Bill Gates diz que os próximos 4 a 6 meses podem ser “o pior da pandemia”
Fundador da Microsoft já investiu US$ 1,75 bilhão no desenvolvimento de uma vacina

Da Forbes

O otimismo com o possível fim da pandemia aumentou nos EUA já que as primeiras remessas da vacina da Pfizer foram despachadas ontem (13). No entanto, durante uma entrevista na TV, Bill Gates alertou que não é momento de baixar a guarda, e que o país deve enfrentar, provavelmente, o período mais mortal da pandemia. “Infelizmente, os próximos quatro a seis meses podem ser a pior parte da pandemia”, disse Gates, copresidente da Fundação Bill e Melinda Gates, à CNN. Gates alocou recursos significativos para o desenvolvimento de uma vacina, cerca de US$ 1,75 bilhão, de acordo com a Forbes.

Os caminhões com as vacinas saíram da fábrica da Pfizer no estado de Michigan no domingo, carregando uma primeira rodada de distribuição, com cerca de 3 milhões de doses. Stephen Hahn, do FDA, a agência de alimentos e medicamentos norte-americana, afirma que espera que vacinas comecem a ser administradas já hoje (14). A previsão é que os profissionais de saúde e os residentes de lares de idosos receberão a vacina primeiro. E só no meio de 2021 as vacinas estarão amplamente disponíveis no país.

Por esse motivo, as autoridades de saúde dizem que o vírus não estará sob controle nos Estados Unidos até a “segunda metade de 2021” –como o Anthony Fauci disse recentemente– quando a maior parte da população, cerca de 75%, estará vacinada, gerando um “guarda-chuva de imunidade coletiva”.

“No curto prazo, são más notícias”, continuou Gates, citando a pesquisa do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, que mostra que os EUA podem sofrer mais cerca de 200 mil mortes até 1º de abril de 2021 por causa do vírus. A vacina da Pfizer chegará a 145 postos de distribuição hoje, em todos os 50 estados do país, 425 postos amanhã (15) e 66 na quarta-feira (16), de acordo com a Associated Press. Levará até três semanas para que a primeira rodada de doses seja enviada a todos os locais de vacinação identificados pelo governo.

A vacina da Pfizer deve ser armazenada a -70ºC, o que representa problemas logísticos para o país. Hahn disse ontem que não acredita que as reações alérgicas à vacina da Pfizer serão um problema altamente frequente. “Não achamos que vá ser um problema muito frequente, mas queremos ter cuidado porque a segurança das vacinas e a segurança de produtos médicos é a nossa prioridade”, disse o chefe do FDA.

Questionado sobre a ordem executiva do presidente Donald Trump, que prioriza os cidadãos americanos na distribuição de vacinas, Bill Gates disse: “Bem, a ideia extrema de que todos deveriam morrer até que tenhamos o último americano ser vacinado, essa dificilmente é uma resposta apropriada.”

Casos graves de Covid estão associados ao perfil genético dos pacientes
O estudo foi publicado na revista científica "Nature", uma das mais importantes do mundo

Do Portal IG

Pesquisadores identificaram ao menos cinco sequências do código genético humano, o DNA, que estão ligadas a casos graves de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). Os achados foram publicados nesta sexta-feira (11) na revista científica “Nature”, uma das mais importantes do mundo. O DNA é longo, formado por 4 letras: A, C, T e G. São necessárias 3 bilhões delas para formar um ser humano, explicou o médico intensivista Kenneth Baillie, autor sênior do estudo ligado à Universidade de Edimburgo, na Escócia, em sua página no Twitter.

Os estudiosos analisaram os códigos genéticos de mais de dois mil pacientes com casos graves de Covid-19 para identificar as cinco sequências no DNA associadas a uma forma mais grave da doença. Uma mudança no DNA perto do gene TYK2 é mais comum em pessoas que precisam de cuidados intensivos para tratar a Covid, explicou Baillie. “Nessa posição, se você tem um código com um “T” no lugar do “C”, seu risco de ter Covid grave é 1,3 vezes maior”, disse.

“Não parece muito, e comparado ao efeito da idade no risco [de Covid grave], não é”, continuou o médico. A mudança na letra aumenta a quantidade de genes TYK2 que uma pessoa tem. E isso aumenta o risco de Covid grave.
“Menos TYK2 está associado com risco mais baixo. Isso sugere que uma droga [remédio] que iniba o TKY2 poderia tornar menos provável que as pessoas desenvolvam Covid grave. A boa notícia é que temos uma classe inteira de drogas que fazem isso”, completou Baillie.

Na pesquisa, os cientistas sugerem nove tratamentos a serem estudados contra a Covid-19 a partir das descobertas, mas destacam que eles precisam ser testados antes de serem dados à população.”Já sabemos que a evidência [científica] genética dobra a chance de que um medicamento dê certo”, afirmou Baillie.

O grupo estudou 2.244 pacientes internados com Covid-19 em 208 unidades de terapia intensiva (UTIs) do Reino Unido. O número equivale a mais de 95% das UTIs do país. Os autores sugerem que remédios que tenham como alvo os processos inflamatórios, por exemplo, poderiam ajudar no tratamento de pacientes com casos graves de Covid-19. “Isso mostra a beleza da genética para descobertas de alvos de medicamentos”, comentou Baillie.

Reino Unido identifica nova variação do coronavírus que se multiplica mais rapidamente
Mais de mil casos já foram registrados

O ministro da Saúde do Reino Unido, Matt Hancock, anunciou nesta segunda-feira ao Parlamento britânico que uma nova cepa do novo coronavírus foi identificada no país. A descoberta ocorre em meio à vacinação contra a Covid-19, iniciada na semana passada. Segundo Hancock, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já foi notificada. A variante do Sars-CoV-2 poderia estar relacionada à alta de casos no Sudeste da Inglaterra e se multiplicaria mais rapidamente do que as demais cepas do patógeno.

Ainda segundo o ministro britânico, mais de mil casos já foram registrados no Reino Unido em mais de 60 localidades diferentes. Os números, descreveu Hancock, estão “crescendo rapidamente”. Ele ponderou, ainda, que ainda não há elementos que indiquem que a nova cepa tem maior probabilidade de agravar o quadro da Covid-19 do que as demais.

— Nós identificamos uma nova variante do coronavírus que pode estar associada à disseminação acelerada (da Covid-19) no Sudeste da Inglaterra — disse Hancock em uma reunião com parlamentares. — Análises iniciais sugerem que essa variante está se multiplicando mais rapidamente do que as variantes já existentes.

O ministro afirmou, ainda, que o laboratório de Porton Down, vinculado ao Ministério da Defesa britânico, fará testes para avaliar se a nova cepa é resistente a vacinas. Hancock ponderou, no entanto, que assessores médicos da pasta acreditam que essa possibilidade é “altamente improvável”.

Na mesma ocasião, Hancock confirmou que o governo britânico colocará a capital, Londres, sob o nível mais rígido de restrições por conta da alta de casos de Covid-19. Outras cidades no entorno da cidade também entrarão em regime de lockdown. De acordo com os procedimentos previstos pelo governo, restaurantes, cafés e pubs serão fechados e empresas deverão adotar o trabalho remoto para todos os serviços não essenciais.

— Não sabemos até que ponto isso (a alta de casos em regiões da Inglaterra) se deve à nova variante, mas, independentemente da causa, precisamos tomar ações decisivas e rápidas que, infelizmente, são absolutamente essenciais para controlar essa doença mortal enquanto executamos a vacinação — disse o ministro.

O Reino Unido é o país mais afetado pela Covid-19 na Europa Ocidental junto da Itália e já soma mais de 1,8 milhão de casos da doença. Mais de 64 mil pessoas morreram por conta do novo coronavírus em solo britânico. O governo britânico se tornou no último dia 8 o primeiro país ocidental a iniciar a vacinação contra a Covid-19 dentro dos procedimentos científicos canônicos.

EUA querem vacinar 100 milhões de pessoas contra a covid-19 até março
Uso emergencial de vacina já foi autorizado

Os Estados Unidos esperam imunizar 100 milhões de pessoas com a vacina contra a covid-19 até o fim de março, disse o chefe do programa norte-americano de vacinação para a doença. A primeira vacina foi autorizada para uso emergencial pelos reguladores dos EUA na noite da última sexta-feira e a distribuição teve início neste domingo (13).

“Teremos imunizado 100 milhões de pessoas até o primeiro trimestre de 2021”, afirmou o chefe da Operação Warp Speed,  Moncef Slaoui, em entrevista.

Ele disse que os Estados Unidos pretendem ter cerca de 40 milhões de doses da vacina distribuídas até o fim de dezembro de 2020, o que incluiria a vacina recém-autorizada da Pfizer Inc e uma da Moderna Inc, cuja expectativa é obter a autorização para uso de emergência ainda nesta semana.

Duas doses

Outros 50 milhões a 80 milhões de doses serão distribuídos em janeiro, e o mesmo número em fevereiro, disse Slaoui. A vacina requer duas doses por pessoa. “Estamos trabalhando com a Pfizer para continuar a ajudá-los e apoiá-los a atingir o objetivo de nos fornecer mais 100 milhões de doses no segundo trimestre de 2021”, explicou.

Os primeiros a serem vacinados serão os profissionais de saúde da linha de frente, bem como os residentes em casas de repouso.