OMS vem ao Brasil para acompanhar fracionamento da vacina contra febre amarela

Técnicos da Organização Mundial da Saúde (OMS) chegam ao Brasil na próxima segunda-feira (29) para acompanhar o fracionamento da vacina contra a febre amarela. A informação foi divulgada hoje (23) pelo Ministério da Saúde, que tem se reunido semanalmente com o órgão das Nações Unidas para tratar do surto da doença no país.

De acordo com a pasta, a previsão é que os agentes internacionais desembarquem em São Paulo e acompanhem no próprio estado o fracionamento da vacina. Além de São Paulo, o Rio de Janeiro também inicia, na próxima quinta-feira (25), a imunização de municípios pré-selecionados contra a febre amarela.

Em São Paulo, 54 municípios participam da campanha, com previsão de vacinar 8,3 milhões de pessoas, sendo 6,3 milhões com a dose fracionada e 2 milhões com a padrão. Já no Rio de Janeiro, 7,7 milhões de pessoas deverão receber a dose fracionada e 2,4 milhões a padrão, em 15 municípios.

Até o momento, a campanha de vacinação no estado da Bahia permanece na data prevista (entre 19 de fevereiro e 9 de março). Na Bahia, 2,5 milhões de pessoas serão vacinadas com a dose fracionada e 813 mil com a dose padrão em oito municípios.

O objetivo da campanha, segundo o ministério, é evitar a expansão do vírus para áreas próximas de onde há circulação atualmente. No total, 21,7 milhões de pessoas destes municípios deverão ser vacinadas durante a campanha, sendo 16,5 milhões com a dose fracionada e outras 5,2 milhões com a dose padrão.

“A adoção do fracionamento das vacinas é uma medida preventiva e recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) quando há aumento de epizootias e casos de febre amarela silvestre de forma intensa, com risco de expansão da doença em cidades com elevado índice populacional”, informou a pasta.

Em Davos, Meirelles diz que Brasil pode superar crescimento de 3% em 2018

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta terça-feira (23) que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil poderá superar os 3% previstos pelo governo para 2018. “Estamos em uma situação em que se consolidou a trajetória de recuperação, de crescimento do Brasil”, afirmou. O ministro participa, em Davos, na Suíça, do Fórum Econômico Mundial, onde concedeu entrevista após palestra no Itaú Private Lunch.

Ontem (22), o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou estimativa de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro – soma de todas as riquezas produzidas pelo país – deve crescer 1,9% neste ano, o que representa aumento de 0,4 ponto percentual na projeção anterior, divulgada em outubro pela instituição.

“O FMI sempre é mais conservador, como deve ser, normal. Mas, evidentemente, os analistas brasileiros têm mais informação a respeito. Acredito que o crescimento [do PIB] vai estar mais próximo de 3% ou até superar os 3%”, ressaltou. A projeção do mercado é de crescimento de 2,7%.

Segundo Meirelles, há crescente interesse de estrangeiros em investir no Brasil, apesar de investidores verem isso com cautela, devido às eleições. “É normal que, em período eleitoral, momento que país vai entrar em um processo importante de discussão eleitoral, muitos [investidores estrangeiros] passem a ter um pouco mais cautela, aguardando o desenrolar dos acontecimentos”, disse. “Mas o  interesse é muito grande. O investimento direto no Brasil é grande e tende a crescer, esse ano pode superar o ano passado.”

Informe publicado ontem (22) pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) mostra o Brasil em sétimo lugar como destino de US$ 60 bilhões estrangeiros. A Austrália aparece em sexto, no relatório, também com US$ 60 bilhões. Em 2016, quando recebeu cerca de US$ 50 bilhões, de acordo com o relatório, o Brasil ocupou sozinho o sexto lugar. Meirelles chegou a dizer que o país poderá chegar este ano ao patamar dos US$ 70 bilhões. “Vamos aguardar, ainda é prematuro.”

Ao ser indagado se seria favorável a uma possível privatização da Petrobras, o ministro afirmou que por princípio á a favor da privatização. “Tenho expressa essa posição já há muitos anos. Evidentemente que tudo isso tem que ser feito paulatinamente. Nós temos um desafio enorme, agora, que é a privatização da Eletrobras, que já está sendo questionada no Congresso. Vai ser um desafio muito grande. Não acho momento adequado para criar ruído sobre esse aspecto [Petrobras].”

 

A nova batalha de Nikaia

*Ana Paula Alfredo é membro do Grupo Nikaia

A história da luta feminina para conquistar mais espaço na sociedade atual está diariamente estampada nas páginas dos jornais. As mudanças trazidas pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman na Arábia Saudita são apenas uma demonstração de extremismo nos limites impostos às mulheres ao longo da sua história e que apenas agora poderão dirigir e frequentar arenas esportivas naquele país. Contudo, a trajetória feminina e sua busca por maiores realizações vai além do mundo árabe, da violência doméstica e da privação dos direitos básicos. Mesmo nas sociedades mais modernas e abertas, a mulher enfrenta a realidade de oportunidades reduzidas.

E uma das formas mais claras de vermos isso expresso em números é analisando o mercado de trabalho. De acordo com a Pnad 2015, as mulheres representam 44% da força de trabalho no Brasil, mas apenas 37% dos cargos de liderança. Por sua vez, o número de lares brasileiros chefiados por mulheres saltou de 23% para 40% entre 1995 e 2015, segundo informações da pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero. Hoje, as empresárias brasileiras já são quase 8 milhões, porém, segundo levantamento do Sebrae, a maioria delas atua em empresas informais ou com menor estrutura, como os MEIs.

Infelizmente, a realidade brasileira não é única. Mesmo em locais que são sinônimos de avanço tecnológico e inovação, como o Vale do Silício, a situação da mulher é similar. Para se ter ideia, no Vale, apenas 2% das startups são chefiadas por mulheres. Um estudo de uma professora da Universidade de Toronto mostrou que um mesmo pitch (proposta “vendedora” de um projeto para financiamento) tinha duas vezes mais chances de obter recursos simplesmente por ser lido por uma voz masculina ao invés de uma feminina.

Nos surpreendemos com os indicadores, mas a verdadeira questão é por que isso acontece. Racionalmente, todos consideramos esses dados absurdos. Mas, esses conceitos nos acompanham em pleno século XXI e continuam entranhados em nossa cultura, principalmente, na forma que tomamos decisões. E veja que não falta luta.

Ao longo do tempo tem se buscado alternativas para provar a importância da presença feminina nas organizações, para mostrar que seus resultados são efetivos, que suas características de gestão e liderança são uma força para as empresas. Mas, a professora e especialista em diversidade nas organizações, Sarah Kaplan, da Rotman School of Management, trouxe à tona uma questão fundamental. Por que temos que provar que a mulher é necessária nas organizações? Por que temos que criar casos para justificar a sua performance? Alguém já pediu essas informações a algum homem? A verdade é que até nossas perguntas são permeadas por essa visão.

A história da mulher é marcada sempre pela busca de uma justificativa para ser valorizada, de correr atrás de prejuízos e de buscar equilibrar milhares de pratos sem deixar nenhum cair. No entanto, na prática a história que temos que escrever é a da deusa grega Nikaia ou Nice.

A representação mais comum da deusa é a de uma mulher com asas. Sua imagem é hoje obrigatória nas medalhas olímpicas de verão e a mais famosa está exposta no museu do Louvre em Paris, a Samotrácia. Nikaia ou Nice, na mitologia grega, estava sempre próxima à Atena, a deusa da estratégia e das batalhas, garantindo-lhe o bom resultado em cada investida. E o melhor: Atena nunca perdeu uma batalha.

E foi justamente para mostrar a importância desse lado vitorioso da mulher, que eu, juntamente com nove outras executivas dos mais variados segmentos, criamos o Grupo Nikaia. O objetivo é, através de um curso de desenvolvimento, empoderar as mulheres e fazer que entendam o contexto no qual estão inseridas dentro das organizações, além de fazer com que acreditem na sua capacidade de voar e chegar aonde desejam, assim como a deusa grega.

Essa batalha é longa e árdua. Que Nikaia nos garanta mais uma vitória!

Confiança da indústria avança 0,5 ponto em janeiro

A prévia de janeiro deste ano do Índice de Confiança da Indústria, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), cresceu 0,5 ponto na comparação com o resultado consolidado de dezembro. Na prévia, o indicador chegou a 99,9 pontos, em uma escala de 0 a 200 pontos.

Caso o resultado da prévia se confirme no consolidado do mês, esta será a sétima alta consecutiva do indicador, que atingirá o maior patamar desde setembro de 2013 (101,7 pontos).

Foi verificado aumento na confiança em relação ao momento presente, medida pelo Índice da Situação Atual, que avançou 2,3 pontos e chegou a 100,8 pontos. Em relação ao futuro, os empresários da indústria estão menos confiantes. O Índice de Expectativas caiu 1,3 ponto e chegou a 99 pontos.

O resultado preliminar de janeiro indica alta de 0,1 ponto percentual no Nível de Utilização da Capacidade Instalada da Indústria (Nuci), para 74,8%, o maior desde dezembro de 2015 (75%).

Para a prévia de janeiro de 2018 foram consultadas 791 empresas entre os dias 2 e 18 deste mês.

O resultado final da pesquisa será divulgado na próxima segunda-feira (29).