O papel da iluminação pública para cidades mais seguras e humanas
Por Romualdo Boaventura, diretor da Inducta

Quando se fala em prioridades da gestão pública, temas como segurança, saúde e educação costumam ocupar o centro do debate. São áreas essenciais e que, naturalmente, demandam investimentos permanentes. Entretanto, existe uma política pública que, muitas vezes, permanece em segundo plano, embora tenha capacidade de impactar diretamente todas essas agendas: a iluminação pública.

Tradicionalmente, a discussão sobre iluminação urbana costuma ser conduzida sob uma perspectiva econômica. O foco está na substituição de equipamentos por tecnologias mais eficientes, como luminárias de LED, capazes de reduzir o consumo de energia e aliviar as despesas dos municípios. Essa modernização é, sem dúvida, importante, especialmente pois governantes estão sempre pressionados quando a questão é orçamento. Mas limitar o debate à economia é enxergar apenas parte do potencial que uma boa gestão da iluminação pública pode oferecer.

Uma cidade bem iluminada é, antes de tudo, uma cidade mais segura. A presença de iluminação adequada amplia a visibilidade das vias, reduz áreas de sombra e aumenta a sensação de segurança para quem circula pelas ruas. Esse aspecto influencia diretamente o cotidiano da população. Pessoas passam a caminhar com mais tranquilidade, famílias voltam a frequentar praças e espaços de convivência, comerciantes estendem seus horários de funcionamento e atividades esportivas e culturais podem ocorrer também após o sol se por.

A iluminação, portanto, exerce um papel silencioso, mas decisivo, na ocupação dos espaços públicos. Quanto maior a presença de pessoas nesses ambientes, maior tende a ser a sensação de pertencimento e vigilância coletiva, fatores que contribuem para a prevenção da criminalidade e para a valorização do ambiente urbano.

Da mesma forma, áreas historicamente pouco iluminadas costumam permanecer subutilizadas ou até abandonadas. A simples instalação de novos pontos de luz pode representar o primeiro passo para a revitalização desses locais, estimulando novos usos e promovendo uma transformação que vai além da infraestrutura. A cidade recupera espaços antes esquecidos e devolve à população oportunidades de lazer, convivência e integração social.

Nesse contexto, as parcerias público-privadas (PPPs) vêm se consolidando como um importante instrumento para acelerar essa transformação. Ao reunir planejamento, tecnologia, eficiência operacional e capacidade de investimento, esse modelo permite que os municípios modernizem seus parques de iluminação sem comprometer sua capacidade financeira.

Experiências conduzidas pela Inducta Energia demonstram como essa combinação pode produzir resultados expressivos. Nos municípios fluminenses de Miguel Pereira e Vassouras, projetos estruturados por meio de PPPs permitiram não apenas substituir luminárias antigas por tecnologia LED, mas também ampliar significativamente a cobertura da iluminação pública.

Em Miguel Pereira, o número de pontos de luz cresceu cerca de 41%, enquanto Vassouras registrou expansão de aproximadamente 20%. Mesmo com esse aumento da infraestrutura instalada, a adoção de equipamentos mais eficientes proporcionou economia anual de aproximadamente R$ 3 milhões em Miguel Pereira e de R$ 1,1 milhão em Vassouras. Os números financeiros são relevantes, mas talvez não sejam o principal indicador de sucesso.

O maior resultado aparece na transformação da vida urbana. Praças que antes permaneciam vazias durante a noite voltaram a receber famílias, crianças e praticantes de atividades físicas. Espaços antes evitados pela população passaram a integrar novamente a rotina dos moradores. A percepção de segurança aumentou e a iluminação tornou-se um elemento de fortalecimento da convivência social.

Essa mudança reforça uma visão que precisa ganhar espaço nas políticas públicas municipais: investir em iluminação não significa apenas trocar lâmpadas ou reduzir despesas com energia elétrica. Trata-se de criar condições para que a cidade seja efetivamente vivida por seus cidadãos.

Naturalmente, a iluminação pública, sozinha, não resolve os desafios da segurança urbana. Ela deve atuar de forma integrada com outras políticas voltadas ao ordenamento urbano, à mobilidade, à preservação dos espaços públicos e às ações das forças de segurança. Ainda assim, representa um componente essencial dessa estratégia, capaz de potencializar seus resultados.

As cidades do futuro serão aquelas que compreenderem que infraestrutura também é política social. Cada ponto de luz instalado representa mais do que energia elétrica: representa oportunidades de convivência, desenvolvimento econômico local, valorização dos espaços urbanos e melhoria da qualidade de vida.

Ao ampliar esse olhar, gestores públicos deixam de tratar a iluminação apenas como um centro de custos e passam a enxergá-la como um investimento capaz de produzir benefícios permanentes para toda a sociedade.

Do relacionamento ao resultado: 5 dicas de CRM que fazem diferença no caixa
Renan Marafigo*

No atual cenário de negócios, em que cada investimento precisa ser justificado com resultados concretos, o CRM vai além de uma ferramenta de marketing para se tornar um aliado estratégico das finanças corporativas. Para os CFOs, sua relevância está justamente na capacidade de traduzir dados de relacionamento em indicadores financeiros claros e mensuráveis.

Muitas empresas investem em CRMs robustos, mas não conseguem extrair o melhor da tecnologia. A metáfora recorrente é a da “Ferrari sem motorista”: um ativo caro, mas subutilizado. Para o financeiro, isso significa custo sem retorno. Quando bem implementado, porém, o CRM contribui diretamente para aumento de receita, redução de custos e melhoria de margem de lucro.

Entre os indicadores mais relevantes para a alta gestão financeira nesta área, destacam-se:

  • LTV (Lifetime Value): mede o valor total que um cliente gera ao longo do relacionamento.
  • CAC (Custo de Aquisição de Clientes): mostra quanto custa trazer um novo cliente. Segundo a ClearlyRated (ago/2025), adquirir um novo cliente custa em média US$80, enquanto reter um existente custa cerca de US$30 — ou seja, três vezes mais barato manter quem já está na base.
  • Churn: a taxa de cancelamento ou perda de clientes. Controlar o churn é preservar receitas recorrentes e garantir previsibilidade no fluxo de caixa.
  • ROI aplicado ao CRM: calcula o retorno real da operação, conectando investimentos em tecnologia e campanhas ao impacto direto no P&L.

Esses KPIs permitem ao CFO alinhar estratégias de marketing e vendas ao resultado global da empresa, mostrando quanto das receitas totais vem de ações de CRM e, portanto, justificando ou ampliando investimentos.

Estudos recentes confirmam que a retenção de clientes é determinante para os lucros. De acordo com a Harvard Business Review, um aumento de apenas 5% na retenção pode elevar a lucratividade entre 25% e 95%. Já o levantamento da DemandSage (jul/2025) mostra que clientes recorrentes representam 65% da receita das empresas e gastam, em média, 67% mais do que novos compradores.

Esses dados reforçam a lógica de que a fidelização custa menos e gera mais retorno, criando um ciclo virtuoso de rentabilidade. Mas como transformar esse potencial em prática dentro das empresas? A seguir, reuni cinco recomendações fundamentais para que o CRM se traduza em resultados financeiros concretos.

5 dicas para transformar CRM em resultado

  1. Faça análise de viabilidade antes de contratar uma ferramenta: entenda métricas atuais de LTV, CAC e churn para projetar ganhos futuros.
  2. Defina indicadores e targets claros: estabeleça metas financeiras conectadas ao break-even e ao ROI esperado.
  3. Traduza relatórios em impacto de negócio: vá além de métricas operacionais de clique e abertura e mostre impacto direto no P&L.
  4. Integre marketing e vendas: alinhe CRM de Marketing e CRM de Vendas ou E-Commerce para garantir visão unificada do cliente.
  5. Invista em retenção: campanhas de fidelização, modelos preditivos de pré-churn e programas de indicação que reduzem custos e ampliam margem de lucro.

Mais do que atingir um estágio de maturidade, as empresas precisam transformar o CRM em pilar estratégico de negócio. O verdadeiro diferencial está em comprovar, com dados, quanto das receitas totais vêm diretamente das iniciativas de CRM e como isso impacta o resultado financeiro global.

Quando uma instituição financeira consegue demonstrar que uma fatia expressiva de suas vendas mensais é gerada por ações de CRM, não restam dúvidas: a ferramenta deixa de ser apenas suporte operacional e custo, passando a se tornar um motor essencial de crescimento e rentabilidade. Em mercados cada vez mais competitivos, não investir nessa visão integrada significa abrir espaço para perder clientes — e margem — para quem já está fazendo.

(*) Renan Marafigo é associate partner e diretor de CRM da Adtail e Cadastra. 

Acordo Mercosul-União Europeia promete impactar preços e compras dos brasileiros
Por Emanuel Pessoa*

Após mais de duas décadas de negociação, o Acordo entre Mercosul e União Europeia avançou com um entendimento técnico, embora ainda dependa de etapas importantes para sua assinatura e implementação. No entanto, o Tratado já provoca reações intensas, com protestos e expectativas sobre os impactos econômicos, especialmente para os setores produtivos e para os consumidores.

Enquanto 1,5 mil agricultores protestam em Madri contra a “concorrência desleal” do Acordo Comercial que ameaça os produtores europeus com importações mais baratas do Mercosul, o governo brasileiro prevê um aumento de R$ 94,2 bilhões no comércio com a União Europeia, além de um impacto de R$ 37 bilhões no PIB, equivalente a 0,34% da economia nacional em 2044.

Em meio às turbulências, é preciso analisar os possíveis impactos do acordo. A redução de tarifas de importação para mais de 90% dos produtos comprados pelo Brasil da União Europeia poderá beneficiar o consumidor brasileiro, especialmente no setor de alimentos e bebidas. Produtos como vinhos europeus, atualmente sujeitos a taxas superiores a 20%, e o azeite, por exemplo, tendem a chegar ao mercado com preços mais acessíveis, ampliando a oferta e impulsionando o consumo.

A concorrência com o mercado chinês, conhecido pelos preços baixos, também será um desafio. Se o acordo tornar os produtos europeus mais competitivos, o consumidor poderá acessar itens de maior qualidade a preços melhores. No entanto, produtos chineses mais baratos devem manter espaço no mercado, e a dependência de insumos industriais da China segue como obstáculo para uma maior substituição.

O barateamento de itens importados certamente influenciará as escolhas dos consumidores, com a qualidade sendo um fator crucial para uma série de produtos. Espera-se que essa mudança no cenário de preços altere o comportamento de compra, com os consumidores tendo a oportunidade de avaliar também a qualidade. O impacto no mercado dependerá, ainda, do quão competitivos os preços dos importados serão e como isso afetará os diversos segmentos sociais frente às novas opções disponíveis.

Por fim, os consumidores brasileiros podem se preparar para as possíveis mudanças no mercado observando as tendências de preços e avaliando a relação custo-benefício. Além disso, os importadores poderão diversificar as fontes de compra, aproveitando a maior disponibilidade de fornecedores que surgirá com a redução do custo de aquisição de produtos importados.

*Emanuel Pessoa é advogado especializado em Direito Empresarial, Mestre em Direito pela Harvard Law School, Doutor em Direito Econômico pela USP e Professor da China Foreign Affairs University, onde treina a próxima geração de diplomatas chineses.

O cuidado com a saúde que atravessa milênios
*Por Vitório Moscon Puntel

Vitório Moscon Puntel é presidente da Unimed Volta Redonda.

Mais de 570 mil médicos atuam diariamente para proporcionar saúde e qualidade de vida à população no Brasil. São profissionais que lidam com uma das maiores responsabilidades que se pode ter: cuidar da saúde de outra pessoa. Mas se é enorme a responsabilidade, também o é a satisfação de poder fazer a diferença na vida das pessoas. Sentimento este que é compartilhado há milênios, desde, por exemplo, o Egito Antigo, quando viveu Imhotep, entre 2655 a.C. e 2600 a.C., apontado por livros de história como o primeiro médico. De lá para cá, a medicina passou por inúmeras transformações, muitas delas provocadas pelos avanços tecnológicos.

Sem dúvida nenhuma a tecnologia tem sido uma importante aliada para a prática médica. A penicilina, descoberta em 1928, e a radiografia, realizada pela primeira vez 1895, estão entre descobertas que permanecem até hoje como importantes aliados no diagnóstico ou tratamento de doenças. No entanto, apesar dos avanços de tecnologias disruptivas, como a inteligência artificial, o olhar cuidadoso e o contato humano que somente o médico pode proporcionar, permanecem como fundamentais.

É justamente o compromisso de oferecer a excelência no cuidado que guia todos os médicos que fazem parte da Unimed Volta Redonda. Somos, sim, uma cooperativa de trabalho médico que gera, com sustentabilidade, serviço e renda para nossos médicos cooperados. Porém a nossa finalidade é cuidar das pessoas, é fazer com que o médico seja aquela pessoa de confiança da família.

Nós sabemos que, dentro dessa realidade da vida corrida que impera nos dias de hoje, dedicar o tempo, com calma para ouvir o paciente e examiná-lo com atenção, estabelecendo um vínculo de confiança, faz toda a diferença. Ainda que os modernos equipamentos impressionem e sejam úteis, é o contato humano que traz segurança e faz o paciente acreditar na palavra do médico. Essa é a prática médica em sua essência, não importa a época. E é isso que cada um dos nossos médicos pratica diariamente.

Como cooperativa, procuramos também ir além dos consultórios e hospitais, difundindo para todos a importância de se buscar qualidade de vida, priorizando hábitos saudáveis e a prevenção, com a ida rotineira ao médico. Esse olhar amplo de cuidado com a comunidade vai ao encontro de valores inegociáveis do cooperativismo, como a responsabilidade e o desenvolvimento da sociedade. Não há dúvidas de que o cooperativismo e a prática médica combinam muito bem, pois ambos têm em sua essência o compromisso com a solidariedade.

Mesmo daqui a dois mil anos, o médico continuará sendo aquele que acolhe, que tem paciência e que se preocupa com o outro. É aquele que muitas vezes escuta as dores, não somente físicas, do paciente e se torna um membro informal da família, pois a prática médica está nesses detalhes que nenhuma tecnologia poderá suprir. Por isso aproveito o Dia do Médico, celebrado em todo 18 de outubro, para agradecer o esforço e dedicação de cada um deles, em especial aos médicos da Unimed Volta Redonda, por cuidarem da nossa saúde e de nossos familiares.