Cármen Lúcia homologa delações da Odebrecht: entenda os próximos passos e implicações

carmem_lucia

Por BBC Brasil

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, homologou hoje as delações de funcionários da Odebrecht, mantendo o sigilo sobre seu conteúdo. A decisão torna oficiais os depoimentos de 77 executivos e ex-executivos da empreiteira.

Agora, as centenas de páginas de depoimentos produzidos pela operação Lava Jato serão analisados pela Procuradoria Geral da República (PGR). A partir disso, os procuradores decidirão contra quem serão apresentadas denúncias à Justiça.

Segundo a assessoria de imprensa da PGR, cabe ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, analisar essas delações, mas não há um prazo para que isso seja feito.

“O que pode acontecer agora é a abertura de novos inquéritos, a distribuição das informações recebidas em inquéritos já abertos ou, ainda, o encaminhamento a outras instâncias do Ministério Público Federal. No entanto, só teremos esta informação após a análise”, informou a PGR por meio de nota à BBC Brasil.

Uma vez feitas as denúncias, caberá ao relator do processo no STF decidir se elas devem ser aceitas ou não. A função cabia ao ministro Teori Zavascki, que morreu em uma queda de avião em 19 de janeiro em Paraty, no Estado do Rio.

Pelo regimento interno do STF, no artigo 38, “em caso de aposentadoria, renúncia ou morte”, o relator é substituído pelo ministro que será nomeado pelo presidente da República para sua vaga. Mas, em casos urgentes, a presidente do STF poderia passar a relatoria para outro membro da corte, segundo as regras da Casa.

O novo relator terá de submeter sua decisão à apreciação dos integrantes da turma da Corte da qual participa. O ministro Zavascki era membro da segunda turma, junto com os ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli.

Mas, com sua morte e a indefinição de quem o substituirá no cargo e na relatoria da Lava Jato, não é possível saber no momento a qual turma caberá a apreciação das denúncias que vierem a ser feitas pela PGR.

Expectativa

Há uma grande expectativa em torno das delações feitas por executivos da Odebrecht. Seu ex-presidente, Marcelo Odebrecht, foi condenado em março do ano passado a 19 anos e 4 meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Para o magistrado, as investigações comprovaram que Odebrecht pagou mais de R$ 113 milhões em propinas para que sua empresa conquistasse contratos com a Petrobras.

Em nota na época, sua defesa afirmou que recorreria da decisão “injusta e equivocada, além de lastreada em provas obtidas ilegalmente”.

Ele e outros executivos da empreiteira aceitaram colaborar com a Justiça nas investigações em troca de terem suas punições atenuadas.

Já se sabe que ao menos uma das delações, feita por Claudio Melo Filho, cita mais de 50 políticos, entre eles o presidente Michel Temer e outros integrantes do primeiro escalão do governo federal.

‘Propinas’

Em sua delação, o ex-executivo da Odebrecht disse que a relação da empreiteira com políticos envolvia repasses de propinas e de doações legais de campanha.

O objetivo, afirmou, era “manter uma relação frequente de concessões financeiras e pedidos de apoio, em típica situação de privatização indevida de agentes políticos em favor de interesses empresariais nem sempre republicanos”.

O teor do documento foi vazado e publicado pelo site Buzzfeed e pela revista Veja em dezembro passado. Nele, Temer é mencionado 43 vezes.

Melo Filho disse que mantinha “relação próxima” com o núcleo político do presidente, mas que tratou “poucas vezes diretamente” com Temer sobre repasses de recursos.

Uma dessas ocasiões, teria ocorrido em maio de 2014, em um jantar no Palácio do Jaburu (residência oficial do vice-presidente), quando Temer teria pedido a Marcelo Odebrecht uma contribuição para as campanhas eleitorais do PMDB, e o presidente da empreiteira teria concordado em repassar R$ 10 milhões ao partido.

Em agosto passado, o presidente confirmou ter jantado com Odebrecht, mas ressaltou ter havido um pedido legal de “auxílio financeiro da Odebrecht a campanhas eleitorais do PMDB, em absoluto acordo com a legislação eleitoral em vigor”.

Em nota, o presidente “repudiou com veemência as falsas acusações” e disse que as doações da Odebrecht ao PMDB foram “todas por transferência bancária e declaradas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral)”.

Ministros citados

Identificado como “Primo” em documentos internos da Odebrecht, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PSDB), aparece 45 vezes na delação de Melo Filho.

Segundo o ex-executivo, Padilha atua como “verdadeiro preposto de Michel Temer e deixa claro que muitas vezes fala em seu nome”. Em nota, Padilha negou ter recebido propina da empreiteira.

Também foi citado por Melo Filho o ex-assessor especial do gabinete da Presidência, o advogado José Yunes, que pediu demissão do cargo após vir à público que seu nome estava na delação.

Os nomes do secretário-executivo de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco (PMDB), do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, e do ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), aparecem nesta e em outras delações.

Os três negam terem cometido irregularidades, assim como o ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB), que é apontado por funcionários da Odebrecht como destinatário de R$ 23 milhões repassados via caixa 2 para sua campanha presidencial de 2010.

Os ministros Mendonça Filho (Educação, DEM), Raul Jungmann (Defesa, PPS) e Ricardo Barros (Saúde, PP) também aparecem em documentos da Odebrecht apreendidos em fevereiro de 2016.

Eles estariam entre os mais de 200 políticos de mais de 20 partidos que receberam recursos da empreiteira.

Mercado prevê que Selic chegará a 9% ao ano em 2018

reajsute
Previsão inicial dos juros era de 10,25% ao ano

O mercado financeiro projeta que a Selic, a taxa básica de juros da economia, chegará a 9% ao ano em 2018. Para 2017, está mantida a projeção da Selic em 9,5% ao ano. O mercado também prevê que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará em 4,7% este ano, perto do centro da meta: 4,5% com dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

As estimativas estão no boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central (BC) feita com instituições financeiras. No início do mês, as instituições consultadas para o levantamento ainda previam a taxa básica de juros na casa dos dois dígitos em 2017, em 10,25% ao ano.

O mercado vem se mostrando mais otimista a respeito da Selic depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduzir a taxa básica mais que o esperado, em sua primeira reunião de 2017. Em lugar da queda de 0,5 ponto percentual projetada, o Copom cortou 0,75 ponto percentual. O presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmou que este deve ser o “novo ritmo” de redução dos juros.

A decisão de intensificar a redução da taxa básica de juros ocorreu após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar que a inflação medida pelo IPCA encerrou 2016 em 6,29%.

A Selic é um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação. Quando o Copom aumenta a Selic, a meta é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando o Copom diminui os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação.

A projeção de instituições financeiras para o crescimento da economia (Produto Interno Bruto – PIB, a soma de todas as riquezas produzidas pelo país) em 2017 permanece em 0,50%.

Governo federal libera R$ 395 milhões para área de saúde do Rio

ministro da saude
Ministro Ricardo Barros pretende diminuir fila de espera por exames

O governo federal vai liberar R$ 395,4 milhões para a área de saúde do estado do Rio de Janeiro. O principal objetivo é a redução das filas para procedimentos cirúrgicos. O anúncio da liberação dos recursos foi feito pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, juntamente com o prefeito Marcelo Crivella, no auditório do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into).

Na oportunidade, o ministro anunciou ainda a união dos seis hospitais federais do Rio de Janeiro para um mutirão de realização de cirurgias, consultas e exames pré-cirúrgicos para ajudar a desafogar as filas de maior demanda na capital.

Ao todo, os R$ 395,4 milhões serão destinados a 160 serviços/leitos distribuídos em 37 municípios contemplados pela iniciativa.

Dados fornecidos pelo Ministério da Saúde indicam que a expectativa é que em 90 dias sejam realizados 5.460 atendimentos. O mutirão deve ter início no dia 1º de fevereiro.

“O mutirão de cirurgias, exames e consultas especializadas envolverá um total de 5.500 procedimentos dos quais 3.200 cirúrgicos, que serão realizados nos hospitais federais no estado. Será uma parceria para unificar as filas de regulação de modo a que todos os procedimentos ocorram de forma permanentemente e integrada em fila única envolvendo todos os serviços de saúde”, ressaltou o ministro Ricardo Barros.

Para o prefeito Marcelo Crivella, a iniciativa do Ministério da Saúde “é uma prova de que o governo do presidente Michel Temer não pretende, como se chegou a falar, cortar recursos para as áreas da saúde e da educação. Com essas consultas e a parceria com o governo federal nós pretendemos reduzir as filas para consultas e cirurgias que muito nos envergonham”.

Prestação de contas

Ao prestar contas dos 200 dias de sua gestão à frente da pasta da Saúde, o ministro Ricardo Barros adiantou que os R$ 395,4 milhões que a União está destinando ao Rio de Janeiro é fruto da “otimização dos gastos públicos” por parte do ministério. Segundo ele, a iniciativa já possibilitou uma economia total de R$ 1,9 bilhão, o que vai garantir o aumento da assistência à população no âmbito da rede pública de saúde.

Do total liberado para o Rio de Janeiro, R$ 106,6 milhões beneficiam serviços como leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), voltados para os atendimentos de urgência e emergência, saúde bucal, saúde do trabalhador, saúde mental, rede de atenção à urgência e emergência, além do custeio de serviços hospitalares e ambulatoriais voltados à assistência especializada, inclusive os atendimentos de média e alta complexidade, como oncologia. Mais R$ 288,8 milhões são referentes a emendas parlamentares.

Mutirão

O mutirão de cirurgias, consultas e exames pré-cirúrgicos anunciado pelo ministro e pelo prefeito do Rio compreende a união dos seis hospitais federais no estado e tem por objetivo desafogar as filas de maior demanda no município. A ação terá início já no próximo dia 1º e vai durar 90 dias (de segunda a sexta-feira), período em que os hospitais federais do Andaraí, Ipanema, Lagoa, Bonsucesso, Cardoso Fontes e dos Servidores do Estado realizarão um total de 5.460 cirurgias e consultas de pacientes encaminhados pelo sistema de regulação do município.

Devem ser realizadas 3.160 cirurgias de média e alta complexidade nas áreas pediátrica, oftalmológica de catarata, hérnia, vesícula, além de procedimentos cirúrgicos de dermatologia (como biopsias). A previsão é zerar as filas de catarata, vesícula e hérnia nos hospitais federais.

Testes revelam verdades sobre medicamentos genéricos

medicamento
Matéria do Fantástico avaliou a eficácia dos genéricos mais vendidos

O assunto da reportagem especial do Fantástico preocupa médicos e pacientes, porque trata da eficácia dos medicamentos genéricos. Criados como cópias dos remédios de marca e com um preço bem mais acessível, os genéricos respondem, hoje, por 30% mercado, pouco para uma política tão importante como essa.

Além de descobrir quais são os genéricos mais vendidos, para ver se eles funcionam mesmo, o Fantástico encomendou um teste num laboratório credenciado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O estudo investigou os 3 princípios ativos mais consumidos no país em 2015, produzidos por 9 laboratórios que fabricam 15 dos remédios mais vendidos no Brasil.

Veja aqui a matéria original.