Janot adia votação de resolução que pode afetar Lava Jato

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), reunido hoje (24) em Brasília, adiou uma decisão que pode afetar os trabalhos da Operação Lava Jato, após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedir vista (mais tempo para analisar o caso).

A resolução, discutida na sessão ordinária do CSMPF desta segunda-feira, propõe a limitação em 10% do contingente de procuradores da República de cada unidade do MPF que podem ser cedidos a outras unidades. A proposta também pretende limitar em quatro anos o período de cessão.

Caso aprovada em sua versão original, a resolução tem efeito sobre as forças-tarefa da Lava Jato montadas em Curitiba e também na Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, onde são tratados os casos envolvendo parlamentares e ministros, entre outros. Isso porque em ambos os locais grande parte dos procuradores atuantes é proveniente de estados. A proposta é de autoria da subprocuradora-geral da República Raquel Dodge.

Retorno

Em Curitiba, por exemplo, as investigações tiveram início em 2014. Com a aprovação da resolução, procuradores cedidos que atuam desde o início na Lava Jato seriam obrigados a abandonar os casos em que trabalham e retornar a seus locais de origem já no próximo ano.

Durante a sessão de hoje, Janot se disse “perplexo” que o CSMPF estivesse discutindo um tema com potencial de afetar a Lava Jato, operação que necessita de grande contingente de procuradores especializados. A matéria deve voltar a ser debatida daqui a duas semanas.

Após a manifestação do procurador-geral da República, a conselheira Maria Hilda propôs uma regra de transição para que, sendo aprovada, a resolução não tenha efeito sobre forças-tarefa já em andamento. A votação dessa versão do texto ficou interrompida com o placar de 8 a 1 a favor, com o pedido de Janot de mais tempo para analisar a matéria.

Amigos em tempos de crise

“Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração…” começo relembrando Canção da América, de Milton Nascimento e Boca Livre, que termina assim: “Qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar.” Isto sempre foi uma verdade. As amizades são nossos maiores tesouros, pois nos permitem que em momentos de tristeza, angústia e alegrias termos um esteio e principalmente a certeza de que não estamos sós. Além de tudo, é uma escolha feita por cada um que amizades vamos fazer e, sobretudo, manter. É desta forma uma propriedade individual!

Quando se está procurando uma nova colocação, estes “anjos da guarda” também serão nossa maior fonte de ajuda. Explico o porquê. A primeira ação de quem está procurando uma nova colocação é identificar o que tem de melhor, qual foi a tônica de suas realizações. Se tivermos o hábito de constantemente analisar nossas realizações, vamos verificar que na maioria das vezes resolvemos problemas de natureza semelhante. A partir daí, principalmente num mercado em crise, temos que analisar onde esta nossa oferta vai ser necessária, pois desta maneira teremos mais chances em ser contratado.

Você deve estar se perguntando, e os amigos em que parte eles se encaixam. E eu lhes afirmo, exatamente nesta parte. Uma vez identificado quem compraria mais facilmente seu produto, ou seja, o que tem a oferecer, você precisará de ajuda a chegar a estas empresas, nesta hora, entram os amigos ou como chamei os “anjos da guarda”.  Quem melhor do que eles que te conhecem, para fazer esta ponte? Quem melhor do que eles para falar sobre você?

Mas lembre-se bem, esta ajuda tem que ser direcionada, você deve discutir com eles seu plano e então verificar se podem ajudar. Não peça um emprego, peça conselhos sobre seu plano e eventual ajuda! Esta talvez seja a parte mais importante e difícil, não pedir nada que alguém não possa dar, ou seja, um emprego. Porém, o pulo do gato vem agora: como eu construí minha rede amizade? Tenho anjos da guarda para me ajudar em momentos de crise? Se a resposta para a última pergunta foi não, não entre em pânico, só faça um acerto de rota.

Esteja sempre aberto a ajudar as pessoas que te procurarem, forme a partir de agora uma rede que vou chamar de “solidariedade sustentável”, significando que as pessoas saibam que podem contar com você quando necessitarem e que também saibam quais são suas maiores fortalezas. Isto permite uma retroalimentação constante.

Termino, então, como comecei: “Qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar”. Lembre-se sempre desta máxima e terá sempre com quem contar.

*Diretora de Transição de Carreira e Gestão da Mudança América Latina da Consultoria LHH

Barreira para a criatividade

Ainda é difícil enxergar o fim da atual crise. O desemprego permanece alto e os índices econômicos estão longe de provocar euforia. Porém, mesmo em um cenário adverso, o mercado vê a economia criativa apresentar bons resultados. Para quem não lida com o ambiente corporativo o termo talvez não seja conhecido, mas já é utilizado há mais de uma década para definir modelos de negócios que exploram o capital intelectual, um dos bens mais valiosos em tempos de instabilidade, retração econômica e desemprego.

E onde estão esses brasileiros que vêm se reinventando e fomentando este novo segmento? O leque é amplo. Em grande parte estão nas seguintes áreas:  publicidade, design, editoração, arquitetura, artes e antiguidades, artesanato, moda, cinema e vídeo, televisão, artes cênicas e rádio. Neste ponto, encontramos mais um desafio para o atual Governo, o de investir cada vez mais nesses profissionais, sem deixar de olhar para a economia tradicional, e, em especial, para seus cinco segmentos mais promissores (tecnologia, agronegócio, alimentação, educação e turismo), que merecem toda a atenção e esforços hercúleos.

Segundo dados da Firjan, estima-se que, somente no Rio de Janeiro, a economia criativa representa 4% do PIB estadual, tendo ocupado, em 2010, cerca 59,11% dos trabalhadores fluminenses.  É preciso definir políticas de incentivo para quem inova, cria tendências, impulsiona novos mercados, gera empregos e produz receita. Não se pode ignorar um movimento que já apresenta bons resultados e se mostra tão promissor em curto prazo.

Entretanto, apesar do país, ainda estar apenas engatinhando nesse mercado, é possível prever que o seu crescimento, muito em breve, ficará limitado, pois não há como esperar uma forte expansão de um setor que depende, essencialmente, da capacidade intelectual, quando o país permanece nas últimas posições nos rankings das três disciplinas avaliadas pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), na comparação dos dados de 2015 com 2012. O que torna tudo mais alarmante é que o Pisa não avalia conhecimentos técnicos e especializados. Pelo contrário. As médias baixas representam um déficit em relação a conhecimentos básicos de matemática e leitura. Isso retrata uma realidade em que os estudantes saem da escola com dificuldade para interpretar um texto ou fazer um simples cálculo matemático. O que podemos esperar de profissionais que apresentem tais deficiências?

Como resposta, as empresas estão, cada vez mais, investindo em qualificação, seja financiando a graduação ou pós-graduação de funcionários, a concretização de parcerias com faculdades ou a criação de suas universidades corporativas. Porém, enquanto o problema estiver na base da educação, dificilmente o quadro será revertido e o país terá uma barreira impedindo a inovação e a criatividade.

Paulo Sardinha é Presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RJ).

Produto Interno Bruto cresce 0,78% de janeiro para fevereiro

O Monitor do Produto Interno Bruto (PIB)-Fundação Getúlio Vargas (FGV) indica que o PIB (a soma de todas as riquezas produzidas pelo país) cresceu 0,78% de janeiro para fevereiro na série com ajuste sazonal, registrando a segunda variação mensal positiva consecutiva da série. Os dados foram divulgados hoje (20), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

O indicador estima mensalmente o PIB em volume e tem por objetivo, segundo a fundação, “prover a sociedade de um indicador mensal do PIB, tendo como base a mesma metodologia das Contas Nacionais do IBGE”.

Para o coordenador do monitor Claudio Considera, os dados confirmam os sinais de que a economia brasileira vem se recuperando. “É uma recuperação consistente e que já vem se verificando desde o ano passado”.

Ele disse que os números da média móvel trimestral, ao fechar fevereiro com expansão de 0,15%, confirmam a recuperação. Na comparação com o trimestre terminado em novembro de 2016, o PIB, ao expandir 0,15%, acusou a primeira taxa positiva após oito trimestres negativos consecutivos. “É de se esperar que este ano o PIB volte a fechar positivo, embora ainda não se possa mensurar a magnitude do crescimento”, afirmou Considera.

PIB vem apresentando recuperação

A FGV ressaltou, porém, que a taxa trimestral móvel do PIB no trimestre encerrado em fevereiro, quando comparada com o mesmo período do ano anterior, apresentou queda de 0,9%. Nesta comparação, no entanto, o PIB tem apresentado recuperação desde janeiro de 2016 quando a taxa apresentou recuo de 6%.

Segundo a FGV, no setor industrial, a única variação negativa apresentada nesta comparação é a da atividade de construção (-7%), enquanto que, no setor de serviços, apenas serviços imobiliários (+0,1%) e administração pública (+0,1%) tiveram variações positivas.

O consumo das famílias recuou 2% no trimestre fechado  em fevereiro na comparação com o mesmo trimestre de 2016. Já em termos monetários, o PIB de fevereiro, em valores correntes, alcançou R$ 530,46 bilhões, acumulando no ano R$ 1,53 trilhão.