2,74 milhões de famílias que aumentaram a renda com trabalho continuam no Bolsa Família pela Regra de Proteção
Ministro Wellington Dias apontou que número é reflexo do crescimento econômico do país

No mês do primeiro aniversário da retomada do Bolsa Família, 2,74 milhões de domicílios se encontram na Regra de Proteção, número recorde na história do programa. Somente em março, 601,83 mil famílias entraram nesta condição, uma das novidades do novo modelo de transferência de renda. O benefício médio para elas, neste mês, é de R$370,49.

A medida vale para as famílias com elevação de renda acima do limite de entrada no programa, R$218 per capita, para até meio salário mínimo (R$706) por componente familiar. O objetivo é garantir um período de maior estabilidade financeira e a saída da linha de pobreza de forma consistente, apoiando a entrada no mercado de trabalho ou o empreendedorismo, sem retirar totalmente a proteção às famílias.

“Antes, quem entrava no Bolsa Família e assinava a carteira perdia o benefício só porque se efetivou em um trabalho formal. Agora não. A gente mede a renda”, explicou o ministro Wellington Dias, que apontou o crescimento da economia do país, aliado à valorização do salário mínimo e do aumento do emprego formal em 2023, como fatores para a entrada de mais famílias na Regra de Proteção.

“No ano passado já tivemos seis milhões de pessoas que ultrapassaram a linha da pobreza e não estão mais no Bolsa Família porque cresceu a renda. Neste ano, a economia deve crescer novamente na casa de 3%. Isso vai significar um novo saldo positivo de emprego”, completou o titular do MDS.

A maior parte das famílias em Regra de Proteção, em março, está na região Sudeste, com 984,84 mil lares. Em seguida aparece a região Nordeste, com 960,87 mil famílias. São ainda 289,96 mil no Sul, 280,22 mil no Norte e 221,71 mil no Centro-Oeste.

Uma dessas famílias é a de Rafaella Cristina, 25 anos, que teve a carteira de trabalho assinada pela primeira vez no ano passado. Hoje ela trabalha como operadora de cafeteria no mercado Atacadão, em Teresina, e pode dar melhores condições de vida ao filho Nycollas Emanuel, de cinco anos. Ela recebe o Bolsa Família desde 2020, período da pandemia.

“Eu sempre trabalhei em casas de família, fazendo faxina e ajudando nas tarefas domésticas. Nunca fiquei sem trabalhar. Mas com esse novo emprego, tenho a oportunidade de oferecer coisas melhores para meu filho. Está sendo uma experiência maravilhosa, uma oportunidade que nunca tive antes. Este é meu primeiro emprego de carteira assinada”, revelou.

As famílias entraram na Regra de Proteção por conta da integração dos dados do Cadastro Único com o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) em que é possível checar a renda familiar com precisão e em menos tempo. O CNIS conta com mais de 80 bilhões de registros administrativos referentes a renda, vínculos de emprego formal e benefícios previdenciários e assistenciais pagos pelo INSS, revelando um mapa atualizado dos ganhos familiares.

Como funciona

As famílias que elevam a renda para até meio salário mínimo (R$706) por integrante, de qualquer idade, entram na Regra de Proteção. Para esse cálculo, é levada em conta apenas a remuneração recebida pelos membros da família, e não o valor do benefício do Bolsa Família.

“Calculamos o salário mínimo que ela passou a ganhar por sete pessoas, dá abaixo de R$218. Então, ela recebe o Bolsa Família e o salário. Se outra pessoa da família arranjar um emprego e vai para R$400 per capita naquela família, está acima de R$ 218, mas está abaixo de R$ 706. Ela não sai do programa. Recebe os dois salários e metade do Bolsa Família. É o que a gente chama de Regra de Proteção”, exemplificou o ministro Wellington Dias.

A família que entra em Regra de Proteção continua no programa por até dois anos, recebendo 50% do valor a que teria direito caso não estivesse nesta condição, incluindo os adicionais para crianças, adolescentes, nutrizes e gestantes. O prazo é contado a partir da data da atualização de renda no Cadastro Único.

Se a família perder a renda depois dos dois anos, ou tiver pedido para sair do programa, ela tem direito ao Retorno Garantido, e o benefício volta a ser pago. A reversão de cancelamento do benefício é feita diretamente pelos municípios no Sistema de Benefícios ao Cidadão (Sibec).

Cirurgia pioneira na troca de válvula do coração é destaque de seminário que começou hoje no Rio de Janeiro
Realizado no Hospital São Luiz Itaim, em São Paulo, procedimento foi o primeiro a ser realizado na América Latina. Valve in Rio chega a sua 4ª edição

Vinícius Esteves, Cleverson Zukowski e Olga Souza, coordenadores da 4ª edição do VALVE IN RIO (Foto: EuroCom)

Da Redação

Acontece entre hoje e amanhã (sexta-feira), no Hotel Fairmont, em Copacabana, a 4ª edição do VALVE IN RIO. Promovido pela Cardiologia D’Or, o evento reúne renomados cardiologistas nacionais e estrangeiros para debater os principais avanços nos tratamentos intervencionistas minimamente invasivos das doenças valvares do coração. São mais de 100 palestrantes, incluindo 22 médicos da Europa e das Américas do Norte e do Sul. Presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro, Marcelo Heitor Vieira Assad esteve presente na abertura e destacou a importância desse evento para a medicina do estado. “O evento é de extrema relevância, pois reúne profissionais de reconhecida robustez de conhecimento. Isso mostra a pujança da Rede D’Or e a importância do Rio de Janeiro”, afirma o médico.

O envelhecimento da população vem exigindo uma atenção cada vez maior com a saúde do coração. Conforme o avançar da idade, é esperada uma degeneração das quatro válvulas, que garantem a circulação correta do sangue. Um mau funcionamento pode exigir que o coração faça um esforço maior para bombear o sangue. Estudos apontam, por exemplo, que de 3% a 5% da população pode apresentar algum grau de acometimento da válvula aórtica, a partir dos 65 anos.

Segundo Vinicius Esteves, um dos coordenadores do Simpósio, entre os destaques da programação estão os avanços de técnicas na intervenção da válvula tricúspide. Considerada por anos como a “válvula esquecida”, por não ter tido tanta atenção em estudos e pesquisas como a mitral e a aórtica, a tricúspide tem sido abordada em novos procedimentos cirúrgicos. Um dos destaques da programação será justamente a apresentação de uma cirurgia pioneira de troca de válvula tricúspide por cateter. O procedimento, realizado em fevereiro deste ano no Hospital São Luiz Itaim, em São Paulo, abre novos horizontes para pacientes idosos que desenvolvem insuficiência tricúspide. É o caso de uma paciente de 79 anos, a primeira a passar pela cirurgia. Responsável pelo procedimento, Esteves explica que, sem a intervenção, as perspectivas da paciente eram bem reduzidas. “Chegaria um momento em que os medicamentos não teriam mais efeito e, muito provavelmente, sofreria um quadro de insuficiência cardíaca irreversível”, relata. A expectativa é que retome rotinas que antes eram impeditivas, como sair para andar.

Evento receberá 22 palestrantes estrangeiros (Foto: EuroCom)

A cirurgia também é um exemplo dos avanços em procedimentos minimamente invasivos. O cateter é introduzido através de um pequeno furo preferencialmente na veia jugular direita, localizada na região do pescoço, e serve de veículo para transportar até o coração o dispositivo que será implantado no coração. “É uma técnica tão eficaz e segura quanto a cirurgia convencional, mas bem menos agressiva”, diz o coordenador do evento.

Presidente da Cardiologia D’Or, Olga Souza ressalta que, em paralelo às mesas, também haverá workshops para capacitar os profissionais que realizam a ecocardiografia, exame fundamental para o sucesso de uma cirurgia cardíaca, bem como de enfermagem em intervenção estrutural. “Teremos espaço para que os participantes dos seminários e workshops possam se atualizar discutindo casos concretos com alguns dos melhores profissionais do mundo”, celebra.

VALVE IN RIO

Dias: 14 e 15 de março
Local: Hotel Fairmont – Av. Atlântica, 4240 – Copacabana – Rio de Janeiro
Inscrições: https://www.valveinrio.com/

Bem-estar no trabalho e plano de carreira: entenda a importância de um ambiente voltado a pessoas
Saiba como programas de saúde mental, treinamentos constantes e investimentos em ambientes de trabalho refletem no crescimento profissional

 

Djane Michele Schreiber, gerente de gestão de pessoas da Huvispan Têxtil.

De acordo com pesquisa, estar em um ambiente de trabalho saudável e com perspectivas de crescimento é essencial para quase metade dos colaboradores. Cerca de 56% dos brasileiros consideram importante um ambiente que promova a saúde física e mental dos colaboradores, além de proporcionar crescimento interno.

Para alcançar o engajamento e satisfação dos colaboradores, é essencial que as empresas compreendam suas necessidades além do aspecto financeiro. Uma pesquisa da Page Outsourcing revelou que os brasileiros sentem falta de informações claras sobre planos de carreira e acreditam que as promoções devem ser baseadas no mérito do colaborador.

Djane Michele Schreiber, gerente de gestão de pessoas da Huvispan Têxtil, empresa catarinense de tinturaria e acabamento para o setor têxtil, explica que  o plano de carreira inclui metas como promoções, ajustes salariais e treinamentos, sendo essencial para guiar o crescimento dos colaboradores. “Investir no desenvolvimento de colaboradores é uma estratégia que é benéfica para ambos os lados, além de fortalecer a equipe atual, você estará preparando a empresa para enfrentar desafios futuros e crescer de forma sustentável. Ao adotar uma abordagem proativa para o desenvolvimento de colaboradores, a empresa se destaca como um empregador de escolha, atraindo talentos e mantendo uma equipe altamente capacitada. Isso, por sua vez, impulsiona a inovação e o crescimento dos negócios”, afirma a gestora.

Empresa catarinense investe no colaborador

Um exemplo de empresa que busca investir cada vez mais no quesito bem-estar, qualidade de vida e crescimento profissional é a Huvispan Têxtil. A empresa se destaca pela variedade de iniciativas dedicadas ao avanço profissional de seus colaboradores.

“Desde 2022 implementamos o ‘Programa de Saúde Mental’, que tem como intuito proporcionar atendimento psicológico interno e acessível, além do ‘Programa de Desenvolvimento de Líderes’, que existe há seis anos e visa capacitar líderes por meio de coaching individual e em grupo”, relata Djane Schreiber.

A profissional destaca que a valorização do crescimento interno é evidente no recrutamento e promoções dos colaboradores, sendo uma prioridade da empresa. “Anualmente estamos lançando incentivos internos diferentes, que possuem o intuito de desenvolver talentos internos. Neste ano retomamos a aplicação da Avaliação de Desempenho e o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), através de um sistema, facilitando o acesso de todos, proporcionando feedback construtivo e oportunidades de crescimento a todos os colaboradores.  Em conjunto com esse processo, a empresa lançou a Trilha de Carreira Huvispan, trazendo clareza das perspectivas de crescimento de carreira de cada colaborador. A empresa também realiza pesquisas referentes ao ambiente de trabalho, oferece treinamentos regulares e prioriza a promoção interna como parte de sua abordagem”, finaliza Djane.

Renda habitual média dos brasileiros cresceu 3,1% de 2022 para 2023
Valor passou de R$ 2.985 para R$ 3.100 em dezembro dos anos comparados

Da Agência Brasil

Estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta um crescimento de 3,1% na renda habitual média do trabalhador brasileiro em 2023 frente a 2022. A pesquisa, divulgada nessa sexta-feira (8), tem como base os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua).

As estimativas mostram que o rendimento habitual médio real em dezembro de 2023 (R$ 3.100) foi 0,7% maior que o observado no mês anterior (R$ 3.078) e 3,9% superior ao valor de dezembro de 2022 (R$ 2.985). Em janeiro de 2024, a estimativa mensal avançou para R$ 3.118.

De acordo com o Ipea, no segundo trimestre de 2023, a renda média ficou acima da observada no mesmo trimestre de 2019 pela primeira vez desde a pandemia (0,6%). Já no quarto trimestre de 2023, superou o mesmo trimestre de 2019 em 2,1%.

“O rendimento habitual refere-se à remuneração recebida por empregados, empregadores e trabalhadores por conta própria, mensalmente, sem acréscimos extraordinários ou descontos esporádicos, ou seja, sem parcelas que não tenham caráter contínuo”, informou o instituto.

Perfil

Os maiores aumentos na renda em comparação ao quarto trimestre de 2022 foram registrados nas regiões Norte (4,1%) e Nordeste (4%), entre os trabalhadores de 40 a 59 anos (4,1%), com ensino médio completo (3,2%).

Apenas os trabalhadores que têm no máximo o ensino fundamental completo apresentaram queda na renda. O crescimento foi menor para os que vivem no Sul e Centro-Oeste, os maiores de 60 anos, homens e chefes de família.

Ainda de acordo com o estudo, os rendimentos habituais recebidos pelas mulheres registraram crescimento interanual maior que os dos homens ao longo de todos os trimestres de 2023 – revertendo o desempenho de anos anteriores. No quarto trimestre, o aumento entre as mulheres foi de 4,2%, contra 2,5% de alta na renda média habitual dos homens.

Setores

Empregados do setor privado sem carteira apresentaram um maior crescimento interanual da renda no quarto trimestre de 2023 (6,9%). Depois de alguns trimestres com forte elevação nos rendimentos, os trabalhadores autônomos obtiveram um aumento de 0,3% em relação ao mesmo trimestre de 2022. Já os trabalhadores do setor público e os empregados com carteira assinada registraram altas de 3,9% e 2,1%, respectivamente.

No recorte por setor, no quarto trimestre de 2023, houve queda da renda no transporte (-1,7%) e na construção (-3,8%), em relação ao mesmo período de 2022. Já os trabalhadores da indústria (5,7%), do comércio (5,9%) e da administração pública (4,6%) obtiveram as maiores altas no último trimestre do ano passado.

“Outro ponto positivo foi a recuperação da renda na agricultura (0,9%), após uma forte queda de 4,6% no trimestre anterior”, destacou o Ipea.