Governo decide manter horário de verão

O Ministério de Minas e Energia informou nesta segunda-feira que está mantido o horário de verão previsto para iniciar no próximo mês.

As discussões sobre a suspensão do horário especial, programado para o período do ano com maior incidência de luz, devem ser retomadas em 2018, com a possibilidade de realização de pesquisa prévia para avaliar a aceitação da medida. Tal decisão, no entanto, ficará a cargo do Palácio do Planalto, segundo informou o Ministério.

A mudança vem sendo considerada no setor desde o instante em que houve o deslocamento do horário do dia em que se registra maior consumo de energia elétrica no país. O pico de consumo deixou de ser registrado no fim do dia e passou para o meio da tarde, por conta do uso intenso de aparelhos de ar condicionado.

Tecnologia multiplica ‘nômades digitais’

luciana
Usando a internet do celular, Luciana consegue trabalhar da areia | Acervo Pessoal

A paulistana Luciana Zago vai colocar em prática um plano antigo de viver algum tempo na praia. Vai alugar um quarto na casa que alguns amigos dividem em Baleia, no litoral norte do Estado. Não é um sabático, pelo contrário.

Ela acaba de ser promovida a gerente de pesquisa clínica em uma multinacional que presta serviços para a indústria farmacêutica.

A questão é que, além de flexível, sua jornada de trabalho não tem base definida. Ela atua na fase inicial das pesquisas, coordenando equipes em diferentes países por meio de teleconferências e reunindo em uma plataforma digital todos os documentos para começar um novo projeto.

Para fazer isso, ela precisa basicamente de uma boa conexão de internet.

“A não ser que eu tenha que assinar algum documento, não precisaria nem de impressora”, ela brinca. Mesmo antes da promoção, com a obrigação de aparecer no escritório alguns dias na semana, Zago com frequência dava um jeito de ir além do home office. Já trabalhou com a Chapada dos Veadeiros (GO) ao fundo, de Natal (RN), de Miami. No fim do ano sua base será Boipeba, na Bahia.

Ela é o que o mercado de trabalho tem chamado de “nômade digital”, um grupo heterogêneo que, com a ajuda da banda larga, da computação na nuvem e dos aplicativos de comunicação, faz os lugares mais improváveis de escritório.

Com baixo custo de vida e boa infraestrutura, cidades como Chiang Mai, na Tailândia, Ubud, na Indonésia, e Odessa, na Ucrânia, reúnem hoje verdadeiras comunidades de freelancers e empreendedores digitais estrangeiros que não querem abrir mão de conhecer o mundo enquanto trabalham.

Sete anos e dezenas de países

Também paulistano, Eduardo Borges, de 33 anos, já fez de tudo. Desde atividades mais “convencionais”, desenvolvendo websites e a prestando serviços de marketing digital e de consultoria em SEO (search engine optimization) a modalidades mais inventivas.

Já ganhou dinheiro com “drop shipping” – ele comprava mercadorias no eBay e as revendia no Mercado Livre -, com a terceirização de pesquisas de mercado – projetos de US$ 1.000 que ele subcontratava por US$ 300 – e com a “investigação” de empresas – a produção de relatórios sobre firmas brasileiras para companhias americanas interessadas em fazer negócios com elas.

Desde 2010, ele viaja com 15 quilos de bagagem e um portarretrato dos dois cachorros. Já teve cerca de dez “bases” pelo mundo, nas quais ficou por um período mais longo, de até um ano. Entre elas estão Odessa, na Ucrânia, Budapeste, na Hungria, Medellín, na Colômbia, e Florianópolis, a capital catarinense.

No momento ele está em São Paulo, onde ficará por dois meses para finalizar o curso de marketing digital que está montando e o blog que leva seu nome. A ideia é divulgar o “lifestyle nômade” entre os brasileiros.

“Meu sonho é propagar essa cultura entre nossa comunidade local, hoje bastante impactada pela dificuldade com o inglês. A língua é um dos maiores impeditivos para que os brasileiros abandonem os empregos e se joguem pelo mundo. Não só pelo problema da comunicação local, mas também pelo fato de só conseguirem ganhar em real, que é uma moeda fraca quando convertida.”

O dinheiro não tira férias

Um dos primeiros registros do termo “nômade digital” aparece no livro Digital Nomad, de Tsugio Makimoto e David Manners, lançado em 1997. Makimoto, que fez carreira em empresas de tecnologia japonesas como Sony e Hitachi, chamava atenção, 20 anos atrás, para o número crescente de profissionais de sua área que, graças ao desenvolvimento da tecnologia digital, não tinham uma base de trabalho fixa.

O livro mais popular entre os nômades e aspirantes, entretanto, foi publicado dez anos depois, em 2007. No best-seller de autoajuda The 4-Hour Work Week (Trabalhe 4 Horas Por Semana, editora Planeta), que vendeu mais de um milhão de cópias, o americano Tim Ferriss ensina a usar o empreendedorismo digital para escapar do trabalho convencional, que ele chama de “rotina de 9h às 17h”, e para viver “em qualquer lugar” ganhando dinheiro.

Longe de ser regra, a “semana de quatro horas” é o que Ferriss chama de períodos de “miniaposentadorias”, dos quais se pode desfrutar quando um negócio finalmente passa a gerar renda de forma passiva. É o caso, por exemplo, dos aplicativos, que são rentabilizados por download.

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Ministério do Turismo começa a regularizar cadastro da rede hoteleira do país

Dos mais de 31 mil estabelecimentos de hospedagem em funcionamento no Brasil, mais de 70%, ou 23,2 mil, estão em situação irregular, segundo levantamento do Ministério do Turismo. De acordo com a pasta, apenas pouco mais de 8 mil (26%) hotéis, pousadas e resorts do país estão registrados no Cadastur, requisito obrigatório para atuar no setor.

Para mudar este cenário, o ministério iniciou esta semana uma campanha para incentivar empresários do setor a regularizar seus empreendimentos. “O turismo é um segmento fundamental da economia nacional, responsável pela geração de empregos e renda para a população brasileira, mas precisamos avançar em busca da profissionalização de nossos serviços e para isso é preciso sair da ilegalidade. Só assim conseguiremos dar ao turismo o destaque que ele merece”, disse o ministro do Turismo, Marx Beltrão, em nota divulgada pela pasta.

Inicialmente, segundo o ministério, a fiscalização ocorrerá de forma educativa, com alertas aos empresários sobre a importância do cadastramento. Mesmo assim, os estabelecimentos flagrados em situação irregular poderão ser autuados. As multas podem variar de R$1.186 até R$ 854 mil.

“Além dos mutirões presenciais, o Ministério do Turismo se prepara para iniciar o trabalho de fiscalização online, por meio da criação de um perfil de fiscalização nas redes sociais”, informou a assessoria de imprensa do Ministério do Turismo

Registro

O Cadastur é o sistema de cadastro de pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor de turismo. Ele é obrigatório não só para os meios de hospedagem, mas também para agências de turismo, transportadoras turísticas, organizadoras de eventos, guias de turismo, acampamentos turísticos e parques temáticos.

De acordo com o ministério, o sistema garante vantagens e oportunidades de negócios aos cadastrados e também é uma importante fonte de consulta para o turista. O programa é executado pelo Ministério do Turismo em parceria com os órgãos oficiais de turismo dos 26 estados e do Distrito Federal.

O cadastramento pode ser feito no site do Cadastur. O turista também pode acessar a página para verificar a situação do estabelecimento em que deseja se hospedar.

Acesso ao saneamento básico ainda é problema no Brasil

No Brasil, 45% da população ainda não têm acesso a serviço adequado de esgoto. O dado consta no Atlas Esgotos: Despoluição de Bacias Hidrográficas divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Ministério das Cidades.

O estudo traz informações sobre os serviços de esgotamento sanitário no país, com foco na proteção dos recursos hídricos, no uso sustentável para diluição de efluentes e na melhor estratégia para universalização desses serviços.

O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) considera como atendimento adequado de esgoto sanitário o uso de fossa séptica ou rede de coleta e tratamento de esgoto. Dentro desse critério, 55% dos brasileiros dispõem do serviço adequado.

A publicação aponta que 43% são atendidos por sistema coletivo (rede coletora e estação de tratamento de esgotos); 12%, por fossa séptica (solução individual); 18% têm o esgoto coletado, mas não é tratado; e 27% não têm qualquer atendimento.

Foram realizadas avaliações em cada um dos 5.570 municípios do país, sempre considerando as diversidades regionais e a abordagem por bacia hidrográfica. No estudo, são consideradas exclusivamente as residências urbanas e não foi avaliada a prestação do serviço na área rural.

O documento divide o país em 12 regiões hidrográficas: Amazônica, Tocantins-Araguaia, Atlântico Nordeste Ocidental, Parnaíba, Atlântico Nordeste Oriental, São Francisco, Atlântico Leste, Atlântico Sudeste, Atlântico Sul, Uruguai, Paraná e Paraguai.

Investimentos

De acordo com o Atlas Esgotos, a universalização do esgotamento sanitário na área urbana do país necessitaria de R$ 150 bilhões em investimento, tendo como horizonte o ano de 2035. Cerca de 50% dos municípios, que precisam de serviço de tratamento convencional de esgoto, demandam 28% do valor estimado. Já 70 dos 100 municípios mais populosos requerem solução complementar ou conjunta e concentram 25% do total de investimento.

Os custos com coleta e com tratamento variam conforme a região, sendo maiores no Norte e menores no Sudeste. Para o Brasil como um todo, os gastos com coleta representam 2,7 vezes mais do que os previstos em tratamento.

Entretanto, segundo a ANA e o ministério, apenas o aporte financeiro não é suficiente para a universalização, sem capacidade adequada de administração do serviço. No país, existem vários exemplos de sistemas de coleta e tratamento de esgoto que foram abandonados ou sequer entraram em operação devido a problemas associados a gestão.

Na maioria dos municípios (4.288) o serviço é prestado pela própria prefeitura ou há um prestador que precisa aprimorar a capacidade de gestão. Entretanto, parte significativa da população urbana (87 milhões de habitantes), projetada para 2035, está nos municípios cujo prestador de serviço tem situação institucional consolidada.

Segundo o Atlas Esgotos, os serviços de esgotamento sanitário podem ser prestados de forma indireta, quando delegados para autarquia municipal, companhia estadual ou concessionária privada; ou de forma direta, sem prestador de serviço, sendo realizado pelas próprias prefeituras.

O estudo ressalta que, mesmo com as duas possibilidade de organização, há municípios sem coleta e tratamento de esgoto.

Nesse contexto, 2.981 municípios têm delegado os serviços de saneamento (forma indireta), sendo que cerca de 50% deles têm coleta e tratamento de esgotos, alcançando pelo menos 10% dos habitantes. Por outro lado, 2.589 municípios não têm prestador de serviço, e apenas 5% desse grupo oferecem tratamento coletivo de esgoto.

A forma indireta de gestão é adotada pelas cidades maiores que delegam, na maior parte das vezes, o serviço para companhias estaduais. Nos municípios de pequeno porte, o serviço fica a cargo das prefeituras. Ao observar as regiões, na porção leste do país (Nordeste, Sudeste e Sul), é possível identificar que a maioria dos municípios tem serviço de esgotamento sanitário delegado, enquanto mais a oeste (Norte e Centro-Oeste) predominam aqueles cuja responsabilidade pela prestação do serviço recai sobre as prefeituras.