APRENDENDO COM OS ERROS NA PANDEMIA
Josier Vilar e Hans Fernando

Epidemiologistas renomados e cientistas da complexidade têm afirmado que é certo que novas pandemias surgirão inexoravelmente em breve. Só não sabem ainda quando. Apesar de as leis da medicina serem incertas, imprecisas, incompletas e cheias de vieses, temos a obrigação de tentar aprender com os inúmeros erros que cometemos na condução da pandemia pela Covid19 em nosso país para não os repetir.

Não temos dúvidas da necessidade da criação de uma nova ordem mundial sanitária, com a OMS se reinventando e passando a desempenhar um novo e fundamental papel supranacional na coordenação mundial das prováveis novas epidemias previstas pelos especialistas. Um Plano Mundial de Imunização liderado pela OMS terá de ser criado.

Enquanto não se concretiza essa nova ordem mundial sanitária, baseada na economia colaborativa e na criação pelos países ricos de uma espécie de Fundo Monetário Sanitário Mundial, que financie pesquisa e desenvolvimento global em busca de soluções vacinais com o apoio da “nova” OMS, garantindo o acesso a países pobres e ricos equanimemente, temos no Brasil um importante “dever de casa” a ser feito: iniciar imediatamente a construção, com base na tecnologia e na inteligência artificial e seus algoritmos, de um sistema de vigilância em saúde em tempo real, com o desenvolvimento de aplicativos que permitam a todos os profissionais de saúde, de forma integrada e conectada por tecnologias mobile, informarem o surgimento de casos atípicos que possam indicar o surgimento de uma nova doença em nosso país.

A construção desse novo modelo de gestão epidemiológica, fundamentado na tecnologia, na ciência da complexidade e nos conhecimentos tradicionais da vigilância em saúde, poderia ser um primeiro e grande passo na integração dos segmentos públicos e privados da saúde brasileira.

Com base nessas informações, recebidas, analisadas através de inteligência artificial e armazenadas em um big data gerenciado pelo DATASUS do Ministério da Saúde, seria montado um plano coordenado de resposta rápida aos riscos sanitários.

Não podemos, em hipótese alguma, pois não é moralmente aceitável e economicamente sustentável, repetir os grosseiros erros cometidos durante esta pandemia de Covid 19, quando, por falta de informação, planejamento e execução, nos transformamos no epicentro da pandemia mundial e [no cenário de tragédias como as ocorridas em Manaus].

Quem sabe o Brasil, após tanto sofrimento e frustração, não poderia ser um exemplo para o mundo de como construir melhores controles através do aprendizado com a tragédia que nos assola, a muitos envergonha e a todos entristece?

Josier Vilar  é médico e presidente o Fórum Inovação Saúde

Hans Fernando é médico, pesquisador e gestor da Saúde.

Vacinação reduz pela metade morte entre idosos com mais de 80 anos
Estudo foi liderado pela Universidade Federal de Pelotas

 

Da Agência Brasil

A proporção de mortes de idosos com 80 anos ou mais caiu pela metade no Brasil após o início da vacinação contra a covid-19. Os dados fazem parte de um estudo liderado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O percentual médio de vítimas dessa faixa etária era de 25% a 30% em 2020 e passou para 13% no final de abril.  Quando teve início a imunização, em janeiro de 2021, o percentual era de 28%.

De acordo com o Cesar Victora, epidemiologista e líder da pesquisa, outros estudos já demonstraram a associação entre a vacinação e a queda nas internações e nas mortes, por exemplo a partir dos dados da população de Israel. A novidade desta análise é que o mesmo se confirma em um cenário com predominância da variante P1. Em Israel, a imunização alcança mais de 55% da população, segundo dados da plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford.

A pesquisa liderada pela UFPel indica que pelo menos 13,8 mil mortes de brasileiros com 80 anos ou mais em um intervalo de oito semanas foram evitadas. O país registra 407.639 mortes por covid-19, conforme atualização do Ministério da Saúde divulgada nesse domingo (2). Em 24 horas, foram 1.202 novas mortes. A aplicação da primeira dose alcança cerca de 14% dos brasileiros; e 6,5% receberam as duas doses.

Os dados utilizados na análise foram disponibilizados pelo Ministério da Saúde e referem-se ao período de 3 de janeiro a 22 de abril. Nessas datas, 171.454 pessoas morreram pelo novo coronavírus no Brasil.

No começo de 2021, a taxa de mortalidade entre pessoas de 80 anos ou mais era 13,7 vezes maior do que para pessoas com zero a 79 anos. De acordo com o estudo, essa relação caiu para 6,9 vezes no início de abril.

As estimativas dos pesquisadores apontam que, com a nova cepa, se o número de mortes entre os mais idosos tivesse continuado no mesmo ritmo observado para grupos etários mais jovens, seriam esperadas quase 48 mil mortes contra as 34.168 registradas no período.

Os níveis nacionais de cobertura vacinal com a primeira dose nessa faixa etária chegaram a 50% na primeira quinzena de fevereiro, a 80% na segunda quinzena do mês e ficou em 95% em março. Os pesquisadores apontam que os resultados de queda da mortalidade encontrados são compatíveis com o efeito protetor da primeira dose e deve aumentar a partir da segunda.

O estudo também confirma que as vacinas aplicadas no Brasil protegem mesmo em um cenário em que a P1 predomina. Pesquisas com profissionais de saúde vacinados em Manaus e São Paulo já demonstravam essa proteção.

Verba para pesquisa de vacina nacional é prioridade, diz secretário
Declaração foi dada na Comissão Temporária da Covid-19 no Senado

 

Da Agência Brasil

O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, disse nesta segunda-feira (3) que a recomposição da verba para o financiamento de pesquisas da Versamune, vacina brasileira contra a covid- 19 anunciada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, está entre as prioridades do governo federal.

“Já está em estudo quais procedimentos para recomposição dessa dotação [da vacina brasileira]. É um assunto prioritário na agenda, vai ser discutido. Não posso antecipar, mas afirmo que esse é um assunto prioritário, estará na Junta de Execução Orçamentária [composta pelo Ministério da Economia e pela Casa Civil]. Existem pelo menos três alternativas para serem desenhadas”, adiantou Waldery, ao participar da Comissão Temporária da Covid-19 do Senado.

Quase R$ 30 bilhões que seriam destinados à pesquisa do imunizante apoiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações foram alvo de vetos presidenciais e contingenciamento. Segundo o governo, as medidas foram necessárias para ajustar a peça orçamentária de 2021. Aos senadores, Waldery garantiu que à época que o veto presidencial, o corte adicional de recursos para a vacina brasileira não estava “explícito”.

Vacinação

O secretário especial de Fazenda disse que o processo de vacinação em massa é prioridade tanto para a saúde coletiva como para a economia. “É um ponto importante para um bom desenho e solução para vacina própria. Ponto que não podemos prescindir no curto e médio prazos. A austeridade fiscal é importante, mas não é mais importante do que cuidar da saúde dos necessitados”.

Auxílios

Ao fazer um balanço dos investimentos para socorrer a população mais vulnerável e os micro e pequenos empresários, o secretário destacou que além dos R$ 44 bilhões para o auxílio emergencial neste ano, a área econômica também estuda o retorno do Programa de Manutenção do Emprego (Bem) e do  Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, o Pronampe. “A tomada de decisão nossa será feita nesse equilíbrio entre o impacto sanitário e impacto econômico, tendo como prioridade a saúde sem descuidar da fortaleza econômica para que tenhamos condições de responder desafios a frente que podem surgir na sequência da pandemia”, ressaltou.

Os gastos extraordinários de combate aos efeitos da Covid-19 no emprego, renda e no auxílio aos vulneráveis caiu fortemente em 2021. Este ano, estão previstos, até o momento, R$ 103 bilhões. Em 2020 foram R$ 524 bilhões.

Último compromisso

De saída do cargo, o secretário Waldery Rodrigues disse que a audiência hoje no Senado seria seu último compromisso público no posto. Desde setembro passado, quando o presidente da República, Jair Bolsonaro, disse que daria “cartão vermelho” ao secretário por conta de estudos para criação de um programa de renda básica que tiraria recursos de aposentadorias, a saída do secretário era esperada.

Rodrigues, no entanto, fez questão de deixar claro que a saída dele da função foi pedida por ele mesmo. “Eu conversei com o ministro [da Economia] Paulo Guedes em dezembro do ano passado, com uma questão extremamente pessoal haveria uma possibilidade de eu sair da Secretaria Especial de Fazenda. Foi um pedido pessoal”, garantiu.

Em relação ao convite de Paulo Guedes para que ele permaneça na pasta como assessor especial, Waldery disse apenas que está conversando com o ministro. “O jogo continua, a equipe da economia é forte e bem formatada”, disse.

A vaga será ocupada por Bruno Funchal, secretário do Tesouro Nacional.

Covid-19: pessoas com comorbidades serão imunizadas a partir de maio
Ministério da Saúde diz que público será vacinado de acordo com idade

 

Da Agência Brasil

Em maio começa uma nova fase da vacinação contra a covid-19 no país. O foco agora são as pessoas com doenças pré-existentes como problemas cardíacos e do pulmão, hipertensão arterial e diabetes que podem oferecer risco de agravamento da doença. Veja a relação completa de comorbidades do Ministério da Saúde.

Para garantir a vacinação desse grupo, o Ministério da Saúde explica que é importante que essas pessoas estejam pré-cadastradas no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações ou em alguma unidade de saúde do SUS.

Mas, quem não tiver a inscrição vai poder tomar a vacina. Para isso, é preciso apresentar no momento da imunização, um comprovante da comorbidade, como exames, receitas, relatório médico ou prescrição médica.

A convocação desse grupo será de acordo com a idade, dos mais velhos aos mais jovens. Então os primeiros a serem convocados serão as pessoas de 55 a 59 anos, depois de 50 a 54 anos, e assim por diante.

Desde o início da campanha de vacinação, no dia 18 de janeiro, já foram distribuídas mais de 53 milhões de doses de vacinas covid-19, alcançando aproximadamente 30 milhões de pessoas.

Até o momento foram vacinados os seguintes grupos prioritários: Trabalhadores de saúde; pessoas acima de 60 anos que morem em abrigos, pessoas com mais de 18 anos com deficiência que também morem em abrigos. Idosos a partir de 65 anos, povos indígenas, quilombolas e a população ribeirinha.

Além das Forças de segurança e salvamento e Forças Armadas as pessoas com mais de 60 anos estão sendo vacinadas conforme o calendário de cada estado, mas estão garantidas ainda nessa primeira fase de vacinação.