Base aliada e oposição divergem sobre retomada de votações no Congresso

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Crise política esvaziou o Plenário na semana passada – José Cruz/AgênciaBrasil

O andamento das votações previstas para esta semana no Congresso Nacional vai servir como termômetro para mostrar se a reunião de ontem (21) entre o presidente Michel Temer, ministros e parlamentares da base aliada surtiu efeito. No encontro, como resposta à crise, Temer pediu que todos trabalhem normalmente.

Na manhã desta segunda-feira (22), o deputado Danilo Forte (PSB-CE) defendeu a retomada da agenda de reformas no Legislativo, apesar de seu partido ter decidido no último sábado (20) deixar a base de apoio ao governo. Forte adiantou que deve apresentar esta semana um projeto que prevê a criminalização de empresários envolvidos em casos de corrupção.

O líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB), também disse que a intenção da base aliada é tocar os trabalhos na Casa independentemente das tentativas de obstrução. Efraim Filho ressaltou que seu partido só vai tomar qualquer decisão a respeito de continuar ou não na base do governo depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o prosseguimento do inquérito aberto para investigar Michel Temer.

Já a oposição não concorda com a manutenção da agenda de votações das reformas, entre elas a trabalhista e a da Previdência. O deputado Alessandro Molon (Rede – RJ) declarou que a oposição fará  “tudo o que estiver ao seu alcance” para impedir os trabalhos e “exaurir a base”. Para Molon, a dissolução da base do governo é uma questão de tempo e não há matéria no Congresso que deva ser votada antes da eventual instalação da comissão de impeachment de Temer, caso algum dos pedidos protocolados até agora seja aceito pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Crise

Desde a última quarta-feira (17), quando vieram à tona denúncias sobre o suposto esquema de pagamento de propina e troca de favores com empresários do grupo JBS, no âmbito das investigações da Lava Jato, o Congresso teve atividades suspensas ou canceladas e não votou nenhuma medida.

Depois da divulgação dos vídeos e áudios dos delatores da JBS, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) não apareceram no Congresso. Maia não se manifestou sobre o assunto e Eunício, citado da delação, divulgou nota em que nega as acusações.

Impeachment

Até a manhã de hoje, a secretaria da Mesa da Câmara registrou 12 pedidos de impedimento do presidente Temer, nove deles apresentados na semana passada. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deve protocolar outro pedido ainda esta semana, conforme decisão do conselho da entidade, tomada no sábado, que entendeu que Temer cometeu crime de responsabilidade.

Votações

Apesar de defender a suspensão dos trabalhos, a oposição tem interesse em um projeto em tramitação na Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 227/15, de autoria do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), que acaba com a possibilidade de escolha do presidente interino pelo Parlamento e prevê a convocação de eleições diretas no caso de vacância da Presidência da República, exceto nos seis últimos meses do mandato.

A PEC é um dos 71 itens da pauta da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que tem reunião prevista para amanhã (23). Na quinta-feira passada, um dia depois da divulgação das denúncias, a comissão encerrou os trabalhos por falta de quórum.

A comissão especial que discute a reforma política também tem reunião prevista para amanhã. Os membros da comissão tentarão retomar a discussão do terceiro e último relatório parcial que sugere mudanças na forma de financiamento de campanha já para as próximas eleições.

No plenário da Câmara, entre os projetos pendentes de votação, está o que estabelece medidas de auxílio e reequilíbrio fiscal aos estados e ao Distrito Federal. O projeto autoriza a União a adotar, nos contratos de refinanciamento de dívidas e de abertura de crédito para os estados, o prazo adicional de até 20 anos para o pagamento. Oito medidas provisórias, que tramitam em caráter de urgência, também trancam a pauta.

Senado

No Senado, a previsão para esta semana era concluir a votação da PEC 10/2013, que trata do oro privilegiado. Aprovada em primeiro turno no fim de abril, a proposta extingue o foro privilegiado para todas as autoridades brasileiras nas infrações penais comuns. Fica mantido o foro privilegiado apenas para os chefes dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

Três medidas provisórias trancam a pauta do Senado e precisam ser votadas até o dia 29 de maio para não perderem a validade. Todas foram aprovadas na última semana pela Câmara dos Deputados com mudanças e serão analisadas na forma de projetos de lei de conversão.

Outro destaque da pauta dos senadores é a PEC 64/2016, que torna o estupro um crime imprescritível. A semana na Casa também é de expectativa para a instalação do Conselho de Ética. Até agora, apenas nove dos 15 titulares da comissão haviam sido indicados pelos blocos ou partidos políticos. Só depois da instalação do colegiado é que a representação contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), citado nas delações da JBS, apresentada pela Rede e pelo PSOL será apreciada. O documento pede a perda de mandato do senador por quebra de decoro parlamentar.

ABRH-RJ lança Centro de Estudos sobre Produtividade

Guerreiro, Denise, Carmen e Donadão participaram do 1º evento promovido pelo Centro de Estudos sobre Produtividade

A Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RJ) lançou nesta quarta-feira (17) o Centro de Estudos sobre Produtividade. A novidade foi anunciada durante um Workshop promovido na FIRJAN. “Lembro de uma matéria da Exame que destacava a produtividade do trabalhador brasileiro como sendo até quatro vezes menor do que a do americano. É preciso colocar esse cenário em discussão e buscar propostas e soluções. Vamos começar um estudo sobre o tema, mas sempre tendo como foco as pessoas. Queremos tratar a questão do ponto de vista humano”, explicou o presidente da ABRH-RJ, Paulo Sardinha.

A proposta do Centro de Estudos também é compartilhar os estudos e debates promovidos com as seccionais da ABRH-Brasil. A expectativa é que o tema se torne prioritário na agenda nacional.

“Está acontecendo com a produtividade o mesmo que aconteceu, no passado, com a qualidade e a sustentabilidade, quando estes se tornaram fatores de competitividade. Hoje, podemos dizer que a produtividade também o é”, avaliou o diretor da ABRH-RJ e um dos coordenadores da iniciativa, Dorival Donadão,  ao ratificar a necessidade do país priorizar o tema.

O workshop também representou a primeira atividade do Centro de Estudos. A professora da COPPEAD/UFRJ, Denise Fleck, a professora da Fundação Getúlio Vargas, Carmen Migueles e o Diretor de Saúde Integrada e Sustentabilidade do Sistema FIRJAN, Luiz Ernesto Guerreiro abordaram diversas facetas do tema, explicitando a complexidade da matéria.

Autora de oito livros em gestão, Carmen questionou a incapacidade do Brasil de estar entre os países mais produtivos. Ela citou o exemplo do Japão, que, apesar de sofrer com limitações geográficas e não ter vantagens competitivas naturais, conseguiu dar um salto de produtividade ímpar no século XX e planeja outro para 2025.

Carmem aponta que questões culturais explicam a dificuldade do Brasil de seguir o exemplo japonês. “Temos, devido a questões históricas e da nossa formação como país, a tendência de não confiar em ninguém, o que impede a construção de capital social”, avalia.

Para ela, outro empecilho é a crença de que a mudança deve vir de cima para baixo. Ela defende que a mudança ocorre sempre a partir do nível médio. Mas, para que haja uma transformação, é preciso reduzir a distância de poder, com alinhamento horizontal e liderança adequada.

Especializada em crescimento corporativo, estratégia e mudança organizacional, Denise apontou certas armadilhas que levam as organizações a não alcançarem a produtividade almejada. Um dos erros mais comuns é confundir eficiência e eficácia. Outro equívoco é tomar indicadores agregados por sinais precisos.

“Também vemos organizações que defendem o princípio de “quanto maior, mais rápido, melhor é”. Isso leva a um crescimento sem estrutura, o que, muitas vezes, resulta no fim precipitado da organização”, observou.

Para Denise, outra falha costumeira no setor corporativo é a de abordar a questão da produtividade por uma visão econômica. “Assim, vemos empresas que priorizam a eficiência e esquecem a eficácia”, critica.

O impacto da saúde das pessoas na produtividade foi o norte das considerações de Guerreiro. Ele explicou que, no Brasil, diferente do que acontece nos Estados Unidos, a saúde do trabalhador não é um diferencial competitivo. “Enquanto que lá as empresas compram informações sobre a saúde dos funcionários, aqui muitas têm esses dados, mas não os utilizam”, explica.

A falta de programas voltados para a saúde do colaborador gera consequências como absenteísmo e presenteísmo. “Há uma pesquisa que aponta que para cada pessoa que está faltando por doença existe de 3 a 6 que comparecem, mas não produzem por estarem doentes”, relata Guerreiro.

Para ele, a reforma da previdência pode piorar esse cenário. “Como a empresa vai ser produtiva em um ambiente de longevidade de carreira, se as pessoas ficam cada vez mais doentes?”, questiona.

Ele avalia que as empresas precisam mudar a visão da cultura organizacional. É necessário que a saúde seja gerida de forma estratégica, o que necessita do engajamento das lideranças e da comunicação em todos os níveis. O resultado, defende Guerreiro, será uma empresa criativa e inovadora, com ambiente saudável e ótimo clima organizacional.

Nova plataforma de marcação de consultas é apresentada na Feira Hospitalar

Durante a Feira Hospitalar, realizada em São Paulo entre os dias 16 e 19 de maio, médicos, profissionais de saúde e representantes de empresas do setor puderam conhecer o Mediclick, plataforma tecnológica para agendamento de consultas, exames e procedimentos apresentada aos participantes no evento.

Uma lista atualizada com mais de 60 mil medicamentos aprovados pela Anvisa e praticidade para organização da rotina do consultório médico são alguns dos diferenciais, além do fato de estar disponível totalmente “na nuvem”, o que permite ao médico acessar a plataforma de qualquer lugar por laptop, tablet ou celular.

“Na última semana, a base de médicos cadastrados no Mediclick aumentou em cerca de dez vezes. Estamos firmando convênios com associações, sociedades médicas e instituições de ensino internacionais para formalização de convênios e acordos de cooperação técnico-científica”, explica o Dr. Célio Chagas, cirurgião pediátrico e um dos sócios da plataforma.

São dezenas de especialidades, como Endocrinologia, Geriatria, Pediatria e Clínica Médica, além de Nutrição, Fisioterapia e Psicologia, entre outras, e há também opção de consultas em domicílio para atendimento de Clínica Médica, Pediatria e Geriatria.

Além de trazer praticidade e outras vantagens para os pacientes, o projeto foi desenhado por médicos para atender demandas da própria classe, muitas delas ainda não incluídas pelos concorrentes disponíveis hoje no mercado. A inscrição para adesão à ferramenta é gratuita e já pode ser realizada, através do site, tanto por médicos quanto por profissionais das áreas de Nutrição, Fisioterapia e Psicologia.

Medicina Preventiva: importante aliada para a conquista da longevidade com autonomia

 

A alta carga de estresse a que as pessoas estão continuamente submetidas potencializa a opção por estilos de vida inadequados, que colocam em xeque a saúde dos indivíduos. Esse cenário, praticamente epidêmico nos dias de hoje, faz da medicina preventiva, mais que uma opção para quem busca viver bem, condição para a sobrevivência. Essa foi a tônica da palestra ‘A Saúde da Mulher Atual’ apresentada pelo diretor-médico da Med-Rio Check-Up, Gilberto Ururahy, nesta terça-feira, 16, na Câmara de Comércio França-Brasil (CCFB), no Rio de Janeiro. Pioneiro, no Brasil, em check-up feminino completo – especialidade à qual se dedica há 26 anos, com mais de 35 mil clientes examinadas –, o médico evidenciou que a realidade mudou muito nas últimas décadas, com as mulheres se posicionando praticamente em condições de igualdade em relação aos homens quanto à exposição aos fatores de risco à saúde.

Um das dúvidas levantadas entre as participantes do encontro na CCFB, que contou com apoio do LIDE Rio de Janeiro (Grupo de Líderes Empresariais), reflete a apreensão das pessoas com a quantidade de exames pedidos pelos médicos, dita excessiva por algumas correntes. “Não se pode questionar a técnica, foram grandes e importantes os avanços em prol da saúde e do bem-estar”, explicou Ururahy, creditando a descrença quanto aos seus benefícios à falta de conhecimento sobre a Medicina Preventiva.

Segundo ele, sua aplicação é o caminho natural e mais barato para assegurar a longevidade com autonomia. Assim, exames preventivos são necessários para sinalizar o risco, detectar e conter a progressão de doenças. Essa importante preocupação encontra respaldo nos indicadores: de acordo com Ururahy, a análise dos check-ups feitos na clínica aponta que, em 1990, de cada nove vítimas de infarto, uma era mulher. Hoje, cada vez mais cedo, elas representam um terço do total de infartados.

A rotina atribulada das mulheres que acumulam várias jornadas – associada à pressão por resultados profissionais e às questões emocionais – foi ressaltada pelo diretor-médico da Med-Rio Check-Up, alertando que esse quadro pode levá-las a cair no ciclo dos estimulantes – uso de cafeína, de remédios indutores do sono, consumo excessivo de açúcar, fumo e álcool, entre outros hábitos maléficos. “O fato é que a adaptação das pessoas às mudanças do mundo moderno é algo muito difícil, mas quem não faz isso fica à margem. E com a velocidade dos acontecimentos, cada vez maior, é preciso gastar uma grande dose de energia, provocando-se o estresse, que nada mais é do que uma reação às transformações”, destacou Ururahy.