A pandemia trouxe à reboque um aumento das ocorrências de transtornos psicológicos e doenças ocupacionais. Reunidos ontem em painel do evento Rio Innovation Week, médicos e psicólogos lamentaram o pico de enfermidades mentais, mas disseram que o fenômeno levou empresas a reconhecer esses problemas e adotarem políticas de prevenção ou tratamento de casos.
“Seja por conveniência ou por convicção, as empresas agora precisam atuar e se fazerem presentes no enfrentamento de doenças causadas por pressões emocionais”, diz Andrea Destri, especialista em recursos humanos e presidente da Friendsbee, plataforma on-line de saúde mental em empresas. Ela disse que a pressão sobre as empresas vem não só pela explosão do número de casos, como também por vias institucionais. Em 1º de janeiro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu a síndrome de “burnout” ou síndrome do esgotamento profissional entre as doenças ocupacionais da Classificação Internacional de Doenças (CID).
Na prática, passam a valer os mesmos direitos trabalhistas e previdenciários assegurados no caso de outras doenças relacionadas ao emprego, como as lesões por esforço repetitivo e outras com repercussões mais evidentes sobre o corpo. “Esse reconhecimento ajudou os [setores de] RH a colocar a prevenção e o tratamento em pauta nas empresas.”
Para Andrea, a pandemia escancarou a necessidade de as empresas irem além dos benefícios e medidas de contingências e modificarem os modelos de trabalho. “Desde 1930, convivemos com o mesmo jeito de fazer a gestão de pessoas, agora é preciso migrar para as relações humanizadas”, afirma.
Claudio Luiz Lottenberg é o novo presidente do Conselho de Administração da biofarmacêutica Biomm. Com longa e sólida atuação na gestão de saúde, Lottenberg também é presidente do Conselho da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, do Instituto Coalizão Saúde e da Confederação Israelita do Brasil.
Mestre-Doutor em Medicina (Oftalmologia) pela Universidade Federal de São Paulo, o especialista faz parte do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein desde 1987, onde fundou o banco de córneas e foi presidente executivo por 15 anos. Ao longo de sua trajetória, integrou diversas instituições da sociedade civil como o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e o Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial) da Fiesp.
Lottenberg contribuirá com a sua visão de especialista médico e gestor de saúde nas operações da Biomm, uma das poucas empresas de biotecnologia do país listadas na B3 (BIOM3). O foco da companhia está na oferta de medicamentos biotecnológicos para doenças crônicas no país, como diabetes e câncer, ampliando o acesso aos tratamentos por meio de terapias inovadoras. A biofarmacêutica comercializa atualmente três tipos de insulina no país (Glargilin, Wosulin e Afrezza), dois medicamentos oncológicos (Herzuma e Bevacizumabe) e a enoxaparina sódica Ghemaxan.
Em outubro deste ano, a Biomm fez parceria com a biofarmacêutica CanSino para fornecer a vacina Convidecia, contra Covid-19, no Brasil. O imunizante está em aprovação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Lottenberg substitui Guilherme Emrich, falecido em novembro deste ano.
O programa BT Co + Diversa propõe uma reflexão nos mais de 3 mil colaboradores da empresa
Da Redação
A Bodytech Company está implementando o programa BT Co + Diversa, pautado em diversidade, equidade e inclusão. São mais de 3 mil colaboradores se descobrindo e quebrando crenças disseminadas por muitos anos na sociedade e pelo mercado fitness. O projeto leva para o time workshops que são planejados para sensibilizar e tocar na ferida. Os temas focam em questões de gênero, pessoas com deficiência, pessoas gordas, comunidade LGBTQIA+ e raça. “Cada encontro é programado para tornar o momento único. Trazemos pessoas convidadas com histórias inspiradoras e que atuam em suas áreas. Sempre com muita informação, com espaço para questionamento e esclarecimento. Essa troca é bastante importante, mexe com o íntimo de cada um e alguns temas podem causar desconforto. É um momento de reflexão, de expor suas fraquezas e vulnerabilidades, sem julgamento, mas com empatia.”, pontua Ana Urquiza, consultora de diversidade e responsável pelo desenvolvimento do programa.
Ana Urquiza destaca que o programa vai debater quer debater as crenças enraizadas
O BT Co + Diversa conta com a participação de pessoas que lutam por seus ideais, com argumentos, e histórias, e que reservaram algumas horas da sua rotina para dividir suas experiências, e assim, estão ajudando o próximo a abrir novas portas para o conhecimento e até a descobrir preconceitos desconhecidos. Entre eles, estão: Caio Revela (caiorevela), Levi Kaique (levikaiquef), Joice Berth (joiceberth), Beta Boechat (betafala), Rebeca Costa (looklitle), Nati Mota (saudegg), Luana Carvalho (lxccarvalho), Fatou Ndiaye (fatouoficial), Eduardo Valadares (eduvlld), Jaime Ribeiro (jaimeribeiro), Daniel Kehl (danikehl), Preto Zezé (pretozeze), Carla Akotirene (carlaakotirene), Lau Patrón (laucpatron), Erick Cuzziol (nutricionistagordo), Cintia Chiari (cintiachiarinutriser), Adriana Berton (adriana_berton_facilitadora) e a empresa Impact Beyond (impact.beyond).
“Estava trabalhando na recepção organizando os atendimentos, quando um rapaz comentou que havia visitado a academia com seus amigos, que gostou bastante da unidade e queria fechar um plano. Passei todos os detalhes e condições de cada plano. Para concretizar a venda, solicitei um documento com foto, nesse exato momento, senti na fala – “este é meu documento social, mas se precisar tenho o original” – um certo receio de ser constrangido. Perguntei como ele gostaria de ser chamado, e a conversa com o Diego seguiu de maneira natural e tranquila. As capacitações e as sensibilizações realizadas pelo projeto, foram essenciais para saber lidar com a situação e atender a pessoa de maneira acolhedora”, relata Gregory Velozo Santos, Supervisor de Unidade na Bodytech Eldorado.
“Os resultados diários mostram que o trabalho de conscientização é refletido na vida profissional e pessoal. É como cuidar de uma planta, precisa de cuidado e atenção, pois o caminho é longo, e nada acontece do dia para a noite. É necessário tempo e dedicação para florescer”, celebra Ana.
Pesquisas
De acordo com dados da Harward Business, empresas que desenvolvem ações de Diversidade, Equidade & Inclusão em suas equipes possuem 50% dos conflitos reduzidos comparados a empresas que não tratam do tema, além de colaboradores 17% mais engajados. Os benefícios de DE&I vão além de produtividade e transmitem sentimentos de acolhimento e pertencimento às pessoas colaboradoras.
Segundo a consultora de Diversidade & Inclusão da Bodytech Company, Ana Urquiza, desenvolver ações com DE&I é “quebrar ciclos de discriminação e atuar ativamente para mudar as estruturas nas quais a nossa sociedade atual foi construída, que causam desigualdade de oportunidades”. Pesquisas apontadas por Ana revelam que existem grupos que são mais afetados pela vulnerabilidade social, como: mulheres, pessoas negras, LGBTQIAP+ e pessoas com deficiência. Números revelam que 51,7% das mulheres que formam a população brasileira ganham em média 20,5% menos que os homens em relação a remuneração salarial e somente 13,6% ocupam cargos executivos das 500 maiores empresas do Brasil. Elas também tiveram 81% de suas vagas retiradas em 2020, ano em que a pandemia afetou fortemente a economia no país.
Pessoas negras formam 55,8% da população brasileira e entre as mulheres negras, a remuneração salarial é 59% menor quando comparada aos homens. Os negros ocupam apenas 4,7% dos cargos executivos das 500 maiores empresas do Brasil e quando o assunto é taxa de desemprego eles representam 16,1% contra 11,5% de pessoas brancas.
O grupo LGBTI+ é composto por 10% da população brasileira, segundo dados extraoficiais. A inserção no mercado de trabalho também é uma questão que deve ser estimulada para esse grupo, já que 33% das empresas brasileiras assumem que não contratariam uma pessoa LGBTI+ para assumir cargos de liderança. A segurança também é alarmante: o Brasil possui 1 morte do grupo LGBTQIAP+ a cada 23 horas. A expectativa de vida de uma pessoa trans no país é de 35 anos.
As pessoas com deficiência representam 24% da população brasileira, com 45,6 milhões de pessoas. Somente 1% estão nos cargos executivos das 500 maiores empresas do Brasil e grande parte dos empregadores (81%) revelam contratar um PCD apenas para cumprir a lei de cotas.
De acordo com um estudo da McKinsey & Company e da Harvard Business Review, as empresas que possuem diversidade de gênero em suas equipes executivas são 21% mais propensas a terem lucratividade acima da média do mercado em que atuam. Já em relação à diversidade étnica e cultural os dados apontam 33%. A pesquisa também revela que empresas com diversidade têm 45% mais chance de ganhar market share em seus setores e 75% de novos mercados.
Levantamento aponta que 58% das empresas brasileiras têm políticas formais para a promoção da equidade de gênero, com metas claras e ações planejadas no ano de 2021. Em relação a 2019, houve crescimento de 17 pontos percentuais.
O estudo foi feito com 138 médias e grandes empresas em 42 setores da economia, incluindo comércio, serviço e indústria, no período de 2 de julho a 10 de setembro 2021. Esta é a 4ª edição da pesquisa Mulheres na Liderança, realizada pela Women in Leadership in Latin America (WILL), organização internacional sem fins lucrativos criada para apoiar e promover o desenvolvimento de carreira das mulheres na América Latina.
De acordo com Priscilla Branco, gerente de Relações Públicas e Reputação Corporativa do Instituto de pesquisas (Ipsos), três ações tiveram crescimento importante desde 2019. “A primeira em relação a treinamento dos colaboradores, que são responsáveis pelas promoções, monitoramento da proporção de colaboradoras para verificar possíveis barreiras e entender quais são os empecilhos e o crescimento de metas para reduzir a proporção de quadros ocupados por homens”, disse.
Segundo o balanço, 53% das empresas conseguiram diminuir as disparidades salariais entre homens e mulheres por nível hierárquico, 67% estão contratando mais mulheres para cargos antes ocupados por homens e 62% contratando mulheres para cargos de nível hierárquico mais elevado.
Além disso, 70% das organizações contam com áreas específicas para garantir a implementação de ações voltadas à liderança feminina. Em 51% das empresas, foram estabelecidas metas para reduzir a proporção entre homens e mulheres em cargos de gerência ou executivos. Em 2019, essa fatia era de apenas um terço das empresas.