CFM autoriza filha e sobrinha servirem de barriga de aluguel

CFM atualiza normas de reprodução assistida

O Conselho Federal de Medicina (CFM) atualizou as normas para a utilização das técnicas de reprodução assistida no Brasil. A partir de agora, familiares em grau de parentesco descendente poderão fazer a cessão temporária do útero (gestação de substituição).

Até então, de primeiro a quatro graus, somente mãe, avó, irmã, tia e prima poderiam ser barriga de aluguel, como o procedimento é popularmente conhecido. Com a mudança na regra, filha e sobrinha também podem ceder temporariamente seus úteros. Pessoas solteiras também passam a ter direito a recorrer a cessão temporária de útero. “Um homem solteiro que queira ter um filho, agora tem essa opção”, informou a presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, Hitomi Nakagawa.

Outra alteração prevista na resolução é a redução de cinco para três anos o período mínimo para descarte de embriões. O critério vale tanto por vontade dos pacientes quanto em casos de abandono, quando as clínicas de fertilização não conseguem mais localizar os responsáveis pelo material. A alteração no prazo segue as normas da Lei de Biossegurança, que prevê a utilização de embriões congelados há três anos ou mais para pesquisa.

Além das mudanças, o texto ainda inclui definições que não estavam previstas em resoluções anteriores, como o conceito de gestação compartilhada, e permite que questões sociais sejam consideradas na avaliação médica para utilização de reprodução assistida.

De acordo com o CFM, a opção de gestação compartilhada já contemplava casais de união homoafetiva feminina. De acordo com o documento, considera-se que os casos que se enquadram nesta situação são aqueles em que o embrião obtido a partir da fecundação de óvulos de uma mulher é transferido para o útero de sua parceira, ainda que não exista diagnóstico de infertilidade.

Segundo o diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, Adelino Amaral, estudos indicam que a gestação compartilha gera um comportamento familiar mais harmônico entre as mulheres homoafetivas, em comparação com aquelas famílias onde a mulher faz a gestação do próprio óvulo fecundado. “Temos um percentual grande de casais que procuram pelo procedimento. Isso é um aspecto relevante para as questões psicológicas e harmonia familiar”, disse.

Planejamento familiar

A resolução também introduz o conceito de preservação social e permite que pessoas sem problemas reprodutivos diagnosticados possam recorrer às técnicas de reprodução assistida, como congelamento de gametas, embriões e tecidos germinativos. A prática também já existia e agora foi regulamentada. Segundo o CFM, permitir que os indivíduos planejam o melhor momento de terem filhos reflete as mudanças de comportamento da sociedade.

“Sempre olhamos o direito e autonomia da mulher ao procurar a reprodução assistida. Mais de 30% das mulheres estão acima dos 30 anos de idade e devido a situações de trabalho, por exemplo, recorrem a reprodução assistida porque demoram a planejar a gravidez”, explicou o conselheiro José Hiran Gallo, coordenador da Câmara Técnica de Reprodução Assistida do CFM.

Pacientes com doenças ou que se submetam a tratamento que podem levar à infertilidade também são contemplados com a medida, como pacientes em tratamento oncológico.

O que não muda

Outros questões relativas à reprodução assistida foram ratificadas com a nova resolução do CFM, como a idade máxima para ser doador de óvulos ou espermatozoides, de 35 anos para mulheres e de 50 para homens. No caso da transferência do embrião para o útero, a paciente não pode ter mais de 50 anos, salvo em exceções justificadas pelo médico e quando a mulher tem ciência dos riscos.

O documento reafirma que o número máximo de embriões a serem transferidos é quatro, de acordo com a idade da paciente. O CFM destaca ainda que continua proibido o comércio de embriões, a seleção por características biológicas e a redução embrionária em caso de gravidez múltipla.

A partir de agora, os casos não previstos na norma deverão receber autorização do Conselho Regional de Medicina do estado, cabendo recurso ao CFM. Antes, o pedido era feito diretamente ao conselho federal.

De acordo com o CFM, o uso de técnicas de reprodução assistida têm crescido no país. De acordo com dados do Relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio) de 2016, elaborado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foram realizados 33.790 ciclos reprodutivos, em 141 serviços de reprodução assistida cadastrados no país. No período, foram transferidos 67.292 embriões para os úteros de mulheres participantes do processo.

A atualização das regras é feita conforme as demandas chegam ao CFM, com base em avanços técnicos, científicos e sociais. Esta é a quinta resolução editada pelo conselho sobre o tema desde 1992.

A Resolução CFM nº 2.168/2017 entra em vigor a partir da publicação no Diário Oficial da União, prevista para esta sexta-feira (10).

Condições climáticas desfavoráveis podem afetar safra de 2018

Em 2018, a safra brasileira de grãos deve ser de 220,2 milhões de toneladas, valor 8,9% menor do que o previsto para este ano (241,6 milhões de toneladas). É o que mostra o primeiro prognóstico de 2018, divulgado hoje pelo IBGE.

De acordo com a pesquisa, essa queda deve acontecer, principalmente, nas produções de milho (14,3 milhões de toneladas a menos) e de soja (7,2 milhões de toneladas a menos), devido a condições climáticas não tão favoráveis quanto as apresentadas para a safra de 2017, quando houve um prolongamento das chuvas nas principais regiões produtoras.

O pesquisador do IBGE, Carlos Antônio Barradas, explica que a preparação do solo para o plantio do que vai ser colhido no ano que vem começa no mês de setembro, assim que acaba o inverno e iniciam as primeiras chuvas. Mas como neste ano o inverno foi muito seco e as chuvas demoraram a chegar nas principais regiões produtoras, esse procedimento está atrasado.

“A soja e o milho primeira safra estão sendo plantados só agora e vão ser colhidos nos primeiros meses do ano que vem. Após a colheita é que vem plantio do milho segunda safra. Mas com o atraso do plantio da safra verão, a janela de plantio da segunda safra vai ficar mais apertada, o que pode resultar em uma produção menor”, diz.

Para amezinhar os problemas climáticos, muitos produtores vêm aproveitando o aumento da intensidade das chuvas da segunda quinzena de outubro e estão fazendo o plantio da safra à noite e na madrugada.

Rio de Janeiro registra o maior crescimento industrial em setembro

O crescimento no ritmo da produção industrial nacional, na passagem de agosto para setembro de 2017, série com ajuste sazonal, foi acompanhado por seis dos quatorze locais pesquisados, com destaque para o avanço mais acentuado registrado pelo Rio de Janeiro (8,7%), que intensifica o crescimento de 3,1% assinalado em agosto último. Goiás (2,1%), Pará (2,0%), São Paulo (1,3%), Paraná (0,2%) e Santa Catarina (0,2%) também tiveram índices positivos em setembro de 2017. Por outro lado, Espírito Santo (-3,0%), Pernambuco (-2,5%) e Região Nordeste (-2,0%) apontaram os resultados negativos mais elevados nesse mês, com o primeiro devolvendo parte da expansão de 6,7% observada no mês anterior; o segundo eliminando o avanço de 2,2% verificado em agosto; e o último voltando a recuar após acumular ganho de 3,1% nos meses julho e agosto. As demais taxas negativas foram registradas por Ceará (-1,1%), Amazonas (-1,1%), Bahia (-1,1%), Rio Grande do Sul (-1,0%) e Minas Gerais (-0,4%).

Ainda na série com ajuste sazonal, a evolução do índice de média móvel trimestral para o total da indústria mostrou ligeira variação positiva (0,1%) no trimestre encerrado em setembro de 2017 frente ao nível do mês anterior e manteve o comportamento positivo iniciado em maio de 2017. Em termos regionais, ainda em relação ao movimento deste índice na margem, oito locais apontaram taxas positivas, com destaque para os avanços mais acentuados assinalados por Bahia (3,8%), Rio de Janeiro (1,9%), Pará (1,4%), Goiás (1,0%), Paraná (0,7%) e São Paulo (0,6%). Por outro lado, Espírito Santo (-2,3%) e Rio Grande do Sul (-1,3%) registraram as perdas mais elevadas em setembro de 2017.

Na comparação com igual mês do ano anterior, o setor industrial mostrou crescimento de 2,6% em setembro de 2017, com dez dos quinze locais pesquisados apontando resultados positivos. Vale citar que setembro de 2017 (20 dias) teve um dia útil a menos do que igual mês do ano anterior (21). Nesse mês, Pará (13,2%) e Rio de Janeiro (11,3%) assinalaram as expansões mais intensas, impulsionados, principalmente, pelos avanços observados nos setores de indústrias extrativas (minérios de ferro em bruto ou beneficiados), no primeiro local; e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (óleo diesel, óleos combustíveis, gasolina automotiva, querosenes de aviação, óleos lubrificantes básicos e naftas para petroquímica) e veículos automotores, reboques e carrocerias (automóveis e caminhões), no segundo. Paraná (8,9%), Goiás (7,3%), Amazonas (6,8%), São Paulo (5,0%), Bahia (4,7%), Mato Grosso (4,5%) e Ceará (3,3%) também registraram taxas positivas mais acentuadas do que a média nacional (2,6%), enquanto Santa Catarina (2,4%) completou o conjunto de locais com crescimento na produção nesse mês. Por outro lado, Rio Grande do Sul (-5,0%) e Pernambuco (-4,1%) apontaram os recuos mais elevados em setembro de 2017, pressionados, em grande parte, pelo comportamento negativo vindo dos setores de celulose, papel e produtos de papel (celulose) e produtos alimentícios (óleo de soja em bruto, tortas, bagaços, farelos e outros resíduos da extração do óleo de soja, queijos, sucos concentrados de frutas e carnes e miudezas de aves frescas ou refrigeradas), no primeiro local; e de produtos alimentícios (açúcar cristal e refinado de cana-de-açúcar) e bebidas (aguardente de cana-de-açúcar e refrigerantes), no segundo. Os demais resultados negativos foram observados no Espírito Santo (-2,7%), Região Nordeste (-1,3%) e Minas Gerais (-0,8%).

Produção cresce em 13 dos 15 locais no 3º trimestre

Em bases trimestrais, o setor industrial, ao avançar 3,1% no terceiro trimestre de 2017, apontou a taxa positiva mais elevada desde o segundo trimestre de 2013 (5,1%) e manteve o comportamento positivo registrado nos dois primeiros trimestres do ano: janeiro-março (1,2%) e abril-junho (0,3%), todas as comparações contra igual período do ano anterior. Vale destacar que esses resultados interromperam onze trimestres consecutivos de taxas negativas nesse tipo de confronto. O aumento no ritmo de produção verificado no total da indústria na passagem do segundo (0,3%) para o terceiro trimestre de 2017 (3,1%) foi observado em onze dos quinze locais pesquisados, com destaque para Bahia (de -6,3% para 5,6%), Mato Grosso (de -2,7% para 7,4%), São Paulo (de -0,2% para 5,4%), Paraná (de 1,9% para 6,8%) e Goiás (de -1,4% para 3,5%). Por outro lado, as principais perdas entre os dois períodos foram registradas por Espírito Santo (de 5,0% para 0,2%) e Rio Grande do Sul (de 2,0% para -1,4%).

Justiça determina urna exclusiva para sócios sob suspeita na eleição do Vasco

A eleição do Vasco pode não terminar nesta terça-feira (07). É que uma liminar conseguida pelo advogado João Basilio, da chapa do Fernando Horta, determina que haja uma urna exclusiva para os 691 sócios cujas adesões foram consideradas suspeitas. Na noite dessa segunda-feira, uma decisão da desembargadora Marcia Ferreira Alvarenga, da 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, alterou parcialmente o texto da liminar. Agora, no caso de a chapa vencedora obter margem de votos superior aos colhidos na urna em separado, os votos acautelados poderão ser descartados e promulgado o resultado da eleição. No caso de a chapa vencedora obter margem de votos inferior aos colhidos na urna em separado, a mesma deverá ser lacrada e entregue ao responsável nomeado por Juízo.

A disputa gira em torno do voto de 691 novos sócios, admitidos em novembro e dezembro de 2015, período limite para que pudessem participar, como eleitores, da votação que indicará o novo mandatário do clube.