Mobilidade é estratégia para ampliar a competitividade dos destinos turísticos brasileiros
Propostas do Sistema CNC-Sesc-Senac defendem investimentos em infraestrutura, integração entre modais, aviação regional e conectividade para reduzir gargalo

 

Da Redação

A mobilidade está entre os eixos estratégicos apontados pelo Sistema CNC-Sesc-Senac como prioritários para o fortalecimento do turismo brasileiro. Por meio do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apresentou aos pré-candidatos à Presidência da República, durante a Agenda dos Presidenciáveis 2026, uma agenda de propostas voltada à construção de políticas públicas capazes de ampliar a competitividade dos destinos, estimular investimentos e promover o desenvolvimento econômico e social.

Reunidas na publicação Políticas Públicas de Turismo – Propostas e Recomendações, as propostas consideram a mobilidade um fator determinante para a capacidade de atração e permanência de visitantes. A agenda defende a melhoria da infraestrutura urbana e regional, o aumento da conectividade e a integração dos diferentes modais de transporte como medidas essenciais para facilitar o acesso aos destinos e aprimorar a experiência turística.

O documento parte de um cenário de expansão da atividade. Em 2025, o turismo brasileiro alcançou seu melhor desempenho dos últimos 14 anos, representando cerca de 8,1% do Produto Interno Bruto (PIB), impulsionado pelo crescimento do turismo doméstico e pelo recorde de 9,3 milhões de turistas internacionais.

Pelo menos 850 instituições participaram do processo de construção das propostas, que contou ainda com a contribuição de 32 entidades nacionais representativas da cadeia produtiva do turismo. Essas organizações estiveram à frente da elaboração das recomendações nacionais e assinam o documento, consolidando uma agenda construída de forma ampla e participativa.

A importância da mobilidade aparece na consolidação das propostas elaboradas pelas 27 unidades da Federação durante as oficinas do programa Vai Turismo – Rumo ao Futuro, iniciativa nacional da CNC voltada ao desenvolvimento sustentável e ao fortalecimento da competitividade do turismo brasileiro.

Infraestrutura como fator de competitividade

A agenda estratégica destaca que a conectividade e a mobilidade influenciam diretamente a competitividade dos destinos turísticos. Sistemas de transporte mais eficientes contribuem para melhorar o acesso, reduzir gargalos logísticos e favorecer a circulação de visitantes entre diferentes regiões.

Nesse sentido, uma das propostas é priorizar investimentos federais na qualificação da mobilidade em territórios turísticos estratégicos, especialmente aqueles que apresentam alto fluxo de visitantes ou baixa conectividade. A recomendação prevê a articulação entre políticas de transporte urbano e regional, com critérios de elegibilidade e indução de projetos integrados.

A iniciativa busca melhorar a acessibilidade, a fluidez do tráfego e a experiência de deslocamento dos turistas, considerando a mobilidade como uma questão de infraestrutura, mas também como parte da própria experiência de viagem.

Aviação regional no centro da agenda

A conectividade aérea é outro ponto de destaque entre as recomendações. Para o trade turístico, o fortalecimento da política nacional de aviação regional passa pela modernização de aeroportos estratégicos, aperfeiçoamento regulatório e concessões.

A agenda também defende a adoção de incentivos fiscais e operacionais que possam aumentar o acesso a destinos prioritários e contribuir para o aumento da competitividade do setor.

A ampliação da conectividade regional é considerada especialmente relevante para destinos que possuem potencial turístico, mas enfrentam barreiras de acesso. A redução dos custos associados à mobilidade e a oferta de alternativas de transporte são apontadas como fatores essenciais para integrar territórios e distribuir melhor os fluxos de visitantes.

Integração entre diferentes modais

Além da aviação, as propostas defendem uma abordagem integrada da logística turística. A recomendação é articular, em escala nacional, a conexão entre os destinos turísticos e os principais centros emissores, coordenando os diferentes modais de transporte.

A medida busca reduzir gargalos estruturais, promover a integração regional, otimizar os fluxos e diminuir os deslocamentos necessários para que o visitante chegue aos destinos. A integração modal também pode contribuir para ampliar a circulação de turistas entre diferentes localidades, fortalecendo cadeias econômicas associadas à atividade.

Para o Sistema CNC-Sesc-Senac, o enfrentamento dos gargalos de mobilidade deve fazer parte de uma política pública estruturante, articulada entre União, Estados, Municípios e iniciativa privada.

Infraestrutura náutica e economia azul

A mobilidade turística também contempla os deslocamentos por vias aquáticas. Nesse campo, a agenda propõe a estruturação de uma política nacional para o desenvolvimento da infraestrutura náutica turística.

A recomendação prevê diretrizes para planejamento costeiro e hidroviário, licenciamento ambiental e incentivos a investimentos sustentáveis. O objetivo é aumentar a conectividade, fomentar a economia azul e, simultaneamente, contribuir para a conservação dos ecossistemas aquáticos.

A proposta amplia a discussão sobre mobilidade para além dos sistemas tradicionais de transportes terrestre e aéreo, considerando o potencial das vias navegáveis e das áreas costeiras para a integração dos destinos turísticos brasileiros.

Conectividade para distribuir os fluxos turísticos

Nas regiões Norte e Nordeste, a agenda regional destaca a necessidade de desenvolver a competitividade turística, com ênfase na melhoria da conectividade aérea, na qualificação da oferta e no fortalecimento do posicionamento dos destinos nos mercados nacional e internacional.

A expansão de rotas, a integração regional e o aprimoramento da mobilidade são apontados como fatores importantes para reduzir as barreiras de acesso aos destinos nordestinos e favorecer uma distribuição mais equilibrada dos fluxos turísticos.

A abordagem está alinhada à compreensão de que o crescimento do turismo depende não apenas da capacidade de atração dos destinos, mas também das condições oferecidas para que o visitante possa chegar, circular e permanecer neles.

Agenda estratégica do Sistema CNC-Sesc-Senac propõe novo ciclo de desenvolvimento para o turismo brasileiro
Documento reúne propostas para ampliar a competitividade do turismo e consolidar políticas públicas capazes de posicionar o Brasil entre os principais destinos turísticos do mundo

 

Da Redação

O turismo brasileiro ganhou espaço no centro do debate sobre o futuro do desenvolvimento econômico nacional durante a Agenda dos Presidenciáveis 2026, realizada no dia 8 de julho, no Centro Empresarial CNC, em Brasília. Na ocasião, o Sistema CNC-Sesc-Senac entregou aos pré-candidatos à Presidência da República o documento Políticas Públicas de Turismo – Propostas e Recomendações (leia a íntegra do documento aqui), publicação que reúne uma agenda estruturada para orientar a formulação de políticas públicas capazes de fortalecer o turismo como vetor estratégico de crescimento econômico, geração de empregos, desenvolvimento regional e atração de investimentos.

A entrega integra a Agenda dos Presidenciáveis 2026, iniciativa do Sistema CNC-Sesc-Senac que consolida propostas do setor terciário para contribuir com a construção dos programas de governo dos futuros candidatos à Presidência da República.

As propostas do Sistema CNC-Sesc-Senac evidencia que o turismo deve ocupar posição estratégica nas políticas públicas nacionais. A publicação parte da compreensão de que investir na atividade significa impulsionar cadeias produtivas, fortalecer pequenos negócios, promover inclusão social, preservar patrimônios culturais e ambientais e estimular o desenvolvimento equilibrado das diferentes regiões brasileiras.

O documento é resultado de um amplo processo colaborativo conduzido pela CNC, por meio do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), envolvendo empresários, especialistas, gestores públicos, representantes da academia e entidades nacionais ligadas ao turismo.

As recomendações foram construídas a partir da escuta das diferentes realidades regionais, considerando vocações econômicas, potencialidades e desafios específicos dos destinos brasileiros. A metodologia incorporou referências internacionais, estudos técnicos e conceitos alinhados ao modelo de Destinos Turísticos Inteligentes (DTI), utilizado como referência para elevar a competitividade do turismo nacional.

A publicação também demonstra que políticas públicas consistentes exigem planejamento de longo prazo, coordenação entre diferentes níveis de governo e integração entre iniciativa privada e poder público. Por isso, as propostas procuram transformar demandas históricas do setor em recomendações estruturadas, capazes de produzir impactos permanentes sobre a economia e a qualidade dos destinos turísticos brasileiros.

“As propostas entregues aos pré-candidatos representam uma construção coletiva que reúne a visão do setor produtivo, especialistas e gestores de todo o País. Nosso objetivo é contribuir para que o turismo seja tratado como uma política de Estado, com planejamento de longo prazo, segurança jurídica e ações capazes de ampliar a competitividade dos destinos brasileiros, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento econômico”, afirma o diretor da CNC responsável pelo Cetur, Alexandre Sampaio.

Ao longo da publicação, a mensagem institucional da CNC ressalta que o turismo deve ser compreendido como atividade econômica e como política de desenvolvimento nacional. O documento destaca que o fortalecimento do setor depende da construção de uma agenda permanente entre governos, iniciativa privada e sociedade, capaz de garantir continuidade às ações estratégicas independentemente dos ciclos políticos.

As propostas chegam em um momento considerado especialmente favorável para o turismo brasileiro. Segundo o estudo elaborado pela CNC, o setor encerrou 2025 com o melhor desempenho dos últimos 14 anos, consolidando uma trajetória consistente de recuperação e crescimento após os impactos da pandemia.

As atividades turísticas passaram a representar aproximadamente 8,1% do Produto Interno Bruto nacional, enquanto o Índice de Atividades Turísticas (Iatur), divulgado pelo IBGE, registrou crescimento de 4,6% em relação ao ano anterior, alcançando o maior nível da série histórica. O resultado marcou o quinto ano consecutivo de expansão do setor.

Outro indicador destacado é o recorde histórico de visitantes internacionais. Em 2025, o Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas estrangeiros, alta de 37% em relação ao ano anterior. O fluxo internacional gerou US$ 7,9 bilhões em receita cambial, também o maior resultado já registrado pelo País.

O turismo doméstico igualmente apresentou desempenho expressivo. Os aeroportos brasileiros movimentaram 129,6 milhões de passageiros, dos quais 101,2 milhões em voos domésticos, o maior volume da história da aviação nacional.

No mercado de trabalho, o setor respondeu pela geração de 99,9 mil vagas em 2025, com expectativa de criação de outras 92 mil em 2026. Somente na alta temporada, a projeção é de abertura de 87,6 mil empregos formais temporários, principalmente nos segmentos de alimentação, transporte e hospedagem.

Diante desse cenário, o documento defende que o turismo reúna condições para assumir protagonismo ainda maior na estratégia de desenvolvimento nacional, desde que sejam superados gargalos históricos relacionados à infraestrutura, conectividade, qualificação profissional, inovação, segurança, sustentabilidade e governança.

Agenda para o turismo do futuro

As propostas nacionais apresentadas pelo Sistema CNC-Sesc-Senac foram organizadas em 23 recomendações distribuídas em nove eixos estruturantes, considerados essenciais para elevar a competitividade dos destinos brasileiros e alinhar o País às melhores práticas internacionais. As diretrizes contemplam acessibilidade, criatividade, governança, inovação, marketing, mobilidade, segurança, sustentabilidade e tecnologia, formando uma agenda integrada voltada ao desenvolvimento do turismo de forma permanente.