Roraima tem 29 casos suspeitos de sarampo; 6 são confirmados

A Secretaria de Saúde de Roraima já notificou 29 casos suspeitos de sarampo, sendo 25 em Boa Vista e quatro no município de Pacaraima. Até o momento, seis casos foram confirmados – cinco com o mesmo genótipo identificado na Venezuela no ano passado.

Dentre os casos suspeitos, 15 são do sexo masculino e 14 do sexo feminino, com faixa etária de 4 meses a 39 anos;  19 casos são procedentes da Venezuela e 10 são brasileiros.

Segundo órgão, todos os pacientes apresentaram febre e exantema (manchas avermelhadas), acompanhados de tosse, coriza e/ou conjuntivite. A coleta de material biológico foi realizada para todos os casos e o material encaminhado ao Laboratório Central de Saúde Pública de Roraima.

Ainda de acordo com a secretaria, nove pacientes foram hospitalizados – a maioria devido a condições sociais (moradores de abrigo e rua) e dois deles por conta do agravamento do quadro clínico.

Uma criança de 3 anos, procedente da cidade de Tucupita, no estado de Delta Amacuro, Venezuela, morreu sob suspeita de ter contraído a doença. A mãe relatou que, ainda na Venezuela, a criança teve os primeiros sintomas por volta do dia 17 de fevereiro.

A família veio para o Brasil em busca de assistência médica, chegando a um abrigo indígena em Pacaraima em 24 de fevereiro. A criança foi atendida na Unidade de Saúde da Família do município, transferida para o Hospital Délio Oliveira Tupinambá e posteriormente, para o Hospital da Criança Santo Antônio, já em Boa Vista, onde foi admitida na madrugada de 1º de março.

Dados do Ministério da Saúde apontam que, no Brasil, os últimos registros da doença ocorreram entre 2013 e 2015, quando foram confirmados 1.310 casos em todo país. Nesse período, Roraima confirmou um caso, importado do Ceará. Em setembro de 2016, a circulação do vírus do sarampo nas Américas havia sido declarada eliminada.

Vacinação

A secretaria informou que foram aplicadas mais de duas mil doses da vacina contra o sarampo como ação de bloqueio em abrigos instalados nos ginásios dos bairros Tancredo Neves e Pintolândia, além de praças como Capitão Clóvis e Simon Bolívar, em Boa Vista.

“Atendendo a um pleito feito pelo governo do estado desde 2016, foi montado um posto de vacinação em Pacaraima, fronteira com a Venezuela. Foram feitas a intensificação vacinal no abrigo indígena de Pacaraima, e a busca de contatos de casos suspeitos nas unidades de saúde onde os casos suspeitos permaneceram.”

Ainda segundo o órgão, o Ministério da Saúde encaminhou a Roraima 100 mil doses extras contra o sarampo. Uma campanha de intensificação vacinal será realizada em todos os 15 municípios do estado, na população de 6 meses a 49 anos.

“Representantes do Ministério da Saúde, da Sesau [Secretaria de Saúde] e dos municípios estão finalizando o plano estratégico para a execução desta campanha”, concluiu o órgão.

Produção de veículos aumenta em fevereiro

A produção de veículos no país aumentou 6,2% em fevereiro na comparação com o mesmo mês de 2017, passando de 201,1 mil unidades para 213,5 mil. Comparada à produção de janeiro, houve queda de 2,1%. Em janeiro e fevereiro, a produção cresceu 15% ante o primeiro bimestre do ano anterior. Os dados foram divulgados hoje (6), pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

“Foi um bom fevereiro: passou da linha dos 200 mil. Lembrando que, em 2016, tivemos oito meses abaixo disso e, no ano passado, alguns meses. Ao que tudo indica, não vamos reduzir dessa linha. O bimestre também foi positivo, quase na média dos últimos 10 anos”, afirmou o presidente da Anfavea, Antonio Megale.

Segundo a Anfavea, as vendas aumentaram 15,7% ante fevereiro do ano passado, ao passar de 135,6 mil para 156,9 mil veículos vendidos. Na comparação com janeiro, entretanto, houve queda de 13,4%.

No primeiro bimestre, foram licenciados 338,1 mil veículos, o que representa aumento de 19,5% em relação mesmo período do ano passado.

“O número de fevereiro é interessante. Houve queda em relação a janeiro, mas fevereiro teve quatro dias úteis a menos. O número não é ruim, está acima do de fevereiro de 2017 e mostra crescimento. Se considerarmos o emplacamento diário com a média de 8,7 mil, é um bom começo de ano. O crescimento no bimestre não é grande, mas mostra recuperação. Estamos abaixo da média dos últimos 10 anos, mas estamos na trajetória de crescimento, o que é mais importante” afirmou Megale.

A exportação de veículos montados cresceu 42,9% % em fevereiro na comparação com janeiro, ao atingir as 66,3 mil unidades. Em relação a fevereiro no ano passado, a venda para o exterior caiu 1,2% e no bimestre, aumento de 7,2%.

“Foi um número expressivo no mesmo padrão do ano passado. Batemos recorde histórico para o bimestre com um número positivo que mostra que a força das exportações vai trazer um bom ano. Acordos comerciais que estão evoluindo estão ajudando a consolidar nossas exportações”, ressaltou o presidente da Anfavea.

De acordo com a associação, o emprego no setor automobilístico teve estabilidade entre janeiro e fevereiro, com elevação de 1,1%, passando de 128,9 mil postos de trabalho para 130,4 mil em fevereiro. Ante fevereiro de 2017, quando havia 127,2 mil postos ocupados, o setor registrou aumento de 2,5%.

“A pequena variação mostra que, a conta-gotas, a situação está melhorando. Em janeiro, havia 1721 pessoas em lay-off e PPE e em fevereiro esse número é de 1344 pessoas. São 936 em PPE e 498 em lay-off [suspensão temporária do contrato de trabalho]. Praticamente 300 pessoas a menos e, gradualmente, caindo, à medida que as fábricas vão retomando a produção, aumentando turnos e chamando mais pessoas”, acrescentou Megale.

Poupança tem retirada líquida de R$ 708 milhões em fevereiro

Em um mês tradicionalmente marcado por despesas com educação e com o pagamento de impostos, os brasileiros voltaram a sacar recursos da caderneta de poupança. Em fevereiro, a retirada líquida (saques menos depósitos) somou R$ 708,12 milhões, divulgou hoje (6) o Banco Central (BC). Nos dois primeiros meses de 2018, os saques superaram os depósitos em R$ 5,91 bilhões.

Pelo quarto ano seguido, segundo o BC, os investidores retiraram a mais do que aplicaram na caderneta de poupança em fevereiro. A saída de recursos em 2018, no entanto, foi menor que em outros anos. A retirada líquida tinha chegado a R$ 6,3 bilhões em fevereiro de 2015, R$ 6,6 bilhões em fevereiro de 2016 e R$ 1,67 bilhão em fevereiro de 2017.

Histórico

No ano passado, a poupança tinha registrado o primeiro ingresso líquido desde 2014. Em 2017, os brasileiros tinham depositado R$ 17,12 bilhões a mais do que tinham sacado da caderneta.

Até 2014, os brasileiros depositavam mais do que retiravam da poupança. Naquele ano, as captações líquidas chegaram a R$ 24 bilhões. Com o início da recessão econômica, em 2015, os investidores passaram a retirar dinheiro da caderneta para cobrirem dívidas, num cenário de queda da renda e de aumento de desemprego.

Em 2015, R$ 53,5 bilhões foram sacados da poupança, a maior retirada líquida da história. Em 2016, os saques superaram os depósitos em R$ 40,7 bilhões.

Rendimento

Mesmo com a queda de juros, a poupança tinha voltado a atrair recursos nos últimos meses do ano passado. Isso porque o investimento voltou a garantir rendimentos acima da inflação. No entanto, a inflação subiu levemente nos últimos meses, reduzindo a rentabilidade real (descontada a alta de preços) da caderneta.

Nos 12 meses terminados em fevereiro, a poupança rendeu 5,76%. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)-15, que funciona como uma prévia da inflação oficial, acumula 3,02% no mesmo período. Em novembro do ano passado, esse índice registrava 2,86% no acumulado em 12 meses. Na sexta-feira (9), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o IPCA cheio de fevereiro.

Empreender é coisa de mulher

Ana-Paula-Alfredo
Ana paula Alfredo é coach e membro do Grupo Nikaia

Empreender é uma aventura. É preciso coragem. É preciso vontade. É preciso persistência. Todos sonhamos, mas empreender é apostar que vai dar certo e agir para que isso aconteça. Ao ler essas frases, feche os olhos e imagine o perfil que estamos descrevendo… E aí? Você pensou em uma figura masculina? As estatísticas dizem que é bastante provável que isso tenha acontecido. Mas, empreendedorismo é sim realidade para milhões de mulheres em todo mundo.

De acordo com o relatório da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) Women, em 2016, cerca de 160 milhões de mulheres iniciaram ou abriram novos negócios. Com um número tão significativo, não há como ignorar o impacto da presença feminina no empreendedorismo. O levantamento aponta ainda que o índice de atividade empreendedora (TEA), ou seja, a porcentagem da população adulta, entre 18 e 64 anos, que empreenderam em algum momento, para a população feminina, aumentou em 10% em comparação ao período anterior e o gap de gênero foi reduzido em 5%.

No Brasil, a presença feminina é ainda mais forte do que a média mundial, se destacando em um seleto grupo de cinco países pesquisados, onde há equilíbrio entre os empreendedores de ambos os sexos. E por que isso acontece? O GEM divide as motivações em dois grandes grupos: a necessidade e a oportunidade. Em terras brasileiras as mulheres têm maior tendência em empreenderem por necessidade enquanto os homens mais por oportunidade. Num cenário de maior desemprego e num país onde 40% dos lares são chefiados por mulheres, faz sentido esse indicador.

A imagem da mulher empreendedora no Brasil é bem menos glamorosa do que a figura criada no início do artigo. Segundo a pesquisa “Quem são elas”, realizada pela Rede Mulher Empreendedora, 55% das empreendedoras brasileiras têm filhos. E destas, dois terços decidiram investir em um novo negócio depois da maternidade, com esperança de uma melhor qualidade de vida e de poder equilibrar seus diferentes papeis.

Mas, isso não é realidade apenas do Brasil. O grau de empreendedorismo está relacionado a existência ou não de políticas de apoio a mulheres com filhos, como licença maternidade, creches públicas e opções de trabalho em meio período. Essa é uma das conclusões do estudo de Sarah Thebaud que identificou uma correlação entre um menor número de mulheres empreendedoras em países com mais políticas de apoio à classe feminina trabalhadora (em geral, países mais desenvolvidos), e que acabam optando, muitas vezes, por buscar um trabalho em uma empresa ao invés de empreender.

As mulheres têm uma visão positiva das oportunidades e percebem o empreendedor de forma favorável, entendendo que essa é uma atividade que deve ser admirada, até pelos muitos exemplos que temos no país. Porém, o medo de fracassar é um empecilho e 60% das que tinham intenção de empreender não o fizeram por esse motivo.

Além de acumular em grande parte o trabalho doméstico, as barreiras para a mulher não param aí. Segundo pesquisa divulgada pela Rede Mulher empreendedora, realizada com 800 mulheres entre agosto e setembro de 2017, 30% dos novos negócios (com até três anos de funcionamento) são informais e a falta de dinheiro é apontada como principal causa para isso. Por outro lado, 73% das mulheres teriam interesse na expansão de seus negócios se a opção de investimento fosse possível. Contudo, o acesso a crédito é outro obstáculo apresentado ao empreendedorismo feminino, já que, segundo o mesmo estudo, é bem mais difícil para uma mulher conseguir o investimento do que um homem.

Mas se por um lado há muitas dificuldades, por outro, o perfil da mulher apresenta pontos positivos para empreender. São muitas as características femininas que favorecem seu sucesso como empreendedoras, como a habilidade de lidar com pessoas, a escuta ativa, a habilidade de solução de problemas e a capacidade multitarefas. Seja para sustentar suas famílias ou como forma de realização pessoal, a realidade é que as mulheres entraram para valer nesse mundo empreendedor nos últimos anos, gerando empregos e fornecendo produtos e serviços de alto valor. Trazer esse assunto para a discussão é sim uma forma de criar consciência e colaborar para que mais mulheres enxerguem o empreendedorismo como opção e não como a única saída.