Gasto de empresas com plano de saúde não dará crédito para abater tributo
Tema gerou polêmica entre tributaristas após divulgação do texto que regulamenta reforma tributária

Publicada inicialmente na Folha de S.Paulo. Leia aqui.

Equipe médica durante procedimento em hospital de São Paulo (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

O projeto de lei que regulamenta a reforma tributária impede as empresas de aproveitarem o crédito do imposto pago nas despesas com plano de saúde.

Na prática, os tributo pago sobre esses gastos não poderão ser usados para abater outros impostos a serem recolhidos pela companhia em suas vendas.

A proibição é um dos temas mais polêmicos do projeto apontado pelos tributaristas, que passaram as horas seguintes à apresentação do projeto analisando os 499 artigos do texto, o primeiro dos três que vão regular a implantação da reforma tributária.

O projeto foi encaminhado nesta quarta-feira (24) ao Congresso e trata das regras para o funcionamento do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), dos estados e municípios, da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), além do Imposto Seletivo, mais conhecido popularmente como imposto do pecado.

A reforma tributária tem como base a criação de um modelo de tributação chamado de IVA (Imposto sobre Valor Agregado), que incide de forma não cumulativa, gerando um crédito para a próxima empresa na cadeia de produção. A empresa pode descontar o que já foi pago e recolher o imposto sobre a diferença.

No caso dos planos de saúde, as empresas não poderão aproveitar esse crédito.

O secretário extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, disse que a decisão de uma empresa em ofertar plano de saúde aos seus funcionários representa uma remuneração indireta. Além disso, empregados que não contam com o mesmo benefício e decidem contratar um plano por conta própria recolherão o tributo sobre o serviço.

“Eu sou um trabalhador, minha empresa não me deu plano de saúde, eu vou pagar imposto. É uma coisa justa. Toda forma de remuneração indireta está contemplada [pela tributação]. O sistema tem que ser neutro”, disse Appy.

Segundo ele, mesmo que uma empresa do Simples contrate um plano de saúde, ela não consegue, pelas características do regime simplificado, abater os créditos no recolhimento de seus tributos. “O consumo pessoal do funcionário da empresa grande tem que ser tributado assim como o de uma empresa do Simples. Por que a empresa grande vai recuperar crédito que a empresa do Simples não recupera?”, afirmou.

Os gastos das empresas com seguro de vida também não darão direito a crédito. Já os tributos pagos na contratação de seguro contra acidente de trabalho poderão ser abatidos no recolhimento da empresa, uma vez que têm a ver com a atividade exercida por ela.

A previsão tem sido criticada por tributatistas.

“É óbvio que a despesa de plano de saúde pago pelas empresas tem que gerar crédito. Essa é uma despesa relevante das empresas em prol do bem-estar de seus funcionários”, diz o tributarista Luiz Bichara, da Bichara Advogados.

Para ele, o governo já descumpre a promessa de respeito à não cumulatividade plena do IVA. “Demonstra enorme insensibilidade com a saúde da população”, critica.

A polêmica em torno do tema alimenta as discussões na manhã desta quinta-feira (25) nos grupos de tributaristas que desde 2019, quando a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 45 da reforma tributária foi protocolada na Câmara, debate os temas ligados à matéria.

Os gastos com planos de saúde são um dos maiores custos das empresas com os seus trabalhadores —um benefício cobrado pelos sindicatos. Mas o projeto considerou essa despesa como de uso pessoal do empregado.

“Além da faculdade prevista na Constituição Federal para vedar o creditamento ao adquirente nesse regime específico, os beneficiários dos planos de saúde são pessoas físicas”, diz a exposição de motivos do projeto.

Appy minimizou as críticas. Segundo ele, um dos princípios da reforma é a neutralidade, isto é, um sistema no qual as empresas não tomam as regras tributárias como um fator decisivo para suas decisões econômicas. “As pessoas gostam da neutralidade no papel, mas quando a gente coloca na prática elas não gostam”, disse.

“Se tiver algum favorecimento [no regime de planos de saúde], ele elimina o favorecimento que existe hoje”, afirmou.

Os planos de saúde, por sua vez, serão tributados em regime específico. A base de cálculo será uma espécie de margem, obtida a partir da diferença entre prêmios e contraprestações pagas pelos usuários e os gastos com cobertura.

A alíquota será a mesma aplicada aos serviços de saúde, equivalente a 40% da cobrança de referência. O governo estimou uma alíquota média de 26,5% —se confirmada, a alíquota reduzida ficaria em 10,6%.

A movimentação do setor de saúde visando novos M&As
Dasa desperta interesse de grandes redes do segmento

Publicada inicialmente na Veja Negócios. Leia aqui.

Instalações do grupo Fleury. (Foto: Divulgação/Fleury)

A compra do laboratório São Lucas pela rede de serviços médicos Fleury, sacramentada na semana passada, foi o primeiro sinal do reaquecimento do setor. A última grande movimentação havia ocorrido em 2022, quando a Rede D’Or comprou a SulAmérica. Quem acompanha de perto o mercado de saúde garante que fusões e aquisições, os chamados M&As, serão retomadas com força no setor em 2024. Há um grande negócio em vista: Rede D’Or, Bradesco Saúde e Amil estariam interessadas no grupo de diagnósticos Dasa.

 

Governo de SP dará apoio gratuito e personalizado para o desenvolvimento de startups
Iniciativa da InvestSP vai identificar as "dores" das empresas, que serão atendidas por especialistas em gestão e inovação

A InvestSP, agência de promoção de investimentos vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo (SDE), em parceria com outras instituições e especialistas, vai apoiar, gratuitamente, startups paulistas que precisem de orientação para alavancar seus negócios e ofertar soluções inovadoras. A primeira turma do programa InvestSP Incentivo à Inovação teve início com 20 empresas selecionadas, de áreas como: saúde, agronegócio, higiene e cuidados pessoais, marketing e máquinas e equipamentos.

A iniciativa permite que os empreendedores indiquem suas principais “dores” na gestão do negócio. Podem ser problemas, dúvidas ou necessidades relacionadas, por exemplo, a: modelo de negócio, comercialização, acesso a crédito, precificação, internacionalização, pesquisa, marketing, expansão e gestão de RH.

Com base nos relatos das próprias empresas, a InvestSP colocará as startups em contato com especialistas capazes de ajudar na solução dos problemas. Entre os parceiros que poderão dar suporte aos participantes estão: Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI), Desenvolve SP, Inova USP, Sebrae, universidades e os parques tecnológicos do Estado.

“É uma iniciativa inédita, que busca entender as ‘dores’ do empreendedor e atuar diretamente no problema. Ações como essa, somadas à infraestrutura de pesquisa e inovação do Estado, com as melhores universidades e centros de pesquisa do país, são fundamentais para garantir que São Paulo seja cada vez mais competitivo e se firme como o maior polo de inovação da América Latina”, diz o diretor de Projetos e Inovação da InvestSP, Thiago Camargo.

Ao longo de um ano, serão realizados quatro encontros individuais, de cada startup com representantes da InvestSP, para entender as demandas das empresas e encaminhá-las para o contato com os especialistas. Além disso, haverá workshops bimestrais, também com apoio das instituições parceiras, como: universidades, organizações de apoio a startups e órgãos governamentais. Todos os encontros serão virtuais.

Vale destacar que existem, atualmente, cerca de 14 mil startups no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Startups (Abstartups). A maior parte, praticamente quatro de cada 10, fica no Estado de São Paulo. As empresas do país atuam principalmente nos setores de: educação, finanças, saúde, tecnologia e varejo. O faturamento médio das startups beira os R$ 900 mil por ano.

Indústria do Paraná transformou mais de nove milhões de litros de óleo de cozinha usado em biodiesel
Resíduo pode poluir o meio ambiente em caso de descarte incorreto

O Grupo Potencial é a maior empresa produtora de biocombustível concentrada em uma só planta no Brasil.

O mercado nacional do biodiesel tem perspectiva de crescimento para 2024. Com a determinação do Ministério de Minas e Energia de aumento no percentual desse combustível de 12% para 14% na composição do diesel, a expectativa da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) é que a demanda por esse insumo no mercado nacional suba para 8,9 bilhões de litros – 22% de aumento na comparação com 2023.

O Grupo Potencial é produtor de biocombustível concentrado em uma só planta no Brasil e a terceira maior do mundo. A companhia tem como base da produção do combustível o óleo vegetal (75%) e a gordura animal (25%). Esses compostos têm como matéria prima o óleo degomado de soja, resíduos de gorduras animal (bovina, suína e de aves) e o óleo de cozinha usado. Assim, a empresa produz não apenas um combustível menos poluente, mas que também auxilia no descarte correto de materiais.

Exemplo é a utilização do Óleo de Cozinha Usado (UCO, na sigla em inglês) na produção de combustível. Somente em 2023, o Grupo Potencial utilizou mais de 9 milhões de litros do composto para a produção de biodiesel. Informações da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) apontam que o descarte incorreto de 1 litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água. Isso porquê a gordura não se dissolve em rios e mares, o que causa alterações no nível de oxigênio e provoca a morte de peixes e outras espécies aquáticas.

“Hoje, nós compramos de fornecedores parceiros mais de 600 toneladas por mês de óleo de cozinha usado. Os fornecedores já entregam diretamente na usina em um padrão de qualidade que exigimos. Nós estamos tentando viabilizar projetos que conversem diretamente com o consumidor”, explica Caio Arakaki, gerente comercial na Potencial Biodiesel.

A tendência no mercado é que mais empresas busquem realizar nos próximos anos a logística reversa desses resíduos com o aumento da demanda pelo biodiesel. Em 2025, o percentual exigido de biodiesel no diesel será ampliado para 15%, o que resultará em mais de 10 bilhões de litros consumidos pelo mercado de combustíveis – de acordo com a Abiove.

“Recentemente, fechamos uma parceria com uma grande rede de fast-food, semanalmente fazemos o recolhimento de óleo de cozinha usado, este gerado por todas as lojas do Brasil”, finaliza Arakaki.