Empreendimentos da construção civil têm queda de 16,5% entre 2014 e 2015

Todos os setores de atividade ligados à construção civil do país fecharam com números negativos no valor adicionado entre 2014 e 2015. Houve recuo no número de empresas ativas, na receita operacional líquida, no número de incorporações e nas construções contratadas por entidades públicas, que perderam participação entre um ano e outro.

A constatação é da Pesquisa Anual da Indústria da Construção – Paic 2015 – que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (21), no Rio de Janeiro. Os empreendimentos realizados pelo indústria da construção somaram R$ 354,4 bilhões, queda de 16,5% em relação a 2014.

O mesmo aconteceu com a receita operacional líquida, que, ao fechar com movimentação de R$ 323,9 bilhões, também registrou retração de 18,7% em termos reais. Já o gasto com pessoal ocupado correspondeu a 33,3% dos custos e despesas dessas empresas. Já o salário médio mensal recuou 1,4%, passando de R$ 1.970,05 em 2014 para R$ 1.943,43 em 2015.

A pesquisa é importante fonte de informações estatísticas sobre o segmento empresarial da construção, fornecendo aos órgãos governamentais e privados subsídios para o planejamento e aos usuários em geral, informações para estudos setoriais mais aprofundados.

Variação negativa

A avaliação do IBGE é clara: “todos os setores de atividade tiveram variação negativa do valor adicionado entre 2014 e 2015. Além das construções contratadas por entidades públicas terem perdido participação de 2014 para 2015, as obras de infraestrutura, grupo de maior peso na construção, reduziram o valor de R$ 138,9 bilhões, em 2014, para R$ 106,9 bilhões, em 2015.”

Na avaliação do gerente da Pesquisa Anual da Indústria da Construção, José Carlos Guabyraba, os resultados da construção civil relativos a 2015 foram influenciados pela retração da economia brasileira, traduzida nos números do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todas as riquezas produzidas no país.

“Deve-se observar que a variação do PIB trimestral em 2015, em relação a 2014, foi de -3,8%, a maior retração da série histórica atual iniciada em 1996. A partir de 2014, o segmento da construção passou a refletir o ambiente de desaceleração da atividade econômica do país, evidenciado, no âmbito da demanda interna, pela perda de dinamismo do consumo das famílias, que apresentou queda de -3,9% em relação a 2014”.

Os números indicam, ainda, que havia 131,5 mil empresas ativas em 2015 que empregavam 2,4 milhões de pessoas. Este nível de ocupação do setor da construção, no entanto, foi meio milhão a menos do que em 2014.

A construção de edifícios se manteve em 2015 como o setor que mais contribuiu para o valor corrente, com R$ 165,7 bilhões das incorporações, obras e/ou serviços, com participação de 46,7%. Já a participação do gasto com o pessoal ocupado atingiu 33,3% nos custos e despesas dessas empresas, resultado 32,8% superior ao de 2014.

Desaceleração da atividade por setor

Para o IBGE, ao analisar o comportamento da construção civil a partir de 2014, deve-se registrar que “o setor passou a refletir o ambiente de desaceleração da atividade econômica do país como um todo. Não há como, ao avaliar os resultados da pesquisa em 2015, deixar de observar que a variação do PIB trimestral em relação a 2014 foi de queda de 3,8%, a maior retração da série histórica atual iniciada em 1996”, ressaltou o IBGE.

O instituto lembra que, a partir de 2014, o segmento da construção, ao refletir o ambiente de desaceleração da atividade econômica do país, evidenciou, no âmbito da demanda interna, “a perda de dinamismo do consumo das famílias, que apresentou queda de 3,9% em relação a 2014. Esse resultado também refletiu o aumento das taxas de juros e o menor volume de crédito ao setor”.

Quando analisado de forma segmentada, o setor mostra que a construção de edifícios se manteve como o item que mais contribuiu para o valor corrente (R$ 165,7 bilhões) das incorporações, obras e/ou serviços, com participação de 46,7% do total em 2015.

Embora registrando queda de 38,3% na participação da construção civil entre 2014/15, o segmento de obras de infraestrutura foi o segundo em termos de participação, com R$ 119,9 bilhões – o equivalente a 33,9% do total da contribuição do valor corrente em 2015.

Já o setor de serviços especializados para construção apresentou ganho de participação, passando de 17,9%, em 2014, para 19,4%, em 2015 – o equivalente a (R$ 68,7 bilhões).

Os números por regiões

Quando a Pesquisa Anual da Indústria da Construção se refere à atuação das empresas nas grandes regiões do país, as informações indicam que o Sudeste, a região mais populosa, urbanizada e industrializada, continuou apresentando a maior participação relativa, tanto no pessoal ocupado como no valor das incorporações, obras e/ou serviços da construção.

Ainda assim, a região perdeu participação no valor das incorporações, obras e/ou serviços da construção, na passagem de 2014 para 2015, caindo de 52,3% para 50,9%.

Já as Regiões Norte e Nordeste registraram queda no pessoal ocupado (de 7,7% para 7,1% e de 22,9% para 22,1%, respectivamente).

Enquanto na Região Norte houve uma leve queda no valor das incorporações, obras e/ou serviços da construção, que passou de 6,9% para 6,8% entre 2014 e 2015, na Região Nordeste houve ligeiro crescimento de 18,7% para 18,9%.

A Região Sul ampliou sua participação na passagem de 2014 para 2015, tanto no pessoal ocupado (de 13,9% para 15,1%), quanto no valor das incorporações, obras e/ou serviços da construção (de 12,8% para 14,5%).

A Região Centro-Oeste fechou 2015 com queda em ambas as comparações entre um período e outro. Perdeu 0,1 ponto percentual de participação no número de pessoal ocupado, que caiu de 7,9% para 7,8% e 0,4 ponto percentual no valor das incorporações, obras e/ou serviços da construção: de 9,3% para 8,9%.

Os produtos da construção, retratados pela pesquisa desde 2002, são os diversos tipos de obras e/ou serviços executados pelas empresas dessa atividade no ano de referência da pesquisa.

Justiça Federal bloqueia venda de R$ 1 bilhão em ativos da JBS

O juiz Ricardo Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, proibiu a empresa JBS de vender subsidiárias na Argentina, no Paraguai e no Uruguai para unidades naqueles países controladas pela Minerva, segunda maior companhia de carne bovina do Brasil.

O valor do negócio, que havia sido anunciado no início deste mês, é de US$ 300 milhões, o que no câmbio de hoje (21) equivaleria a cerca de R$ 1 bilhão.

A permissão para a venda havia sido solicitada pelas defesas dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS. Soares Leite é o juiz responsável pela Operação Bullish, na qual são investigados desvios no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em favor da empresa. O bloqueio de ativos da JBS foi imposto como medida cautelar pelo magistrado.

Na decisão divulgada nesta quarta-feira, o juiz escreveu considerar a venda “prematura”, pois ainda não foram apresentadas provas que respaldem o suposto favorecimento da JBS pelo BNDES, conforme relatado por executivos da empresa em acordo de delação premiada com a Justiça.

Soares Leite lembrou também que o referido acordo ainda terá sua validade analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele acrescentou que a venda pretendida também não foi autorizada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) até o momento.

Em meio às dificuldades de mercado que enfrenta após seus controladores firmarem um acordo de delação premiada com a Justiça, a JBS, que é a maior processadora de carnes do mundo, anunciou ontem (20) um programa de desinvestimento na ordem de R$ 6 bilhões.

Segundo o plano, o grupo pretende se desfazer de ativos no Brasil, na Irlanda do Norte e nos Estados Unidos. A venda das subsidiárias na Argentina, no Paraguai e no Uruguai não estavam incluídas no plano divulgado ontem pela JBS.

Temer e Putin assinam acordos para incentivar comércio bilateral

Os governos brasileiro e russo assinaram hoje (21) uma série de acordos para desburocratizar e incentivar as relações comerciais entre os dois países, bem como favorecer a cooperação econômica, os investimentos e os diálogos bilaterais. Em discurso, Temer assumiu o compromisso de aproximar Mercosul e União Econômica Euro-Asiática, quando o Brasil assumir a presidência do bloco sul-americano, no próximo semestre.

Durante cerimônia de assinatura dos atos, no Palácio do Kremilin, os presidentes Michel Temer, do Brasil, e Vladimir Putin, da Rússsia, assinaram uma declaração conjunta na qual os dois países manifestam posições e agendas de interesse comum relativas à política internacional. Referindo-se a um dos memorandos assinados, sobre o diálogo estratégico na área de política externa, o presidente Putin disse que o documento prevê “um nível mais alto da coordenação de nossos esforços no que diz respeito ao combate a novos desafios, tais como terrorismo”, ao destacar pontos favoráveis “à paz internacional” e contrários à proliferação de armamentos.

Em seu discurso, o presidente Temer disse que Brasil e Rússia são países conscientes de seu papel na cena internacional, motivo pelo qual têm parcerias tanto no âmbito do G20, grupo que abrange as 20 maiores economias mundiais, quanto no Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul. “O presidente Putin e eu mantivemos diálogo sobre questões globais. Compartilhamos o entendimento de que as instituições internacionais devem ser mais representativas e eficazes; intercambiamos visões sobre alguns dos temas mais prementes das agendas de paz e segurança mundiais”, disse Michel Temer.

O presidente brasileiro disse que os acordos assinados hoje facilitarão o comércio e os reinvestimentos, além de aprofundar o diálogo político. Ele lembrou que nos primeiros cinco meses desse ano, as trocas comerciais entre Brasil e Rússia aumentaram em 40%, na comparação com o mesmo período do ano passado. “Mas ainda há espaço para mais e mais investimentos”, acrescentou.

“Assegurei ao presidente Putin que no próximo semestre, quando o Brasil terá a presidência do Mercosul, trabalharemos por uma maior aproximação com a União Econômica Euro-asiática”, disse Temer.

O presidente Michel Temer viaja ainda hoje para a Noruega, onde o foco será o meio ambiente. O país já repassou ao Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 2,8 bilhões e mantém-se como o maior financiador da iniciativa. Atualmente, são 89 projetos em áreas como combate ao desmatamento, regularização fundiária e gestão territorial e ambiental de terras indígenas. Além disso, a Noruega é o oitavo maior investidor estrangeiro no Brasil, com presença no setor de energia.

Estão agendadas reuniões com o Rei Harald V, com a primeira-ministra, Erna Solberg, e com o presidente do Parlamento, Olemic Thommessen.

Brasília recebe o II Simpósio Nacional de Uro-oncologia e cirurgia oncológica

Os avanços da tecnologia têm revolucionado tanto o diagnóstico quanto o tratamento de tumores urológicos. Entre um dos principais métodos está a cirurgia robótica, que tem proporcionado uma maior precisão para a equipe médica, além de segurança ao paciente por se tratar de um procedimento minimamente invasivo. A técnica será debatida durante o II Simpósio Nacional de Uro-oncologia e Cirurgia Robótica Oncologia D’Or, a ser realizado no dia 24 de junho, no Hotel Grand Mercure Brasília Eixo Monumental, em Brasília.  

 

Atualmente, cerca de 80% das cirurgias para câncer de próstata são realizadas utilizando a plataforma robótica. Esse número vem aumentando progressivamente no Brasil, seguindo uma tendência mundial. Segundo Rodrigo Frota, coordenador do Programa de Urologia Robótica da Rede D’Or São Luiz, a visualização 3D do tumor, que permite ao cirurgião maior precisão da dissecção, minimizando hemorragias, está entre os principais benefícios da técnica.

 

“Além disso, o procedimento minimamente invasivo contribui com a rápida recuperação do paciente e reduz as chances de problemas de incontinência urinária, além de menor risco de disfunção erétil”, explica o especialista.

 

Bruno Oliveira, um dos coordenadores científicos do evento e oncologista do Acreditar, clínica do Grupo Oncologia D’Or em Brasília, destaca que, nesta edição, haverá uma atualização dos principais estudos apresentados na ASCO 2017, Sociedade Americana de Oncologia Clínica, sobre tumores urológicos. “Alguns trabalhos apresentados prometem mudar a conduta oncológica no mundo todo em relação ao tratamento do câncer de próstata metastático de alto risco”, ressalta o oncologista.

 

Já Daniel Herchenhorn, oncologista do Grupo Oncologia D’Or e também coordenador do evento, salienta a participação de inúmeros especialistas nacionais e internacionais que apresentarão o que há de mais novo na cirurgia robótica no Brasil e no mundo. Um dos destaques é o Professor de Urologia da University of Southern California, André Berger. O especialista traz na bagagem sua experiência em cirurgia robótica avançada e laparoscopia, especialmente para câncer de próstata, rim e bexiga.

 

A programação completa do evento pode ser encontrada pelo site http://eventosoncologiador.com.br/urooncologia/