Ministro defende presença do setor privado na questão do saneamento

O setor público não tem condições financeiras de solucionar o problema de saneamento do Brasil, disse hoje (21) o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao participar do seminário em comemoração ao Dia Mundial da Água, promovido pela Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro (Seas) em parceria com o Tribunal de Justiça do Estado (TJRJ). O evento foi realizado na sede do tribunal, no centro do Rio.

Para o ministro, não haverá melhorias na qualidade urbana, sobretudo, no saneamento, se não for definido um arcabouço regulatório, convidativo à participação do setor privado. “O setor público não vai resolver o problema de saneamento. Nós temos um problema de saneamento gigantesco em todo o Brasil. Não há recursos na área pública para fazer isso e, tampouco, agilidade e a estrutura para que isso chegue a contento em um curto espaço de tempo. É preciso transferir uma parcela significativa desse encargo para a participação do setor privado”, disse.

Segundo Salles, para atrair o setor privado, o modelo regulatório precisa ser lógico e racional. “Não adianta dizer que concorda e fazer o sistema regulatório que é anti-investimentos. Aliás esse é um problema que permeia muito a área ambiental. Quando se fala na necessária harmonização do desenvolvimento econômico com o meio ambiente é porque sem desenvolvimento econômico não há recursos para rodar no meio ambiente.”

O ministro defendeu mais pragmatismo nas discussões dessa agenda. “É preciso ter muito pragmatismo nessa hora, ter muita responsabilidade, senso do dever e o reconhecimento das limitações práticas que todos temos, cada um em sua respectiva área. Não adianta construir um sistema que fica só fica de pé na chamada CNTP, condições normais de temperatura e pressão. Quando põe no mundo real, o modelo desaba. Não adianta. Vamos ficar nos enganando que a solução para o lixo, o resíduo, o saneamento passa por diversas medidas que na prática nós sabemos, em certos casos, nunca vão chegar à solução propriamente dita”, disse Salles. Ele acrescentou que é necessário reconhecer os problemas, traçar uma estratégia e perseguir.

Ricardo Salles criticou ainda o funcionamento das agências reguladoras. “O estado brasileiro cresceu demais, inchou demais e nem, por isso, significou qualidade dos serviços. Isso se reflete em várias das agências regulatórias, nos vários braços estatais nos diversos níveis dos municípios, dos estados e do governo federal. Hoje tem um inchaço da máquina com um custo de manutenção gigantesco e uma verba para investimento quase inexistente”, afirmou.

O ministro citou como um dos problemas neste serviço, a falta de técnicos para acompanhar o desempenho das barragens, “O que acontece, em especial, com as barragens? No que fiz respeito à Agência Nacional de Mineração, são 12 técnicos para cuidar de todas as barragens do Brasil inteiro e há, enquanto isso, milhares de cargos em comissionamento, ou cargos criados nos últimos anos de governo para colocar gente lá dentro, cuja a única qualificação é uma carteira de filiação partidária”, observou.

Segundo o ministro, há um desvirtuamento das prioridades. “A gestão, a eficiência, parecem palavras frias desconectadas de valores como meio ambiente, ou saneamento, ou qualidade de vida, mas elas são instrumento essencial para que esses valores alcancem o seu resultado”.

Judiciário

De acordo com o ministro, o Judiciário tem sido um grande depositário das garantias e das defesas da área ambiental. “Muitos dos absurdos que vemos acontecer por questões ideológicas, questões comerciais disfarçadas de boas maneiras, felizmente, encontram no Judiciário a colocação dos pontos no seu devido lugar. É o Judiciário que é justamente o repositório dessas garantias do bom senso e da aplicação da responsabilidade dos valores”.

Ricardo Salles assegurou que a agenda ambiental urbana é prioridade do Ministério do Meio Ambiente. Segundo ele, o Brasil deixou para trás temas como tratamento do lixo, resíduos, saneamento e diversos outros temas que são o principal termômetro para demonstrar o subdesenvolvimento no país,no que diz respeito às qualidades de vida e ambiental urbana.

“Quando se fala de temas como em desmatamento da Amazônia e mudança climática, do outro lado da rua, há criança brincando em um córrego sem tratamento de esgoto, o lixo sendo descartado de maneira absolutamente irregular, aterros [que são] verdadeiros lixões Brasil afora. Esta é a verdadeira prioridade de uma agenda de qualidade ambiental, para uma população que é obrigada a conviver com esse caos que é o atestado de subdesenvolvimento do nosso país”, afirmou o ministro.

Temer e Moreira Franco ficarão detidos em unidade prisional da PM

O ex-presidente Michel Temer e o ex-ministro Moreira Franco, presos hoje (21), em um desdobramento da Operação Lava Jato, ficarão detidos em uma cela especial da Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

A determinação é do juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal, atendendo um pedido da Força Tarefa da Operação Lava Jato do Ministério Público Federal. Os procuradores alegaram que, por ser ex-presidente da República, Michel Temer tem direito a tratamento especial, assim como Moreira Franco, que foi ministro até dezembro de 2018.

O coronel reformado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho, também terá direito a cela especial no Estado Maior da PM, em Niterói. Segundo o MPF, o coronel, amigo pessoalç de Temer, é o operador do esquema de corrupção chefiado pelo ex-presidente.

Michel Temer foi preso em casa, em São Paulo, e Moreira Franco, ao desembarcar no Aeroporto Internacional Galeão-Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Ambos devem passar por exame de corpo delito antes de serem levados para a unidade prisional. A prisão do coronel Lima e de sua esposa, Maria Rita Fratezi, não foi confirmada.

Acusação

O ex-presidente e o ex-ministro são acusados de receber cerca de R$ 1 milhão em propina em meio a obras relacionadas à Usina de Angra Três, por meio de empresas de fachada, e lavagem de dinheiro. A pedido da força-tarefa da Lava Jato, a Justiça Federal determinou a prisão preventiva de mais sete pessoas.

Na unidade da PM em Niterói, já está o ex-governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão. Ele tem direito a cela especial por ter sido preso no exercício do cargo. Pezão é acusado de receber propina e corromper agentes públicos com pagamentos ilegais, que movimentaram cerca de R$ 40 milhões entre 2007 e 2015. O governador nega as acusações.

Como uma gestão estratégica de recursos humanos pode impactar os resultados da sua empresa?

ana laura
Vanessa Montagnoli é Coordenadora de RH da F. Iniciativas

O que antes era considerado banal tornou-se elemento essencial para traçar estratégias consistentes e alcançar metas em uma organização. A pesquisa sobre o Panorama de RH no Brasil 2018, elaborada pela plataforma Qulture.Rocks, realizada online com quase 2 mil profissionais de instituições de diversos setores, revela que 61% dos respondentes acreditam que o RH participa ativamente das decisões estratégicas dentro de uma empresa.

A política de recursos humanos (RH) é importante para orientar e engajar colaboradores para que estes atuem de forma alinhada aos reais objetivos da organização. Por isso, é altamente recomendável estabelecer condutas para a rotina organizacional dos funcionários auxiliando-os no cumprimento de seus objetivos e no aprimoramento de seu desenvolvimento profissional. É neste contexto que a política de RH pode gerar valor e proporcionar resultados importantes para os negócios. Por isso, gostaria de compartilhar as minhas impressões a respeito de uma gestão estratégica de recursos humanos.

Desafios

A área de RH apresenta vários desafios, entre eles o principal é entender a real necessidade da empresa e valorizar a necessidade do capital humano, que nada mais é do que um conjunto de atributos conquistados pelos funcionários por meio da educação e experiência. Deste modo, ações como incentivar o protagonismo dos colaboradores e praticar os valores e competências de uma organização podem ajudar a promover o autoconhecimento de cada membro da equipe.

Estimular entre os funcionários o sentimento “ownership”, para que assumam suas responsabilidades como se fossem os donos da empresa, agindo com proatividade, fidelidade, flexibilidade para alcançar os objetivos da organização. Para que isto ocorra, é necessário que os gestores de RH estejam presentes em parceria com os demais setores da empresa e que seus “heads”, participem de reuniões de planejamento e alinhamento, para que, assim, todos se apoiem. Esta proximidade auxilia os gestores nas tomadas de decisões e também na gestão estratégica de recursos humanos.

Políticas para gestão estratégica de recursos humanos

Para começar a planejar uma política de RH dentro de uma corporação primeiramente é necessário desenvolver um plano estratégico que possa servir como guia para a elaboração de ações da empresa, com enfoque em suas principais metas e objetivos. Em seguida, é primordial estabelecer procedimentos que sejam padrões de contratação e que definam os critérios que serão considerados no recrutamento e seleção de profissionais. Para isto, é importante implantar processos de Avaliação de Desempenho, focados em metas SMARTS – ferramenta que auxilia de maneira objetiva a estabelecer metas e competências.

Após a contratação, os colaboradores devem participar de atividades que gerem capacitação e desenvolvimento, para que eles fiquem alinhados às políticas da empresa. Além disso, é importante avaliar a atuação dos funcionários e sempre oferecer a eles feedbacks. Pesquisas como a de clima organizacional, podem auxiliar na hora de aumentar a motivação e o comprometimento dos funcionários. Este tipo de pesquisa pode funcionar como um guia com informações muito relevantes sobre a percepção dos colaboradores, como o grau de satisfação, para detectar quais são as falhas da empresa e tentar solucioná-las.

Engajar Funcionários

Todas as políticas e práticas que são implantadas nas empresas podem refletir diretamente no crescimento da organização. Manter os funcionários engajados é um dos principais aspectos para garantir bons resultados. Para isto, vale a pena investir em desenvolvimento humano organizacional, remuneração justa, benefícios, automatização de processos e confraternizações para impulsionar os resultados no trabalho e a motivação dos colaboradores.

Um dos grandes diferenciais que uma empresa pode ter é seu capital humano, uma equipe envolvida e que acredita no projeto. Ademais, é sempre bom ter em mente que a gestão estratégica de recursos humanos é responsável por apoiar todos com relação aos seus direitos e deveres e, sobretudo, evidenciar as principais expectativas da empresa.

Oncologista alerta para os riscos dos cânceres de ovário e de endométrio

No mês de março, a Oncologia D’Or alerta as mulheres para o risco do câncer de ovário e de endométrio. O primeiro é o tipo ginecológico mais difícil de ser diagnosticado de forma precoce e o mais letal. O oncologista Claudio Calazan destaca que, nos casos de câncer de ovário, o tumor se desenvolve silenciosamente, o que exige uma atenção ainda maior. “Os sintomas costumam aparecer em estágios mais avançados, o que dificulta um diagnóstico nas fases iniciais”, explica.

A doença pode acometer a mulher em qualquer idade, mas é mais frequente depois dos 40 anos. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que mais de 6 mil casos novos de câncer de ovário ocorram por ano e mais da metade levem à óbito. “Sua incidência está associada a fatores genéticos, hormonais e ambientais”, observa o oncologista. Ele explica que há uma relação entre câncer de ovário e atividade hormonal feminina. As mulheres que não tiveram filhos nem nunca amamentaram, que tiveram menopausa tardia ou câncer de mama, assim como as que têm parentes de primeiro grau com histórico apresentam risco mais elevado de desenvolver a doença.

O câncer de endométrio acomete principalmente as mulheres na pós-menopausa, depois dos 60 anos. As estatísticas mostram que somente 20% das pacientes estão na fase de pré-menopausa e, apenas 5% têm idade inferior a 40 anos. “Os carcinomas são responsáveis por 100% dos tumores do endométrio. Desde que diagnosticados precocemente, eles são curáveis em 90% dos casos”, observa Calazan. Na maior parte das vezes, esse tipo de tumor se manifesta precocemente com sangramento vaginal. “O sintoma mais comum é o sangramento vaginal em uma mulher menopausada”, relata o oncologista, que ainda explica que dor ou sensação de peso na pélvis; bem como corrimento vaginal branco ou amarelado são outros sintomas que costumam se manifestar.

O diagnóstico do câncer de ovário costuma ser bem mais difícil, pois a doença manifesta sintomas comuns a outras enfermidades. Na maior parte das vezes, a paciente apresenta dor, aumento do volume abdominal, constipação, alteração na função digestiva e massa abdominal palpável.

Prevenção

A prevenção do câncer de endométrio e de ovário é um desafio para os médicos. Em ambos os tipos, a maioria dos casos não podem ser evitados. Nas situações possíveis, a forma de prevenção passa necessariamente pelo combate aos fatores de risco como a obesidade. Seja no câncer de ovário ou de endométrio, ter uma vida saudável é a principal forma de prevenir o tumor.

No caso do câncer de endométrio, manter a pressão arterial e o diabetes sob controle, dentro dos níveis de normalidade; ter uma alimentação equilibrada e com menor quantidade de sódio; praticar atividades físicas regularmente, controle do peso e do consumo de álcool são comportamentos fundamentais para diminuir os riscos de desenvolver a doença.

Outra forma de diminuir o risco de câncer de endométrio é manter um tratamento adequado para as doenças pré-cancerosas do endométrio. Muitos casos se iniciam a partir da hiperplasia endometrial. “Há vezes em que a hiperplasia desaparece sem tratamento, mas há casos em que precisa ser tratada com hormônios ou até mesmo com cirurgia”, observa Calazan. O tratamento com progesterona e dilatação e curetagem ou histerectomia pode impedir a hiperplasia de se tornar uma lesão maligna. “O sangramento vaginal anormal é o sintoma mais comum do câncer de endométrio. Por isso, a mulher deve comunicar ao seu médico imediatamente, para que a causa seja identificada e, se necessário, iniciado o tratamento”, orienta o oncologista.

No caso do câncer de ovário, se houver histórico familiar da doença, sugere-se o exame genético de BRCA 1 e de BRCA 2, em que será verificado se há mutações que possam aumentar as chances do surgimento da doença. “Caso o resultado seja positivo, o oncologista discutirá com a paciente sobre medidas preventivas para que a doença não se desenvolva”, orienta Calazan. Entre as medidas possíveis estão a mudança de comportamento que evitem fatores de risco. Existe também a opção da retirada preventiva dos ovários, uma cirurgia chamada de ooforectomia. Porém, o procedimento afeta diretamente a fertilidade da mulher e a diagnosticar o câncer de ovário precocemente, mas atualmente ainda não existem exames de rastreamento confiáveis.