UNICEF e NIVEA lançam guia para apoiar empresas na promoção da saúde mental de adolescentes e jovens no mundo do trabalho
Publicação oferece orientações práticas para fortalecer ambientes de trabalho mais seguros, acolhedores e saudáveis para a juventude

 

Da Redação

Em um momento em que a saúde mental das juventudes se torna uma preocupação crescente no Brasil, o Fundo das Nações Unidas para a Infância no Brasil (UNICEF), com a parceria estratégica de NIVEA, lança o “Guia de Promoção da Saúde Mental de Jovens no Setor Privado”, uma publicação voltada a empresas, gestores, lideranças e profissionais interessados em fortalecer práticas de cuidado e proteção de adolescentes e jovens no mundo do trabalho.

Desenvolvido no âmbito da iniciativa 1 Milhão de Oportunidades (1MiO), do UNICEF, o guia reúne dados, reflexões, relatos de experiências e recomendações práticas para apoiar organizações na construção de ambientes mais saudáveis, inclusivos e capazes de promover o desenvolvimento integral das juventudes.

No Brasil, mais de 48,5 milhões de pessoas têm entre 15 e 29 anos, representando cerca de um quarto da população (IBGE). Apesar de seu enorme potencial criativo, inovador e transformador, adolescentes e jovens enfrentam desafios significativos relacionados à saúde mental. Dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que quase metade dos jovens nessa faixa etária apresenta sintomas frequentes de sofrimento emocional, enquanto mais de 18% relatam sentir que a vida “não vale a pena”.

Promover a saúde mental de adolescentes e jovens no mundo do trabalho também é uma questão de sustentabilidade para os negócios e para o progresso socioeconômico. Em 2025, mais de 546 mil afastamentos do trabalho foram registrados no Brasil devido a sofrimento emocional e transtornos mentais de acordo com o Ministério da Previdência Social. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde estima que problemas relacionados à saúde mental gerem cerca de US$ 1 trilhão por ano em perdas de produtividade.

Ao mesmo tempo, a entrada e permanência no mundo do trabalho exercem influência direta sobre a saúde mental. Ambientes marcados por insegurança psicológica, relações nocivas ou vínculos instáveis podem ampliar riscos psicossociais, afetando o bem-estar, o engajamento e o desenvolvimento profissional. Por outro lado, experiências de trabalho positivas podem fortalecer a autoestima, o senso de pertencimento e os projetos de vida.

“Para o UNICEF, preparar adolescentes e jovens para acessar oportunidades de educação e trabalho vai além da formação técnica. Também significa apoiar a construção de projetos de vida, fortalecer competências socioemocionais e garantir acesso a redes de proteção e cuidado. Cuidar da saúde mental das juventudes é também investir em seu potencial, apostar no talento deles, em sua participação e em sua capacidade de contribuir com o futuro do País”, afirma Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil.

A publicação foi construída de forma participativa, incorporando contribuições de jovens e de representantes do setor privado a partir de sessões de escuta e formação, que aconteceram de maio a julho na sede da NIVEA em São Paulo. O objetivo da publicação é ampliar a compreensão sobre os desafios enfrentados pelas juventudes e estimular empresas e empregadores de forma geral a adotarem práticas que contribuam para ambientes mais acolhedores, seguros e protetivos.

“Como líderes, temos a responsabilidade de contribuir para a construção de ambientes em que adolescentes e jovens se sintam acolhidos, respeitados e preparados para desenvolver todo o seu potencial. Acreditamos que o setor privado pode ser um agente de transformação ao promover uma cultura de cuidado, escuta e desenvolvimento. Apoiar esta iniciativa reforça o compromisso da NIVEA com a promoção do bem-estar e com a construção de um futuro mais inclusivo para as novas gerações”, afirma Ana Bógus, CEO da Beiersdorf, casa de NIVEA e Eucerin no Brasil.

Entre os temas abordados estão fatores de risco e proteção para a saúde mental, escuta ativa, pertencimento, desenvolvimento socioemocional, segurança psicológica e caminhos para implementação de ações práticas voltadas a adolescentes e jovens. A expectativa é que o material contribua para fortalecer o compromisso do setor privado com a promoção da saúde integral das juventudes e inspire ações concretas para transformar os ambientes de trabalho em espaços de desenvolvimento e proteção.

Acesse aqui o guia.

Unicef cria podcast para ensinar cultura afro-brasileira
Conteúdo foi criado após escolas fecharam por causa da pandemia

 

Da Agência Brasil

Em tempo de pandemia, de escolas fechadas e de ensino remoto, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) criou o podcast para que conteúdos didáticos sobre a história e cultura afro-brasileira continuem disponíveis para alunos do ensino infantil e do ensino fundamental (3 a 8 anos), professores e até familiares.

O material é gratuito, está disponível para todo o país e também pode ser veiculado livremente por emissoras de rádio, sejam públicas, comerciais ou comunitárias. Está disponível no YouTube, no Spotify e no próprio site da agência da ONU.

Até o final deste ano, 50 episódios contarão histórias, tocarão músicas e farão muitas brincadeiras para que crianças conheçam e possam expandir seus repertórios incluindo conhecimento sobre a cultura afro-brasileira e a cultura africana.

Os conteúdos dos podcasts estão previstos nas Diretrizes Nacionais da Educação Infantil e na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da Educação Infantil. Todo material “oportuniza o contato com outras narrativas não euro-centradas”, defende a educadora Mafuane Oliveira, uma das cinco roteiristas responsáveis pelo programa a respeito da cultura afro-brasileira.

Educação contra o racismo

Como explica Mafuane, o programa leva as crianças a aprenderem ludicamente a história e a cultura do Brasil no momento que iniciam a formação escolar e têm as primeiras vivências sociais fora dos grupos primários de referência, como a família. Nessa fase, “as crianças são como esponjas”, observam desigualdade racial no seu contexto e percebem a associação de papéis sociais e fenótipos.

Para a oficial de educação do Unicef, Julia Ribeiro, a educação pode contribuir para diminuir o racismo e fortalecer identidades. A audição de histórias sobre a cultura afro-brasileira “é uma oportunidade para as crianças negras se sentirem representadas e também para as crianças não negras verem seus colegas ocupando esse espaço.”

Julia assinala a importância do rádio no Brasil como meio de comunicação mais acessível à população e de fácil disseminação de conteúdos educativos. “O rádio é efetivamente o meio que vai chegar a todos, inclusive às crianças que estão mais distantes.”

Ela assinala que os programas são um recurso que poderá ser usado “por longo tempo”, por professores durante e depois da pandemia, mas também poderá ser apropriado pelas famílias. “O que a gente quer é que as crianças tenham acesso a um material de qualidade, que contribua para aprendizagem mais criativa.”

Além dos episódios sobre a cultura afro-brasileira, o Unicef produziu 96 programas voltados à alfabetização nos anos iniciais do ensino fundamental e deverá finalizar ainda este ano 48 episódios sobre a cultura amazônica e os saberes da região, com histórias de indígenas, ribeirinhas e quilombolas.

ONU diz que cerca de 7 mil recém-nascidos morrem diariamente no mundo

Relatório divulgado por agências das Nações Unidas estima que quase 7 mil bebês morrem todos os dias antes de completar um mês de vida, e pede a nações que adotem medidas para melhorar a situação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) anunciaram que as taxas de sobrevivência de recém-nascidos vêm melhorando desde 2000, mas cerca de 2,5 milhões de bebês morreram em 2018.

Segundo o relatório, uma em cada 37 mulheres na África Subsaariana morre durante a gestação ou o parto. O documento lembra que mulheres no parto e seus bebês enfrentam risco maior em países em que há conflitos ou crise humanitária, como Síria e Venezuela, por não tere acesso a tratamentos essenciais.

Meta

A meta global prevista nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável é reduzir a taxa de mortalidade materna global para menos de 70 por 100 mil nascidos vivos até 2030.

Mulheres e crianças estão sobrevivendo hoje mais do que antes na história, de acordo com as novas estimativas de mortalidade infantil e materna divulgadas no relatório.

Desde 2000, as mortes infantis diminuíram quase a metade e as mortes maternas em mais de um terço, principalmente devido ao acesso melhorado a serviços de saúde disponíveis e de qualidade.

“Nos países em que se fornecem serviços de saúde seguros, acessíveis e de alta qualidade para todos, mulheres e bebês sobrevivem e prosperam”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “Esse é o poder da cobertura universal de saúde.”