Uma proposta de revolução na residência médica
Iniciativa quer reduzir desigualdade na distribuição de residentes médicos entre as regiões do Brasil

Publicado inicialmente no Blog Receita de Médico, do Globo. Leia aqui.

Médico usando computador (Freepik)

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), desde a sua fundação, tem sido um bastião de pioneirismo na medicina brasileira. Reconhecido como o primeiro hospital a implementar um programa formal de residência médica no Brasil, em 1944, o HCFMUSP estabeleceu um modelo de formação médica que viria a ser replicado por todo o país. Desde então, não apenas formou milhares de médicos especialistas como também atuou como núcleo para a expansão e diversificação dos programas de residência médica em várias especialidades. Atualmente, o hospital oferece 54 programas de residência médica, que juntos somam 883 vagas anualmente credenciadas pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM).

Em uma proposta que visa aprimorar o Decreto 11.999, de 17 de abril de 2024 que regulamenta a CNRM, a Universidade de São Paulo traz uma iniciativa inovadora, reconhecendo a importância dos centros formadores, que são 789 instituições credenciadas com 41.853 vagas de residência ocupadas hoje. Essa proposta leva em conta a desigualdade na distribuição de residentes médicos entre as regiões do Brasil, que é um tema complexo, marcado por discrepâncias em termos de acesso, qualidade da formação e oportunidades profissionais. Ela também leva em conta o fato de que os maiores centros formadores estão vinculados a hospitais universitários.

Esses dois polos estão integralmente considerados na proposta, uma vez que tanto os centros formadores de residentes em grandes cidades e vinculados a hospitais universitários quanto aqueles situados em áreas mais remotas e economicamente desfavorecidas desempenham um papel crucial na formação profissional. Esses centros estão intrinsecamente ligados às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS) e à promoção da saúde, visando atender às necessidades específicas de cada região brasileira.

Com isso em mente, esta iniciativa sugere critérios claros para a inclusão desses centros na CNRM: o número de residentes formados e a representação de todas as regiões do país. A sugestão é ambiciosa: incluir oito novos membros, ampliando o total para 21, representando os centros formadores através dos programas de residência com mais vagas e garantindo uma distribuição equitativa por região. A distribuição considera a atual distribuição de vagas no país, visando uma representatividade abrangente: Sudeste (4 membros titulares e 4 suplentes), Sul (1 membro titular e 1 suplente), Nordeste (1 membro titular e 1 suplente), Norte (1 membro titular e 1 suplente), e Centro-Oeste (1 membro titular e 1 suplente). Além disso, prevemos incluir dois membros dos centros formadores na composição da Câmara Recursal, para agregar contribuições técnicas e experiências práticas ao SUS.

Ao incluir esses centros na CNRM, reconhecemos não apenas sua relevância, mas também seu papel fundamental na formação de profissionais capacitados e comprometidos com a melhoria dos serviços de saúde e a promoção do bem-estar da população. Essa ampliação da representatividade na CNRM é um passo importante para garantir que as políticas de residência médica sejam mais inclusivas, equitativas e eficazes em atender às necessidades de formação dos profissionais.

Por meio dessa abordagem colaborativa e refinada, deveremos fortalecer a representatividade e a qualidade dos processos de credenciamento, regulação, supervisão e avaliação dos programas de residência médica, alinhados com as necessidades e realidades regionais do SUS e do Brasil.

Professores da FMUSP que participaram deste artigo: Carlos Gilberto Carlotti Jr, Eloisa Silva Dutra de Oliveira Bonfá, Paulo Manuel Pêgo Fernandes, Ludhmila Abrahāo Hajjar, Edivaldo Utiyama, Giovanni Guido Cerri, Tarcísio Eloy Pessoa de Barros Filho, Linamara Rizzo Battistella, Roberto Kalil Filho.

A movimentação do setor de saúde visando novos M&As
Dasa desperta interesse de grandes redes do segmento

Publicada inicialmente na Veja Negócios. Leia aqui.

Instalações do grupo Fleury. (Foto: Divulgação/Fleury)

A compra do laboratório São Lucas pela rede de serviços médicos Fleury, sacramentada na semana passada, foi o primeiro sinal do reaquecimento do setor. A última grande movimentação havia ocorrido em 2022, quando a Rede D’Or comprou a SulAmérica. Quem acompanha de perto o mercado de saúde garante que fusões e aquisições, os chamados M&As, serão retomadas com força no setor em 2024. Há um grande negócio em vista: Rede D’Or, Bradesco Saúde e Amil estariam interessadas no grupo de diagnósticos Dasa.

 

Ministra cita negacionismo ao comentar baixa adesão à vacina da dengue
Imunizante será redistribuído a 154 municípios

Da Agência Brasil

Ao ser cobrada por estratégias para evitar o desperdício de doses da vacina contra a dengue, que vencem no final de abril, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, disse nesta terça-feira (16) que um plano B já está em curso, baseado na redistribuição de doses para 154 novos municípios.

“Fizemos um elenco de municípios a partir de critérios técnicos definidos pelo comitê assessor do programa de imunização, numa pactuação com os estados e municípios. Não é uma decisão isolada da ministra da Saúde. É uma decisão junto com os estados e municípios através dos seus conselhos nacionais”, ressaltou a ministra.

“Já estamos fazendo a redistribuição, mas, se não houvesse um negacionismo às vacinas, certamente as famílias estariam levando as suas crianças e seus jovens para serem vacinados. Esse é o ponto fundamental que eu queria colocar”, disse, ao participar de reunião da Comissão de Assuntos Sociais do Senado.

Novas tecnologias reduzem número de sessões de radiologia 90%

Allisson Borges, coordenador do Departamento de Radioterapia do Hospital DF Star, em Brasília.

Da Redação

Durante o IX Congresso Internacional Oncologia D’Or, que acontece entre hoje (12) e amanhã na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, estão sendo debatidos os principais avanços e novidades em diagnóstico e tratamento de câncer, com a participação de profissionais de todo o mundo. No caso da radioterapia, as novas tecnologias aumentaram a precisão e tornaram mais célere o tratamento. “É o caso de equipamentos como o CyberKnife e o Gamma Knife, os quais a Rede D’Or utiliza em seus pacientes, trazem mais precisão e, principalmente, celeridade ao tratamento. Em casos de câncer de próstata, que antes duravam de 35 a 40 sessões, hoje podemos tratar em apenas 5”, destaca Allisson Borges, coordenador do Departamento de Radioterapia do Hospital DF Star, em Brasília.