos por investidores do que emissões),  no valor de R$ 70,15 bilhões, compensado em parte pela apropriação positiva de juros (quando os juros da dívida são incorporados ao total mês a mês) de R$ 31,18 bilhões.

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), que é a parte da dívida pública no mercado interno, teve o estoque reduzido em 1,09% em abril, passando de R$ 3,764 trilhões para R$ 3,723 trilhões.

Mercado externo

O estoque da Dívida Pública Federal Externa (DPFe), captada do mercado internacional, apresentou aumento de 1,03%, encerrando abril em R$ 155,29 bilhões (US$ 39,36 bilhões).

A variação do endividamento do Tesouro pode ocorrer por meio da oferta de títulos públicos em leilões pela internet (Tesouro Direto) ou pela emissão direta.

Além disso, pode ocorrer assinatura de contratos de empréstimo para o Tesouro, tomado de uma instituição ou de um banco de fomento, destinado a financiar o desenvolvimento de uma determinada região. A redução do endividamento se dá, por exemplo, pelo resgate de títulos.

Neste ano, a Dívida Pública Federal (DPF) deverá ficar entre R$ 4,1 trilhões e R$ 4,3 trilhões, segundo o Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública em 2019.

Os fundos de investimento seguem como principais detentores da Dívida Pública Federal, com 26,12% de participação no estoque. Os fundos de Previdência (25,56%) e as instituições financeiras (21,65%) aparecem em seguida na lista de detentores da dívida.