Covid-19: governo amplia vacina bivalente para todos acima de 18 anos
Cerca de 97 milhões de brasileiros podem ser vacinados

Da Agência Brasil

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (24) a ampliação da campanha de vacinação contra covid-19 com a dose de reforço bivalente para toda população acima de 18 anos de idade. Cerca de 97 milhões de brasileiros poderão ser vacinados.

Pode tomar a dose bivalente quem recebeu, pelo menos, duas doses de vacinas monovalentes (Coronavac, Astrazeneca ou Pfizer) no esquema primário ou reforço. A dose mais recente deve ter sido tomada há quatro meses. Quem está com dose em atraso, pode procurar também as unidades de saúde.

O ministério ressalta que as vacinas têm segurança comprovada, são eficazes e evitam complicações decorrentes da Covid-19. A ampliação, segundo a pasta, tem “o objetivo de reforçar a proteção contra a doença e ampliar a cobertura vacinal em todo país”.

A campanha de imunização com a vacina bivalente foi iniciada em fevereiro, voltada para idosos de 60 anos ou mais, pessoas que vivem em instituições de longa permanência, pessoas imunocomprometidas, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, gestantes e puérperas, profissionais de saúde, pessoas com deficiência permanente, presos e adolescentes em medidas socioeducativas e funcionários de penitenciárias.

Até o dia 20 deste mês, mais de 10 milhões de pessoas já tinham tomado o reforço bivalente, sendo 8,1 milhões idosos, conforme dados divulgados pelo ministério.

Brasil e Portugal querem se preparar em conjunto para novas epidemias
Nísia Trindade firmou acordo de entendimento com ministério português

Da Agência Brasil

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, disse neste sábado (22) que Brasil e Portugal vão firmar acordo para preparação conjunta para futuras epidemias e urgências em saúde. A ministra faz parte da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua visita de Estado a Portugal.

“Tanto Brasil quanto Portugal compartilham uma visão comum que é a resiliência dos sistemas de saúde que precisam ser fortalecidos para enfrentar esse tipo de adversidade, que, naturalmente, não esperamos que se configure com a gravidade da pandemia de covid-19, mas também com a capacidade de autonomia na produção de vacinas, de medicamentos e outros insumos para a saúde”, disse Nísia.

A ministra destacou que os dois países têm como cooperar para o fortalecimento dos seus sistemas universais de saúde. “São dois países com sistemas universais, abertos, há muito o que compartilhar de experiências”.

Segundo Nísia, também é possível avançar na mobilidade e no intercâmbio de profissionais de saúde dos dois países. “Comentei sobre o Programa Mais Médicos no Brasil e a possibilidade de aprender com as experiências da promoção da saúde em Portugal. Há uma análise da dificuldade de Portugal de fixação de profissionais de saúde no país. Então, também é um campo em que poderemos avançar muito”.

A titular da pasta também destacou a assinatura do memorando de entendimento para cooperação entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e os ministérios da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, da Saúde, da Economia e do Mar de Portugal.

Acesso à saúde é mais difícil para pessoas LGBTQIA+ acima de 50 anos
Estudo revela que situação existe tanto na rede privada quanto no SUS

Da Agência Brasil

Estudo revela que pessoas com idade a partir de 50 anos que pertencem à comunidade LGBTQIA+ têm atendimento de saúde pior do que a parcela de mesma faixa etária que não faz parte desse grupo. A situação é a mesma tanto na redes privada quanto no Sistema Único de Saúde (SUS), revela estudo de pesquisadores do Hospital Albert Einstein, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP e Universidade de São Caetano do Sul, publicado na revista científica Clinics.

Os pesquisadores destacam que 31% do grupo LGBTQIA+ estão na pior faixa de acesso à saúde no país, enquanto a proporção entre a população que não está nesse grupo é de 18%. Para chegar aos resultados, a equipe analisou as respostas de 6.693 pessoas de todo o Brasil em um questionário online, que pôde ser preenchido anonimamente. Ao todo, 1.332 dos participantes se identificaram como LGBTQIA+.

Com a comparação de respostas, observou-se que 74% das mulheres heterossexuais relataram ter feito pelo menos uma mamografia na vida. Ao mesmo tempo, a proporção de mulheres com identidade de gênero ou orientação sexual que as encaixa na sigla LGBTQIA+ era de apenas 40%, o que evidencia a disparidade em relação aos cuidados com a saúde e pode indicar ainda dificuldades, por parte desse grupo de realizar exames.

Desnível semelhante pode ser observado em outro dado: o de triagem preventiva para câncer de colo de útero, entre pessoas que se identificam como mulheres cisgênero. A porcentagem de heterossexuais que realizou o exame foi de 73%, contra 39% de LGBTQIA+.

Quanto ao exame preventivo de câncer de intestino, também entre mulheres cisgênero, a discrepância é menor, mas existe. No total, 57% de mulheres afirmaram ter feito o exame em algum momento, número que cai para 50% entre as LGBTQIA+.

Segundo os autores do trabalho, um dado relevante é que mais da metade (53%) do grupo não acredita, ou não sabe, que os médicos saibam lidar com as particularidades de sua saúde. Além disso, 34% dos que responderam ao questionário acreditam que os profissionais que os atenderam não conheciam sua identidade de gênero ou orientação sexual, fato que pode mostrar como há assuntos relevantes para o diagnóstico e o tratamento que ainda são tabu.

“A partir do momento em que a gente conhece essa realidade, reforça a importância de eliminar as desigualdades, as barreiras de acesso”, afirma Milton Crenitte, um dos autores da pesquisa e geriatra do Hospital Israelita Albert Einstein. O hospital já desenvolve protocolos e ações específicas para os pacientes LGBTQIA+, desde a criação do Grupo Médico Assistencial voltado a esse público.

Para Crenitte, um dos equívocos que mais influenciam a forma como os profissionais de saúde encaram especificamente esse grupo é limitar os cuidados a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), o que se explica pelo estigma da década de 1980, quando teve início o esterótipo que associou homossexualidade ao HIV, que permanece até hoje, de certo modo.

“Muitas vezes, a saúde LGBT foi tratada apenas nas políticas de prevenção ao HIV e a outras ISTs. Então, o que acho que a geriatria tem para contribuir nessa seara do envelhecimento LGBTQIA+ é entender que vai além disso. É preciso acolher essas pessoas, fazer com que elas entrem nos nossos cenários de prática, nos nossos serviços de saúde, para tratar pressão alta, diabetes, fazer atividade física, tratar de saúde mental e também falar de HIV e aids”, diz o geriatra.

Crenitte destaca que um fato importante, hoje em dia, no cenário do HIV é que a ciência mudou muito e avançou muito no tratamento. “Mas, uma coisa que permanece, em 40 anos de epidemia de HIV, é a sorofobia. Um espaço que também precisa ser discutido é o da discussão da sorofobia, que é o preconceito contra quem vive com o vírus.”

O receio de se tornarem alvos de LGBTQIAfobia em consultórios ou hospitais faz, inclusive, com que muitas pessoas deixem de fazer acompanhamento e exames regulares e preventivos, o que pode acabar em diagnóstico de doenças já em estágio avançado, com poucas chances de tratamento eficaz. “Isso é real. Muitas pessoas da comunidade LGBTQIA+, por medo de sofrer discriminação ou por experiências prévias negativas ou outras barreiras de acesso, que são inúmeras, deixam de procurar o serviço”, afirma Crenitte.

O médico ressalta ainda um dado da pesquisa que mostra que a maneira como o usuário percebe a disponibilidade do serviço vai impactar na decisão dela de sair, ou não, de casa para procurar ajuda. “Muitas pessoas, em vez de fazer o cuidado preventivo, evitam e só acessam a saúde no momento da emergência, o que é muito pior.”

Vistoria em hospitais do Rio encontra mais de 300 leitos sem uso
Lista de problemas inclui falta de médicos e condições insalubres

Da Agência Brasil

A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados divulgou hoje (18) os resultados das visitas técnicas aos hospitais e institutos federais do Rio de Janeiro. Entre os dias 15 e 17 de abril, o grupo esteve em nove locais e encontrou problemas como mais de 300 leitos e instalações sem uso, principalmente por falta de médicos e de obras paradas. Em algumas áreas fechadas, as condições estavam insalubres, com presença de esgoto, pombos, morcegos e ratos.

As fiscalizações foram feitas nos hospitais federais Cardoso Fontes (HFCF), de Bonsucesso (HFB), de Ipanema (HFI), da Lagoa (HFL), de Andaraí (HFA), dos Servidores do Estado (HFSE) e nos Institutos Nacionais de Cardiologia (INC), de Traumatologia e Ortopedia (INTO) e de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA).

A conclusão dos deputados é que a situação na rede federal do Rio de Janeiro é de abandono. Eles registraram que a capacidade operacional desses locais está reduzida por falta de investimentos e déficit no quadro de funcionários. O grupo identificou desperdícios de recursos, como por exemplo 68 camas novas no Hospital dos Servidores do Estado que nunca foram utilizadas e obras não concluídas na cozinha do Hospital do Andaraí, que geram um custo extra de R$ 1,5 milhões mensais com o transporte de alimentos.

Resumo do relatório

Hospital Federal de Bonsucesso: dos 411 leitos, 126 estão impedidos de funcionar por falta de pessoal, obras e outros motivos. A UTI Neonatal e o CTI Pediátrico operam com metade da capacidade, podendo dobrar a quantidade de leitos pelo espaço físico.

Hospital Federal Cardoso Fontes: dos 182 leitos, 28 estão sem uso por falta de pessoal. Duas enfermarias, que poderiam abrigar mais 5 leitos cada, viraram sala de reunião e centro de estudos para profissionais, quando deveriam ser usadas para internação de pacientes. Há superlotação na emergência, com macas extras no corredor.

Hospital Federal da Lagoa: dos 249 leitos, 32 estão sem uso por falta de pessoal, obras e outros motivos.

Hospital Federal do Andaraí: tem 282 leitos cadastrados, com 10 impedidos de uso por falta de médico, obra e por falta de rouparia. Salas que constam como impedidas no sistema, estavam em condições de uso, principalmente na ala pediátrica, mas uma enfermaria servia como depósito.

Hospital Federal dos Servidores do Estado: tem 374 leitos, dos quais 57 não funcionam. Foram encontradas salas trancadas e sem as chaves no local. Alas hospitalares foram transformadas em salas administrativas, usadas para reuniões, vestiários, salas para chefias médicas e de enfermagem. Há 68 camas novas sem utilização.

Hospital Federal de Ipanema: foram encontradas 3 salas de cirurgia fechadas e 14 de 131 leitos impedidos de uso. Unidade tem lentidão no credenciamento e 2,9 mil pacientes na fila de espera.

Instituto Nacional de Cardiologia: há déficit de profissionais e estagnação orçamentária. Possui 23 leitos impedidos de uso por falta de pessoal, o que representa 14,37% do total cadastrado.

Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad: Dos 320 leitos, 30 estão impedidos de funcionar por falta de pessoal.

Instituto Nacional do Câncer I: possui 211 leitos cadastrados, 42 impedidos de funcionar por falta de pessoal. Foram encontradas inconformidades dos leitos com as informações da plataforma SMS-RJ.

Instituto Nacional do Câncer II: possui 83 leitos, 11 impedidos de funcionar.

Instituto Nacional do Câncer III: possui 52 leitos, 4 impedidos de funcionar.

Instituto Nacional do Câncer IV: possui 56 leitos, 4 impedidos funcionar.