Petrobras é condenada a emitir CAT para empregados que laboram em embarcações e plataformas diagnosticados com Covid-19
Decisão acolheu recurso do MPT-RJ no âmbito do projeto Ouro Negro em ação coletiva proposta pelo SINDIPETRO/RJ

 

A Justiça do Trabalho determinou que a Petrobras emita Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT) aos empregados da empresa infectados por Covid-19 no trabalho. A decisão, expedida pela 10ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT/1), acolheu recurso do Ministério Público do trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) no âmbito do projeto Ouro Negro da Coordenadoria Nacional de Trabalho Portuário e Aquaviário (CONATPA), gerenciado pelas procuradoras do MPT-RJ, Júnia Bonfante Raymundo e Cirlene Luiza Zimmermann, em ação coletiva proposta pelo SINDIPETRO/RJ.

O MPT-RJ recorreu da sentença, que indeferiu o pedido para determinação de emissão de CAT aos empregados da Petrobras diagnosticados com Covid-19. Por meio de estudos técnicos, o MPT apresentou o entendimento de que, em determinadas hipóteses, a Covid-19 pode ser enquadrada como doença relacionada ao trabalho em razão das condições em que o trabalho é exercido ou os meios fornecidos pelo empregador para se deslocar ao trabalho, devendo-se aplicar o princípio da precaução.

“O que se espera da empresa ré e se busca junto ao Poder Judiciário por meio deste recurso é que a empresa não se omita no dever de apurar o nexo causal laboral e emitir a CAT nos casos de suspeita ou confirmação de contaminação por Covid-19 em seus ambientes de trabalho”, expuseram as procuradoras no apelo.

Acolhendo os argumentos do MPT, o desembargador Flavio Ernesto Rodrigues Silva destacou em seu voto, acompanhado por unanimidade, que “se por um lado não há respaldo para se presumir por decisão judicial, neste processo, que os diagnósticos de Covid-19 dos empregados da ré tem relação com o trabalho e, com isso, impor ao autor a emissão imediata de CAT, de outro lado, é certo que é indevido e ilegal o procedimento da empresa de descartar imediatamente qualquer relação da contaminação por Covid-19 de seus empregados com o trabalho desenvolvido na empresa presencialmente e não submetê-los a exame médicos ocupacionais para aferição da emissão da CAT. Em primeiro lugar, porque há normas suficientes que reconhecem que tal doença pode ser caracterizada como ocupacional, como visto, e, em segundo, porque pode haver falhas no protocolo de prevenção de responsabilidade da empresa, facilmente percebido se há testagem antes do embarque. Além do que há situações específicas em que a probabilidade de exposição ao vírus ter sido no trabalho é alta, como na ocorrência de surtos em embarcações ou, até mesmo, em determinada unidade da empresa, mesmo em terra. Agindo assim, a empresa está presumindo a ausência de relação da Covid-19 com o trabalho, como feito pela Medida Provisória nº 927/20, a qual já foi reputada contrária à Constituição e já não se encontra em nosso ordenamento jurídico”.

A decisão é válida para os trabalhadores que laboram em embarcações e plataformas, que foram diagnosticados com Covid-19 (casos passados, atuais e futuros), após avaliação diagnóstica ocupacional realizada por médico da empresa e que conclua, mesmo que por suspeita, que tiveram exposição/contato com pessoas/trabalhadores diagnosticados com Covid-19 a bordo. A sentença estabeleceu multa diária de R$50 mil, por CAT não emitida, depois de evidenciada a contaminação no trabalho, até o limite R$500 mil, por cada caso.

Hapvida fecha acordo para comprar o Grupo HB Saúde, em São Paulo, e o Cetro, na Bahia
Companhia vai desembolsar cerca R$ 475 milhões com as duas aquisições

 

Por Felipe Laurence, do Valor Econômico

A Hapvida informou ontem as aquisições do Grupo HB Saúde, em São Paulo, por R$ 450 milhões, e do Centro Especializado em Traumatologia Reabilitação e Ortopedia (Cetro), na Bahia, por R$ 25 milhões.

O Grupo HB Saúde, que tem operações em São José do Rio Preto e Mirassol, teve receita de R$ 310 milhões em 2020. A empresa possui uma operadora de saúde com cerca de 128 mil beneficiários, o Hospital HBS Mirassol, oito unidades ambulatoriais, uma clínica infantil, centros clínicos e de diagnóstico, espaços de medicina preventiva, ocupacional e centro oncológico.

A companhia diz que a transação é sinérgica do ponto de vista geográfico e operacional, “uma vez que a cidade de São José do Rio Preto fica localizada a cerca de 200 quilômetros de Ribeirão Preto e de Uberaba, cidades com operações adquiridas e recém-integradas pela Hapvida”.

A compra depende da aprovação dos acionistas da HB Saúde e de órgãos reguladores.


Já o Cetro está localizado em Alagoinhas (BA) e opera o Hospital Dia-Cetro, com 12 leitos ativos e capacidade para até 16 leitos, além de dez consultórios médicos, dois consultórios para pronto-atendimento e duas salas cirúrgicas. A Hapvida se comprometeu a realizar investimentos de ampliação e modernização.

Após pressão, Bolsonaro recua, mantém indicação e aliado de Ricardo Barros na ANS é aprovado em votação apertada
Líder do governo no Senado anunciou no plenário que, após conversa com o presidente, nome de Paulo Rebello está mantido para comando da agência

 

O nome de Paulo Roberto Rebello ainda será apreciado pelo Senado

 

Do Evandro Éboli – O Globo

 

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro, após pressão política, recuou e manteve a indicação de Paulo Roberto Vanderlei Rebello para a presidência da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Após seis meses dessa indicação, Bolsonaro  publicou ontem à noite no Diário Oficial a desistência de conduzi-lo ao comando do órgão. A Comissão de Assuntos Sociaisi (CAS) ignorou a mensagem do presidente e aprovou na manhã desta quarta, por 11 a 3, o nome de Rebello, após sabatiná-lo. A indicação seguiu então para o plenário, onde o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE) anunciou que, após conversa com o presidente, está mantida a indicação. Foi um recuo do recuo. O plenário do Senado aprovou o nome de Rebello por 43 a 10. Eram necessários 41 votos. Ou seja, uma aprovação apertada.

Aliado do governo, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) elogiou a atitude do presidente e afirmou se tratar de uma “decisão política” de Bolsonaro. Rebello foi chefe de gabinete de Ricardo Barros, hoje líder do governo na Câmara, no Ministério da Saúde.

Bolsonaro publicou a desistência da indicação de Rebello em edição extra no Diário Oficial na noite de ontem. O atual diretor da agência tem ligação com outros nomes do PP e trabalhou na liderança do partido na Câmara.

O presidente da CAS, senador Sergio Petecão (PSD-AC), disse ao GLOBO que soube “pela imprensa” da desistência do presidente da República e que, para ser suspensa a sabatina de Rebello, a mensagem do Executivo precisava ser lida pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

— Não chegou nada da Mesa do Senado para nós. A sabatina do indicado estava na pauta e faz parte do nosso esforço concentrado. Como o presidente só desiste na véspera e à noite? O nome do senhor Paulo Rebello foi indicado há mais de seis meses. O governo que derrube, então, no plenário. Tem voto para isso – disse Petecão.

O nome de Rebello segue agora para apreciação no plenário do Senado. Em sua fala na CAS, Rebello ignorou a decisão de Bolsonaro em não indicá-lo mais e não citou a publicação no Diário Oficial. Ele afirmou que tem todas condições de assumir a presidência da ANS.

— Sou um advogado e um militante do direito à saúde. Sou diretor da ANS nos últimos dois anos. Me considero habilitado para ser presidente. Tenho habilidade para mediar conflitos, ouvir demandas e buscar as melhores soluções. Tenho o conhecimento pela sociedade, de norte a sul e de leste a oeste – disse Rebello na sessão do Senado.

Glória D’Or realiza o primeiro transplante
Foi uma doação de rim intervivos, de mãe para filha

 

30 pacientes já estão cadastrados no programa de transplante do Glória D’Or

 

Da Redação

 

A doação de rim de uma mãe para filha foi o primeiro caso de transplante de órgão realizado no Glória D’Or. A cirurgia foi realizada pela equipe do urologista Ricardo Ribas. A paciente recebeu alta, quarta passada. Ela estava há quase dois anos na lista de espera por um órgão, mas eram baixas as chances de encontrar um doador falecido compatível.

Felizmente, ela pode receber o órgão doado pela mãe. Outros 30 pacientes já estão cadastrados no programa de transplante do Glória D’Or, que tem investido para se tornar um centro de referência no Brasil. Atualmente são mais de 25 mil pessoas a espera por um rim no país, o que representa cerca de 57% do total de pacientes na fila por um transplante.