Para começar o ano com o coração saudável
Diretora de cardiologia da Rede D’Or alerta que histórico familiar é fator de risco para doenças cardiovasculares

 

Olga ressalta que realizar exames preventivos periodicamente pode ajudar a evitar infartos e casos de morte súbita

 

 

Da Redação

As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de mortalidade em todo o mundo. De acordo com estimativas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), somente no Brasil 400 mil pessoas morrem anualmente por causa de doenças cardíacas. Cenário que ficou ainda mais preocupante com o adiamento de consultas e exames ao longo da pandemia. Gradativamente, com o avanço da vacinação, o país está superando a pandemia e para a diretora nacional de Cardiologia da Rede D’Or, Olga Ferreira de Souza, é fundamental que as pessoas voltem a realizar exames preventivos, bem como check-ups anuais.

Olga revela que não são raros os casos em que possíveis infartos agudos do miocárdio, bem como de morte súbita são evitados com a realização de exames preventivos. Ela relembra de um caso de um senhor de 70 anos, que sentiu uma leve dor no peito enquanto realizava uma atividade física. Preocupado, ele agendou uma consulta, e os exames mostraram graves lesões no coração. “O quadro era tão grave, que ele foi operado no dia seguinte”, relata. A cirurgia foi um sucesso e ele já retomou suas atividades normais.

Para a diretora da Rede D’Or, o caso desse paciente é ainda mais emblemático, pois a família apresentava um histórico de doenças cardíacas. Em casos assim, alerta Olga, é preciso que as pessoas tenham cuidado redobrado, pois o histórico familiar é fator de risco para doenças cardiovasculares. “O check-up é um importante aliado, pois traça um perfil detalhado da saúde, permitindo diagnosticar doenças em seus estados iniciais ou mesmo atuar na prevenção”, afirma.

Ela também ressalta a importância de adotar hábitos de vida saudáveis para prevenir doenças crônicas, principalmente enfermidades, como hipertensão e diabetes, que aumentam o risco de doenças cardíacas. Segundo a SBC, 30% da população brasileira sofre de hipertensão e ainda há estudos que mostram que 73% das mortes nos grandes centros urbanos têm ligação com os hábitos de vida. Olga explica que adotar um estilo de vida saudável, com uma alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos regular e com um sono adequado, é uma condição necessária para se ter qualidade de vida.

Fiocruz aponta piora na ocupação de leitos de UTI por covid-19 no SUS
Sete estados estão na zona crítica, com mais de 80% de leitos ocupados

 

Da Agência Brasil

A ocupação de leitos públicos de unidade de terapia intensiva (UTI) para adultos com covid-19 está piorando com a rápida disseminação da variante Ômicron, avaliaram pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no boletim do Observatório Covid-19 divulgado hoje (26).

“Não se pode ignorar que o quadro está piorando, apesar de estar claro que o cenário com a vacinação é muito diferente daquele observado em momentos anteriores mais críticos da pandemia, nos quais se dispunha de muito mais leitos”, diz o boletim, que pondera que pessoas totalmente imunizadas são pouco suscetíveis a essas internações, mas comorbidades graves ou idade avançada podem deixá-las vulneráveis.

Os pesquisadores explicam que, mesmo com uma proporção menor de casos gerando internações em UTI, os números se tornam expressivos por causa da grande transmissibilidade da variante Ômicron, que é mais contagiosa.

O aumento no número de internações já levou 12 estados à zona de alerta intermediário, em que entre 60% e 80% dos leitos de UTI estão ocupados. Além disso, as internações chegaram à zona crítica, com ao menos 80% de leitos ocupados, em Pernambuco (81%), Espírito Santo (80%), Goiás (82%), Piauí (82%), Rio Grande do Norte (83%), Mato Grosso do Sul (80%) e Distrito Federal (98%).

O boletim informa que, entre as 25 capitais com taxas divulgadas, nove estão na zona de alerta crítico: Porto Velho (89%), Rio Branco (80%), Macapá (82%), Fortaleza (93%), Natal (percentual estimado de 89%), Belo Horizonte (95%), Rio de Janeiro (98%), Cuiabá (89%) e Brasília (98%).

“É fundamental empreender esforços para avançar na vacinação e controlar a disseminação da Covid-19, com o endurecimento da obrigatoriedade de uso de máscaras e de passaporte vacinal em locais públicos, e deflagrar campanhas para orientar a população sobre o autoisolamento ao aparecimento de sintomas, evitando, inclusive, a transmissão intradomiciliar”, destaca o boletim.

Contas externas têm saldo negativo de US$ 5,9 bilhões em dezembro
Com o resultado, Brasil fechou 2021 com déficit de US$ 28,1 bilhões

 

Da Agência Brasil

As contas externas tiveram saldo negativo de US$ 5,9 bilhões em dezembro, informou hoje (26) o Banco Central (BC). No último mês de 2020, o déficit foi de US$ 8,5 bilhões nas transações correntes, que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda com outros países.

Com o resultado, o Brasil fechou 2021 com um déficit de US$ 28,1 bilhões em transações correntes, o que representa 1,75% do Produto Interno Bruto (PIB), ante US$ 24,5 bilhões (1,69% do PIB) em 2020.

O BC disse que o aumento no déficit, de US$ 3,6 bilhões, se deu em razão da ampliação de US$ 12,2 bilhões no déficit de renda primária, compensado parcialmente por aumentos de US$ 3,8 bilhões no superávit comercial e de US$ 1 bilhão no superávit da renda secundária e redução de US$ 3,8 bilhões no déficit em serviços.

Ainda de acordo com o Banco Central, o Investimento Direto no País (IDP) registrou uma saída líquida de US$ 3,935 bilhões em dezembro. No mesmo mês de 2020, houve ingresso líquido de US$ 1,1 bilhão. A estimativa do BC para o mês era de ingressos líquidos de US$ 3 bilhões.

O banco disse que a participação no capital, como compra de novas empresas e reinvestimentos de lucros, foi negativa em US$ 2,3 bilhões. Enquanto as operações intercompanhia (como os empréstimos da matriz no exterior para a filial no Brasil) registraram saídas líquidas de US$ 1,6 bilhão no mês.

No ano de 2021, o IDP totalizou ingressos líquidos de US$ 46,4 bilhões (2,89% do PIB), ante US$ 37,8 bilhões (2,61% do PIB) em 2020.

Quando o país registra saldo negativo em transações correntes, precisa cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos no exterior. A melhor forma de financiamento do saldo negativo é o IDP, porque os recursos são aplicados no setor produtivo e costumam ser investimentos de longo prazo.

Assim, o resultado de 2021 do IDP é suficiente para cobrir o déficit em conta corrente de 1,75% do produto nos 12 meses.

Balança comercial e serviços

A balança comercial de bens foi superavitária em US$ 2,7 bilhões no mês de apuração, ante déficit de US$ 1,9 bilhão em dezembro de 2020. As exportações de bens totalizaram US$ 24,6 bilhões e as importações de bens, US$21,9 bilhões, incrementos de 32,2% e 6,7% em comparação a dezembro de 2020.

As importações no âmbito do Repetro (regime aduaneiro especial) somaram US$ 222 milhões em dezembro de 2021, ante US$ 3,8 bilhões em dezembro de 2020.

No ano de 2021 as exportações somaram US$ 283,3 bilhões, aumento de 34,7% ante os US$ 210,7 bilhões observados em 2020. As importações somaram US$ 247,6 bilhões, aumento de 38,9% em relação aos US$ 178,3 bilhões observados em 2020.

O Repetro é o regime aduaneiro especial que suspende a cobrança de tributos federais de exportação e de importação de bens que se destinam às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e gás natural, principalmente as plataformas de exploração.

O déficit na conta de serviços (viagens internacionais, transporte, aluguel de equipamentos e seguros, entre outros) somou US$ 1,9 bilhão em dezembro de 2021, aumento de 11,7% em relação a dezembro de 2020.

A conta de viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$ 413 milhões, ante US$74 milhões em dezembro de 2020. Aluguel de equipamentos registrou despesas líquidas de US$ 640 milhões, redução de 31,9% na comparação com dezembro de 2020.

A conta de transportes registrou despesas líquidas de US$ 541 milhões, ante US$ 310 milhões em dezembro de 2020, seguindo a tendência de expansão da corrente de comércio exterior. No ano de 2021 o déficit em serviços somou US$ 17,1 bilhões, redução de 18,3% comparativamente ao déficit de 2020, US$ 20,9 bilhões.

O recuo de US$ 3,8 bilhões decorreu, principalmente, da redução nas despesas líquidas de aluguel de equipamentos (US$ 5,1 bilhões, contração de 42,6%), influenciada pela nacionalização de equipamentos no âmbito do Repetro.

Os investimentos diretos no exterior (IDE) apresentaram desinvestimentos líquidos de US$ 3,9 bilhões em dezembro de 2021, ante aplicações líquidas de US$ 1,1 bilhão em dezembro de 2020.

Em 2021, os fluxos de IDE totalizaram aplicações líquidas de US$ 19,2 bilhões, ante desinvestimentos líquidos de US$ 3,5 bilhões em 2020. O resultado deveu-se, principalmente, às aplicações em participação no capital, que somaram US$ 19,3 bilhões em 2021, ante desinvestimentos líquidos de US$ 4,8 bilhões em 2020.

Rendas

Em dezembro de 2021, o déficit em renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) chegou a US$ 6,9 bilhões, ampliação de 37,6% ante os US$ 5 bilhões no mesmo mês de 2020.

Normalmente, essa conta é deficitária, já que há mais investimentos de estrangeiros no Brasil, que remetem os lucros para fora do país, do que de brasileiros no exterior.

As despesas líquidas de lucros e dividendos, associadas aos investimentos direto e em carteira, totalizaram US$ 4,6 bilhões, aumento de 105% em relação a dezembro de 2020. As despesas líquidas com juros somaram US$ 2,4 bilhões, ante US$ 2,8 bilhões em dezembro de 2020.

No ano de 2021 o déficit em renda primária totalizou US$ 50,5 bilhões, 31,9% acima do déficit de US$ 38,3 bilhões ocorrido em 2020. As despesas líquidas de lucros e dividendos somaram US$ 29,8 bilhões em 2021, 77,4% superiores ao valor observado em 2020, enquanto as despesas líquidas de juros somaram US$ 20,7 bilhões, patamar ligeiramente inferior aos US$ 21,6 bilhões de 2020.

Em dezembro, o estoque das reservas internacionais somou US$ 362,2 bilhões, redução de US$ 5,6 bilhões em comparação a novembro de 2021. O resultado decorreu, principalmente, em decorrência da liquidação de US$ 4,8 bilhões em vendas à vista e US$ 1,5 bilhão em concessão líquida em linhas com recompra. No ano, as reservas internacionais cresceram US$ 6,6 bilhões.

General que chefia Itaipu pede demissão
João Francisco Ferreira assumiu o comando da Binacional em abril de 2021 no lugar do também general Joaquim Silva e Luna

 

Por Robson Rodrigues, do Valor

O diretor-geral da usina hidrelétrica de Itaipu Binacional, general da reserva João Francisco Ferreira, pediu demissão nesta terça-feira (25). Há rumores de que o cargo dele estaria sendo negociado pelo “centrão” e Ferreira se antecipou para evitar desgaste. O nome do substituto ainda tem que ser avaliado pelo Conselho da Eletrobras.

O anúncio foi feito hoje aos assessores, assistentes e diretores. Ferreira está reticente e prefere não ficar durante o período de transição porque, segundo ele, não vê mais sentido em despachar e tomar decisões sabendo que não vai ficar.

Ele anunciou também a saída dos três assessores que vieram com ele: o coronel Robson Rodrigues de Oliveira, o coronel Aloisio Lamim e o major Washington Vasconcelos Santana.

Ferreira assumiu o comando da Binacional em abril de 2021 no lugar do também general Joaquim Silva e Luna, que ocupou o cargo por dois anos e hoje está na presidência da Petrobras por indicação do presidente Jair Bolsonaro.

Em 2023, quando o Tratado de Itaipu completar 50 anos, está prevista a revisão do Anexo C, que estabelece as bases financeiras e de prestação de serviços de eletricidade de Itaipu. A negociação entre brasileiros e paraguaios ocorrerá no mesmo ano em que a empresa quitará todas as dívidas contraídas para a construção da usina.