Ninguém está a salvo: Coronavírus e cibersegurança

Anderson França*

O Coronavírus colocou o mundo inteiro em estado de alerta máximo. Motivos, de fato, não faltam: a contaminação que se espalha pela China e que atinge diversos países de todo o planeta tem mostrado que o vírus é mais veloz e letal do que poderíamos imaginar. O que pouca gente sabe, porém, é que o Coronavírus tem representado cada vez mais uma ameaça digital.

Os cibercriminosos estão se aproveitando do estado de alerta da população mundial, principalmente nos países que têm maior risco de contaminação, para enviarem mensagens com conteúdos falsos que disseminam diversos agentes maliciosos especialmente criados para roubar dados bancários e ter acesso irrestrito aos arquivos (corporativos e pessoais).

Por meio de e-mails com links falsos ou de arquivos anexos perigosos que, aparentemente, trazem apenas as instruções de proteção e identificação do novo vírus, os criminosos estão atacando eletronicamente a população. Ao clicar no conteúdo de uma mensagem, os usuários têm seus computadores invadidos e seus dispositivos infectados com malwares, como o Trojan Emotet (eficaz em ataques a governos e instituições financeiras); Cavalo de Troia (capaz de espionar e roubar dados confidenciais, além de obter acesso ao sistema do dispositivo); e os Ransomwares (cuja função é restringir o acesso ao sistema e cobrar seu resgate em criptomoedas).

Vale destacar, porém, que não estamos diante de nenhuma grande novidade, pois hackers sempre enviam e-mails e conteúdos falsos para ‘fisgar’ os dados das pessoas. Porém, o que causa surpresa é a quantidade de ataques e a sofisticação das armadilhas.

Por isso, é importante ter em mente que estamos em uma era hiperconectada, na qual grande parte da população se informa e comunica pela Internet. Em outras palavras, estamos sujeitos a ser alvo desses ataques a cada clique que damos. A questão estratégica é o que podemos fazer para mitigar essas ameaças?

A primeira resposta é trabalhar a cautela. As empresas podem começar suas ações, limitando o acesso a links estranhos e orientando seus funcionários a não abrirem anexos de desconhecidos. É importante repensar de forma contínua os índices e as medidas de segurança a partir de planos específicos para capacitar e qualificar todos os colaboradores, como um mantra a ser seguido por todos. É preciso compartilhar melhores práticas de proteção na Web – inclusive em aplicativos de mensagens instantâneas. Os líderes devem acompanhar essa jornada de perto, buscando caminhos para orientar as equipes e alertar continuamente sobre a importância de parar e pensar antes de abrir links estranhos ou arquivos anexos suspeitos.

Além da formação de uma cultura orientada à cibersegurança, é preciso investir no uso de tecnologias capazes de identificar vulnerabilidades e prevenir os ataques, com filtros de conteúdo e firewalls que limitem o acesso de informações e mantenham todos os dispositivos protegidos, usando antivírus e, também, por programas certificados de proteção e detecção de ataques.

Outra forma de se proteger é ter soluções específicas para cada equipamento. Utilizar ferramentas adequadas e sempre atualizadas ajuda a evitar o roubo de dados, espionagem, exposições indevidas ou a danificação de bases de dados estratégicas para o negócio. Contar com soluções de última geração – que permitam uma análise inteligente, proativa e em tempo real – é importante para impedir que vírus atualizados entrem na rede corporativa, causando danos irreparáveis. Essa proteção deve estar presente em PC, servidores e em smartphones, pois esses aparelhos estão entre os mais usados pelos brasileiros.

Além da mudança de hábito do usuário, que deve desconfiar sempre do remetente desconhecido e não abrir qualquer arquivo recebido, a tecnologia de proteção já está disponível no Brasil e pode ser encarada como um fator imprescindível para aumentar a segurança digital das empresas. O Coronavírus tem nos mostrado que combater epidemias exige trabalho conjunto, coordenação e muito controle. Hoje, todos nós queremos ter informação rápida e global, mas vale a pergunta: sua organização está realmente preparada para trabalhar com segurança? A resposta começa pela tecnologia que utiliza e pelas políticas de cibersegurança. Manualmente é impossível proteger os ataques.

*Anderson França é CEO da Blockbit

A Covid-19 e a questão da possível falta de exames: racionalização e aumento de oferta

Breno de Figueiredo Monteiro*

Com o avanço da epidemia de Covid-19 em nosso país,  é muito importante que a população e os profissionais de saúde sigam as orientações corretas, para que seja possível gerenciar os recursos da forma mais adequada. Assim, devemos proceder em relação aos testes para detecção da Covid-19. Algumas unidades de saúde já apontam escassez e prazos longos para a realização dos testes.  Por isso, devem ser priorizados os pacientes sintomáticos graves e os profissionais de saúde que sejam sintomáticos e que tenham tido contato com pacientes infectados. Para a grande maioria da população, a medida mais efetiva de controle é o isolamento social, mesmo para aquelas pessoas que tiveram contato com outras pessoas infectadas e que estão sem sintomas. As pessoas que apresentem sintomas gripais devem permanecer em suas casas em uso de medicação adequada e hidratação, uma vez que pacientes com sintomas leves não se beneficiam de ir aos hospitais, pois o diagnóstico laboratorial está reservado aos casos críticos.

Além disso, se este paciente com sintomas leves estiver e com Covid-19, ao sair do isolamento, contaminará outras pessoas. Também, se essa mesma pessoa estiver com gripe comum pode acabar se contaminando com Covid-19 e piorar sua condição clínica. Assim, só devem procurar os serviços de saúde e fazer o teste nesse momento pacientes que apresentem falta de ar e/ou pacientes que apresentem febre alta que não cede com os remédios e tosse. Idosos que apresentem alteração de sua condição clínica também devem ser levados imediatamente.

Além da priorização dos casos graves, o setor Saúde também deve discutir com urgência uma ampliação e validação das metodologias de teste para detecção da Covid-19. Além do teste padrão RT-PCR, com base em biologia molecular, definido pelo Ministério da Saúde e ANVISA, há outras possibilidades que estão sendo avaliadas e que dão maior escala aos testes, sem perda de eficácia, desde que validados. Entre essas possibilidades de testes destacamos os teste rápidos, point of care e sorologia. Essas alternativas estão sendo levadas aos órgãos técnicos do Ministério da Saúde e da ANVISA para chegarmos a uma definição e regulação rápida para o seu uso.

Dessa forma, esperamos ampliar a oferta de testes e aplicá-los a quem efetivamente precisa.

Juntos vamos vencer a Covid-19!

*Breno de Figueiredo Monteiro é presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde)

O fator humano

Beth Barros é diretora Regional da consultoria LHH em Minas Gerais

Entregar bons resultados e alavancar o desempenho de uma empresa é a aspiração de todo líder, mas para alcançar tal feito é necessário ter uma equipe comprometida. Contudo, a realidade de algumas organizações é de insatisfação dos colaboradores, motivada muitas vezes por um ambiente de trabalho tóxico. Prova disso é o dado levantado pela Gallup, empresa de pesquisa norte americana, apontando que a liderança pode influenciar em até 70% no aumento de engajamento do grupo com os negócios. Valorizar o capital humano e criar um clima de confiança é um dos caminhos. 

As equipes precisam estar alinhadas aos objetivos estratégicos da organização, além de compartilhar dos mesmos valores e para que isso aconteça, é preciso que o líder tenha aptidão no gerenciamento de capital humano e saiba ouvir os colaboradores e observar o ambiente. Dessa forma, ele saberá onde é necessária a mudança e em qual momento. Uma forma de ter um termômetro do clima organizacional são reuniões semanais com os colaboradores. Para isso, é preciso criar um ambiente de confiança, no qual eles se sintam à vontade e seguros para expressarem suas ideias e feedbacks sobre os processos de trabalho. O resultado será ter pessoas que se sentirão ouvidas e valorizadas. 

Muitos gestores ainda possuem dificuldades em criar e manter esse clima organizacional. Nesse caso, ferramentas práticas de gestão podem ser implementadas para ajudar no desenvolvimento de equipes de alto desempenho, como por exemplo, o gerenciamento e acompanhamento de resultados baseados em metas SMART. Afinal, quando “desafios” são propostos, o colaborador passa a idealizar a superação deles e passa enxergar o “exercício” como bagagem para seu o crescimento. Todos nos sentimos o aumento de confiança quando provamos o sabor de entregar algo que faz diferença para organização.

Outro ponto importante é investir no aprimoramento de processos e na resolução de conflitos internos para evitar futuros impasses e assim alcançar o sucesso. No primeiro caso, a tecnologia pode ser usada como aliada no manejo de recursos que torne a comunicação mais assertiva. Quanto aos conflitos, é primordial não deixar para segundo plano as diferenças da equipe, pois o quanto antes forem resolvidas, menor será o risco de ruídos atrapalharem o rendimento. 

Nesse processo, o líder não pode esquecer-se de estruturar o quadro de recursos humanos para obter melhores resultados. Em qualquer organização, caso não haja agilidade no acompanhamento das tendências de inovação e competências técnicas, há grandes riscos das etapas ficarem estagnadas e não engatarem em atividades que gerem efeitos positivos. Neste caminho, um bom líder deve estar preparado para promover estratégias que gerem resultados e sinergia na equipe, como programas de qualificação e desenvolvimento de talentos. Afinal, o que forma uma empresa é justamente o fator humano.

Diversidade nas empresas é sinônimo de ganhos para os negócios

Atualmente, um dos temas mais abordados na área de Recursos Humanos é a diversidade. Tenho sido bastante questionado sobre o assunto e principalmente sobre o valor que a diversidade agrega não apenas ao ambiente das empresas, mas aos resultados efetivos delas.

A resposta está inserida no competitivo ambiente empresarial dos dias de hoje, em que todas as equipes de uma organização, seja da área operacional ou do alto escalão, devem inovar continuamente, testando novas ações e processos em busca de melhores resultados. É aí que se pode obter uma vantagem: a diversidade — abordada da forma correta, que vai além da questão de gênero — significa reunir pessoas com diferentes histórias profissionais e de vida, que podem contribuir com ideias, vivências e experiências distintas no trabalho em equipe, trazendo formas alternativas de pensar e operar, possibilitando novas estratégias e gerando benefícios efetivos às empresas.

Lidar com equipes assim, entretanto, exigirá cada vez mais dos líderes, pois seus integrantes se motivam e se engajam de formas diversas. Além disso, caberá aos gestores administrar eventuais conflitos entre os membros dessas equipes. Assim, ao abraçar a causa, as empresas precisam se assegurar de que os líderes tenham clareza sobre a sua missão de “liderar as pessoas”, preparando-os para as questões que poderão surgir, até porque já está provado que, quando as dificuldades são superadas, as equipes com diversidade trazem resultados muito superiores às tradicionais.

Mas o treinamento das lideranças não é a única questão a ser observada. A própria formação de equipes com diversidade é um ponto que precisa de atenção. Para criá-las é essencial contratar profissionais considerando as competências necessárias, independente de possuírem alguma deficiência e da cor da pele, gênero, religião, classe social ou idade.

Isso significa que os recrutadores devem deixar de lado os vieses inconscientes nos processos seletivos. Porém essa não é uma tarefa simples: afinal, avaliar um candidato sem nenhum pré-julgamento é algo complexo, já que aprendemos a trabalhar dessa forma e fizemos assim a vida inteira. Nesse cenário, o apoio de um software de inteligência artificial em processos seletivos pode facilitar a valorização da diversidade, pois levará às entrevistas finais apenas os selecionados a partir de critérios predefinidos, com objetividade, sem a intervenção humana. A partir daí, se continuarmos a verificar um mesmo padrão na contratação, o problema pode estar no decisor final, e então a solução será um treinamento para esse profissional.

Vale a pena frisar que nenhum sistema é infalível e muitas vezes os programas podem refletir os vieses inconscientes daqueles que os desenvolveram. É por isso que temos visto empresas revendo seus processos de seleção por AI, já que a ferramenta pode aprender um comportamento existente na companhia, não condizente com o apoio à diversidade. É famoso o exemplo da Amazon, que investiu uma quantia considerável na elaboração de um sistema seletivo por AI para profissionais de TI para depois abandoná-lo quando notou que ele continuava recrutando apenas homens, repetindo um padrão que a empresa queria evitar.

A seleção às cegas segue o mesmo raciocínio relacionado à AI. Nesse caso, o RH promove a seleção, mas apresenta os finalistas aos decisores sem mostrar critérios passíveis de discriminação. Isso não se configura, porém, em uma garantia de isenção, o que só é possível de se obter se todas as perguntas a seguir forem respondidas de forma positiva:

· Nas etapas anteriores do processo seletivo garantimos que todos foram avaliados de forma objetiva?
· O RH está encaminhando os finalistas com base apenas em critérios justos?
· Os decisores que estão fazendo as entrevistas finais foram treinados para avaliar os candidatos deixando de lado seu viés inconsciente?

Nenhum processo é fácil ou infalível, mas decisões pessoais em processos seletivos certamente dificultam a criação de um ambiente com diversidade. Isso porque sempre que precisamos tomar uma decisão, nossa tendência natural é ir pelo caminho que já conhecemos, repetindo padrões existentes. Por exemplo, se estamos procurando um profissional comunicativo, a tendência é escolher alguém do gênero feminino, e se procuramos alguém que tome decisões frias e duras, a tendência é procurar alguém do gênero masculino. Isso acontece porque aprendemos que os gêneros possuem diferentes competências comportamentais.

Porém, quando analisamos dados e fatos, percebemos que as mulheres e os homens possuem a mesma distribuição estatística de competências dentro da população. Não é verdade que as mulheres são mais comunicativas nem que os homens são mais frios nas tomadas de decisão. Essas competências estão presentes na mesma frequência entre os membros da nossa sociedade.

Para viabilizar a inclusão é vital investir em processos de decisão justos e objetivos, que avaliem competências comportamentais e não apenas as técnicas. E se usarmos os critérios corretos para recrutamento e seleção, a tendência é que, com o passar do tempo, as equipes reflitam a diversidade da população, tornando inclusive desnecessária a criação de cotas de contratação para um ou outro grupo da sociedade.

Claro que também precisamos investir no treinamento de forma geral, para que todos os profissionais sejam tratados com respeito e equidade em um ambiente que possibilite uma inclusão ampla e real, de forma que a questão da aceitação da diversidade não fique restrita ao processo seletivo.

Temos avançado bastante na questão da diversidade e só o fato do assunto estar constantemente em pauta entre profissionais de todos os níveis e áreas já demonstra que existe uma preocupação real relacionada à questão. O que não podemos negar é que ainda há muito que fazer: temos que encarar o problema de frente e pensar na diversidade como um todo. Mas acredito que se formos justos desde o início de um processo seletivo, tratando todos com igualdade, justiça e respeito, certamente estaremos fazendo parte da mudança, agindo a favor da inclusão e trabalhando para que as empresas tenham resultados cada vez melhores em seus negócios.

*Marcelo Souza é CEO do Grupo Soulan e Country Manager da Thomas International Brasil