De origens humildes à defesa da privacidade de dados
Conheça a jornada de uma mulher em busca da segurança da informação no Brasil

Aline Deparis, CEO da Privacy Tools (Foto: divulgação)

“Uma questão de responsabilidade”. Essa frase resume a visão de Aline Deparis, CEO da Privacy Tools, sobre seu objetivo de levar ao debate público a privacidade e a proteção de dados pessoais. À frente da empresa líder no País em soluções para adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), Aline tem uma carreira de empreendedorismo marcada pelo pioneirismo.

Aline nasceu em Viadutos, pequena cidade do Rio Grande do Sul, com quase 5 mil habitantes e localizada mais precisamente no interior de Erechim. Como diz, “aquelas cidadezinhas que todas as pessoas se conhecem pelo nome e sobrenome (ou apelido)”. Começou a trabalhar na roça desde pequena para ajudar a sustentar a família, ao mesmo tempo que via poucas alternativas para seu futuro: “na época as opções para as meninas da região eram muito focadas em ser dona de casa ou professora, nada além disso.”

Como sua atividade principal era ajudar na roça, quando terminava o seu trabalho e o tema de casa, era no comércio que Aline despertava o lado empreendedora. Começou a vender açúcar mascavo, doces, amendoim, linguiça e frutas em escolas, praças e na igreja.

Com mais idade e sem tanto dinheiro, a única bolsa de estudo disponível era para o magistério, visando dar aulas em Viadutos. Aline seguiu o rito e deu aula para crianças no colégio da cidade, cumprindo o roteiro preparado para as mulheres da época.

Mas ela sempre quis mais. Quando conseguiu uma bolsa para fazer faculdade, opções como engenharia, publicidade, direito, informática eram áreas de outro mundo para ela. Aline escolheu pedagogia, já que não era uma área totalmente estranha. Quando percebeu que a pedagogia não era sua vocação, migrou para o curso de administração com ênfase em análise de sistemas, tendo seus primeiros contatos com o mundo da tecnologia.

Nasce a empreendedora 

Em 2009, fundou sua primeira startup, a Maven Inventing Solutions, com foco em publicação digital de conteúdo. O sucesso inicial da empresa inspirou-a a explorar ainda mais o campo da tecnologia.

Aline revela que, quando estava pesquisando sobre blockchain, viu que a lei de proteção de dados também era uma tendência muito forte na Europa, com a GDPR, e que ela chegaria ao Brasil. “As empresas não estão preparadas para essa questão, nós brasileiros temos uma cultura diferente, nada focada em privacidade. Somos comunicativos e abertos demais, mesmo assim eu senti que esse comportamento estava para mudar e na ocasião, em vez de chegar cedo na festa, nesse processo acabei sendo pontual.”

Foi assim, em abril de 2019, que nasceu a Privacy Tools, uma Privacy Tech com a missão de auxiliar empresas a automatizar e facilitar a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados. Combinando tecnologias como blockchain e inteligência artificial, a Privacy Tools oferece soluções eficazes para proteger os dados pessoais dos clientes. Nesse aspecto, Aline ressalta que a proteção de dados não é apenas uma necessidade regulatória, mas uma questão de sobrevivência e de responsabilidade para as empresas.

A empresária também destaca que o tema precisa estar presente no debate público, com a população cada vez mais preparada para exercer seus direitos e estar atenta no momento de fornecer qualquer tipo de informação para empresas e governos.

Sob sua liderança, a Privacy Tools está desempenhando um papel fundamental na transformação do debate sobre a privacidade e proteção de dados no Brasil. Sua visão é continuar crescendo e expandindo o alcance da empresa, fornecendo soluções inovadoras e eficazes para proteger os dados pessoais em um mundo cada vez mais digitalizado.

Depois de um expressivo ano de 2023, em que a Privacy Tools atingiu um crescimento de 100% e alcançou um valor de mercado superior a R$100 milhões, as expectativas para 2024 não poderiam ser melhores. Com o objetivo de chegar a 1.000 empresas atendidas, a Privacy Tools também mira um crescimento mínimo de 50% em seu faturamento e o aumento de suas equipes em mais de 40%.

Mulheres na TI

Em um ambiente dominado por homens, Aline reforça que as mulheres têm desafios a mais. “Temos que superar a desconfiança, ainda mais em áreas onde a maioria ainda são homens, como é o caso da tecnologia. Mas, com o tempo, você constroi algo que marca a vida de cada um e vai superando essa barreira”.

Sua capacidade e liderança ao longo dos anos foram reconhecidas pelo mercado e suas instituições, sendo nomeada presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação do Rio Grande do Sul (Assespro-RS), entre os anos de 2019 e 2020.

“A jornada como um todo não foi e segue não sendo nada fácil. Já perdi contratos, clientes grandes, colaboradores importantes. Mas aprendi na prática, pois ninguém ensinou. Aprendemos caindo e levantando, e é isso que torna empreender tão divertido e emocionante.”

Pedidos de recuperação judicial aumentam 60% em janeiro; alta já havia sido registrada em 2023
Especialista em recuperação empresarial, o advogado Felipe Granito aponta que estratégia jurídica adequada pode reverter cenário de negativo

Da Redação

Com mais de 6,6 milhões de empresas inadimplentes, o Brasil segue registrando aumento nos pedidos de recuperação judicial. Segundo dados da Serasa Experian, em janeiro de 2024 o crescimento foi de 60%, em comparação ao mesmo período do ano passado. A alta foi puxada pelas micro e pequenas empresas, que registraram 99 pedidos, dos 149 registrados no mês.

O balanço de 2023 da Serasa apontou que, no último ano, o Brasil registrou aumento de 68,7% nos pedidos de recuperação judicial, quando comparado ao ano anterior, sendo o quarto maior (1,4 mil pedidos) já registrado desde 2005.

Especialista em recuperação empresarial, o advogado Felipe Granito, do GBA Advogados Associados, explica que diversos fatores explicam esse cenário. “Houve uma redução na oferta de crédito por instituições financeiras para as empresas no ano passado. Isso trouxe ainda mais dificuldade para conseguirem fôlego para se manterem. Além disso, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), que costumavam substituir esse fomento, acabaram migrando boa parte de suas operações para o agro, o que acabou reduzindo ainda mais a oferta para os demais setores”.

O advogado ressalta que é possível não deixar a situação chegar a esse ponto. Para isso, o empresário precisa estar atento para buscar o auxílio quando ainda é possível a recuperar-se, evitando medidas mais drásticas, como a recuperação judicial. “As empresas podem recuperar a saúde financeira antes de pensarem em um processo de quebra ou recuperação judicial. Em nosso escritório, temos conseguido uma taxa média de desconto superior a 80% ao negociar com os credores, inclusive bancos, além de um trabalho de reestruturação da empresa”, afirma.

Enacom leva soluções de logística com o Gêmeo Digital para a Intermodal South America
Empresa vai demonstrar como a transformação digital contribui para o setor. Evento acontece de 05 a 07 de março em São Paulo

 

 

Da Redação

A Enacom  vai apresentar três soluções para o setor de logística durante a Intermodal South America, entre os dias 5 e 7 de março, em São Paulo. Especializada no desenvolvimento de softwares com o uso de Gêmeo Digital para a indústria, a empresa levará para o evento as ferramentas S&OP Digital (portos, terminais e rodoferroviário); Smart Planner (ferroviária e rodoviário) e o Gêmeo Digital de Desempenho. A Intermodal é o maior e mais completo evento internacional dos modais rodoviário, aéreo, marítimo e ferroviário das Américas.

Patrocinadora Prata da Intermodal, a Enacom vai expor em seu estande como a transformação tecnológica, com o uso do Gêmeo Digital, pode contribuir para a indústria. Será feita demonstração de sistemas para explicar os principais benefícios gerados para o setor e a expertise técnica empregada.

–  Vamos mostrar para os profissionais do setor as razões pelas quais a integração das tecnologias digitais na logística é essencial para garantir operações com um planejamento otimizado e baseado no alto desempenho, algo que que os dados em tempo real são capazes de fornecer – adianta Douglas Vieira, CEO da Enacom.

Soluções da Enacom na Intermodal

S&OP Digital

A ferramenta é utilizada na alocação de recursos e no planejamento de forma otimizada para ferrovias, portos, rodoviário e multimodais. É aplicada no planejamento integrado, considerando horizontes de longo, médio e curto prazo na otimização de recursos, sendo capaz de executar um planejamento mensal e atender as demandas tanto do planejamento de vendas (longo prazo), quanto das operações (curto prazo). Tem capacidade de identificar riscos e impactos nos cenários ao longo do mês para redução de custos e faz a alocação assertiva dos ativos e melhor operação dos modais, reduzindo o tempo dos ciclos. O recurso utiliza as tecnologias de Visão computacional, Computação em Nuvem, Otimização, Machine Learning e Gêmeo Digital.

Smart Planner

Sistema de mapeamento, acompanhamento e programação de ativos que auxilia na projeção de cenários para o futuro a médio prazo contemplando o mapeamento, acompanhamento e programação de ativos. Oferece a possibilidade de visualizar informações críticas e de programar a circulação de ativos em tempo real com possibilidade de projeção para o futuro. Tem a capacidade de programar os ativos, visualizar dados diários, semanais e mensais, acompanhar as frotas de ativos dia a dia e gerar relatórios relativos a programação e seus ganhos e perdas. O sistema utiliza uma mescla de computação em tempo real através de cálculos e otimização para gerar a projeção da programação dos ativos.

Gêmeo Digital de Desempenho

Solução que oferece a gestão dinâmica dos indicadores industriais, correlacionando processos e resultados, permitindo uma análise mais ajustada do desempenho e produzindo insights para a visualização integrada em tempo real de todo o fluxo de produto e processos da produção. Seus principais benefícios são a capacidade de gerar um demonstrativo do que está planejado e do que já foi realizado, acompanhar SKU’s e processos, gerar alarmes de desvios na produção e fazer a integração entre diferentes áreas da produção.

Petrobras e BNDES vão criar fundo para apoiar startups de inovação
Investimento será destinado à área de transição energética

Da Agência Brasil

A Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) iniciaram estudos para estruturar um fundo para apoiar micro, pequenas e médias empresas de tecnologia e inovação na área de transição energética. O anúncio foi feito pela estatal nesta quarta-feira (21).

O fundo será na modalidade Corporate Venture Capital (CVC), capital de risco corporativo, em português. Nesse modelo, grandes companhias investem nas chamadas startups – empresas menores com potencial de crescimento, notadamente de base tecnológica. É uma forma de corporações levarem para dentro de si esforços de inovação desenvolvidos por terceiros, que passam a ser parceiros.

Na fase inicial do estudo do CVC, a Petrobras e o BNDES vão identificar os setores mais promissores para este tipo de investimento, considerando temas relacionados à transição energética – diminuição de fontes de energia poluentes, como os combustíveis fósseis, em troca de energias limpas, como eólica, solar e biocombustíveis – e que estejam alinhadas às estratégias de longo prazo das duas entidades.

A iniciativa conjunta foi acertada por meio de um acordo de cooperação técnica assinado em julho do ano passado. A atuação entre o banco e a petrolífera é voltada para as áreas de óleo e gás, com foco em pesquisa científica, transição energética e descarbonização e desenvolvimento produtivo e governança. O acordo tem vigência de 4 anos.

Gestão independente

De acordo com a Petrobras, esse primeiro fundo de CVC da companhia seguirá normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), instituição ligada ao Ministério da Fazenda responsável por fiscalizar, normatizar, disciplinar e desenvolver o mercado de valores mobiliários no Brasil.

O gestor do fundo será escolhido por meio de edital público e terá independência para as decisões e investimentos. “A tese de investimento abrangerá negócios inovadores relacionados a energias renováveis e de baixo carbono que acelerem o posicionamento da Petrobras na transição energética”, explica a estatal.

Plano estratégico

O plano estratégico da companhia prevê o montante de US$ 100 milhões – cerca de R$ 500 milhões – para a estratégia de investimentos em capital de risco corporativo até 2028. Os valores a serem aportados nesse primeiro CVC ainda serão submetidos às instâncias internas de aprovação da Petrobras e do BNDES.

Os objetivos dos dois parceiros são originação de negócios, desenvolvimento de fornecedores e mercados e inteligência tecnológica. Além disso, esperam remuneração do capital, ou seja, recuperar com ganhos financeiros o valor investido.

No comunicado distribuído pela Petrobras, o presidente da estatal, Jean Paul Prates, afirma que a parceria “servirá de alavanca de crescimento para a captura de valor da inovação em energias de baixo carbono”, em linha com estratégicas divulgadas no plano estratégico 2024-2028.

O diretor de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Maurício Tolmasquim, enxerga complementaridade entre o investimento em CVC e pesquisas desenvolvidas dentro da empresa. “O CVC nos permitirá fomentar ideias e modelos de negócios inovadores, de maneira integrada ao arcabouço de inovação que a Petrobras já desenvolve no âmbito dos seus projetos de pesquisa e desenvolvimento”.

Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, investir em transição energética e em inovação é a solução para a garantia do desenvolvimento sustentável da economia brasileira. “O capital de risco é uma ferramenta importante para financiar micro, pequenas e médias empresas inovadoras, e o envolvimento de grandes empresas públicas, como BNDES e Petrobras, é um estímulo fundamental para que tenhamos novos saltos tecnológicos no país”, disse.