Feira especializada em produtos orgânicos e naturais terá estande de bioinsumos da Embrapa e empresas parceiras
Promip vai apresentar o BaculoMip-SF, desenvolvido em parceria com a Embrapa para controle da lagarta-do-cartucho

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) será uma das expositoras da Bio Brazil Fair I Biofach América Latina 2024, que ocorre de 12 a 15 de junho, em São Paulo (SP), e é considerada uma das maiores feiras de produtos orgânicos, naturais e saudáveis da América Latina. No estande da Embrapa serão apresentados produtos, tecnologias e serviços desenvolvidos por seus centros de pesquisa na área de bioinsumos, e também em parceria com empresas do setor.

Entre esses produtos está o BaculoMip-SF, desenvolvido em parceria com a Promip, indicado para o controle biológico da lagarta-do-cartucho.  “Trata-se de um inseticida microbiológico composto pelo vírus entomopatogênico Baculovirus spodoptera multiple nucleopolyhedrovirus (SfMNPV), e que é altamente eficaz no controle exclusivo da lagarta-do-cartucho. Por ser natural, não deixa resíduos na cultura, não causa danos ao meio ambiente e ao aplicador e ainda contribui para a redução da aplicação de defensivos químicos, além de ter seu uso aprovado para a agricultura orgânica”, explica Marcelo Poletti, CEO da Promip.

Referência na área de bioinsumos, a Embrapa Agrobiologia também levará para a feira as plantas inoculadas com microrganismos mantidos no Centro de Recursos Biológicos Johanna Döbereiner, em Seropédica (RJ). A coleção tem mais de sete mil microrganismos, entre bactérias e fungos, coletados pelos pesquisadores na natureza, em diferentes regiões do País, e com potencial para serem utilizados como insumos biológicos na agricultura brasileira.

SERVIÇO – Bio Brazil Fair | Biofach América Latina e Naturaltech 2024

Dias: 12 a 15 de junho de 2024

Horários: Dias 12 e 13, das 10h às 13h, exclusivo para profissionais B2B e B2P. Público em geral nestes dias somente a partir das 13h.

Dias 14 e 15, das 10h às 20h, para todos os públicos.

Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi – Avenida Olavo Fontoura, 1209, São Paulo (SP).

PIB cresce 0,8% no primeiro trimestre puxado pelo comércio, serviços e agronegócios

O IBGE lançou os dados do comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) que cresceu 0,8% nesse primeiro trimestre de 2024. Esse resultado está dentro do esperado por vários economistas e pelo próprio mercado financeiro, que aguardavam uma projeção de crescimento entre 0,5% e 1%. Segundo análise da economista Patrícia Andrade, professora do curso de Administração da ESPM, com base na comparação entre o último trimestre de 2023 e o primeiro de 2024, o setor de serviços foi um dos que mais se destacou, com crescimento de 1,4% a mais em relação ao período anterior. “O setor do comércio também dá sinais de melhora, com aumento de 3%, o que indica um aumento do consumo e uma dinamização da economia”.

Mas, o grande impacto no PIB veio do agronegócio que teve uma alta de 11,3%. Para Andrade, esse dado expressivo contempla  duas ressalvas: em 2023, o segmento do agronegócio cresceu 15%, no entanto, do ano passado para cá, houve uma queda no setor.

Já Luciana Florêncio, professora de comportamento do consumidor da ESPM e especialista em estratégias no agronegócio, destaca que o bom resultado do PIB está no desempenho da balança comercial do agro brasileiro nesse primeiro trimestre. “Ao avaliarmos e compararmos os resultados do trimestre com igual período do ano anterior, há uma alta considerável em torno de R$ 37 bilhões, puxada pelas principais commodities: algodão, açúcar e café”.

A especialista ressalta que no mês de abril, em especial, houve um recorde histórico com as exportações. “Foi a maior receita cambial da história, registrada no mês, com a movimentação de US$ 953 milhões em receitas, por meio dos embarques de café verde. Com isso, o mercado brasileiro conseguiu um crescimento de 53% em volume, e 52% em valor”, diz Florêncio, prosseguindo: “o mês de março também fechou com recorde, mesmo com as exportações das commodities tendo oscilações com a carne e a soja. No entanto, ao longo do tempo, elas mantêm um ritmo e engordam a balança comercial. Tudo isso, em razão de que o mundo está  consumindo mais”.

Andrade pontua que a indústria de transformação se levantou no período com um crescimento positivo, o que é um bom indicador. “Percebemos que a indústria (que teve queda de 0,1%) ainda é o setor com mais dificuldades para se recuperar na economia brasileira, e essa problemática vem de décadas. Desde os anos 1980, com o processo de desenho nacional de industrialização, a área não retomou o caminho de crescimento – um dos fatores mais importantes para uma economia saudável, em seus principais setores”, conclui.

Tempos modernos: varejo se conecta à geração Z por meio de conceitos como sustentabilidade, saudabilidade e inovação
*Por Francisco Bakaus

Francisco Bakaus, Gerente Nacional de Vendas da Produtos Paraná.

O varejo é um dos segmentos do mercado que mais se atualiza com foco no público consumidor, afinal, é um modelo de venda que tem como característica justamente o contato com o cliente final. E como percepções sobre o mundo e desejos individuais de grande parte da sociedade estão sempre em mudança, nada faz mais sentido para o varejo do que acompanhar tais movimentos e antecipar os anseios dos consumidores, especialmente os mais jovens.

A sustentabilidade, por exemplo, é um tema cada vez mais em evidência nas sociedades do mundo todo e, por consequência, no mundo empresarial. De acordo com uma pesquisa recente da Cone Communications, quase 30% das pessoas nascidas entre 1995 e 2010 demonstram preocupação em temas como meio ambiente, pobreza e igualdade, o que reflete evidentemente na forma como elas consomem no varejo. A geração Z, nome dado a quem faz parte dessa faixa etária, prefere comprar de marcas sustentáveis (62%) e estão dispostas a pagar mais por produtos eco-friendly (73%), como mostra um estudo conduzido pela empresa First Insight.

Nesse tema, o varejo tem avançado na implementação de estratégias que objetivam a diminuição de emissão de combustíveis fósseis na operação, na venda de produtos ambientalmente mais responsáveis, bem como na utilização de matérias-primas mais ecológicas, quando aplicável. Além disso, muitas companhias do setor entenderam ao longo dos anos que a criação de políticas voltada à sustentabilidade também beneficiam — além do meio ambiente e a sociedade — a própria companhia, que consegue se reposicionar de acordo com os anseios de consumo do público.

O aumento da preocupação do varejo com a sustentabilidade também se conecta ao conceito de saudabilidade, outra ideia também utilizada frequentemente pela geração Z para definir hábitos saudáveis. Em termos práticos, isso significa que há um foco maior dos jovens na forma como eles se alimentam, a procedência de cada produto, bem como a promoção da qualidade de vida como um todo. O varejo, por causa disso, também vem implementando estratégias para atender a diversas demandas de um público cada vez mais analítico do que consome e pratica cotidianamente. O âmbito farmacêutico, por exemplo, já direciona esforços para apresentar produtos com foco na prevenção, não apenas no tratamento de doenças, como sempre fez. O mesmo pode ser visto no varejo de alimentos, com a disponibilização de produtos e serviços cada vez mais voltados à saúde e à qualidade de vida.

Todos esses elementos certamente não teriam crescido tanto nos últimos anos sem a disseminação da tecnologia observada nas últimas décadas. E a geração Z, nativamente digital, é o principal público mergulhado nesse mundo hiperconectado e com grande troca de informações a cada segundo. A partir dessa realidade, o varejo investe sequencialmente em inovações tecnológicas para atender a todas essas demandas. Ou seja, se há um grupo tão relevante de pessoas em busca de mais informações sobre o que consomem, almejando comprar com poucos cliques e de modo seguro, é natural que o varejo atue para oferecer tudo isso rapidamente. Expansão de marketplaces, uso de Inteligência Artificial nos negócios e implementação de Internet das Coisas, por exemplo, são apenas alguns dos recursos aplicados pelo varejo para captar cada vez mais a geração Z e conseguir fidelizá-la.

O Varejo Ampliado (segmento que considera a venda de bens de consumo, incluindo veículos e materiais de construção) teve 26,4% de impacto no PIB nacional em 2023, com crescimento nominal de 8,4% em relação a 2022, mostram dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo. Ou seja, o varejo é uma fatia do PIB nacional que tem uma representação fundamental. Desse modo, é crucial que companhias dos mais distintos setores varejistas elaborem estratégias que consigam atender às demandas da geração Z, fatia da população com grande participação na economia e que prega constantemente mudanças relacionadas ao consumo. Negar essa realidade significa não entender o que significa o próprio varejo: capacidade de adaptação.

Indústria de alimentos: resiliência e inovação para sustentar as populações
Primeiro dia do V International FoodTech Forum, em Campinas (SP), debate a necessidade de inovar para produzir alimentos com sustentabilidade

A indústria de alimentos tem como compromisso sustentar uma população mundial que deve chegar a 10 bilhões de pessoas em 2050, segundo estimativa da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). Simultaneamente a este desafio, o sistema agroalimentar global busca reduzir em quase um terço as emissões de gases de efeito estufa por meio de ações que garantam abastecimentos mais seguros e tornem os processos de produção resistentes às mudanças climáticas. Com o propósito de discutir as transformações dos ecossistemas alimentares, o V International FoodTech Forum reuniu no primeiro dia do evento (05/06), no Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital Campinas), lideranças mundiais em palestras e painéis em torno do tema central “A indústria de alimentos resiliente, colaborativa e inclusiva”. O fórum estende sua programação até quinta-feira (06/06), agregando o IV FoodTech Expo.

O V International FoodTech Forum, que se consolida como o mais importante evento de FoodTechs da América Latina, tem como eixos sustentabilidade, meio ambiente, inovação, operação Supply Chain, design de alimentos, qualidade e segurança alimentar, pesquisa e desenvolvimento, novos negócios, pesquisa e ciência, tecnologia e estratégia. Além de reunir representantes da indústria de alimentos e bebidas, governos, agências de fomento, fornecedores de ingredientes e equipamentos, empresas de food service, de embalagem, a programação agrega universidades e instituições de pesquisa.

“O fórum é um ponto de encontro para discussões de alto nível sobre a produção global de alimentos, considerando-se todos os aspectos desta complexa cadeia e os desafios diante das mudanças climáticas”, afirma Paulo Silveira, fundador e CEO do FoodTech Hub Latam, organizador do evento. Não por acaso, esta edição escolhe como tema central “A indústria de alimentos resiliente, colaborativa e inclusiva”. “A resiliência pode ser entendida como uma capacidade que permite lidar com as adversidades, absorver choques e promover adaptações à medida que rupturas e crises se interpõem às realizações”, destaca.

Durante a manhã, foram realizados dois debates: “CEO Resiliente” e “Inovação Resiliente e Colaborativa”.

À tarde, nutrição e inteligência artificial conduziram o debate “NutriTech”. As cadeias sustentáveis e inclusivas, mais especificamente voltadas à produção de cacau, foram abordadas a partir da visão de pesquisadores e do posicionamento de indústrias processadoras de cacau e outras organizações. O último debate, “Fermentação de precisão”, envolveu sistemas produtivos e nutrição.

A vez das startups

O IV FoodTech Expo reúne as startups mais disruptivas do Brasil e da América Latina e as mais importantes agri-food techs sul-americanas. Com mentores globais, a exposição também proporciona acesso a investidores.

As startups expositoras do FoodTech EXPO vão participar da seleção do Foodtech Global Challenge. Com escolha do público, as cinco mais votadas serão selecionadas para o pitch final do evento, no dia 06/06, com um corpo de jurados definindo a vencedora.

O International FoodTech Forum e o FoodTech Expo são eventos carbono zero. Tudo o que é gerado na realização da programação será compensado em créditos de carbono na parceria do FoodTech Hub Latam com a Ambipar. “Somos o primeiro evento de FoodTechs da América Latina com esse viés de sustentabilidade, um dos pilares do ecossistema FoodTech Hub Latam”, ressalta Paulo Silveira.