Apenas um em cada quatro brasileiros pretende viajar nas festas de final de ano, aponta pesquisa da ValeCard
Levantamento mostra que não ter folga entre Natal e Reveillon e falta de dinheiro são os principais motivos das pessoas para virar o ano em casa

 

A Praia de Copacabana costuma receber milhares de turistas para assistis a queima de fogos

 

Da Redação

Viajar no ano novo é uma tradição para muitas famílias, seja para passar a virada do calendário com a família no interior ou pular sete ondas na praia à meia-noite do dia 31 de dezembro. Neste ano, porém, essa não será a realidade para a maioria dos brasileiros, seja por falta de tempo ou de dinheiro.

De acordo com uma pesquisa realizada na primeira quinzena de dezembro pela empresa de meios de pagamento ValeCard com 1150 pessoas, entre 18 e 45 anos, em todo o território nacional, apenas uma em cada quatro (23,5%) pretende viajar para as festas de final de ano. 

Segundo o levantamento, o principal motivo que obriga os demais 76,5% a ficar em casa é culpa do calendário:  47,6% responderam não ter conseguido folga entre os feriados, porque, uma vez que tanto o Natal quanto o Ano Novo cairão em segundas-feiras, as empresas decidiram trabalhar normalmente entre os dias 26 e 29 de dezembro. O segundo culpado é o bolso: para 33,1%, “Questões financeiras” inviabilizaram o descanso na semana que fecha o ano.

Maioria vai de carro (com a revisão em dia) e está de olho nos gastos

Mesmo entre os que vão conseguir alguns dias de folga, a situação não está totalmente confortável. De acordo com o levantamento, 68,6% das pessoas devem usar carro próprio para viajar, enquanto 14% pretendem ir de ônibus e 12,1% utilizarão avião. Apenas 5% pretendem alugar um carro para a viagem.

Em relação à expectativa de gastos, para mais da metade (51,8%), os custos com a viagem – considerando combustível, pedágio e alimentação na estrada – serão maiores neste ano do que em 2022, enquanto para 32,1% os gastos devem ser proporcionais aos de um ano atrás. Apenas 16,1% acreditam que precisarão desembolsar menos agora do que no último ano novo para estourar o espumante em outra cidade.

Segundo apurado pela ValeCard, os motoristas estão conscientes da necessidade de revisar o carro para viajar, mas estão de olho nos gastos.  77,9% dos entrevistados responderam que pretendem fazer revisão itens como pneus, alinhamento, balanceamento, freios, suspensão, óleo e fluídos, faróis e itens de segurança e mais da metade deles (51,2%) acreditam que deixarão mais de R$ 500 na oficina, considerando troca de peças e mão-de-obra.

BC reduz taxa de juros e Selic cai de 12,25% para 11,75%
É o quarto corte seguido na taxa básica de juros, que começou a recuar em agosto deste ano

 

 

Da Redação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central definiu na última quarta-feira, dia 13 de dezembro, o novo patamar da taxa básica de juros do país, a taxa Selic. O grupo se reúne a cada 45 dias para definir a trajetória dos juros. O principal objetivo é fazer com que a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, fique dentro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Na reunião desta terça (12) e quarta (13), o Copom reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual. Com isso, a taxa básica de juros está em 11,75% ao ano, antes 12,25%. O especialista em investimentos, Renan Diego, explica que a redução já era prevista pelo mercado, que apostava em um corte de 0,5 ponto percentual, nos moldes da reunião anterior.

“Conforme expectativa do mercado a taxa básica de juros reduziu mais uma vez e provavelmente terá mais redução para 2024, tendo em vista estarmos com uma taxa de inflação baixa e em alguns meses até uma deflação, não faz sentido continuarmos a taxa Selic nos patamares que estava acima dos 12% ao ano”, ressalta Renan, à frente da escola digital Produtividade Financeira, por onde já educou mais de 6 mil brasileiros sobre finanças pessoais e investimentos.

Esse é o quarto corte seguido da taxa, que começou a recuar na reunião que aconteceu no início de agosto. Na ocasião, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic de 13,75% para 13,25%. O corte havia sido o primeiro em três anos. Antes, a última queda havia sido registrada em agosto de 2020.

Para a analista da Money Wise Research, Cleide Rodrigues, como a bolsa de valores tem uma relação inversa com a taxa de juros, esse  é um excelente momento para se posicionar em bolsa porque a tendência dos ativos é de valorização. “Alguns setores são bastante sensíveis à taxa de juros e, com a continuidade da queda da Selic, podem se beneficiar, especialmente o varejo e a construção civil. Contudo, é importante ressaltar que não se trata de investir em qualquer empresa desses setores, mas sim em empresas com fundamentos sólidos”, pontua.

Já para Renan Diego é um bom momento para investir em ativos de renda fixa prefixados e ativos renda variável, como Fundos Imobiliários e Ações, porém com cautela e aos poucos: “Não adianta querer tirar o dinheiro todo da renda fixa agora para ir para a bolsa de valores, faça isso aos poucos, busque mais conhecimento e jamais tire a sua reserva de segurança da renda fixa, independente de quanto esteja a taxa Selic, pois segurança não se negocia.” explica o expert e educador.

Segundo Ivan Eugênio, analista da Money Wise Research, o que estamos presenciando nesse momento são títulos pagando cada vez menos. Tanto CDBs, quanto LCI, LCA, especialmente no que tange aos pré-fixados e aos títulos híbridos. Aqueles em que parte do prêmio está pós-fixada e outra parte pré-fixada, como por exemplo os IPCA’s .Mas, ainda que pague menos, o investidor tem que considerar ter uma posição em renda fixa para que ele tenha um portfólio mais equilibrado, pensando no retorno de toda a sua carteira de investimento. “Tem que conhecer bem o seu perfil e o seu objetivo. Renda fixa continua sendo excelente para objetivos de  Curto e médio. Agora, o investidor tem que ter também um cuidado, pois os títulos que pagam mais normalmente são aqueles emissores que não têm uma boa qualidade de crédito. Ainda que haja proteção aqui do FGC, do fundo garantidor de crédito, o investidor tem que ter muito cuidado em se expor a emissores de baixa qualidade”, finaliza.

“Muito gingado e atitude”: chef brasileira explica como levou culinária nacional aos Estados Unidos
Paranaense de Arapongas, Giovana Camargo introduziu na cultura norte-americana alguns clássicos brasileiros, dentre eles o tradicional pão de queijo

Já imaginou receber a notícia de que o sonho da sua vida está prestes a ser realizado, mas que para isso você precisaria se mudar e morar longe de seu marido e suas duas filhas, em outro país? A paranaense Giovana Camargo, nascida em Arapongas, passou pela experiência na pele, e não relutou em escolher a chance de sua vida: viajar para Orlando e cursar a melhor escola de culinária do mundo, a Le Cordon Bleu, em busca do sonho de se tornar uma chef de alta gastronomia. Filha de dono de fábrica de doces e amante da culinária desde criança, a chef Gio, como gosta de ser chamada, sabia da importância dessa oportunidade e contou com o apoio do marido e filhas para mergulhar com tudo na culinária de alto nível; no final, acabou recompensada se tornando peça importantíssima na gastronomia estadunidense.

Giovana Camargo, carinhosamente chamada de Chef Gio, é a grande responsável pela entrada da gastronomia brasileira nos EUA. (Foto: Márcio Tibilleti)

Mas, até conquistar seu espaço, Giovana passou por diversas experiências e entendeu que o caminho nunca é como esperado. Em sua primeira aula na Le Cordon Bleu, por exemplo, surpreendeu-se com o tema: como fritar batata frita e nugget de frango. “Eu voltei da escola com uma tristeza profunda, não acreditei que depois de tanto trabalho eu cheguei aqui para aprender como fazer frango frito e batata”, conta Giovana. Mas assim como nos bons filmes, a reviravolta magistral veio e fez chef Gio entender uma das principais diferenças entre a gastronomia brasileira e a norte-americana: o pré-preparo do alimento.

Ela explica que a cultura de preparar os alimentos antes de cozinhá-los é a base da gastronomia estadunidense, desde os fast foods até os famosos restaurantes com 5 estrelas; esse fator acelera o procedimento e consequentemente facilita o trabalho dos chefs, viabilizando a alta gastronomia local. “Quando trabalhei no Four Season, um hotel da Disney, por um tempo fiquei responsável pelo café da manhã. Para se ter idéia, o melão, por exemplo, já vinha empacotado e cortado no formato certo. Foi um choque, mas depois que você entende os processos tudo fica mais amplo”, explica a chef Gio, que gosta de brincar chamando essa culinária de “fast alta gastronomia”, ligando os fast foods com os altos níveis da cozinha norte-americana.

Enquanto trabalhava no restaurante do famoso chef americano Emeril Lagasse, Giovana teve oportunidades de apresentar um pouco da cozinha brasileira no restaurante, mas afirmou sempre ter enorme dificuldade em fazer seus pratos serem compreendidos; como foi o caso do pão de queijo, o qual Gio teve a chance de montá-lo em um prato especial de dia dos namorados. Acompanhado de costelinha por dentro e com uma bandeira do Brasil e flores, o prato da chef foi para o cardápio e abriu as portas para novas experiências gastronômicas na Terra do Tio Sam. No mesmo restaurante, chef Gio também foi capaz de mostrar o bobó de camarão e a moqueca. “No início havia muita desconfiança com a culinária brasileira, mas quando conseguia convencê-los a provar eles se surpreendiam; foi muito gingado e atitude”, ressalta Giovana.

Como consequência, a chef começou a ser procurada por marcas brasileiras que desejavam entrar no mercado estadunidense com seus produtos. O primeiro e emblemático caso foi do próprio pão de queijo, quando prestou consultoria para a Forno de Minas. Giovana participou de um programa televisivo onde buscava vender a “ideia” do pão de queijo para os Estados Unidos, semelhante ao que fez no Emeril, apresentando-o como um produto saudável e podendo ser utilizado como lanche para as crianças nas escolas, por exemplo. O trabalho da chef foi um sucesso e hoje é possível encontrar o tradicional pão de queijo nos mais variados supermercados norte-americanos, e não apenas da Forno de Minas. “Posso garantir que outras marcas também estão em todos os supermercados”, afirma.

Chef Gio nasceu em Arapongas e conquistou a América com sua culinária. (Foto: Marcio Tibillete)

Projeto semelhante ocorreu com a Mr. Bey, fábrica de doces brasileira que desejava entrar no mercado dos Estados Unidos com suas caixas de petit gateau. A sobremesa, da forma que conhecemos, não era vendida por lá e dificilmente emplacaria nas prateleiras. Com o trabalho de adaptação feito pela chef Gio, foi possível que a Mr. Bey ganhasse espaço nos mercados estadunidenses. O bolo foi apresentado como um tipo de “volcano”, tradicional sobremesa local que era amplamente consumida. Nesse caso, o trabalho de renomear e reapresentar foi a chave para o sucesso; “hoje eles estão em três grandes distribuidoras de alimento, incluindo a US Food, que é a maior daqui”, comemora Gio, que já está em contato com outras marcas nacionais que desejam vender nos EUA.

Além do Emeril, onde trabalhou até 2019, Giovana também teve experiência de quase um semestre no Four Seasons, uma das maiores redes hoteleiras do mundo. Por lá, serviu na área de “banquetes”, trabalhando para grande quantidade de clientes e de diferentes gastronomias. “Tive alguns episódios, com culinária do Catar, do Vietnã, Índia”, lembra a chef, que era a única brasileira trabalhando na rede e era conhecida pela sua versatilidade. Cinco meses depois de ser contratada, Gio teve que voltar ao Brasil para resolver um problema de saúde, mas diz ter portas abertas para retornar ao Four Seasons. “Foi uma fase muito gostosa”, relembra.

Linha de molho gourmet para pizza

Como novidade para 2024, chef Gio está lançando uma linha de molhos gourmet no Brasil em parceria com a Ruah Alimentos. Ela foi contratada para fazer consultoria e também ajudar a alcançar o tempero ideal para o produto, que levou cerca de dois anos para ser finalizado e já superou as expectativas de venda mesmo antes de começar a ser entregue. A previsão agora é que mais de um milhão de unidades sejam adquiridas pelos maiores mercados brasileiros.

Brasil está entre as economias mais atrativas para investimentos em energia limpa, aponta BNEF
O relatório Climatescope da BloombergNEF analisa o progresso de 110 economias emergentes na área de energia limpa

 

 

Da Redação

A Índia é a economia em desenvolvimento mais atraente para investimentos em energia renovável, logo à frente da China Continental, Chile, Filipinas e Brasil, de acordo com o relatório anual Climatescope da BloombergNEF (BNEF). O Climatescope fornece uma análise do progresso e da atratividade no setor de energia limpa de 110 economias em desenvolvimento, que juntas representam quase dois terços do total de adições de capacidade global de geração de energia limpa em 2022 e 82% da população mundial.

As metas ambiciosas da Índia, seu programa de leilões de energia renovável e seu crescente investimento em capacidade de energia renovável, permitiram que o país alcançasse o topo do ranking. Esta pontuação se baseia em três parâmetros analíticos: Fundamentos, que incluem políticas-chave, detalhes sobre a estrutura do mercado de energia e barreiras que poderiam dificultar o investimento; Experiência, que considera as realizações de um mercado até o momento em todo o setor; e Oportunidades de investimento em energia limpa, que refletem o potencial de um mercado para aumentar seu poder de abastecimento de energia renovável.

A China Continental ficou em segundo lugar, mas continua sendo o maior mercado para implantação de energia limpa, com oportunidades de crescimento significativas no futuro próximo. O Chile, que estava em primeiro no ranking do ano passado, desta vez, ficou em terceiro lugar. Embora um mercado muito menor do que a Índia ou a China, tem metas ambiciosas para adicionar mais capacidade de energia renovável e políticas bem estruturadas que impulsionam o investimento.

As Filipinas, em quarto lugar, é a única economia a ter entrado recentemente entre os quatro primeiros, subindo seis posições em relação ao ano passado. O mercado já realizou dois leilões de energia renovável, e seu ambiente político favorável, que inclui uma estratégia ambiciosa para produção de energia eólica offshore, estimula o crescimento do investimento em energia limpa. O Brasil completa os cinco primeiros, subindo do nono lugar no ano passado, depois de um boom de adições de instalações solares em pequena escala – graças, em grande parte, a um sistema bem-sucedido de compensação de energia (net-metering) – que adicionou quase 11GW dessa tecnologia só em 2022.

Sofia Maia, head of country transition research da BNEF, comenta que para atrair investimentos em energia limpa, “a primeira coisa que estes países precisam é de um mercado de eletricidade bem estruturado, com uma série de políticas em vigor para apoiar suas metas de energia renovável. Os primeiros cinco países do Climatescope refletem isso claramente, e é por isso que todos permaneceram entre os 10 principais mercados nos últimos quatro anos”.

Além dos mercados no ranking, o Climatescope oferece uma avaliação geral da transição para energia limpa nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento. Dos 110 mercados emergentes, 102 estabeleceram metas de energia renovável, e um número recorde de 74 mercados instalou pelo menos 1MW de energia solar só no ano passado. Além disso, o ritmo das instalações está acelerando, com economias em desenvolvimento instalando 222GW de energia eólica e solar em 2022, uma alta de 23% em relação ao ano anterior.

No entanto, o progresso e os investimentos em mercados emergentes estão altamente concentrados, em apenas 15 mercados (excluindo a China Continental), representando 87% dos investimentos em energias renováveis em 2022. O Brasil, a Índia e a África do Sul foram os três principais mercados não chineses para investimentos em energia renovável no ano passado, respondendo juntos por mais da metade dos US$ 80 bilhões investidos em economias em desenvolvimento fora da China Continental. O relatório também encontrou uma grande lacuna entre as ambiciosas metas e as ações efetivas para alcançá-las. Dos 102 mercados com metas de energia renovável, 57 ainda não atingiram a metade dos níveis visados (o que indica uma “grande” diferença na Figura 2 abaixo).

Luiza Demoro, head of energy transitions da BNEF, considera que “acelerar o investimento em energia limpa em economias em desenvolvimento é um dos desafios mais importantes enfrentados pela comunidade internacional hoje, e para isso será necessária uma combinação de políticas inteligentes e de apoio multilateral”.

“Como sede do G-20 e da COP30 do próximo ano em 2025, o Brasil, quinto colocado no ranking do Climatescope, pode desempenhar um papel fundamental para destravar o progresso da descarbonização em todo o mundo em desenvolvimento”, acrescentou.