CNC defende isonomia tributária em encontro com o MDIC
Entidade alerta para distorções concorrenciais e reforça necessidade de proteger comércio e indústria nacionais

 

Da Redação

Em reunião no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) realizada na última quinta-feira (9), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ressaltou que a ausência de isonomia tributária entre produtos nacionais e importados tem gerado desequilíbrios concorrenciais, afetando diretamente o comércio e a indústria.

O encontro reuniu representantes do setor produtivo e do governo federal para discutir os impactos da medida provisória que isenta de tributação as remessas internacionais de até 50 dólares, com foco nos efeitos no mercado interno, no emprego e na competitividade das empresas brasileiras.

Representando o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o diretor da CNC e presidente da Fecomércio-SC, Hélio Dagnoni, levou ao ministério a preocupação da Confederação e das Federações do Comércio em todo o País. Ele ressaltou que o tema tem impacto direto na sustentabilidade do setor. Também participaram da reunião Douglas Pinheiro, coordenador do Executivo da Diretoria de Relações Institucionais da CNC; Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX; Allan Grabarz, Relações Institucionais da Renner; o consultor tributário da Confederação, Gilberto Alvarenga; os assessores da DRI Maria Clara Vilas Boas e Carlos Jacomes e o assessor da Fecomércio-SC Elder Figueredo Arceno.

“Como a CNC, outras Federações do Brasil e todos que representam o comércio de bens, serviços e turismo, nós ficamos preocupados com essa medida provisória e já vemos reflexo no setor”, explicou Dagnoni.

Dagnoni também enfatizou a necessidade de criar condições de concorrência mais equilibradas no Brasil. Ao relatar experiência recente em polos industriais italianos, observou que a tributação sobre importações de baixo valor é utilizada como instrumento de proteção à produção local e à competitividade da indústria.

“Na Itália, eles têm a taxação da importação de tudo que entra, porque com isso eles protegem muito o negócio, principalmente a alta-costura. Vemos que, quando não tem imposto nenhum para concorrer, fica muito difícil manter o trabalho”, disse.

Estudos reforçam debate técnico

Durante a reunião, a CNC informou que vem desenvolvendo estudos sobre os impactos das políticas de importação, com foco nos efeitos sobre o comércio de bens, serviços e turismo e a economia como um todo.

Segundo a entidade, os levantamentos buscam contribuir para a qualificação do debate, avaliando aspectos como competitividade, geração de empregos e dinâmica das cadeias produtivas.

Estudos da Gerência Executiva de Análise, Desenvolvimento Econômico e Estatístico (Geade) indicam que, após a implementação da chamada “taxa das blusinhas”, houve redução de 33% no volume de remessas internacionais, ao mesmo tempo em que a arrecadação do imposto de importação avançou 336%, evidenciando mudanças relevantes no comportamento do comércio eletrônico internacional e na formalização das operações.

Outro estudo está em fase final de consolidação com o levantamento do impacto da recente retirada do imposto e será encaminhado ao MDIC nos próximos dias, a fim de subsidiar a análise do governo e a construção de alternativas para o setor.

MDIC defende equilíbrio e continuação do diálogo

O ministro demonstrou preocupação com os efeitos da falta de paridade tributária para o setor, que enfrenta forte concorrência de produtos importados de baixo custo, impactando a produção e o comércio em diversas regiões do País.

Ao final da reunião, reforçou o compromisso de manter o diálogo com o setor produtivo e construir soluções conjuntas. “Eu quero me colocar à disposição para ser esse canal de diálogo”, disse.

Como encaminhamento, solicitou o envio dos estudos elaborados pela CNC para subsidiar a análise do governo e indicou que pretende avaliar alternativas e cenários nas próximas semanas, em articulação com o Congresso Nacional.

A reunião reforça a atuação institucional do Sistema CNC-Sesc-Senac na defesa do comércio de bens, serviços e turismo com base em dados técnicos e no diálogo permanente com o poder público para aprimoramento das políticas voltadas ao setor.

Brasil Mais Produtivo tem R$ 2 bi para avanços digitais nas indústrias
Objetivo é promover salto tecnológico de micro e pequenas empresas

Da Agência Brasil

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, lançou nesta 5ª feira (16), em Brasília, o novo Programa Brasil Mais Produtivo. O objetivo é promover um salto tecnológico de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) industriais brasileiras.  

A nova fase do programa vai investir R$ 2,037 bilhões para o engajamento digital de 200 mil empresas de todos os setores industriais. O MDIC prevê que, em três anos, mais de 93,1 mil empresas terão atendimento direto para conseguir passar por essa transformação digital.

“Como melhorar produtividade e competitividade da economia? Aí, surge o novo Brasil Mais Produtivo, procurando de maneira objetiva o diagnóstico, o prognóstico e tratamento [das empresas industriais].”, afirma Geraldo Alckmin.

Brasília, DF 16/11/2023 O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, lança oficialmente o novo programa Brasil Mais Produtivo, na Confederação Nacional da Indústria (CNI) Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, lança o novo programa Brasil Mais Produtivo (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil).

Modalidades

Até 2027, o novo Brasil Mais produtivo contará com quatro modalidades de atendimento:

Plataforma de produtividade: conecta empresas a ferramentas e cursos que são essenciais para transformação digital de maneira contínua. Até 200 mil micro, pequenas e médias empresas serão beneficiadas;

Diagnóstico estratégico de gestão: identificará oportunidades de melhoria e traçará novos caminhos em até 50 mil micro e pequenas empresas por meio do Sebrae;

Otimização de processos industriais: consultorias especializadas do Senai para 30 mil micro e pequenas e mais 3 mil médias indústrias. As consultorias serão em lean manufacturing (para aumentar a eficiência e a produtividade, com redução de erros e redundâncias na produção industrial) e eficiência energética, combinadas com a educação profissional para alavancar a força de trabalho do país;

Transformação digital: apoio ao desenvolvimento e implementação de tecnologias e soluções 4.0 em 360 empresas; transformação digital de 8,4 mil MPMEs pelo acesso a pós-graduações do Senai especializadas no tema smart factory ou fábricas inteligentes.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, classificou a nova fase do programa como impactante para as realidades de micro e pequenas empresas. Alban defendeu que para a consolidação da nova industrialização brasileira, é preciso pensar em encadeamento produtivo. “Não basta apenas pensar nas grandes empresas que podem produzir, podem melhorar sua produtividade, para melhorar a inovação e tecnologia, na abertura de mercados, com esse novo approach que vemos do governo, se nós não tivemos um encadeamento produtivo que permita competitividade em toda a cadeia. Nós precisamos permitir que a cadeia seja competitiva para que seja um processo sistêmico”.

“[Muitos empresários] passam o dia resolvendo problemas e, muitas vezes, não se dão ao direito de planejar estrategicamente, nem de pensar o quanto um momento de produtividade pode permitir a eles serem competitivos e aproveitarem novas oportunidades”, ralata o presidente da CNI

Parcerias

Nesta nova fase do programa Brasil Mais Produtivo, o MDIC articulou três novas parcerias para financiar a transformação digital das indústrias do país. Os novos parceiros são o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Existente desde 2016, o Brasil Mais Produtivo já conta com a participação da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai)..

O diretor de Inovação da Finep, Elias Ramos, reafirmou o compromisso de disponibilizar recursos para apoiar a indústria do país. “As micro, pequenas e médias empresas têm um papel transformador e fundamental no sistema de inovação, pois elas podem questionar padrões e colocar o Brasil no trilho do desenvolvimento”.

O diretor de desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Luís Gordon, destaca que o banco tem a missão de apoiar as micro, pequenas e médias empresas.

O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França, entende que todos que empreendem por vocação ou por necessidade querem crescer, mas que ainda falta apoio e financiamento. Para Marcio França, a nova fase do programa Brasil Mais Produtivo muda a lógica de investimentos na atividade produtiva deste público. “Esse era o objetivo: a criação de um apoio especial para esses pequenos. O Brasil Mais Produtivo unifica tudo, cria os portais para termos financiamentos de formato reverso, onde o próprio banco oferece para quem quer empreender. E o programa cria uma forma de pontuação para o empreendedor”.

Desenvolvimento Industrial

De acordo com o Ministério do MDIC, a modernização tecnológica das pequenas e médias indústrias, por meio da transformação digital, anunciada nesta quinta-feira, faz parte das diretrizes da nova política industrial brasileira, que está em construção no Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI). O CNDI teve sua primeira reunião em julho deste ano.

TerraNova é destaque no top 3 do ranking 100 Open Startups
Empresa foi premiada pela segunda vez na categoria Water and Sanitation

A TerraNova, startup focada em soluções de desinfecção para ambientes industriais que exigem alto controle microbiológico, conquistou o 3º lugar na categoria Water and Sanitation do ranking 100 Open Startups 2023, que destaca as empresas mais atraentes para o mercado corporativo e também as corporações líderes em inovação aberta. A premiação da 8ª edição do 100 Open Startups aconteceu ontem, dia 18 de outubro, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

A premiação representa uma evolução para a TerraNova, que em 2021 já havia conquistado a 10ª colocação no ranking. “Nós somos uma empresa relativamente nova. Iniciamos o projeto em 2017, mas somente em 2020 fomos realmente para o mercado tracionar. E em 2021 já tínhamos entrado para o ranking com um ótimo resultado”, destaca Willian Saito, cofundador da TerraNova.

“O 100 Open Startups é um ranking 100% baseado em dados e critérios objetivos. A pontuação leva em conta contratos firmados entre corporações de médio e grande porte. Foram mais de dez mil entidades que participaram dessa edição, entre corporações, startups e agentes do ecossistema, mais de cinquenta e quatro mil contratos registrados e R$ 6,4 bilhões movimentados. Estar listado no ranking é estar entre as empresas brasileiras líderes em inovação”, completa o executivo.

Willian Saito e Daniel Christo, fundadores da TerraNova.

Somente as empresas que participaram da categoria Water and Sanitation apresentaram um crescimento de quase sete vezes no valor movimentado em contratos de inovação aberta no último ano, passando de R$ 23 milhões para R$ 155 milhões. E ter subido no ranking significa ter crescido mais que a média da categoria. O ranking 2023 de startups em Water and Sanitation pode ser acessado no link https://www.openstartups.net/site/ranking/rankings-categories.html?cat=TOP%2010%20Water%20and%20Sanitation%202023.

Participar do ranking tem também outro significado muito importante para a TerraNova, pois dentre todas as startups que compõem a lista, a empresa é única no tipo de serviço que oferece. “É possível notar que há grande presença de empresas focadas em inovações para recursos hídricos, resíduos de lixo e agronegócio, o que faz sentido, pois são dores visíveis, noticiadas e de grande preocupação em escala global. No entanto, é muito importante para nós entendermos que ocupamos um nicho de mercado pouco explorado e com grande magnitude de impacto. O controle microbiológico nas indústrias farmacêutica e alimentícia está diretamente relacionado com a saúde da população. Ser a única empresa nessa atuação da listagem nos coloca em primeira posição no segmento brasileiro”, explica Saito.

A TerraNova inova constantemente em maneiras de melhorar o controle microbiológico em áreas críticas. Por isso, foi criado o Ultrafog, para simplificar o processo de sanitização.

A indústria farmacêutica é um dos setores que mais demandam rigorosos protocolos de sanitização, devido à importância de garantir a qualidade e a segurança dos medicamentos produzidos, e os equipamentos Ultrafog se encaixam perfeitamente em ambientes farmacêuticos, com áreas classificadas e para atender os rigorosos procedimentos de manutenção das salas limpas. Os equipamentos ajudam a indústria a reduzir as chances de erro humano, passivo trabalhista e o tempo de desinfecção das linhas de produção, aumentando a produtividade.

Na indústria alimentícia, a solução aumenta o tempo de prateleira de alimentos (shelf life), melhora a qualidade para os clientes e aumenta a lucratividade. Não há necessidade de adaptações estruturais, ar comprimido ou ventiladores. O processo realizado pelos equipamentos Ultrafog tem alto poder de dispersão, grande penetrabilidade, alta eficiência e baixa umidade, não gerando condensação nas superfícies.  Trata-se de um processo rápido, sem necessidade de enxague ou secagem após a sanitização.

Ministério projeta superávit comercial recorde de US$ 93 bilhões
Diminuição das importações puxaria melhora no saldo

Da Agência Brasil

O leve aumento de exportações e a diminuição no valor das importações de produtos cujos preços arrefeceram nos últimos meses fizeram o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) projetar superávit comercial (exportações menos importações) recorde em 2023. A terceira estimativa do ano prevê superávit de US$ 93 bilhões, contra projeção anterior de US$ 84,7 bilhões.

A projeção é atualizada a cada três meses. Caso se confirme, o superávit será 51,2% mais alto que o saldo positivo de US$ 61,525 bilhões registrado em 2022, até agora o melhor resultado da história.

O saldo comercial deverá subir porque as importações cairão mais que as exportações em relação aos resultados de 2022. O governo projeta exportar US$ 334,2 bilhões em 2023, leve alta de 0,02% em relação aos US$ 334,1 bilhões exportados pelo país no ano passado. Em contrapartida, as importações deverão atingir US$ 241,1 bilhões, recuo de 11,5% em relação aos US$ 272,6 bilhões comprados do exterior em 2022.

Em relação à projeção anterior, divulgada em julho, as exportações subiram US$ 4,2 bilhões. A previsão para as importações caiu US$ 4,1 bilhões. O subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, atribuiu a revisão para cima do superávit comercial ao desempenho robusto das exportações, apesar da queda no preço de algumas commodities (bens primários com cotação internacional).

“Desde a primeira revisão [da estimativa para 2023], já observávamos que seria um saldo robusto, recorde. Volumes crescentes [na exportação] fizeram com que resultado ficasse acima do esperado”, disse Brandão, ao ressaltar que este será o primeiro ano em que o Brasil registrará superávit comercial acima de US$ 70 bilhões.

Em relação às importações, o secretário explicou que a queda se deve principalmente à redução da compra de bens intermediários. As importações de bens de capital (máquinas e equipamentos usados na produção) avançaram 9,9% no acumulado do ano. Em relação aos bens de consumo, as compras do exterior subiram 17,2%.

Fatores

Segundo o MDIC, dois fatores estão por trás do saldo recorde em 2023. Por um lado, os preços de commodities energéticas, como o petróleo, e de itens como fertilizantes estão em tendência de queda após atingirem um pico no início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Por outro lado, a desaceleração da economia deve provocar queda nas importações, por causa da retração do consumo.

A guerra entre Rússia e Ucrânia tem impactado as importações nos últimos meses. Os preços internacionais dos adubos e dos fertilizantes caíram 50,4% em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O preço médio dos combustíveis importados diminuiu 15,7% na mesma comparação. O preço médio do trigo, outro produto que o Brasil importa em grande quantidade, caiu 36,1%.