Fevereiro Roxo: como a tecnologia ajuda em campanhas de prevenção de doenças?
Por Pedro Leonel

Pedro Leonel é Customer Success Manager da Pontaltech.

 

 

 

 

 

 

 

 

Muitas campanhas de saúde são instituídas anualmente a fim de conscientizar a população sobre a importância da realização de exames periódicos para, assim, aumentar as chances de tratamento graças ao diagnóstico precoce. Neste mês do fevereiro roxo – dedicado ao Alzheimer, Fibromialgia e Lúpus – contar com o apoio tecnológico na organização dessas ações é uma estratégia vital para aumentar sua assertividade. Principalmente, levando em consideração o forte risco que essas doenças podem causar no bem-estar físico e emocional daqueles acometidos.

Apesar de serem enfermidades bem diferentes entre si, todas apresentam como característica em comum o fato de serem patologias crônicas – demandando cuidados contínuos uma vez que não possuem cura. Dentre elas, dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que cerca de 100 mil novos casos de alguma forma de demência são diagnosticados por ano, o que eleva a importância de sua descoberta cedo para aumentar a eficácia do tratamento dos sintomas e garantir uma melhor qualidade de vida para o paciente.

Neste cenário, a tecnologia é uma aliada indispensável para garantir a assertividade dessas campanhas, auxiliando desde o entendimento aprofundado sobre o público-alvo, até a manutenção dessa ação a longo prazo. Sua maior premissa deve ser a proatividade, entrando em contato periodicamente com as pessoas para relembrá-las sobre a realização de determinados exames, consultas que devem retornar, assim como alertar sobre os sintomas destas doenças e onde podem procurar a devida ajuda.

Uma grande dica para iniciar o planejamento destas campanhas é firmar parcerias com clínicas, postos e hospitais públicos e privados que costumam tratar estes pacientes. Além de terem um maior controle e conhecimento sobre o tema, sua ampla base de dados dará informações relevantes sobre estes perfis, os processos usuais de tratamento e remédios mais utilizados. Assim, ao entrarem em contato, terão uma maior certeza em conduzir a conversa conforme cada situação e o procedimento recomendado pelos órgãos oficiais.

Porém, ao contrário de outras campanhas ao longo do ano, o fevereiro roxo requer uma maior delicadeza na mensagem transmitida. O apelo deve ser mais sensível e o mais humanizado possível, uma vez que abordará doenças que não apresentam cura. Por isso, é recomendado contar com o apoio de agentes de voz humanoides, que abordem esses pacientes em um tom mais amigável e leve, os orientando da melhor maneira possível conforme cada caso.

Essa inteligência artificial é a segunda base na organização das campanhas de saúde, uma vez que apenas conseguirá atingir seu propósito mediante uma sólida base de dados dos pacientes. Com essas informações, o agente de voz pode ser desenvolvido de forma personalizada e não invasivo conforme cada doença, levando em conta que cada uma apresenta suas próprias demandas e cuidados a serem seguidos. No caso do Alzheimer, como exemplo, essa ferramenta precisa ser programada para oferecer a opção de conversar com o responsável pela aquela pessoa.

A longo prazo, a mesma essência da proatividade precisa ser mantida, principalmente nestas doenças do fevereiro roxo – considerando que estes e muitos outros pacientes podem permanecer com problemas de saúde por muitos anos, e precisarão realizar exames rotineiramente como forma de controle de piora de seu estado. Os agentes de voz devem criar recorrência na comunicação, preferencialmente em uma constância mensal para relembrá-los sobre qualquer exame que precisem fazer.

Todas as campanhas de saúde precisam ser desenvolvidas com a maior participação colaborativa possível, contando com os profissionais da área de saúde responsáveis por lidar com esses pacientes e aqueles dedicados a programar a IA para entrar em contato com as pessoas, carregando as características acima. Com o apoio tecnológico, essas ações conseguirão atingir seu público com forte eficácia e, assim, contribuir para o aumento de diagnósticos precoces que auxiliem no tratamento e na qualidade de vida dessas pessoas.

Inteligência de dados: a inovação que vai impulsionar o mercado
Por Eduardo Valverde

Eduardo Valverde é Diretor de Operações para Novas Tecnologias da Digisystem.

 

 

 

 

 

 

 

A tomada de decisão estratégica baseada em dados tornou-se imprescindível para as companhias em todo o mundo diante da transformação digital. Nunca foi tão importante analisar informações, processos e pessoas, mas esse mercado ainda tem um grande potencial a ser explorado: hoje apenas 5% das empresas usam inteligência de dados, revelou uma pesquisa realizada este ano pela Totvs em parceria com a H2R Pesquisas.

Atualmente, organizações de todos os níveis coletam ou geram informações que podem ser exploradas de forma a gerar diferencial competitivo para o negócio. Contudo, apenas a captação dos dados não é suficiente, também é preciso desenvolver uma estratégia para gerenciamento e análise, a fim de tomar decisões que gerem insights, demonstrem o comportamento de compra dos consumidores, e até mesmo, identifiquem oportunidades de entregar maior eficiência operacional.

Para o mercado de serviços gerenciados e consultoria de TI não é diferente. Diariamente, as companhias utilizam informações baseadas em uma estratégia de dados ofensiva-defensiva, que olha para as diferentes fontes de dados disponíveis, como CRM (Customer Relationship Management), redes sociais e eventos com foco em medir a efetividade das ações e corrigir rotas.

Do outro lado, estão os sistemas de apoio às operações, como ITSM (IT Service Management), ferramentas ágeis, gerenciamento de pipelines de desenvolvimento, e repositórios de código e monitoramento, os quais apoiam a tomada de decisão acerca de dimensionamento de equipe, produtividade, evolução de projetos, planos de ações e novas ofertas de serviços.

Além da TI, todas as demais áreas corporativas também se beneficiam da gestão de informações. O RH, por exemplo, utiliza dados para desenvolver ações de atração, desenvolvimento e retenção de talentos, enquanto o financeiro conta com dados de resultados financeiros de cada contrato, cliente ou linha de serviços para apoiar as decisões da alta direção.

Toda essa imensidão de informações geradas por diferentes sistemas a partir da interação de colaboradores e clientes, no entanto, não tem efetividade se não estiver apoiada por uma estratégia a nível corporativo. É essa inteligência de dados que vai definir tecnologias, processos, pessoas e políticas para nortear o gerenciamento dos ativos, e também como coletar, armazenar, compartilhar e usar esses dados respeitando questões relacionadas com privacidade, segurança e conformidade vigentes e futuras.

Ou seja, a estratégia de dados adequada contribui orientando as empresas sobre como coletar, armazenar e processar dados, sejam eles de mercado ou de sistemas internos corporativos e, assim, garantir o diagnóstico do que aconteceu e porquê, além de realizar uma análise preditiva para tentar antecipar o que ainda pode acontecer. Para as organizações mais evoluídas nesse processo, ainda é possível realizar análises prescritivas aplicadas para atingir resultados predeterminados.

Inovar para competir

Seja qual for o tamanho ou segmento da organização, ter uma estratégia de dados agora é determinante para quem deseja se manter ativamente relevante, atual e inovando. Prova disso é que a consultoria IDC aponta que, até 2025, a adoção de analytics e inteligência de negócios pelas corporações vai superar 50%.

Quando uma organização dá os primeiros passos em relação a estratégia de dados, ela inicia uma jornada de deixar de olhar somente para o retrovisor com informações pregressas, e passa a utilizar os dados, associados com machine learning e inteligência artificial, para prever cenários e obter insights.

Além disso, a estratégia de dados também contribui de forma singular para a tomada de decisão sobre a criação e manutenção de linhas de serviços, potencial de contas, projeção de crescimento e oportunidades de novos negócios. Enquanto que tomar todas essas decisões sem uma base de dados histórica consistente, aumenta as chances de ocorrerem medidas equivocadas e problemas de imagem ou financeiros.

Portanto, não se pode descartar a necessidade latente de que cada organização, mesmo que de forma inicial, estabeleça uma estratégia de dados sob pena de perder competitividade e, o que é pior, perder mercado. Em uma referência ao autor norte-americano Simon Sinek: não estamos falando de campeonato, agora o jogo é infinito e a inteligência de dados é o que vai determinar como iremos nos preparar para cada partida.

A valorização do médico através do cooperativismo
Vitório Moscon Puntel*

Vitório Moscon Puntel é presidente da Unimed Volta Redonda

O cooperativismo tem uma característica única que é o fato de ser criado pelas pessoas e voltado para as pessoas. Cooperar significa somar esforço e trabalho para atingir um mesmo fim. A cooperação é uma prática presente desde os primórdios da humanidade em prol da sobrevivência, seja de uma comunidade, uma civilização, ou, ainda, de uma classe social ou profissional. A cooperativa não é nada mais do que uma associação autônoma de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer aspirações e necessidades econômicas, sociais e culturais comuns. São associações que se baseiam em valores de ajuda mútua, responsabilidade, democracia, igualdade, equidade e solidariedade. Logo a Unimed Volta Redonda não seria possível sem o engajamento dos médicos. O comprometimento de nossos 459 cooperados com os valores acima ressaltados é a força que movimenta e que permite o crescimento da cooperativa e a entrega de serviços de qualidade à população.

Reconhecemos a dedicação de cada um de nossos médicos que também contribuem para que possamos exercer o nosso interesse pela comunidade, um dos princípios do cooperativismo que a Unimed Volta Redonda em seus 33 anos sempre colocou em prática, investindo em uma série de ações que evidenciam nosso cuidado. Durante a pandemia, apoiamos a sociedade de diversas maneiras. Entre elas, parceria público-privada com a Prefeitura da cidade para: custeio dos médicos que trabalharam em uma unidade exclusiva para atendimento a pessoas com sintomas de Covid-19; atendimento online para a população; fornecimento de teste antígeno para a rede municipal de saúde e treinamento para profissionais da rede pública, pelo Instituto Lóbus. Além disso, investimos na capacitação dos médicos para atender a necessidade de tele consultas devido ao isolamento social.
Entre março de 2020 e janeiro de 2022, o Hospital Unimed realizou mais de 55 mil atendimentos por Covid na emergência e mais de duas mil internações, assumindo uma posição de Hospital de referência regional.  Não perdemos de vista o nosso papel social e, recentemente, fechamos parcerias público-privada com o Sistema Único de Saúde (SUS), para a realização de serviços como cirurgias, consultas e transplantes na unidade privada, proporcionando que mais pessoas recebam diagnóstico e tratamento. Entendemos que nós existimos para um propósito maior que é cuidar da saúde e bem-estar das pessoas.
Desde Hipócrates, conhecido como o pai da medicina, as práticas médicas vêm sendo aperfeiçoadas ao longo do tempo. Mas o que não muda é o juramento do médico de fazer o melhor pelo paciente. A valorização do médico sempre foi um compromisso da gestão da Unimed, entendendo que quanto mais se valoriza o médico, mais condições de trabalho e renda são geradas. Reconhecer e valorizar o papel do médico se tornou ainda mais necessário, após o intenso trabalho que desempenharam nos últimos dois anos. Por isso a Unimed Volta Redonda tem o orgulho de há mais de três décadas ter plantado as sementes do cooperativismo médico, que hoje está enraizado no Sul Fluminense, dando o devido destaque à profissão.

As patentes farmacêuticas, o acesso à saúde e a ordem econômica
Por Paula de Moraes Couto

 

Paula de Moraes Couto é advogada do escritório Matos & Associados Advogados

 

Por mais de 40 anos, em nosso país, as criações do setor farmacêutico não eram patenteáveis. No caso do Brasil, a década de 1990 e a primeira metade dos anos 2000 constituíram um período importante de mudanças significativas na configuração de mercado da indústria farmacêutica. Isso porque, em decorrência da introdução dos medicamentos genéricos, com amparo na Lei nº 9.787/99, a indústria nacional foi se fortalecendo e se tornou mais competitiva.

A tensão existente entre questões de saúde pública e direitos de Propriedade Industrial na área farmacêutica não é recente, posto que há grande controvérsia entre o acesso à saúde e a proteção às patentes na seara farmacêutica. Se, por um lado, busca-se incentivar a indústria farmacêutica a fomentar o progresso de invenções através do sistema de patentes, por outro, devem existir mecanismos de limitação e correção dos direitos patentários quando o acesso à saúde se vê ameaçado.

Deve ser destacado que o tempo e o custo do processo de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de um novo medicamento são extremamente elevados para a indústria farmacêutica. Para se ter uma ideia, estima-se que o tempo médio para o desenvolvimento de um novo fármaco leva, aproximadamente, de 9 a 12 anos. Dessa maneira, é totalmente coerente que o titular da patente de um medicamento possa comercializá-lo com exclusividade, durante certo tempo, sem que outros laboratórios que em nada contribuíram com os investimentos altíssimos em P&D, possam competir com aquele. Para ilustrar a importância da indústria farmacêutica no âmbito de P&D, há dados que afirmam que elas são as que mais investem nesse setor. Com todo esse investimento, viu-se o desenvolvimento de tratamentos paliativos para inúmeras doenças ao redor do mundo e, como consectário lógico, uma melhora na qualidade de vida de grande parte da população mundial.

Por outro lado, a indústria fabricante de medicamentos genéricos, que compreende majoritariamente a indústria nacional,  por vezes, não possui interesse no deferimento de alguns pedidos de patentes farmacêuticas que são concedidas às  sociedades empresárias de medicamentos de referência. O que se verifica entre elas é que possuem interesses distintos, pois as primeiras se apoiam no investimento de P&D de tecnologias já desenvolvidas para explorá-las o quanto antes, limitando-se às invenções criadas anteriormente.

Fato é que a finalidade do sistema patentário não é apenas “recompensar” o inventor, mas, também, impulsionar o desenvolvimento tecnológico e econômico. Tendo em vista os benefícios trazidos para a população e para a saúde, faz-se necessário que os subsídios em P&D de novos fármacos se perpetuem ao longo do tempo, apesar da incerteza inerente ao desenvolvimento de um novo medicamento.