Últimos dias para inscrição no processo seletivo do Sebrae Rio para o programa Agente Local de Inovação (ALI)
Há oportunidades para Agentes e Orientadores, com bolsas de R$ 5 mil e R$ 6,5 mil, respectivamente, em todas as regiões do Estado

 

Da Redação

Terminam em 30 de setembro as inscrições do processo seletivo do Sebrae Rio para o programa Agente Local de Inovação (ALI). São 370 vagas para profissionais interessados em atuar diretamente com inovação, empreendedorismo e desenvolvimento de pequenos negócios, instituições de ensino, territórios e produtores rurais em diferentes regiões do estado do Rio de Janeiro.

Os Agentes Locais de Inovação atuam em campo, acompanhando empresas, produtores, instituições e territórios, identificando desafios e oportunidades e apoiando a implementação de melhorias e práticas de inovação por meio das metodologias do Programa ALI.

As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas diretamente pelo portal da FAPETEC – www.fapetec.org  -> Unidade de Seleção -> Processos Seletivos -> Processo Seletivo SEBRAE/RJ–ALI 02/2026 -> Ver detalhes -> Edital e Comunicados. Por este endereço é possível, também, acessar o Manual do Candidato e seus Anexos, com as informações completas, incluindo o número de vagas para cada metodologia e região e o detalhamento dos requisitos.

Importante ressaltar que cada candidato poderá se inscrever para uma única vaga por seleção.

Requisitos para os Bolsistas Agentes

Para a metodologia Ecossistemas de Inovação, cujo objetivo é ativar a inovação no território, promovendo o desenvolvimento local e dos pequenos negócios, a partir de atividades de extensão tecnológica, a duração da bolsa é de até 18 meses. São 24 vagas (cadastro reserva) para Agentes, em localidades como: Leste Fluminense (Maricá, Niterói, São Gonçalo, etc), Médio Paraíba (Barra Mansa, Itatiaia, Resende, Volta Redonda, etc), todas as regiões da capital e região Serrana (Petrópolis, Nova Friburgo, Duas Barras, etc).

Os candidatos a Agentes deverão ter graduação completa, em qualquer curso reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) e ter experiência mínima de 06 meses em inovação, tais como: projetos de inovação; ambientes de inovação; ecossistemas de inovação; inovação no ambiente empresarial; inovação em ambientes digitais; transformação digital; gestão de comunidades e métodos ágeis.

Já para os candidatos a Orientadores, estão sendo disponibilizadas 03 vagas para todo o Estado, onde é necessária pós-graduação completa (stricto sensu) em qualquer área de conhecimento, com diploma reconhecido pelo Ministério da Educação. Também é requisito ter experiência como profissional de nível superior de, no mínimo, 12 (doze) meses, em atividades práticas relacionadas a Gestão da Inovação e possuir experiência em atividades de orientação técnica e acadêmica.

Na área de Educação Empreendedora, o foco é promover o extensionismo tecnológico estimulando a prática a inovação dentro das instituições de ensino como forma de implementar a educação empreendedora em seu planejamento educacional e a duração da bolsa é de até 24 meses. Ao todo são 83 vagas (entre contratação imediata e reserva) para Agentes, de forma ampla por todo o Estado do Rio atingindo regiões como: Baixada Fluminense, Centro Sul, Costa Verde, Lagos, Leste, Médio Paraíba, Noroeste, Norte, Região Serrana, além de toda a capital carioca.

Os candidatos a Agentes deverão ter formação universitária completa (graduação) em Gestão e Empreendedorismo, Administração, Administração Pública, Engenharias, Pedagogia, Licenciaturas, Comunicação Social, Comunicação e Marketing, Tecnologia da Informação, Ciência da Computação, Design ou Sistema de Informação, com diploma reconhecido pelo Ministério da Educação. Além da formação, deve comprovar experiência mínima de 06 meses em atividades relacionadas à educação formal e/ou gestão pedagógica e/ou tecnologias da educação e/ou inovação no campo educacional.

Para os Orientadores, a oportunidade são 3 vagas para atuar em todo o Estado, e a exigência é de pós-graduação completa (stricto sensu) em qualquer área de conhecimento, com diploma reconhecido pelo Ministério da Educação e experiência profissional de nível superior de, no mínimo, 12 (doze) meses, em atividades práticas relacionadas à atuação em instituições de ensino e/ou gestão escolar e/ou tecnologia e inovação no campo educacional, além de ter experiência em atividades de orientação técnica e acadêmica.

Na metodologia Indicação Geográfica, os profissionais devem aplicar ferramentas ágeis que trabalhem na aplicação de diagnóstico, levantamento e priorização de problemas, identificação, planejamento e monitoramento da implantação da solução e mensurações inicial e final sendo norteados pela indicação geográfica (nomenclatura que identifica um produto ou serviço como originário de uma área geográfica delimitada), o ciclo de até 18 meses, com visitas presenciais à Indicação Geográfica para realização de 21 encontros. E as 4 vagas (contratação imediata e cadastro reserva) disponíveis são para Agentes destinados a cidades do Leste Fluminense, tais como Itaboraí; Maricá; Niterói; Rio Bonito; São Gonçalo e Tanguá.

Para concorrer a esta vaga basta ter formação universitária completa com diploma reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) em qualquer área de atuação e experiência mínima de 06 meses em inovação, gestão e/ou governança de coletividades.

Na área Produtividade, o foco é desenvolver atividades de extensão tecnológica dos pequenos negócios, a partir de ferramentas e metodologias ágeis de inovação, a duração da bolsa é de até 30 meses. As 144 vagas estão destinadas a Agentes para quase todo estado, abrangendo regiões como: Costa Verde, Lagos, Leste Fluminense, Médio Paraíba, Noroeste, Norte, toda a capital carioca e região Serrana.

Os candidatos a Agentes deverão ter graduação completa, em curso reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC): Administração, Engenharias, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Tecnologia da Informação, Ciência da Computação, Design, Ciência de Dados, Publicidade e Propaganda, Estatística, Matemática Aplicada, Gestão da Informação, Psicologia Organizacional, Sociologia ou Antropologia, porém os candidatos que tiverem, também, uma 2ª formação em algum desses cursos receberão até 5 pontos adicionais na avaliação. A experiência é de, no mínimo, 6 meses de atuação em: gestão, operação ou desenvolvimento de negócios, tais como: administração de empresas, finanças, marketing, inovação, empreendedorismo ou negócios industriais, com atuação prática e comprovada em processos, gestão de recursos, atendimento a clientes, análise de resultados ou implementação de melhorias.

E os interessados nas vagas de Orientador terão disponíveis 12 vagas, com atuação em todo o Estado, e devem ter pós-graduação completa (stricto sensu) em qualquer área de conhecimento, com diploma reconhecido pelo Ministério da Educação e experiência como profissional de nível superior de, no mínimo, 12 meses, em atividades práticas relacionadas à Gestão da Inovação e em atividades de orientação técnica e acadêmica.

Por fim, os candidatos da metodologia Rural têm por finalidade promover o extensionismo tecnológico e estimular a pesquisa e o desenvolvimento de processos inovadores para as empresas rurais. E esta dinâmica acontece em ciclos de até 24 meses, com visitas presenciais às propriedades e empresas rurais para realização de encontros individuais e coletivos. As 91 vagas são destinadas a Agentes e abrangem regiões como Baixada Fluminense, Centro Sul, Costa Verde, Lagos, Leste Fluminense, Médio Paraíba, Noroeste, Norte e Serrana.

Os candidatos a Agentes deverão ter formação universitária completa (graduação) em qualquer área de conhecimento, em curso reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) e experiência mínima de 06 meses em atividades relacionadas ao agronegócio e/ou realizadas em propriedade rural ou agroindústrias.

Já para os interessados em ser Orientador são destinadas 06 vagas e é exigida pós-graduação completa (stricto sensu) em qualquer área de conhecimento, com diploma reconhecido pelo Ministério da Educação, e experiência mínima de 12 meses, em atividades práticas relacionadas ao agronegócio e/ou agroindústrias e em atividades de orientação técnica e acadêmica.

Etapas do Processo Seletivo

O processo seletivo passará por 3 etapas para os Agentes, todas de caráter eliminatório e classificatório, onde a primeira é a avaliação de conhecimentos, a segunda é a análise curricular e de documentos, a terceira e última, é a entrevista por competências.

Para os Orientadores o processo seletivo terá duas etapas: Análise Curricular e Documental e Entrevista Individual por Competências e ambos os processos serão realizados de forma online.

O candidato pode buscar mais informações no Manual do Candidato e Anexos, que estão disponíveis na página da FAPETEC no portal: www.fapetec.org . Em caso de dúvidas é possível acessar o Fale Conosco, no próprio portal da instituição ou pelo e-mail: contato@selecaofapetec.org.br.

UNICEF e NIVEA lançam guia para apoiar empresas na promoção da saúde mental de adolescentes e jovens no mundo do trabalho
Publicação oferece orientações práticas para fortalecer ambientes de trabalho mais seguros, acolhedores e saudáveis para a juventude

 

Da Redação

Em um momento em que a saúde mental das juventudes se torna uma preocupação crescente no Brasil, o Fundo das Nações Unidas para a Infância no Brasil (UNICEF), com a parceria estratégica de NIVEA, lança o “Guia de Promoção da Saúde Mental de Jovens no Setor Privado”, uma publicação voltada a empresas, gestores, lideranças e profissionais interessados em fortalecer práticas de cuidado e proteção de adolescentes e jovens no mundo do trabalho.

Desenvolvido no âmbito da iniciativa 1 Milhão de Oportunidades (1MiO), do UNICEF, o guia reúne dados, reflexões, relatos de experiências e recomendações práticas para apoiar organizações na construção de ambientes mais saudáveis, inclusivos e capazes de promover o desenvolvimento integral das juventudes.

No Brasil, mais de 48,5 milhões de pessoas têm entre 15 e 29 anos, representando cerca de um quarto da população (IBGE). Apesar de seu enorme potencial criativo, inovador e transformador, adolescentes e jovens enfrentam desafios significativos relacionados à saúde mental. Dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que quase metade dos jovens nessa faixa etária apresenta sintomas frequentes de sofrimento emocional, enquanto mais de 18% relatam sentir que a vida “não vale a pena”.

Promover a saúde mental de adolescentes e jovens no mundo do trabalho também é uma questão de sustentabilidade para os negócios e para o progresso socioeconômico. Em 2025, mais de 546 mil afastamentos do trabalho foram registrados no Brasil devido a sofrimento emocional e transtornos mentais de acordo com o Ministério da Previdência Social. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde estima que problemas relacionados à saúde mental gerem cerca de US$ 1 trilhão por ano em perdas de produtividade.

Ao mesmo tempo, a entrada e permanência no mundo do trabalho exercem influência direta sobre a saúde mental. Ambientes marcados por insegurança psicológica, relações nocivas ou vínculos instáveis podem ampliar riscos psicossociais, afetando o bem-estar, o engajamento e o desenvolvimento profissional. Por outro lado, experiências de trabalho positivas podem fortalecer a autoestima, o senso de pertencimento e os projetos de vida.

“Para o UNICEF, preparar adolescentes e jovens para acessar oportunidades de educação e trabalho vai além da formação técnica. Também significa apoiar a construção de projetos de vida, fortalecer competências socioemocionais e garantir acesso a redes de proteção e cuidado. Cuidar da saúde mental das juventudes é também investir em seu potencial, apostar no talento deles, em sua participação e em sua capacidade de contribuir com o futuro do País”, afirma Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil.

A publicação foi construída de forma participativa, incorporando contribuições de jovens e de representantes do setor privado a partir de sessões de escuta e formação, que aconteceram de maio a julho na sede da NIVEA em São Paulo. O objetivo da publicação é ampliar a compreensão sobre os desafios enfrentados pelas juventudes e estimular empresas e empregadores de forma geral a adotarem práticas que contribuam para ambientes mais acolhedores, seguros e protetivos.

“Como líderes, temos a responsabilidade de contribuir para a construção de ambientes em que adolescentes e jovens se sintam acolhidos, respeitados e preparados para desenvolver todo o seu potencial. Acreditamos que o setor privado pode ser um agente de transformação ao promover uma cultura de cuidado, escuta e desenvolvimento. Apoiar esta iniciativa reforça o compromisso da NIVEA com a promoção do bem-estar e com a construção de um futuro mais inclusivo para as novas gerações”, afirma Ana Bógus, CEO da Beiersdorf, casa de NIVEA e Eucerin no Brasil.

Entre os temas abordados estão fatores de risco e proteção para a saúde mental, escuta ativa, pertencimento, desenvolvimento socioemocional, segurança psicológica e caminhos para implementação de ações práticas voltadas a adolescentes e jovens. A expectativa é que o material contribua para fortalecer o compromisso do setor privado com a promoção da saúde integral das juventudes e inspire ações concretas para transformar os ambientes de trabalho em espaços de desenvolvimento e proteção.

Acesse aqui o guia.

Inflação, alimentação fora do lar e produtividade
Por Leonardo Garcia*

 

No mês de agosto deste ano, o Brasil teve deflação. O IPCA recuou 0,32% no período — queda mais intensa do que o mercado esperava — e a inflação em doze meses cedeu para 4,22%. No supermercado, o alívio foi nítido: a alimentação no domicílio caiu 0,61%, com batata (−19,9%), cenoura (−11,2%), cebola (−11,1%) e tomate (−10,9%) puxando os preços para baixo. Contudo, uma linha do índice andou na direção contrária. A alimentação fora do domicílio subiu 0,36%. É sobre esse índice que devemos aprofundar entendimento.

Não se trata de ruído de um mês. Em doze meses, a alimentação fora do domicílio acumula alta de 5,99% — contra 3,62% do grupo Alimentação e bebidas como um todo e 4,24% do índice cheio. Comer fora de casa é hoje a linha que mais sobe na cesta alimentar do brasileiro, e sobe quase o dobro do restante dela. Essa divergência tem um endereço preciso na economia real: o intervalo de almoço do trabalhador formal. E ajuda a explicar a razão pela qual a alimentação corporativa saiu da pauta administrativa da folha e entrou na mesa de diretoria.

A erosão do benefício acompanha a curva. Levantamento da Pluxee com base em transações reais aponta valor facial médio de R$ 583,75 no vale-refeição no primeiro semestre de 2026, valor suficiente para cobrir nove dias úteis do mês. Em 2019, o mesmo benefício cobria dezoito. Em 2022 eram treze; em 2023, onze; em 2024, dez. É redução ano após ano.

A aritmética por trás da queda é direta: o benefício cresceu 1,5% no período, enquanto o valor médio da refeição paga com ele subiu 4,3%, para R$ 44,69. A diferença sai do bolso do trabalhador. Segundo o mesmo estudo, ele desembolsa por conta própria cerca de 101% a mais do que recebe de crédito para fechar o mês.

O benefício, assim, deixou de financiar o almoço e passou a subsidiá-lo parcialmente. E quando o subsídio encolhe, a variável de ajuste raramente é o número de refeições: é a qualidade delas. Troca-se o prato balanceado pelo mais barato, o mais barato pelo ultraprocessado e, em alguns dias, pula-se a refeição.

É nesse ponto que o tema sai do departamento de benefícios e entra na operação.

O Vigitel mais recente registra 62,6% dos adultos brasileiros com excesso de peso e 25,7% com obesidade — o dobro de 2006. Apenas 31,4% consomem frutas e hortaliças regularmente. Diabetes atinge 12,9% da população; hipertensão, 29,7%. Nenhum desses indicadores se explica apenas pelo almoço do expediente, mas todos passam por ele: para quem cumpre jornada integral, é a refeição principal do dia.

A relação com produtividade está documentada há duas décadas. O estudo Food at Work, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), estima que nutrição adequada pode elevar níveis de produtividade em até 20% e registra que trabalhadores obesos têm cerca do dobro de probabilidade de faltar ao trabalho. Não é um argumento moral sobre hábitos alimentares. É contabilidade de absenteísmo, sinistralidade de plano de saúde e rotatividade.

Empresas que fazem essa conta chegam a uma conclusão contraintuitiva: cortar o custo por refeição costuma ser a forma mais cara de economizar. E é nesse contexto que devemos destacar o setor de refeições coletivas — restaurantes corporativos, cozinhas industriais, catering e seu potencial.

O segmento serviu 40,5 milhões de refeições por dia no Brasil em 2025, incluindo alimentação escolar, movimentou R$ 41,1 bilhões e empregou 290 mil pessoas de forma direta, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (ABERC). É uma infraestrutura de escala, com nutricionista, controle de segurança alimentar e cardápio desenhado, e que agora compete com um mercado de vouchers em plena reconfiguração regulatória.

O Decreto 12.712, de novembro de 2025, mexeu nas engrenagens do Programa de Alimentação do Trabalhador, que alcança mais de 22 milhões de trabalhadores. Teto de 3,6% para a taxa cobrada dos estabelecimentos, repasse em até 15 dias e, a partir de novembro de 2026, interoperabilidade obrigatória entre bandeiras. O efeito prático é deslocar a disputa: de quem emite o cartão para o que o cartão compra.

Estamos diante de um movimento que pode se consolidar de vez. Durante três décadas, a alimentação corporativa foi tratada como custo por colaborador. A pergunta era quanto. Com o benefício cobrindo nove dias e comer fora subindo 5,99% ao ano enquanto o resto da economia desinflaciona, a pergunta virou outra: o que exatamente esse dinheiro alimenta.

Um vale que compra nove almoços decentes e vinte e um improvisos não é o mesmo benefício que uma refeição completa, quente e nutricionalmente equilibrada oferece, cinco dias por semana. Os dois ocupam a mesma linha do balanço. Não produzem o mesmo resultado — nem na saúde de quem come, nem no indicador de quem paga.

*Leonardo Garcia é presidente da Consuma Gastronomia

Pedido de vista suspende discussão sobre julgamento conjunto de duas petições do caso Master
Plenário do STF analisa questão de ordem que propõe reunir as Petições 16662 e 16704; mérito dos processos não foi examinado

 

Da Redação

Pedido de vista do ministro Flávio Dino suspendeu a análise, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), da Petição (Pet) 16662, referente a relatório produzido pela Polícia Federal, no âmbito do caso Master, relacionado ao ministro Alexandre de Moraes. O colegiado não chegou a analisar o mérito da petição. No momento da suspensão, o colegiado examinava questão de ordem para julgamento conjunto do caso com a Pet 16704. 

Questão de ordem

A Pet 16662, apresentada ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, pelo ministro André Mendonça, tem origem em relatório, elaborado pela PF a partir de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que aponta supostos diálogos que teriam relação com o ministro Alexandre de Moraes. Em manifestação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a nulidade desse relatório.

Já a Pet 16704, autuada por determinação do presidente do STF a partir de informações apresentadas pelo ministro Alexandre, se baseia em relatório de inteligência da PF que sugere irregularidades na condução do caso Master pelo relator, ministro André Mendonça.

A questão de ordem foi apresentada pelo ministro Gilmar Mendes por sugestão do ministro Flávio Dino. Além da tramitação conjunta, o decano do STF propôs o sorteio de novo relator para as Pets, hoje sob a relatoria do ministro Edson Fachin (presidente). Também pediu a identificação e a certificação, nos autos, de todos os magistrados mencionados nas investigações relacionadas ao caso Master que apresentem indícios de recebimento indevido de valores do banco e a abertura de prazo para manifestação do procurador-geral da República e dos juízes citados.

Até o momento, o presidente do STF, a ministra Cármen Lúcia e os ministros Luiz Fux e André Mendonça rejeitam a questão de ordem. Para essa corrente, as Pets devem ser examinadas separadamente, e a relatoria deve ser mantida com Fachin. Já os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin votaram pelo acolhimento da proposta.

Impedimento e suspeição

Antes da análise, o ministro Nunes Marques se declarou impedido de julgar o caso. Ele ponderou que a decisão do julgamento pode gerar impactos no cenário político-eleitoral a 19 dias do primeiro turno das eleições e que, na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não se sente confortável para participar do julgamento.

Seguindo sua posição em outros julgamentos relacionados ao Banco Master, o ministro Dias Toffoli declarou suspeição, por motivo de foro íntimo, e também não vai participar do julgamento.

Análises separadas

No início do voto, o ministro Edson Fachin observou que o objetivo do julgamento é deliberar sobre a possibilidade de investigação de supostos indícios de crime praticado por magistrado, além da nulidade apresentada pela PGR. O presidente destacou que não está sendo analisada, no momento, a responsabilidade penal nem haverá conclusão sobre os elementos já reunidos, atribuições que cabem ao Ministério Público.

O ministro Fachin votou por manter o julgamento separado das duas Pets. Também sustentou que o presidente, por seu dever institucional de velar pelas prerrogativas do Tribunal, deve ocupar a posição de relator.

Para o ministro André Mendonça, não há impedimento para a realização de julgamentos separados, pois os fatos relativos aos dois casos não são os mesmos. Ele entende que a Pet 16662 traz uma notícia de fato e que as menções ao ministro Alexandre de Moraes não foram feitas por ele, mas pela Polícia Federal.

Para o ministro Luiz Fux, diante de omissão do Regimento Interno do STF (RISTF) quanto a essa situação, cabe ao presidente do STF assumir a relatoria dos dois casos. A seu ver, não há risco de decisões contraditórias que justifiquem a tramitação conjunta dos casos.

Na mesma linha, a ministra Cármen Lúcia salientou que, sem definição clara do regimento, deve ser seguido o rito estabelecido pelo relator. Segundo ela, o STF deve analisar o caso para que não haja dúvida sobre a conduta de nenhum dos integrantes do Tribunal.

Julgamento conjunto

Na corrente oposta, o ministro Gilmar Mendes salientou que não há previsão legal de que presidentes de tribunais assumam a relatoria de determinados processos. Também destacou a necessidade de identificar todas as autoridades supostamente envolvidas no caso.

Para o ministro Cristiano Zanin, as Pets devem ser reunidas para que haja um “procedimento lógico” nas duas análises. Também destacou que deveria ser analisado, unicamente, o pedido de nulidade apresentado pela PGR, que é a titular de procedimentos penais.

Na mesma linha, o ministro Alexandre de Moraes entende que o julgamento conjunto garantiria isonomia, caso ele e o ministro André Mendonça estejam impedidos de votar. Também observou que, como há apenas notícias de fato, sem abertura formal de investigação, e com pedido de nulidade da PGR, o Tribunal não poderia, por iniciativa própria, autorizar uma investigação que não foi pedida nem pela Polícia Federal nem pelo Ministério Público.