Projeto do Einstein utiliza inteligência artificial para diagnóstico de câncer de pele, tuberculose e alterações cerebrais em pacientes do SUS
Iniciativa inédita, realizada por meio do PROADI-SUS, permite que 80 centros tenham imagens analisadas por meio de algoritmos

Por meio da inteligência artificial (IA), um projeto conduzido pelo Einstein, que faz parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), em parceria com o Ministério da Saúde, está em fase de validação para permitir que exames de imagens – como raio-X e tomografia – sejam analisados por algoritmos complexos e auxiliem no diagnóstico de doenças como tuberculose e alterações secundárias ao vírus da zika, além de câncer de pele através de fotos da pele.

O Banco de Imagens, iniciativa inédita no Brasil, se propõe a expandir e escalonar a base nacional de exames de imagens no país, servindo de apoio para a implementação da IA. Com isso, ajuda a resolver dois importantes problemas: a inexistência de uma plataforma que consolide os exames realizados por pacientes do SUS e a dificuldade no diagnóstico de algumas doenças.

“Muitos dos exames realizados por pacientes do SUS ao longo dos anos se perderam pela inexistência de uma plataforma que os consolidasse. Isso fez com que seu histórico se perdesse e muitos exames fossem repetidos, levando ao desperdício de recursos no sistema de saúde”, explica Dr. Pedro Vieira, coordenador médico de inteligência artificial do Einstein. “Reunir esses dados em uma só plataforma parecia ser uma missão impossível, mas se tornou uma realidade e, sem dúvidas, beneficiará a todos”, ressalta.

Para garantir acessibilidade a qualquer profissional em qualquer localização do país, a plataforma pode ser utilizada em qualquer tipo de aparelho celular, mesmo os mais simples, com um uso descomplicado: basta enviar a foto do exame, que imediatamente o algoritmo identifica os possíveis diagnósticos, exibindo as probabilidades de determinada doença, apontando o local onde ela se encontra e qual é a alteração, além de sinalizar outras patologias que podem estar relacionadas.

“Isso fomenta o ecossistema de inovação ligado à saúde. Este banco de imagens fortalecerá a interoperabilidade de imagens médicas do SUS, o que pode ser usado por startups e centros de pesquisa para desenvolver e validar novos algoritmos”, destaca o especialista.

Por meio da inteligência artificial, o diagnóstico poderá ser realizado em segundos, e caso o algoritmo detecte alguma anormalidade, um médico especialista poderá ser acionado para investigar o caso a fundo. Pela abrangência do projeto, o acesso à saúde também será ampliado. “Um paciente de uma região remota do Amazonas poderá ter a mesma qualidade de diagnóstico de um paciente atendido em São Paulo, que tem mais recursos”, acrescenta.

Na primeira fase, o Banco de Imagens contou com parcerias internacionais, como com a Universidade de Stanford — instituição considerada referência em inovação, inteligência artificial e algoritmos voltadas a diagnóstico por imagens. O Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação (DECTI), considerado o principal agente fomentador de conhecimentos científicos, tecnológicos e de inovação em saúde, é o responsável pela gestão da iniciativa, em parceria com o DATASUS e com a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), responsável pelas doenças que serão rastreadas. Todos os órgãos são do Ministério da Saúde.

Segurança de dados

A fim de assegurar o compartilhamento seguro do dado, o projeto realizou inúmeros testes para garantir que os dados dos usuários fossem compartilhados de forma anonimizada. O tipo de informação disponibilizada será útil somente para a realização de pesquisas científicas.

Sobre o PROADI-SUS

O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde, PROADI-SUS, foi criado em 2009 com o propósito de apoiar e aprimorar o SUS por meio de projetos de capacitação de recursos humanos, pesquisa, avaliação e incorporação de tecnologias, gestão e assistência especializada demandados pelo Ministério da Saúde. Hoje, o programa reúne seis hospitais sem fins lucrativos que são referência em qualidade médico-assistencial e gestão: Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP — A Beneficência Portuguesa de São Paulo, HCor, Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Sírio-Libanês. Os recursos do PROADI-SUS advém da imunidade fiscal dos hospitais participantes. Os projetos levam à população a expertise dos hospitais em iniciativas que atendem necessidades do SUS. Entre os principais benefícios do PROADI-SUS, destacam-se a redução de filas de espera; qualificação de profissionais; pesquisas do interesse da saúde pública para necessidades atuais da população brasileira; gestão do cuidado apoiada por inteligência artificial e melhoria da gestão de hospitais públicos e filantrópicos em todo o Brasil. Para mais informações sobre o Programa e projetos vigentes no atual triênio, acesse o portal PROADI-SUS.

Sistema web utiliza inteligência artificial para diagnóstico de Covid-19
Taxa de acerto da tecnologia é de quase 93%

 

 

Da Redação

Muitos dos desafios enfrentados na pandemia de Covid-19, tanto no diagnóstico quanto no tratamento, foram vencidos por meio da tecnologia. Quando o número de testes RT-PCR e de testes sorológicos IGG/IGM era limitado, uma solução desenvolvida na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) ajudou a aumentar a confiabilidade do diagnóstico clínico, apoiando a tomada de decisão de internação através de inteligência artificial e exames de sangue. Esta solução é o sistema web Heg.IA, utilizado no município de Paudalho, em Pernambuco, para auxiliar no diagnóstico clínico e avaliar a gravidade do doente e a situação dos internados. Sua taxa de acerto foi de aproximadamente 92,9% para o diagnóstico da Covid-19.

O desenvolvimento do Heg.IA começou a partir de um desafio chamado Diagnosis of COVID-19 and its clinical spectrum, elaborado pelo Kaggle, uma plataforma de aprendizagem e competição para cientistas de dados. Lançado em março de 2020, o desafio forneceu uma base de dados anônima contendo 107 parâmetros clínicos, como hemograma e exames de urina, de 5.644 pacientes atendidos no Hospital Israelita Albert Einstein. Destes, 559 foram diagnosticados com Covid-19 através do exame RT-PCR, com uso de swabs. Foi a partir daí que Wellington Pinheiro dos Santos, professor de Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Pernambuco, começou a reunir vários pesquisadores, dentre eles, seus orientandos de doutorado e mestrado, para tentar desenvolver um sistema de apoio ao diagnóstico da Covid-19.

O objetivo era encontrar um método que pudesse ser aplicado como um teste rápido para Covid-19, principalmente quando a testagem era crucial para o controle da pandemia. “A partir disso, os integrantes do grupo deram uma pauta nas pesquisas em andamento a fim de usar sua expertise em inteligência artificial para lidar com o novo problema mundial”, explica Valter Augusto de Freitas Barbosa, professor assistente da Unidade Acadêmica de Serra Talhada da UFRPE.

Primeiramente, os pesquisadores tentaram encontrar os parâmetros clínicos mais relevantes para o diagnóstico da Covid-19 utilizando a base de dados. “Buscávamos encontrar uma solução simples para testagem, pois se utilizássemos os 107 parâmetros resultantes de exames clínicos, seria uma ferramenta cara e lenta”, expõe. Assim, usando algoritmos dedicados à seleção de atributos, foi possível reduzir esse número para 63. “Em seguida, trabalhamos com algoritmos de inteligência artificial especialistas na detecção de padrões para, com base nos 63 parâmetros, indicar se o paciente está com Covid-19. E, se o teste desse positivo, sinalizar o tipo de internação apropriada de acordo com a gravidade, seja ela enfermaria, unidade semi-intensiva de tratamento ou unidade intensiva de tratamento”, relata Barbosa.

Também foram feitos experimentos com uma base de apenas 24 parâmetros, visando reduzir o custo dos exames envolvidos. O desempenho do método caiu, mas ainda assim bons resultados foram obtidos. Esse trabalho foi publicado no artigo “Heg.IA: an intelligent system to support diagnosis of Covid-19 based on blood tests”, da Research on Biomedical Engineering, periódico oficial da Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica.

Após esse trabalho, os pesquisadores começaram a desenvolver novas versões no Heg.IA, até que chegaram à versão publicada no Journal of Biomolecular Structure and Dynamics, no artigo “Covid-19 rapid test by combining a Random Forest based web system and blood tests”. “Nela, optamos por trabalhar com os exames recomendados pelo Ministério da Saúde como uma abordagem clínica inicial e parte do processo de diagnóstico de pacientes com suspeita de Covid-19”, conta Barbosa. Ou seja, o intuito foi utilizar exames clínicos já realizados pelos centros de saúde em casos suspeitos, não havendo, assim, perda financeira ou tempo gasto em testes adicionais.

Dessa maneira, a nova versão do Heg.IA trabalhou com 41 parâmetros hematológicos, sendo 20 provenientes do hemograma completo e nove da gasometria arterial. A ideia principal de utilização do sistema é que quando o paciente com sintomas característicos da Covid-19 for a um centro de saúde, ele seja avaliado por uma equipe médica, que deve solicitar exames de sangue. Após a obtenção dos resultados, um profissional de saúde poderá acessar o site do Heg.IA, mediante login, e inserir os dados do exame do paciente.
“Após finalizar, o sistema irá gerar um laudo com diagnóstico positivo ou negativo para Covid-19, além da previsão de internação. Este laudo pode ser impresso e utilizado pela equipe médica para definir a conduta clínica final”, detalha Barbosa.

O projeto “Sistema web para teste rápido de Covid-19 baseado em Random Forest e exames de sangue” é um dos vencedores do Prêmio SBEB-Boston Scientific de Inovação em Engenharia Biomédica modalidade SUS. A premiação nasceu em 2019 para incentivar o desenvolvimento de trabalhos que colaborassem com o SUS – Sistema Único de Saúde. Este ano, foi criada uma modalidade contemplando também iniciativas de outros países da região que pudessem ter impactos positivos para sistemas públicos de saúde de toda a América Latina.

A decisão pela nova categoria se deu em função de o Brasil ser a sede do IX Congresso Latino-Americano de Engenharia Biomédica 2022, organizado pelo XXVIII CBEB – Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica. Foram submetidos ao prêmio 192 projetos, sendo escolhidos como vencedores pelo Comitê Avaliador Independente seis deles (três para o SUS e três para a América Latina).

A cerimônia de premiação ocorrerá no dia 8 de novembro com transmissão ao vivo, ao estilo talk show, a partir da sede da Boston Scientific no Brasil, por meio dos canais da empresa no YouTube, Facebook e LinkedIn. O evento contará com convidados presenciais, representando o Comitê de Avaliação, o Ministério da Saúde, o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, a Anvisa e diversos setores do ecossistema de inovação em saúde do país. Haverá, ainda, uma palestra ao piano de João Carlos Martins sobre motivação e superação. O maestro é um exemplo vivo do quanto uma vida pode ser transformada por meio da engenharia biomédica.

Data Science e Inteligência Artificial são temas de pós-graduação da ENS
Com duração de 120 horas, programa é composto por cinco disciplinas

 

Da Redação

Uma experiência relacionada à busca por respostas às perguntas estratégicas usando a Gestão de Dados. Essa é a proposta da pós-graduação Negócios e Data Science, ministrada pela Escola de Negócios e Seguros (ENS) na modalidade online.

O curso é indicado a todos os gestores de empresas que precisam conhecer ferramentas como Gestão de Dados e Inteligência Artificial para facilitar os processos de tomada de decisão. Com duração de 120 horas, o programa é composto por cinco disciplinas.

A primeira, Análise Setorial de Seguros e Correlatos: impactos dos novos agentes, aborda a estrutura de mercado, estratégias e desempenhos empresariais, além do cenário econômico e a cadeia produtiva do setor de seguros.

Na cadeira Marketing 4.0 e novos comportamentos de consumidor, os alunos serão capazes de compreender as etapas do processo decisório em marketing e seus elementos, além de conhecer diferentes modelos, ferramentas e metodologias para análise de riscos, montagem de cenários e tomada de decisão na área.

Outras três disciplinas com viés técnico completam o programa: Fundamentos e Plataforma de Big Data, Introdução à Inteligência Artificial, e Data Analytics e Visualização de Informação. A pós-graduação é promovida em parceria com o programa IBM Academic Initiative, que proporciona atividades práticas desde a primeira aula e o aprendizado acerca das técnicas ideais para solução dos problemas de negócios.

Para participar, é necessário ter Ensino Superior completo. As inscrições estão disponíveis no site ens.edu.br e mais informações podem ser obtidas pelo e-mail posgraduacao@ens.edu.br e nos telefones (11) 27391049 e (11) 2739-1059.

Parceria inédita entre IBM e ENS oferece ensino 100% digital em cibersegurança, ciência de dados e inteligência artificial
Mais de 900 executivos e líderes dos setores de negócios e seguros poderão se certificar em áreas altamente demandadas no mercado

Da Redação

A IBM e a Escola de Negócios e Seguros (ENS) firmaram uma parceria para oferecer programas de ensino 100% digitais, em português, focados em tecnologia e segurança de dados. O projeto, que usa metodologias ativas e trabalho em equipe para resolução de problemas reais de negócios, tem previsão de início para agosto e inclui cursos sobre cibersegurança, ciência de dados e inteligência artificial. As aulas são voltadas para a requalificação de profissionais de diferentes segmentos que desejam aprimorar conhecimentos sobre os temas, otimizando a gestão e tomadas de decisões.

As escolhas das áreas contempladas pelo programa de ensino têm relação com as demandas do mercado. De acordo com estudo do IBV, nos próximos três anos, 120 milhões de profissionais das 10 maiores economias do mundo terão que passar por um processo de treinamento e requalificação como resultado do desenvolvimento em inteligência artificial e novas tecnologias.

No primeiro ano do projeto, IBM e ENS projetam capacitar cerca de 900 alunos de perfil executivo. Baseados no programa IBM Skills Academy, que busca criar sinergia entre negócios e tecnologia dentro das universidades, os treinamentos terão duração de dois meses e foram especialmente desenhados para gestores que lidam com os impactos de ataques cibernéticos e foco na prevenção e minimização de danos. O programa alcançou globalmente 393 universidades e desde o início já treinou 56 mil estudantes e 8.500 professores, além de emitir 21 mil certificados.

Antes e no transcorrer do projeto, a IBM vai oferecer conteúdo e capacitar os instrutores com metodologias ativas de forma virtual para que os professores estejam preparados para esta forma de aprendizado totalmente online. Já a ENS tem como objetivo incorporar o programa em seus cursos, tanto na graduação, quanto em pós-graduação e educação continuada.

Boa parte dos cursos será ministrada na Sala do Futuro, nova plataforma de ensino que será inaugurada pela ENS em sua Unidade de São Paulo. Trata-se de uma sala de aula virtual com telas de altíssima resolução e software de controle online e tempo real de última geração. Na Sala do Futuro – a primeira da América Latina –, será possível conectar até 40 pessoas ao mesmo tempo, de qualquer parte do mundo, com mais 30 alunos presenciais.

“É nossa missão, como parceiros das empresas e sociedade, possibilitar a requalificação dos profissionais para atender às demandas tecnológicas atuais e futuras. E encontramos na ENS, também empenhada em melhor formar gestores, uma instituição de renome e força no mercado para avançarmos em nossa meta a partir de um projeto tão importante como este”, afirma Alcely Strutz Barroso, Líder de Programa Globais para a Universidade da IBM na América Latina.

Segundo a IDC, o tempo para capacitar a força de trabalho aumentou dez vezes em quatro anos – de 4 horas para 40. Além disso, a consultoria prevê que, até 2022, a economia digital deve representar mais de 50% do PIB da América Latina, com crescimento impulsionado por operações aprimoradas digitalmente.

“Vamos difundir conhecimentos que podem trazer mudanças profundas no mercado. Ter noções de ciências de dados e inteligência artificial, por exemplo, pode significar grandes avanços nas mais diversas empresas. Já a cibersegurança é um assunto que precisa ser mais entendido e debatido, principalmente entre líderes. Quase 80% das organizações ainda estão despreparadas para responder de forma adequada aos incidentes de segurança cibernética, segundo estudo recente do Instituto Ponemon e encomendado pela área de Segurança da IBM”, afirma Mario Pinto, diretor de Ensino Superior da ENS.