Caçador de rochas da Nasa revela geologia surpreendente em Marte
Cientistas suspeitam que cratera pode ter abrigado vida microbiana

Amostras de núcleo perfuradas pelo rover Perseverance, da Nasa, na superfície de Marte estão revelando a geologia de uma cratera que os cientistas suspeitam que possa ter abrigado vida microbiana há bilhões de anos, incluindo surpresas sobre a natureza das rochas presentes por lá.

As amostras, obtidas pelo veículo de pesquisas espaciais de seis rodas que tem o tamanho de um carro, e armazenadas para transporte futuro para a Terra, mostram que a rocha de quatro locais dentro da cratera Jezero é ígnea (produzida pela ação do fogo), formada pelo resfriamento de material fundido. As rochas também apresentam evidências de alteração pela exposição à água, outro sinal de que Marte, que hoje é frio e árido, já foi quente e úmido em outros tempos.

Os cientistas acreditam que a rocha, formada há cerca de 3,5 bilhões de anos, poderia ser sedimentar, formada pelo acúmulo de lama e areia depositadas no leito de um lago.
“Na verdade, não encontramos evidências de rochas sedimentares onde o rover explorou o fundo da cratera, apesar de sabermos que o local já abrigou um lago e que sedimentos devem ter sido depositados. Esses depósitos sedimentares devem ter sofrido erosão”, disse o geoquímico do Caltech Kenneth Farley, principal autor de um dos quatro estudos publicados nas revistas Science e Science Advances descrevendo a geologia da cratera.

O Perseverance chegou a Marte em fevereiro de 2021 e tem trabalhado ativamente na cratera de Jezero, usando um conjunto de instrumentos, enquanto os cientistas investigam se o planeta vizinho mais próximo da Terra já teve condições propícias à vida. A sonda está coletando amostras de rochas do tamanho de um giz, em pequenos tubos que devem ser recuperados por uma espaçonave em 2033 e trazidos à terra para exames adicionais, incluindo bioassinaturas, que são indicadores de vida.

 

Livro aponta o caminho estilo de vida mais saudável; lançamento será no próximo dia 23
Em “Saúde É Prevenção”, Gilberto Ururahy e Galileu Assis refletem sobre efeitos da pandemia e como podemos evitar doenças por meio de hábitos saudáveis e exames preventivos

 

Galileu Assis e Gilberto Ururahy orientam como ter uma vida saudável

 

Da Redação

Os médicos Gilberto Ururahy e Galileu Assis lançam o livro “Saúde É Prevenção”, pela editora Rocco. Fundadores da clínica Med-Rio Check-up, pioneira em check-up executivo no Brasil, os médicos, a partir da experiência de mais 30 anos trabalhando com medicina preventiva, traçam um guia para que todos possam seguir um estilo de vida saudável – com alimentação balanceada, atividade física regular, sono reparador — com foco em prevenir ao invés de remediar. O lançamento será no dia 23 de agosto (terça-feira) no prédio da Amcham Brasil, na Rua da Paz 1431, Chácara Santo Antônio (Zona Sul); o evento ocorrerá das 10h às 18h.

Para Gilberto, a pandemia impôs uma necessidade ainda maior de ser falar em hábitos de vida saudáveis e prevenção. Por quase dois anos o mundo parou, e a pandemia afetou a rotina das pessoas, prejudicando a qualidade de vida. O resultado desse cenário é uma piora nos índices de saúde. “Hoje vemos mais um efeito da pandemia, que é o aumento do caso de doenças crônicas, que, em sua maior parte, tem relação direta com os hábitos do dia a dia”, relata.

Porém, observa Gilberto, nem sempre é fácil mudar o estilo de vida. E o livro oferece orientação para mudar esse cenário, que é extremamente preocupante, ainda mais quando se observa que estudos apontam que 73% das mortes nas grandes cidades estão ligadas aos maus hábitos, como sedentarismo e má alimentação. “A principal mensagem do livro é que estilo de vida saudável mais exames preventivos é igual à longevidade com autonomia”, reflete.

Com dados e estudos diversos, os autores propõem que exames periódicos, conhecimento sobre os fatores de risco e tratamentos precoces são necessários para o bom funcionamento do nosso corpo, além da identificação de situações estressantes capazes de nos fragilizar e, muitas vezes, até levar a distúrbios físicos e psíquicos como depressão, ansiedade, síndrome do pânico, entre outros.

Sobre os autores
Gilberto Ururahy é médico, formado pela UFRJ e especializado em Medicina Preventiva. Criador da clínica Med-Rio Check-up, líder no segmento de check-ups para executivos no Brasil, é diretor e conselheiro da Câmara de Comércio França-Brasil, diretor e chairman do Comitê de Saúde da Câmara Americana do Comércio do Rio de Janeiro e Presidente do Conselho de Medicina e Saúde da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Detentor de diversas medalhas ao mérito, como a Medalha Pedro Ernesto de Cidadão Honorário da cidade do Rio de Janeiro, a Medalha Tiradentes, a Medalha da Academia de Medicina da França e a Medalha Ordem Nacional do Mérito do Governo Francês, Ururahy também é autor de outros três livros sobre saúde: Como tornar-se um bom estressado, O cérebro emocional e Emoções e saúde.

Galileu Assis é formado em Medicina e Cirurgia pela UNIRIO. Membro do American College of Lifestyle Medicine e especialista em Medicina do Estilo de Vida certificado pelo American Board of Lifestyle Medicine, participou da criação da Med–Rio Check-up, no qual também é diretor.

SAÚDE É PREVENÇÃO – Gilberto Ururahy e Galileu Assis
Formato: 16 x 23 cm
Nº de páginas: 192
Preço: R$ 54,90

Associações querem tornar sem efeito novo piso salarial da enfermagem
Lei não determinou qual seria a fonte de custeio para o aumento

 

 

Do Estado de Minas

A Associação Nacional dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) entrou como amicus curiae (amigo da corte) na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que a Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços (CNSaúde) ingressou no Supremo Tribunal Federal. O objetivo é tornar sem efeito a Lei sancionada pelo presidente Bolsonaro, que instituiu o piso salarial da enfermagem. Detalhe: a lei não determinou qual seria a fonte de custeio para o aumento. Atualmente, 87% dos pacientes renais são atendidos por clínicas conveniadas ao SUS. A defasagem entre o preço pago pelo governo para cada sessão de hemodiálise estava em R$ 70 antes da definição do piso. Com a sansão da lei, a próxima folha de pagamento das clínicas será, em média, 25% maior. Segundo a ABCDT, 40 clínicas fecharam as portas em decorrência da crise de subfinanciamento do tratamento do diálise. Agora, a situação piorou: 50% das clínicas indicaram que não receberão novos pacientes até que o STF decida sobre a ADI.

Estudo mostra alta da pobreza em regiões metropolitanas
Apesar de benefícios sociais, inflação freou poder de compra

 

Da Agência Brasil

A taxa de pobreza nas regiões metropolitanas do Brasil subiu de 16%, em 2014, para 23,7%, em 2021. Em termos absolutos, isso significa que houve um aumento de 12,5 milhões de pessoas pobres para 19,8 milhões. Em relação à extrema pobreza, a taxa evoluiu de 2,7% para 6,3% no período pesquisado, o que representou aumento de 2,1 milhões para 5,2 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza – aquelas que vivem com R$ 160 mensais ou menos – nas grandes cidades brasileiras.

Os dados constam na 9ª edição do “Boletim Desigualdade nas Metrópoles”, elaborado em conjunto pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), o Observatório das Metrópoles e a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL), divulgado hoje (8).

A base para a sondagem é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (PNAD Contínua) versão anual, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esta versão permite ver todas as formas de rendimento do domicílio, a partir das quais foi calculada a renda domiciliar per capita (por membro da família), informou à Agência Brasil o economista Marcelo Ribeiro, professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR-UFRJ e um dos coordenadores do estudo e membro do Observatório das Metrópoles.

Poder de compra

Foram analisadas as 22 principais áreas metropolitanas do país, de acordo com as definições do IBGE. Todos os dados estão deflacionados para o ano de 2021, de acordo com o Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA). O estudo trabalhou com a linha de pobreza definida pelo Banco Mundial (Bird) para países de renda média alta, caso do Brasil.

“O Banco Mundial se baseia na paridade de poder de compra (PPC) para estabelecer uma medida comparável entre os diversos países e estabelece um valor que corresponde a essa PPC”, informou Ribeiro.

Os pesquisadores transformaram isso na moeda nacional brasileira, o real. Com base na paridade de poder de compra (PPC), a linha de pobreza correspondia a US$ 5,50 por dia, enquanto a PPC para a extrema pobreza era de US$ 1,90. Em valores de 2021, em reais, a linha de pobreza alcança cerca de R$ 465 por mês per capita; a linha de extrema pobreza é de aproximadamente R$ 160 per capita mensais.

Pandemia

As regiões metropolitanas concentram quase 40% da população brasileira – mais de 80 milhões de pessoas. Tais regiões são estratégicas do ponto de vista econômico, político e social, mas também concentram desafios e problemas que afligem a sociedade brasileira, destacaram os autores do boletim. Em relação às desigualdades e à pobreza, em especial, o cenário que se vê nos últimos anos é de grave crise social, aprofundada pelos efeitos da pandemia da covid-19.

De acordo com o boletim, na região metropolitana de São Paulo – a maior e mais importante do ponto de vista econômico do país – o número de extremamente pobres cresceu de 381 mil para 1,027 milhão de pessoas entre 2014 e 2021. Na situação de pobreza, o número é bem maior, tendo evoluído de 1,986 milhão, em 2014, para 3,922 milhões, em 2021. No mesmo período, nas regiões metropolitanas de Salvador e do Rio de Janeiro, por exemplo, o número de extremamente pobres pulou de 103 mil para 483 mil, e de 336 mil para 926 mil, respectivamente.

Segundo Andre Salata, professor da PUCRS e um dos coordenadores do estudo, os efeitos da pandemia da covid-19 agravaram uma situação que já vinha piorando há alguns anos. “A pandemia age, então, sobre um patamar de vulnerabilidade que já estava muito elevado mesmo para os nossos padrões.”

Salata explicou que isso ocorreu com a renda dos mais pobres. No ano de 2014, os 40% mais pobres das regiões metropolitanas brasileiras tinham renda média de R$ 515. Cinco anos depois, em 2019, essa cifra caiu para R$ 470. Já no contexto da pandemia, em 2021, a renda média havia chegado a R$ 396.

A análise de cada região metropolitana separadamente mostra padrão semelhante. Entre 2014 e 2021, a renda dos mais pobres cai de R$ 535 para R$ 404, no Rio de Janeiro; de R$ 354 para R$ 246, no Recife; e de R$ 714 para R$ 581, em Curitiba.

Desemprego e inflação

Marcelo Ribeiro acrescentou que o país já estava com uma trajetória de aumento da pobreza desde 2015. Quando chegou o ano de 2020, em plena pandemia de covid-19, a política expansionista de renda fez com que a taxa de pobreza diminuísse, “pelo valor da transferência de renda que passou a ser feito do auxílio emergencial”. Mas, a partir de 2021, o nível de pobreza aumentou.

Como efeito da pandemia, não somente as desigualdades aumentaram, como a média de rendimentos caiu e atingiu os menores valores da série histórica. O rendimento médio no conjunto das regiões metropolitanas, em 2019, era de R$ 1.935; em 2020, ele caiu para R$ 1.830; e, em 2021, chegou a R$ 1.698. No Distrito Federal, a renda média caiu de R$ 2.784 para R$ 2.476 no período. Na região metropolitana de Recife, a queda foi de R$ 1.593 para R$ 1.079 e, em Porto Alegre, foi de R$ 2.218 para R$ 1.947.

O estudo mostra ainda que os efeitos da pandemia da covid-19 sobre os indicadores de pobreza e desigualdades se fizeram sentir a partir de 2021, quando aumentaram de forma abrupta. Entre o final de 2020 e o início de 2021, a taxa de pobreza evoluiu rapidamente de 19% para 24,7%, enquanto a extrema pobreza subiu de 4,1% para 6,7%.

Tendência

Apesar de observar, nos últimos meses, uma redução da taxa de desemprego no país, embora ainda permaneça em patamares elevados, o professor do IPPUR-UFRJ afirmou que se essa queda do desemprego se mantiver, isso teria um efeito positivo para contribuir na reversão desse processo. Observou, porém, que há uma permanência da taxa de inflação em patamares elevados, o que reduz o poder de compra da população. “Só o fato dela ter acesso à renda, com aumento do emprego, não é suficiente se a inflação continuar elevada. As pessoas vão ter acesso à renda, mas com poder de compra muito reduzido, o que faz com que elas continuem nesta situação.”