Cultura de prevenção nas empresas para gerenciar riscos por afastamento do trabalho
Caroline Jones

 

Caroline Jones é diretora jurídica da BMS Projetos & Consultoria

O cenário de pandemia traz um risco muito alto para as empresas. A Covid-19 pode ser considerada doença ocupacional e tem impacto enorme no dia a dia das corporações, seja no ambiente interno e externo, no deslocamento dos colaboradores ou em suas casas. Cabe perguntar aos gestores: o Sistema de SST (Saúde e Segurança do Trabalho) é resiliente? O Gerenciamento de Risco Ocupacional (GRO) faz parte desse sistema integrado? Na empresa, existe um Comitê Gestor de Afastados, ativos e terceirizados, nos quais se inserem, com poder decisório horizontal, RH, Contabilidade, SST e Direção?

 

Caso estas interrogações tragam mais dúvidas do que respostas, é importante observar o seguinte: o Informe do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, em 2020, registrou 20,8 mil notificações de acidente de trabalho por CID B34.2 (Infecção por coronavírus de localização não especificada) e 51 mil afastamentos por CID B97.2 (Coronavírus, como causa de doenças classificadas em outros capítulos). Isso somente na cidade de São Paulo, que reúne 12,3 milhões de habitantes (IBGE, 2020).

Os números do INSS referentes à referida capital, nos casos de Covid-19, são os seguintes: 5,6 mil concessões de benefícios previdenciários em 2020; 1,1 mil CATs (INSS/CATWEB); e 51 mil Afastamentos Previdenciários Acidentários (B91). Os benefícios por incapacidade causados por doença respiratória saltaram de 19,3 mil, em 2019, para 51,3 mil em 2020, uma alta de 166%. Analisando apenas o tipo de doença, a Covid-19 ficou em segundo lugar nas concessões de auxílio incapacidade em 2020, só perdendo para as doenças incapacitantes por problemas no disco lombar, que lideram o ranking com 45,7 mil benefícios.

O contexto de pandemia reforçou em todos – empresas, empregados, sociedade em geral – a necessidade de atitudes preventivas para a mitigação dos riscos de acidentes no trabalho. As empresas devem promover campanhas de prevenção de acidentes com a participação de representantes dos trabalhadores e empregadores, além de outros clusters para que, juntos, formem uma teia protetiva e preventiva. Isso, chama-se cultura de prevenção.

Com base nessa estratégia de mitigação de risco, é possível calcular a economia a ser gerada até o fim do ano, seja em gestão de afastados, pagamento de sinistros (incapacidade laborativa), aumento da satisfação ou segurança no ambiente laboral. O GRO, junto com o SST, deve ser encarado como um sistema resiliente, de gestão de Saúde e Segurança do Trabalho, como forma de assessorar a Diretoria na tomada de decisão. Em poucas palavras: a resiliência de uma organização em matéria de SST depende do grau de maturidade do processo de gestão de riscos.

É importante criar o Quadro de Maturidade da GRO: a) vulnerável (aceita que incidentes ocorram); b) reativo (previne incidentes parecidos, estudam as NRs); c) conformidade ou compliance em gestão de afastados e gestão de pessoas (previne incidentes antes que ocorram).

As iniciativas devem ser voluntárias, ou seja, proativas (visam a melhoria constante do sistema), e a resiliência (forma de conduzir os negócios), é a capacidade da empresa responder de forma positiva às adversidades, bem como, examinar os processos de identificação, avaliação, implementação de controles, monitoramento contínuo e comunicação dos riscos.

As empresas, mesmo as de pequeno porte, necessitam para sobreviver de uma cultura de prevenção e o comprometimento de todas as áreas envolvidas. O tema da Organização Internacional do Trabalho (OIT) deste ano é: “Antecipar Crises, Preparar e Responder – Investir Hoje em SST Resilientes”. E ainda cita: a pandemia envolveu governos, empregadores, trabalhadores e a população a enfrentar desafios atípicos em relação ao coronavírus e, sobretudo, aos seus efeitos no mundo do trabalho.

É prudente pensar que o trabalhador acometido de Covid-19 e recuperado pode apresentar sequelas futuras, que podem gerar novos benefícios previdenciários, entre eles: auxílios por acidente do trabalho; auxílio incapacidade permanente (invalidez); auxílio incapacidade por doença do trabalho; auxílio incapacidade previdenciário; pensão por morte por acidente do trabalho e pensão por morte previdenciária.

Ainda cabe pensar nos custos de reposição de mão de obra, auditoria trabalhista, previdenciária/tributária, multas por descumprimento de obrigações acessórias, nas esferas tributárias, onde se verifica a responsabilidade objetiva, tanto do CNPJ, quanto dos CPFs dos gestores, além de casos em que pode haver ação penal, ação regressiva, indenização por danos morais e materiais, com pagamento de pensão aos dependentes do trabalhador/segurado, dentre outros. Enfim, o risco é bastante elevado para que as variáveis expostas acima sejam desprezadas.

Prime Day 2021 – Você está preparado?
Johann Barsby

 

Johann Barsby é Account Director da Jellyfish

De acordo com o eMarketer, as vendas globais durante o Prime Day 2020, realizado em outubro, foram estimadas em 10 bilhões de dólares. Minha intenção não é pressionar as marcas, mas provavelmente teremos outro Prime Day com quebra de recordes neste ano. O evento acaba de ser confirmado pela Amazon para os dias 21 e 22 de junho. Agora é a hora de se certificar que seu negócio na Amazon esteja pronto para a ação. Seguem as dicas:

 

 

De acordo com o eMarketer, as vendas globais durante o Prime Day 2020, realizado em outubro, foram estimadas em 10 bilhões de dólares. Minha intenção não é pressionar as marcas, mas provavelmente teremos outro Prime Day com quebra de recordes neste ano.

O evento acaba de ser confirmado pela Amazon para os dias 21 e 22 de junho. Agora é a hora de se certificar que seu negócio na Amazon esteja pronto para a ação. Seguem as dicas:

Parte 1: Antes do Prime Day
Preparação é tudo e um Prime Day de sucesso é um Prime Day bem planejado. A Amazon comunica com vários meses de antecedência o prazo para o envio de promoções, que devem ser validadas, para que sejam beneficiadas com boas colocações. As marcas devem então garantir que estejam prontas ao menos duas semanas antes do grande dia. Veja algumas das melhores práticas em termos de atividades de promoção e comunicação:
– Prepare suas audiências para o evento, tanto a antiga como a nova, por meio de sensibilização e táticas de consideração. Por exemplo, campanhas com displays patrocinados com focalização ampla, apresentando grande número de produtos e campanhas de aquisição de displays, para atingir a audiência via espaços publicitários fora da plataforma DSP da Amazon.
– Use a solução Amazon Atribution para identificar como as estratégias cross channel podem impactar considerações e vendas de seu produto. Assegure-se de conhecer o canal a ser utilizado para engajar sua audiência e direcionar o tráfico para suas páginas de produtos da Amazon quando o momento chegar.

Preparando conteúdo de qualidade:
– Agende updates de loja para o Prime Day e ative widgets disponíveis nas lojas, para apresentar os acordos específicos do Prime Day.
– Prepare campanhas dedicadas de marcas patrocinadas, que redirecionem para a página de acordos da loja da marca, com lançamento no Prime Day.
– Revise todos os seus materiais de conteúdo e tire vantagem dos mais recentes formatos e ferramentas (conteúdo A+, vídeos, posts etc.)
– Vídeos são a chave. 84% dos consumidores dizem que se convenceram a comprar um produto ou serviço ao assistir um vídeo. Vídeos de marcas patrocinadas geralmente têm maiores índices de conversão (até 162% mais cliques em comparação com um anúncio estático, segundo a Amazon). Certifique-se de fazer teste A/B a tempo com os vídeos, para que tudo esteja perfeito para o Prime Day.

Parte 2: Durante o Prime Day
Durante a semana do Prime Day é crucial que as marcas permaneçam extremamente focadas em suas campanhas publicitárias e no seu negócio na Amazon como um todo. Elas precisam ter certeza de que têm tudo sob controle, para que nenhuma venda seja perdida. Confira:
– Use todas as ferramentas disponíveis para ganhar percepção da marca e criar descontos de barganha. Muitas opções estão disponíveis e é recomendado usar todas se possível: acordos da Amazon, cupons e promoções do Prime Day.
– Adaptar campanhas publicitárias e budget. Antes e durante o Prime Day, o custo por clique deve disparar. Recomenda-se focar no seu produto de melhor performance e até mesmo desativar campanhas de baixa performance para alocar mais budget no que realmente está funcionando. Durante a semana do Prime Day é melhor focar apenas em produtos e campanhas de maior performance. Este não é o momento para ser mais criativo e experimentar palavras-chave novas do nada.
– Use uma campanha de exibição patrocinada para gerar vendas. Campanhas de consideração e sensibilização iniciadas antes do Prime Day devem levar a conversões durante o evento.
– Divulgue sua campanha de Prime Day em canais externos. Use influenciadores, publicidade etc. Marcas que usam Amazon Attribution são capazes de saber quais canais podem gerar mais conversões.

Parte 3: Após o Prime Day
Quando o Prime Day terminar, a guerra pela partilha de mercado na Amazon ainda não terá acabado. Marcas precisam capitalizar seus esforços para desenvolver seus negócios em longo termo. Acompanhar o processo após o Prime Day é essencial para construir relacionamentos reais com os clientes. Para isso, marcas podem:
– Manter contato com seus clientes: gerenciar comentários (especialmente os negativos), pois estes impactarão diretamente sua futura visibilidade.
– Reengajar sua audiência: Principalmente de marcas que tiveram grande número de vendas durante o Prime Day. É possível organizar campanhas de remarketing explorando o efeito halo para atingir novos recordes de vendas.
– Converta todos os leads: Ao final do Prime Day às vezes o índice de conversão da página de um produto pode ser decepcionante, mas este não é o único dia para gerar vendas. Marcas terão desenvolvido uma sólida base de potenciais clientes, que acessaram a página de seus produtos e podem ser seguidos com campanhas de remarketing.
O Prime Day pode ser um grande estímulo para a presença de uma marca na Amazon e é importante estar preparado para aproveitá-lo ao máximo. Contudo, o evento deve ser parte de uma estratégia de longo termo e ser utilizado para coletar dados, atingir uma nova audiência e testar tipos de experiência do consumidor que alimentarão a estratégia de vendas, permitindo adaptá-la para que atenda melhor às necessidades dos clientes no futuro.

A jornada do colaborador no ambiente híbrido: como se adequar à nova cultura?
Nayara Prado e Cíntia Martins

 

Há muito tempo se fala do “sentido do trabalho”, mas, essa expressão nunca foi tão forte quanto agora, ao pensamos no novo contexto organizacional. Já se passaram mais de 365 dias desde que as relações mudaram drasticamente e reforçaram o quanto a adaptação e a agilidade se tornaram um diferencial competitivo.

O acrônimo MUVUCA, da realidade significativa, universal em um contexto volátil, incerto, complexo e ambíguo, que era tão utilizado antes da pandemia, hoje dá espaço para o BANI, que significa fragilidade, ansiedade, não linearidade e incompreensibilidade. É neste novo momento que entendemos que o mundo é frágil. A Covid-19 transformou drasticamente a lógica dos mercados provocando mudanças significativas até mesmo nas carreiras, tornando possíveis novas posições e formas de trabalho.

Somado a isso, a ansiedade gerou a necessidade de tomar decisões rapidamente, pois qualquer minuto perdido parece nos colocar para trás e a diferença entre o sucesso e o fracasso pode estar no tempo de resposta às fragilidades que enfrentamos.

Em um ambiente não linear, as decisões têm alto impacto, fortalecendo cada vez mais o preparo e o autodesenvolvimento dos colaboradores para o intraempreendedorismo – aquele que empreende para dentro – e o protagonismo na tomada de decisão. Esse novo modelo exige uma mentalidade data-driven, ou seja, a busca por respostas com base em dados e nas inúmeras informações que temos de todos os lados. Por isso, as empresas e lideranças devem se posicionar para dar suporte para o colaborador, fazendo com que o sentido do trabalho seja experienciado em sua totalidade.

Pensando que os escritórios corporativos descontraídos ganharam extensão nas casas dos profissionais, tornando um só núcleo os ambientes familiar, profissional, educacional e de lazer, como é possível promover a cultura da empresa com uma jornada que faça sentido para as diferentes gerações e que seja orgânica em sua experienciação?

Uma cultura inovadora exige um ecossistema que sustente tal princípio a partir da adoção de medidas que empoderem as pessoas como o centro das decisões, dando-lhes autonomia e consciência dos impactos de suas ações, e principalmente, tratando o erro com tolerância. Além disso, é fundamental ter uma liderança capaz de suportar essa cultura com a compreensão dos diferentes comportamentos e perfis das gerações atuantes para saber conduzir todos a um único objetivo e diante de um mesmo propósito.

Para suportar esse ecossistema híbrido, os líderes, como grandes agentes integradores, tomam o papel imprescindível como propulsores do desenvolvimento e do protagonismo dos profissionais. Claro, não podemos esquecer da necessidade de relações humanizadas e empáticas à distância e de proporcionar uma experiência positiva ao colaborador. Não se trata mais um diferencial competitivo, mas sim de uma necessidade.

O mundo em sua volatilidade nos provoca a desconstruir padrões antes aplicados na gestão de pessoas, nos levando a ressignificar novos comportamos e processos diante dessa nova realidade BANI. E você, já parou para pensar quantos novos aprendizados obteve nesse novo contexto? Seguimos juntos nesse momento no qual a incerteza é a única certeza que temos e que novos aprendizados virão continuamente.

*Nayara Prado é Culture & Development Coordinator e Cíntia Martins é HR Business Partner Coordinator, ambas atuam na Engineering, companhia global de Tecnologia da Informação e Consultoria especializada em Transformação Digital.

APRENDENDO COM OS ERROS NA PANDEMIA
Josier Vilar e Hans Fernando

Epidemiologistas renomados e cientistas da complexidade têm afirmado que é certo que novas pandemias surgirão inexoravelmente em breve. Só não sabem ainda quando. Apesar de as leis da medicina serem incertas, imprecisas, incompletas e cheias de vieses, temos a obrigação de tentar aprender com os inúmeros erros que cometemos na condução da pandemia pela Covid19 em nosso país para não os repetir.

Não temos dúvidas da necessidade da criação de uma nova ordem mundial sanitária, com a OMS se reinventando e passando a desempenhar um novo e fundamental papel supranacional na coordenação mundial das prováveis novas epidemias previstas pelos especialistas. Um Plano Mundial de Imunização liderado pela OMS terá de ser criado.

Enquanto não se concretiza essa nova ordem mundial sanitária, baseada na economia colaborativa e na criação pelos países ricos de uma espécie de Fundo Monetário Sanitário Mundial, que financie pesquisa e desenvolvimento global em busca de soluções vacinais com o apoio da “nova” OMS, garantindo o acesso a países pobres e ricos equanimemente, temos no Brasil um importante “dever de casa” a ser feito: iniciar imediatamente a construção, com base na tecnologia e na inteligência artificial e seus algoritmos, de um sistema de vigilância em saúde em tempo real, com o desenvolvimento de aplicativos que permitam a todos os profissionais de saúde, de forma integrada e conectada por tecnologias mobile, informarem o surgimento de casos atípicos que possam indicar o surgimento de uma nova doença em nosso país.

A construção desse novo modelo de gestão epidemiológica, fundamentado na tecnologia, na ciência da complexidade e nos conhecimentos tradicionais da vigilância em saúde, poderia ser um primeiro e grande passo na integração dos segmentos públicos e privados da saúde brasileira.

Com base nessas informações, recebidas, analisadas através de inteligência artificial e armazenadas em um big data gerenciado pelo DATASUS do Ministério da Saúde, seria montado um plano coordenado de resposta rápida aos riscos sanitários.

Não podemos, em hipótese alguma, pois não é moralmente aceitável e economicamente sustentável, repetir os grosseiros erros cometidos durante esta pandemia de Covid 19, quando, por falta de informação, planejamento e execução, nos transformamos no epicentro da pandemia mundial e [no cenário de tragédias como as ocorridas em Manaus].

Quem sabe o Brasil, após tanto sofrimento e frustração, não poderia ser um exemplo para o mundo de como construir melhores controles através do aprendizado com a tragédia que nos assola, a muitos envergonha e a todos entristece?

Josier Vilar  é médico e presidente o Fórum Inovação Saúde

Hans Fernando é médico, pesquisador e gestor da Saúde.