Produtividade na construção civil recua desde 2016, e Fiesp propõe agenda de modernização
Estudo sugere impulso à industrialização e ao uso da tecnologia na gestão de pessoas como caminho para sustentabilidade do setor

 

Da Redação

A construção civil brasileira enfrenta um impasse estrutural que ultrapassa a mera escassez de trabalhadores. Dados do estudo inédito Mãos à Obra: Emprego e Produtividade na Construção, elaborado pelo Departamento da Indústria da Construção e Mineração da Fiesp, revelam que a produtividade do setor caiu 25,8% entre 2016 e 2023. Lançado nesta quinta-feira (8/10), durante evento na sede da Fiesp que reuniu empresários, especialistas e representantes da cadeia produtiva, o levantamento discute os desafios e aponta caminhos para o avanço do setor.

A defasagem também aparece na comparação internacional. Em 2023, cada trabalhador da construção brasileira gerou, em média, US$ 19 mil por ano, patamar inferior ao de pares regionais como Chile (US$ 27 mil) e México (US$ 26 mil) e distante de mercados mais avançados, como Estados Unidos (US$ 84 mil) e Dinamarca (US$ 100 mil).

Para o diretor titular do Deconcic, Newton Cavalieri, a recuperação da produtividade passa por uma agenda estruturada de modernização do setor. “Precisamos tratar a produtividade como resultado de um conjunto de fatores que se estendem por toda a cadeia da produção. O primeiro são as pessoas, com qualificação e atualização dos profissionais. O segundo é a gestão, usando tecnologia e dados para melhorar o planejamento e tornar os processos mais eficientes. Por fim, a industrialização permitirá integrar etapas, racionalizar processos e buscar soluções com mais eficiência, qualidade e previsibilidade”, ressalta.

O momento econômico, no entanto, não deve ser usado como justificativa para postergar essa transformação, avalia Renato Corona, superintendente de Competitividade Industrial e Inovação da Fiesp. Para ele, mesmo em um cenário de ampla oferta de profissionais qualificados, a busca por escala e eficiência torna a automação uma tendência irreversível. “A construção brasileira não pode esperar o ambiente melhorar. As oportunidades não esperam, elas já estão se formando e quem quiser capturá-las amanhã precisa começar hoje a transformação em tecnologia, industrialização e produtividade”, afirma.

Essa transformação ganha relevância diante das próprias dificuldades do setor para recompor e reter sua força de trabalho. A construção civil enfrenta o envelhecimento da mão de obra formal e a alta rotatividade. Em 2024, 75,1% dos profissionais formais tinham entre 30 e 64 anos, enquanto a participação dos jovens de 18 a 29 anos caiu de 33,4% em 2010 para 22,2% em 2024.

O setor lidera o ranking de rotatividade no mercado formal, alcançando a taxa de 63% entre junho de 2024 e maio de 2025, o que impede o acúmulo de aprendizado, reduz a produtividade do trabalho e eleva os custos de recrutamento e treinamento. Entre as empresas que relatam dificuldades de contratação, 55,1% apontam a falta de interesse dos candidatos, 55,1% a escassez de profissionais qualificados e 42,1% a ausência de experiência.

A perda de atratividade é acentuada pela concorrência com a economia de plataforma. O contingente de trabalhadores por aplicativos de transporte e entrega cresceu 170% em dez anos, passando de 770 mil em 2015 para 2,1 milhões no segundo trimestre de 2025. Esse mercado atrai um perfil socioeconômico semelhante ao da construção — majoritariamente masculino (83,9%), jovem e com ensino médio completo —, oferecendo maior flexibilidade, autonomia e rendimento habitual médio mensal superior (R$ 2.996 no setor de plataformas contra R$ 2.786 na construção em 2024). Pesquisas citadas no estudo indicam ainda uma forte preferência pelo trabalho por conta própria (57,7%) e baixa escolha da construção como setor de atuação (4,8%).

Para reverter esse cenário, o estudo propõe uma agenda integrada de modernização baseada nos próprios dados do levantamento. Um ponto de partida favorável é o ganho de escolaridade do setor, com mais de 60% dos trabalhadores formais com ao menos o ensino médio completo (contra 33,8% em 2010), o que amplia o potencial de qualificação e adoção de novas tecnologias pelas empresas.

Como principal saída estrutural, o relatório aponta a aceleração da industrialização e da digitalização, incluindo a ampliação do uso de Building Information Modeling (BIM), com maior nível de padronização, mecanização, pré-fabricação e construção modular. Referências internacionais analisadas pelo estudo indicam que métodos industrializados podem reduzir entre 60% e 80% as horas de trabalho no canteiro e entre 14% e 50% a necessidade de mão de obra.

Um dos exemplos apresentados durante o evento foi a obra da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, que combina elementos pré-fabricados de concreto e estruturas metálicas. Para os especialistas, a integração de diferentes sistemas construtivos demonstra o potencial da industrialização para ampliar a produtividade e a eficiência na construção civil.

Clique aqui para ler o estudo completo.

Fevest 2027 apresenta novo conceito e abre oportunidades exclusivas para expositores
Fevest Connect destaca a força dos encontros presenciais, impulsiona negócios e antecipa as transformações da moda íntima, praia e fitness

 

Da Redação

A Fevest 2027 foi oficialmente lançada, marcando uma nova fase do maior encontro dos setores de moda íntima, praia, fitness e matéria-prima da América Latina. Sob o conceito Connect, a feira reafirma seu papel como um ambiente estratégico para geração de negócios, troca de conhecimento e fortalecimento de relacionamentos em toda a cadeia produtiva. O coquetel de lançamento foi no Salão Social do Nova Friburgo Country Clube, em Nova Friburgo (RJ), na última quinta-feira.
O anúncio da nova edição aconteceu três meses após a Fevest Inspire 2026, que reuniu mais de 6 mil visitantes qualificados, incluindo compradores de pelo menos 15 países, interessados em conhecer os lançamentos apresentados por mais de 140 marcas expositoras durante os três dias de feira.
A nova edição da Fevest evidencia o que sempre esteve no centro de sua trajetória: a conexão. A Fevest Connect surge como um ambiente vivo de relações, ideias, tendências e oportunidades que movimentam toda a cadeia produtiva da moda íntima brasileira. Ela chega para evidenciar o contraste entre encontros e conexões. O novo conceito destaca a diferença entre estar no mesmo lugar e criar relações capazes de gerar resultados; entre trocar cartões e construir parcerias; entre visitar um estande e fechar um contrato; entre identificar uma tendência e transformá-la em uma coleção.
“Em um mundo onde tantas negociações e compras B2B migraram para as telas, a Fevest Connect nasce para ressaltar aquilo que a tecnologia jamais substituirá: a força do encontro presencial, o olho no olho, a experiência com o produto e a construção de parcerias pautadas na confiança”, ressalta Gustavo Marques Moraes, presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Nova Friburgo e Região, o Sindvest, realizador da Fevest Connect.
A Fevest Connect se apresenta como um ecossistema estratégico que une negócios, inovação, criatividade, produção, conhecimento e relacionamento em torno do mais importante polo de moda íntima do Brasil. Estar na feira é muito mais do que expor uma coleção. É participar das conversas que orientam o mercado, acompanhar tendências em primeira mão, construir pontes comerciais e transformar presença em resultados.
Mostrando a força da proposta desde o primeiro momento, este ano as boas conexões já começam no evento de apresentação: o lançamento conta com o patrocínio oficial da Codemar (Companhia de Desenvolvimento de Maricá). A parceria reforça a integração regional e conecta a tradição do Polo Têxtil Friburguense ao Polo de Moda de Maricá (POMAR), que vem se consolidando como referência em inovação, novos modelos de desenvolvimento sustentável e diversificação de mercado.
“Connect” representa o fortalecimento das conexões comerciais, humanas e criativas que sustentam o mercado. É o ponto de encontro entre empresas consolidadas e novos talentos; entre a tradição produtiva de Nova Friburgo e as oportunidades dos mercados nacional e internacional; entre o chão de fábrica e a tecnologia; entre o artesanato, os dados, a inteligência artificial e as novas formas de consumo.
Além do mundo virtual
As decisões de compra B2B, as negociações com fornecedores e os processos de construção de marca migraram, em grande parte, para as telas. A Fevest Connect surge justamente para destacar aquilo que o ambiente digital não substitui: o encontro presencial, a conversa direta, a experiência com o produto e a confiança construída olho no olho.
Ao reunir os principais agentes da cadeia produtiva em Nova Friburgo, a feira transforma redes de contato em relacionamentos e relacionamentos em negócios. E, enquanto o mercado vive 2027, a Fevest Connect já projeta 2028, antecipando comportamentos, cores, materiais, tecnologias, tendências e caminhos para o setor.

Varejo brasileiro acelera no 1º semestre de 2026, impulsionado por restaurantes e força da região Centro-Oeste
Dados são do Mastercard SpendingPulse

 

Da Redação

O varejo brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com saldo positivo de 2,9%. É o que revelam os dados consolidados do Mastercard SpendingPulse™, indicador que mede as vendas do varejo físico e online contemplando todos os meios de pagamento (sem ajuste inflacionário). O levantamento mostra que, após um início de ano mais tímido, com alta de 1,6% no primeiro trimestre em relação aos três primeiros meses de 2025, o consumo das famílias ganhou tração no segundo trimestre, avançando 4,1% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A análise semestral, que monitora 11 setores da economia, revela uma mudança no padrão de consumo do brasileiro. Enquanto setores ligados a serviços e bens de consumo imediato registraram altas consistentes nos seis primeiros meses do ano, bens duráveis enfrentaram retração.

O grande motor do varejo no semestre foi o setor de Restaurantes, que registrou crescimento consolidado de 10,7% na primeira metade do ano, sustentando taxas de 10,1% no 1º trimestre e 10,4% no 2º trimestre. O setor de Farmácias também demonstrou resiliência, com altas consistentes de 9,9% e 9,0% no primeiro e segundo trimestres, respectivamente. Já o setor de Combustível Automotivo chamou atenção ao saltar para 12,7% no segundo trimestre, refletindo a volatilidade dos preços do petróleo.

Em contrapartida, os consumidores adotaram uma postura mais cautelosa em relação às compras de maior valor. O setor de Móveis e Decoração apresentou desaceleração ao longo do primeiro semestre do ano (-4,7% no 1º trimestre e -3,7% no 2º trimestre), enquanto o segmento de Eletrônicos recuou 4,7% entre abril e junho.

“O balanço do primeiro semestre reforça a resiliência do consumidor brasileiro, que manteve o dinamismo em setores ligados à convivência e bem-estar, como em Restaurantes”, analisa Gustavo Arruda, Economista-Chefe para a América Latina do Mastercard Economics Institute (MEI). “Por outro lado, o cenário macroeconômico fez com que o consumidor adiasse compras que exigiam maior planejamento financeiro, como móveis e eletrônicos, o que ainda representa uma oportunidade de retomada para o varejo nestes segmentos ao longo do ano.”

Centro-Oeste lidera consumo e Sudeste fica na lanterna

Sob a perspectiva geográfica, o primeiro semestre de 2026 confirmou um ritmo de consumo heterogêneo no Brasil, marcado pela descentralização econômica. Todas as cinco regiões do país registraram crescimento no semestre, mas com velocidades distintas.

Centro-Oeste consolidou-se como a grande líder do varejo nacional, registrando o maior crescimento do país nos dois trimestres consecutivos (2,5% no Q1 e acelerando para 5,4% no Q2). No extremo oposto, a região Sudeste, historicamente o maior polo de consumo do país, registrou o avanço nacional menos acelerado em ambos os períodos (0,1% e 3,5%, respectivamente).

Entre os estados, Pernambuco e Distrito Federal despontaram como as unidades federativas com os melhores e mais consistentes desempenhos do semestre. Pernambuco registrou alta de 5,4% nos primeiros três meses e 12,2% no segundo trimestre, enquanto o DF avançou 4% e 6,6% nos mesmos períodos.

O Mastercard SpendingPulse™ mede as vendas no varejo nacional com base em insights agregados e anonimizados da Mastercard, representando todos os tipos de pagamento em mercados selecionados no Brasil e ao redor do mundo.

Avanço da Inteligência Artificial eleva pressão por limites de segurança na economia
Relatos de ações autônomas, ataques cibernéticos e pesquisas sensíveis aumentam a cobrança por salvaguardas e coordenação entre governos

 

Por Hugo Cilo, do Brazil Economy

O avanço acelerado da inteligência artificial abriu uma nova frente de preocupação entre pesquisadores, executivos e autoridades. Além dos benefícios econômicos prometidos pela tecnologia, episódios recentes envolvendo agentes autônomos e tentativas de uso criminoso reacenderam o debate sobre a capacidade das empresas de manter sistemas cada vez mais sofisticados sob controle humano.

A discussão ganhou força após Dario Amodei, CEO da Anthropic, empresa responsável pelo Claude, defender uma redução no ritmo de desenvolvimento do setor. O executivo advertiu que um conjunto coordenado de agentes de inteligência artificial poderia adquirir capacidade para assumir o controle de partes relevantes da internet dentro de seis meses a um ano se as companhias não destinarem mais tempo e recursos à implantação de mecanismos de segurança.

Amodei apresentou uma proposta para ampliar a cooperação entre desenvolvedores e governos. O objetivo seria assegurar que modelos mais poderosos continuem alinhados aos comandos, interesses e valores das pessoas responsáveis por sua operação. O alerta foi feito poucos dias depois de dois ex-pesquisadores de segurança da própria Anthropic afirmarem publicamente que os possíveis riscos existenciais da inteligência artificial recebem menos atenção do que deveriam.

A preocupação cresce à medida que os sistemas passam a executar tarefas mais complexas, utilizar ferramentas digitais e tomar decisões com menor intervenção humana. Essa evolução amplia a produtividade e permite automatizar atividades que antes dependiam de profissionais especializados. Ao mesmo tempo, aumenta a possibilidade de os modelos serem empregados em ataques cibernéticos, operações de vigilância, manipulação de informações e pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de armas.

Tentativas bloqueadas

A Anthropic informou ter identificado e bloqueado tentativas de agentes mal-intencionados de utilizar seus modelos em atividades potencialmente nocivas. Entre os casos estavam ações de espionagem digital, ataques contra sistemas de terceiros e consultas que poderiam contribuir para pesquisas ligadas à produção de armas biológicas.

A companhia afirmou que reforçou as restrições de seus modelos mais recentes para impedir o acesso a informações sensíveis na área de biologia. A avaliação interna, entretanto, é que a ampliação das capacidades dos sistemas deverá ser acompanhada pelo fortalecimento permanente das barreiras de proteção.

Segundo a empresa, “à medida que os modelos se tornam cada vez mais capazes, seus riscos aumentarão, a menos que os desenvolvedores de IA e os responsáveis pela defesa da sociedade ajam para torná-los mais seguros”.

Em outro episódio revelado pela Anthropic, hackers recorreram à inteligência artificial da companhia para realizar uma ofensiva cibernética contra aproximadamente 30 empresas e órgãos governamentais em diferentes países. A desenvolvedora avaliou como altamente provável que os responsáveis integrassem um grupo patrocinado pelo Estado chinês.

O caso chamou a atenção porque demonstrou que ferramentas criadas para atender usuários comuns podem ser incorporadas a operações digitais de maior escala. Com o auxílio de sistemas capazes de escrever códigos, analisar vulnerabilidades e organizar grandes volumes de dados, grupos criminosos ou ligados a governos podem acelerar etapas de um ataque e reduzir a necessidade de intervenção humana.

Ações autônomas

Relatórios divulgados por grandes empresas de tecnologia acrescentaram outro elemento à discussão. Anthropic e OpenAI comunicaram, em julho, que alguns de seus modelos conseguiram realizar ações além das tarefas originalmente solicitadas durante avaliações de segurança.

A Anthropic relatou que três sistemas, incluindo modelos comerciais e uma versão interna de testes, acessaram redes de outras organizações. Poucos dias antes, a OpenAI havia informado que uma combinação de seus modelos entrou em servidores da plataforma de inteligência artificial Hugging Face.

A empresa responsável pelo ChatGPT classificou a ocorrência como um “incidente de segurança significativo”. A Meta também comunicou, no início de agosto, que um de seus modelos encontrou maneiras de contornar as proteções digitais de outra companhia durante um teste.

Especialistas observam que, em parte dessas experiências, pesquisadores haviam retirado determinadas barreiras para medir o comportamento dos sistemas em condições extremas. Ainda assim, os resultados mostraram que agentes de inteligência artificial já conseguem identificar vulnerabilidades, formular estratégias e executar ações não previstas detalhadamente por seus operadores.

Quando um modelo “sai de controle”, a expressão não significa necessariamente que a tecnologia tenha adquirido consciência ou intenção própria. O conceito pode descrever uma situação mais simples, na qual o sistema encontra uma maneira inesperada de alcançar o objetivo recebido e ultrapassa os limites considerados aceitáveis pelos responsáveis pelo teste.

Esse comportamento representa um desafio para os desenvolvedores porque um agente não precisa receber uma ordem explícita para invadir uma rede ou contornar uma proteção. Dependendo da meta estabelecida e das ferramentas disponíveis, ele pode concluir que esse é o caminho mais eficiente para cumprir a tarefa.

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