Setor aéreo teve retração de 6,9% em 2016

Após 13 anos consecutivos de crescimento, houve uma retração de 6,9% no número de passageiros pagos do setor aéreo brasileiro no ano passado. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), foram transportados um total de 109,6 milhões de passageiros pagos, sendo 88,7 milhões em voos domésticos e 20,9 milhões em voos internacionais. Em outra mudança, a Gol assumiu a liderança do indicador de passageiros por quilômetros pagos transportados, após nove anos de domínio da Latam.

A Anac apresentou hoje (30), os resultados do setor aéreo em 2016, com a publicação do Anuário do Transporte Aéreo 2016, que compila as principais informações do mercado. “Nos últimos dois anos, o transporte aéreo desenvolveu-se em um cenário de recessão econômica no Brasil, o que afetou diretamente o desempenho do setor”, informou a agência.

A quantidade de voos domésticos e internacionais caiu 11,4% e 7,9%, respectivamente. No geral, a quantidade de voos em 2016 foi 10,9% menor em relação a 2015, tendo sido registrados 964 mil voos. O número ficou abaixo de 1 milhão pela primeira vez desde 2010, segundo a Anac.

Tarifa aérea média

A tarifa aérea média doméstica praticada no ano ficou em R$ 349,14. Já o valor médio do quilômetro voado por passageiro registrou redução real de 4,1%, na comparação com 2015, alcançando valor de R$ 0,308, quando computados os dados de todas as linhas aéreas domésticas do país em 2016. Nos últimos dez anos, este indicador caiu quase à metade para as 52 linhas aéreas domésticas monitoradas desde o início da série histórica.

Segundo a Anac, neste cenário, a cada 100 assentos comercializados em voos domésticos, praticamente oito foram vendidos com tarifas aéreas inferiores a R$ 100, tendo a maioria (53,5%) sido comercializada com valores abaixo de R$ 300.

O Espírito Santo registrou a menor tarifa aérea média doméstica em 2016, com R$ 277,04. Já as viagens com origem ou destino na Paraíba apresentaram o menor valor por quilômetro voado, R$ 0,231.

Empresas aéreas

A Gol assumiu a liderança do mercado doméstico em termos de demanda de passageiros por quilômetros pagos transportados, com 36,0% de participação em 2016, seguida pela Latam, líder nos nove anos anteriores, com 34,7%. Azul e Avianca obtiveram 17,1% e 11,5%, respectivamente. A Latam teve sua participação no mercado doméstico reduzida em 5,3% com relação ao ano de 2015, enquanto Gol, Azul e Avianca registraram crescimento de 0,2%, 0,5% e 21,4%, respectivamente.

Ao final de 2016, a frota total das empresas aéreas era de 498 aviões, o que representou uma queda de 11,2%, em relação ao número apresentado em dezembro de 2015.

Já a quantidade total de empregados das empresas aéreas brasileiras foi reduzida em 6,6% em 2016, em relação ao ano anterior. No entanto, o número de empregados por aeronave das empresas aéreas nacionais registrou aumento de 5,2%, tendo passado de 104,3 em 2015 para 109,8 em 2016. Segundo a Anac, esse indicador é utilizado para avaliar a eficiência operacional de uma empresa aérea.

O estudo da Anac traz ainda dados sobre atrasos e cancelamentos, mercado internacional e distribuição de voos. O Anuário do Transporte Aéreo de 2016 está disponível na seção Dados e Estatísticas do portal da Anac na internet. As informações também podem ser conferidas no Painel de Indicadores do Transporte Aéreo, que reúne, de forma ilustrativa, os principais indicadores do setor.

Rio ganha primeiro centro de treinamento em cirurgia robótica do país

UnitedHealth Group Brasil investiu R$ 32 milhões no Centro de Treinamento Edson Bueno

Foi inaugurado nesta sexta-feira (30), na Barra da Tijuca, o Centro de Treinamento Edson Bueno. Resultado de um investimento do UnitedHealth Group Brasil de R$ 32 milhões, dos quais R$ 7 milhões foram destinados à aquisição dos mais modernos equipamentos de audiovisual, o centro vai abrigar a unidade do IRCAD Rio (Instituto de Treinamento em Técnicas Minimamente Invasivas e Cirurgia Robótica), entidade francesa referência mundial no aprimoramento de médicos.

O diretor técnico do UnitedHealth Group Brasil, Charles Souleyman, destacou que somente investir em tecnologia não é suficiente se não houver o treinamento adequado para incorporá-la no hospital. Por isso, pontuou Charles, o IRCAD Rio, é um marco, pois vai permitir oferecer o treinamento necessário para realização de cirurgias robóticas. “Antes, os médicos brasileiros precisavam sair do país para buscar cursos de cirurgia robótica. Agora, será o contrário. O Rio se tornará polo de referência na América Latina e atraíra médicos de outros países”.

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Souleyman, Melani e Marescaux apresentaram o IRCAD Rio

Além disso, Souleyman observou que a abertura do IRCAD no Rio é mais uma prova de que a saúde privada ganha uma nova roupagem e que está quebrando paradigmas. “Hoje não há razão para que alguém saia do Rio em busca desse tipo de atendimento médico em São Paulo. Muito pelo contrário, vamos acabar invertendo esse cenário, pois os profissionais virão se capacitar no Rio”.

Na apresentação do Centro, Souleyman revelou também que o espaço vai abrigar o Instituto Edson Bueno, voltado para pesquisa e educação em medicina, com o intuito de estabelecer parcerias não apenas com a rede privada, mas inclusive com a pública.

Com a chegada à capital fluminense, o IRCAD – fundado em 1994, em Estrasburgo (França) – passa a contar com dois centros de qualificação no Brasil. O primeiro funciona em parceria com o Hospital do Câncer de Barretos, no interior paulista, com foco em oncologia. A entidade conta ainda com outra unidade, o Instituto Asiático de Telecirurgia, em Taiwan. No Brasil, o IRCAD Rio será o primeiro polo oficial de capacitação da Intuitive, fabricante do Da Vinci, robô utilizado em cirurgias. A intenção é consolidar centro como referência no aprimoramento e no desenvolvimento tecnológico em saúde na América Latina.

O instituto terá capacidade para treinar 2 mil médicos por ano e cerca de 38 cursos, nas áreas de cirurgias geral, bariátrica, colorretal e ginecológica; procedimentos de cabeça e pescoço; ortopedia, radiologia e neurorradiologia intervencionista. A unidade carioca terá duas frentes de atuação: educação continuada para técnicas minimamente invasivas e inovações aplicadas na área de pesquisa. O espaço terá, por exemplo, um auditório que oferece recursos para que os médicos acompanhem as cirurgias em 3D.

O médico francês fundador do IRCAD, Jacques Marescaux, reforçou que o Centro traz a qualidade dos mesmos cursos ministrados na unidade do Instituto na França. “O conteúdo que será oferecido nos cursos aqui no Brasil é o mesmo lecionado na sede, bem como alguns dos professores também serão os mesmos”, afirmou.

Já o diretor científico do IRCARD para América Latina, Armando Melani, ressaltou que um dos grandes diferenciais do Instituto é que a tecnologia permitirá aos médicos simularem cirurgias com o máximo grau de realidade, com equipamentos semelhantes aos dos melhores hospitais. “Atualmente, o treinamento dos médicos é realizado na prática, sem a oportunidade de fazer uma simulação como um piloto de avião que treina por centenas de horas antes de voar. O IRCARD vai preencher essa lacuna ofertando o treinamento necessário para que o médico tenha
conhecimento técnico e prático”.

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Bueno sempre investiu no setor saúde

Melani observou, ainda, que o equipamento robótico está revolucionando a forma de fazer cirurgia, pois possibilita, entre outras coisas, que o médico alcance regiões que não conseguiria nem enxergar sem a tecnologia. “Esse grau de precisão aumenta a segurança do procedimento”, relata.


Homenagem póstuma

O nome do centro é uma homenagem póstuma ao fundador da Amil, que faleceu em fevereiro deste ano. Apesar de ter nascido no interior de São Paulo, foi no Rio de Janeiro que Edson cursou Medicina e se tornou um dos principais empresários do setor saúde.

 

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Equipamentos vão permitir simular nos cursos cirurgias com alto grau de realismo

 

Serviço:

IRCAD Rio
Av. Jorge Curi, 550 – Bloco E
Barra da Tijuca – Rio de Janeiro/RJ

Homenagem póstuma

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Edson Bueno sempre investiu no setor saúde

No dia 30 de junho, o médico e empresário Edson de Godoy Bueno receberá homenagem póstuma. Ele dará nome ao Centro de Treinamento que o UnitedHealth Group Brasil vai inaugurar na Barra da Tijuca. O espaço vai oferecer cursos para médicos sobre técnicas minimamente invasivas e cirurgia robótica. Apesar de ter nascido no interior de São Paulo, foi no Rio onde Edson cursou medicina e se tornou um dos principais empresários do setor ao fundar a Amil.

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Instituto vai capacitar médicos em cirurgias robóticas

Câmara discute mudanças em legislação que regula planos de saúde

Uma comissão especial da Câmara dos Deputados está revendo em regime de urgência a Lei dos Planos de Saúde e vai propor mudanças na legislação de 1998, a partir da junção de 140 projetos que tramitam no Legislativo.

Na terça-feira (27), 15 entidades ligadas à defesa do consumidor emitiram nota em que denunciam que uma das mudanças pretendidas é a proibição do CDC (Código de Defesa do Consumidor) e a inclusão de pontos que beneficiam diretamente as empresas de planos de saúde.

Entre eles estão a autorização de venda dos “planos populares”, que apresentam restrições de cobertura, transformar em “máximo” o rol mínimo de itens de cobertura obrigatória pelos planos, liberar o reajuste de planos individuais, acabar com o ressarcimento ao SUS toda vez que um cliente de plano é atendido no SUS.

“O momento não é adequado para mudar a toque de caixa uma lei que afeta a saúde e a vida de 47,6 milhões de consumidores de planos de assistência médico-hospitalar individuais, familiares e coletivos”, diz a nota.

A nota alerta ainda sobre a proximidade dos planos de saúde com parlamentares. “Os planos investiram oficialmente, conforme registro no TSE, R$ 54,9 milhões nas eleições de 2014, o que contribuiu para eleger 29 deputados federais e 3 senadores.”

 

Na mesma audiência pública, José Cechin, diretor-executivo da FenaSaúde (Federação Nacional de Planos de Saúde), informou que, de 2007 a 2016, o reajuste de preços feitos pelos planos foi de 115,4%, diante da inflação de 74,7% (IPCA), mas reforçou que a despesa assistencial per capita paga pelas operadoras aumentou 158,7%.

Disse ainda que entre as medidas que poderiam conter o aumento de custos está a criação de uma rede hierarquizada com direcionamento, com um médico de família coordenando os cuidados.

Cechin também sugeriu a coparticipação do usuário nas consultas, a possibilidade de planos regionalizados, a obrigatoriedade de segunda opinião médica em casos de maior complexidade e a exclusão de cobertura de tratamentos não-contratados ou de caráter experimental.