Medida agiliza distribuição de medicamentos do kit intubação
Resolução vai definir mais rapidamente o preço dos medicamentos

 

Da Agência Brasil

Uma medida aprovada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) deve dar mais celeridade à definição de preços dos medicamentos para o tratamento da covid-19. A Resolução CTE-CMED nº 4, de 25 de março de 2021, cria um procedimento temporário e excepcional que, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), reduz drasticamente o tempo de distribuição dos medicamentos do chamado kit intubação aos hospitais públicos e privados do país.

Para comercializar o medicamento para o tratamento da covid-19, basta que a empresa apresente o Documento Informativo de Preço à CMED. “Durante o período de vigência da resolução, serão estabelecidos preços provisórios para esses medicamentos. O preço será calculado pela média aritmética das apresentações dos medicamentos com o mesmo princípio ativo e mesma concentração disponíveis no mercado, na mesma forma farmacêutica”, informou a Anvisa.

A norma terá vigência de 120 dias e se aplica aos processos de definição de preço em curso. A medida pode ser prorrogada, enquanto reconhecida pelo Ministério da Saúde a emergência de saúde pública relacionada ao novo coronavírus (Sars-CoV-2).

Cálculo dos preços

Caso os medicamentos já possuam apresentações em conformidade no Sistema de Acompanhamento do Mercado de Medicamentos (Sammed), serão estabelecidos preços provisórios não superiores à média de medicamentos, com igual concentração e mesma forma farmacêutica, já comercializadas pela própria empresa.

Caso não existam apresentações com igual concentração, a média de preço deverá ser calculada com base em todas as apresentações do medicamento já comercializadas pela própria empresa, na mesma forma farmacêutica, seguindo o critério da proporcionalidade direta da concentração de princípio.

Contran prorroga renovação de carteira de motorista em 15 estados
Medida é tomada em razão do agravamento da pandemia

 

Da Agência Brasil

O Conselho Nacional de Trânsito(Contran) prorrogou por tempo indeterminado os prazos para a renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), assim como licenciamento, transferência e também para a emissão ou defesa de multas de trânsito em 15 estados. As portarias com as prorrogações começaram a ser publicadas na última quarta-feira (24) no Diário Oficial da União (DOU).

A medida, tomada em razão do agravamento da pandemia do novo coronavírus, vale para o Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo e poderá ser aplicada a outros estados.

Os prazos de início da prorrogação variam, conforme a unidade da federação. Segundo o presidente do Contran e diretor-geral do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Frederico Carneiro, a iniciativa visa reduzir os impactos da pandemia.

Prorrogação

“O Contran irá atender todas as 27 unidades da federação que necessitarem da prorrogação dos prazos. Estamos em reunião com os Detrans durante essa semana para ouvir e responder as solicitações e, assim, reduzir os efeitos da pandemia”, afirmou.

De acordo com o Contran, os estados poderão solicitar a retomada dos prazos dependendo da evolução do combate à pandemia.

“Cada órgão terá o direito de solicitar o adiamento e a retomada dos prazos, dando maior autonomia para cada um deles, de acordo com a necessidade”, finalizou Carneiro.

Falta de medicamentos vai colapsar atendimento nos hospitais
FBH cobra ação do Ministério da Saúde

 

Morato: “O desabastecimento é uma realidade em toda a rede hospitalar”

 

Da Redação

O presidente da Federação Brasileira de Hospitais, Adelvânio Francisco Morato, alerta que a iminente falta de medicamentos pode provocar um verdadeiro colapso na rede hospitalar. Segundo ele, nos próximos dias já haverá hospitais sem itens necessários do chamado “kit intubação”. A escassez dos insumos vai impedir não somente o atendimento a pacientes com Covid, mas também a qualquer cirurgia de emergência ou urgência. Morato observa que não vai adiantar abrir leitos, pois não haverá como atender os pacientes.

A escassez é de medicamentos básicos para intubação, como Midazolan, Fentanil, Rocurônio e Propofol, entre outros. Para piorar o cenário, houve aumentos abusivos dos preços de alguns dos itens e o Ministério da Saúde vem cerceando a aquisição pelos hospitais privados, bem como retendo a produção direto na indústria.

“O desabastecimento é uma realidade em toda a rede hospitalar e vai impactar em todo o serviço de UTI e emergência, inclusive em pacientes crônicos renais, cardiopatas, AVC, entre outros. O risco é ter um aumento ainda maior do número de mortes nos próximos dias. Os médicos não poderão fazer nada”, lamenta Morato.

Para o presidente da FBH, é urgente que o Ministério da Saúde tome uma atitude para mudar essa situação. Morato explica que a Federação já vinha alertando sobre esse possível cenário há semanas, pois a pandemia provocou um alto consumo desses medicamentos. “Há um descompasso entre as ações do Ministério da Saúde e a realidade nos hospitais. É preciso agir rapidamente para evitar mais mortes”, afirma Morato.

Ele ainda alerta que a falta de medicamentos vai pressionar ainda mais os profissionais de saúde que estão na linha de frente no combate ao Covid e que já sofrem com a fadiga e o cansaço provocados pelo trabalho intenso nessa pandemia.

Pesquisa alerta que pais adiaram vacina contra meningite na pandemia
Percentual foi maior na Europa, com 56%, enquanto no Brasil, foram 50%

 

Da Agência Brasil

O receio de contrair covid-19 e as restrições para prevenir a doença estão entre os motivos que levaram cerca de metade dos pais entrevistados por uma pesquisa da farmacêutica GSK a não vacinarem seus filhos contra a meningite desde o início da pandemia. Os dados foram coletados em oito países e divulgados hoje (24) pela farmacêutica, que fornece a vacina meningocócica C para o Programa Nacional de Imunizações e as vacinas meningocócica C, B e ACWY para a rede privada no Brasil. 

O estudo ouviu 4,9 mil responsáveis no Brasil, Alemanha, Argentina, Austrália, Estados Unidos, França, Itália e Reino Unido. Os pais americanos tinham filhos de 11 a 18 anos, enquanto os demais, de 0 a 4 anos. No Programa Nacional de Imunizações do Brasil, a primeira dose da vacina meningocócica C é indicada aos 3 meses, com uma segunda dose aos 5 meses e um reforço aos 15 meses. Para adolescentes de 11 e 12 anos, é oferecida a meningocócica ACWY, que previne contra as bactérias do tipo A, C, W e Y.

Apesar de 94% dos responsáveis considerarem que a vacina contra meningite é importante, 50% adiaram ou suspenderam a vacinação durante a pandemia de covid-19. O percentual foi maior nos países europeus, com 56%, enquanto no Brasil a taxa foi de 50% de responsáveis nessa situação.

Ao listar as razões para não ir ao posto de vacinação, 63% apontaram as medidas de isolamento social e confinamento, 33% mencionaram o medo de contrair covid-19, e 20% disseram ter suspendido ou adiado a vacinação porque eles mesmos ou algum membro da família teve covid-19.

No caso do Brasil, 72% dos que não foram apontaram as restrições para a prevenção da covid-19 como uma das causas, enquanto 45% afirmaram ter medo de ser infectados pelo novo coronavírus, o maior percentual entre todos os países. 19% dos entrevistados disseram ainda que não levaram seus filhos para se vacinarem contra a meningite porque contraíram covid-19 ou tiveram que cuidar de alguém com a doença.

Nos oito países pesquisados, ainda que 77% dos entrevistados pretendam se reorganizar para colocar a vacinação em dia, 11% declararam que não levarão os filhos para a vacinação por medo de contrair covid-19.

Ao participar do lançamento da pesquisa, o diretor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Marco Sáfadi, alertou que a hesitação em vacinar crianças contra a meningite durante a pandemia pode provocar surtos da doença quando elas retomarem as aulas presenciais e reencontrarem amigos e familiares sem estarem imunizadas.

“A mensagem mais importante é que vacinação é uma atividade essencial. Precisa ficar muito claro para a população que é preciso deixar a vacinação em dia para prevenir não apenas a meningite, mas várias outras doenças”, afirma ele, que avalia que o risco de não vacinar é muito maior do que o de levar os filhos a um posto de vacinação durante a pandemia. “Clínicas e postos de vacinação são lugares em que medidas de segurança muito importantes foram adotadas”.

Os dados da pesquisa reforçam a preocupação com a queda na imunização, já que os pais ouvidos pela pesquisa preveem que seus filhos retomem atividades que geram contato social com o fim das restrições provocadas pela pandemia. 63% esperam o retorno presencial à escola e 76% preveem encontros com amigos e familiares. Sem estarem vacinados, as crianças e jovens podem estar expostos a contrair meningite, que tem formas de transmissão semelhantes às da covid-19.

Doença grave e rápida

Considerada rara, a doença meningocócica invasiva (DMI) evolui de forma rápida e chega a causar a morte de um em cada dez pessoas que a contraem, deixando duas com sequelas físicas e neurológicas graves. Foi o caso do economista Pedro Pimenta, de 30 anos, que teve os dois braços e as duas pernas amputados quando, aos 18 anos, teve meningococcemia, uma infecção generalizada associada à bactéria causadora da meningite.

“Na hora do almoço, eu estava bem, 100%, e, na hora do jantar, eu estava quase morrendo”, lembra Pedro, que teve uma infecção generalizada que levou seus quatro membros a gangrenarem após um coma induzido de uma semana, o que exigiu a amputação acima dos joelhos e dos cotovelos e dificultou sua reabilitação e uso de próteses.

“A sensação foi de um rompimento da minha identidade. Quando você se olha no espelho e vê que aquele é o Pedro que jogava bola terça e quinta e que levava o violão na viagem com os amigos, é chocante”.

Com o suporte dos amigos e da família, ele atravessou um caminho de muitos obstáculos até conseguir se adaptar ao uso de próteses e passou a realizar palestras em defesa da vacinação contra a meningite e sobre a reabilitação de pessoas amputadas. A experiência e o engajamento no último tema o levaram a montar uma clínica com um sócio em São Paulo, projeto que ele sonha tornar uma referência no país.

Já na luta em prol da imunização, Pedro Pimenta vê crescer o número de fake news contra os imunizantes em meio ao intenso noticiário sobre as vacinas contra covid-19 e teme que o impacto desse problema chegue às outras vacinas, como as que previnem as diferentes formas de doença meningocócica.

“O PNI [Programa Nacional de Imunizações] é premiado e temos que ter muito orgulho, porque isso não foi conquistado com uma propagandazinha na TV. São décadas, de pais para filhos, de informações nos meios de comunicação, de forma que ninguém ia no posto de vacinação perguntar de que marca é a vacina como se fosse um restaurante à la carte. Isso não existia, porque [o benefício da vacinação] era óbvio”.

Para enfrentar a desinformação que busca abalar a confiança nas vacinas, ele defende um diálogo bem fundamentado que busque informar as pessoas que creem em informações distorcidas, em vez de atacá-las.

“A melhor forma não é apontando o dedo, xingando as pessoas, diminuindo e falando que elas são anticiência. A melhor forma é trazer os fatos para essas pessoas e diminuir esse julgamento, para que elas não se sintam reativas e possam abrir muito mais a mente”, argumenta ele. “As pessoas debatem baseadas em jargões e falas específicas de alguém que elas acompanham, sem tentar entender e passar por um processo de gestão da informação. O debate está muito raso, e quando o debate fica muito raso, a desinformação acaba equivalendo à informação de qualidade”.