Entidades de saúde cobram informações sobre vacinação contra Covid-19
Instituições destacam que vacinas oferecidas são insuficientes para imunizar o público prioritário

 

 

Da Redação

Cientes de que as 183 mil doses destinadas inicialmente a Goiás não serão suficientes para a imunização do público prioritário, incluindo os trabalhadores da saúde, entidades representativas dos hospitais, laboratórios, clínicas de imagem, bancos de sangue e demais estabelecimentos de serviços de saúde privados goianos solicitaram informações ao Estado e aos municípios sobre a vacinação dos profissionais de saúde destas instituições contra a Covid-19.

A Federação dos Hospitais, Laboratórios, Clínicas de Imagem e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado de Goiás (Fehoesg), Sindicatos federados (Sindhoesg, Sindimagem e Sindilabs-GO e a Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) enviaram ofícios às Secretarias de Saúde do Estado e da capital solicitando informações sobre a distribuição das doses e o calendário de vacinação.

“As 183 mil doses da CoronaVac que o Estado de Goiás recebeu são suficientes para vacinar 87 mil pessoas do grupo prioritário, atendendo idosos e profissionais da saúde. Nossos trabalhadores estão na linha de frente do atendimento desde o início da pandemia, por isso, precisamos ter transparência no uso da vacina”, diz a presidente da Fehoesg e do Sindilabs-GO, Christiane do Valle.

A Secretaria de Saúde de Goiânia já solicitou à Fehoesg as informações sobre o número de trabalhadores de cada estabelecimento, incluindo profissionais de saúde e equipes de apoio, como recepcionistas, maqueiros e trabalhadores da área de limpeza. Esses dados devem ser enviados ao órgão ainda hoje, 21.

Com esse trabalho conjunto e transparência na distribuição da vacina em todo o Estado, a presidente da Fehoesg visa alcançar a proteção do maior número possível de trabalhadores da saúde e evitar riscos de uso inadequado da vacina, como já denunciado em outros Estados brasileiros.

Índia autoriza exportação da vacina de Oxford para o Brasil, diz agência Reuters
País vinha segurando remessa porque seu programa nacional de imunização ainda não havia começado

Do G1

O governo da Índia autorizou as exportações comerciais de vacinas contra a Covid-19, disse o secretário de Relações Exteriores indiano, Harsh Vardhan Shringla, à agência de notícias Reuters. A informação foi confirmada pela TV Globo com o Consulado indiano em São Paulo.

As primeiras doses da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca, que são fabricadas pelo Instituto Serum da Índia (SII), devem ser enviadas para Brasil e Marrocos nesta sexta-feira (23).

Até o momento, o país havia apenas enviado remessas de vacinas, gratuitas, a países vizinhos.

O G1 entrou em contato com o Ministério da Saúde a respeito e, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido resposta. A reportagem também perguntou à AstraZeneca sobre a entrega das vacinas contratadas e atualizará esta matéria assim que tiver uma posição oficial.

Segundo o Consulado em São Paulo, um avião do Instituto Serum partirá da Índia na sexta e deve desembarcar no aeroporto de Guarulhos ainda no sábado (22). De lá, o carregamento será enviado para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, para ser etiquetado e armazenado.

Dificuldades na importação

O governo indiano suspendeu a exportação de doses até iniciar seu próprio programa doméstico de imunização no fim de semana passado. No início desta semana, ele enviou carregamentos gratuitos para países vizinhos, incluindo Butão, Maldivas, Bangladesh e Nepal.

O Brasil vinha enfrentando dificuldades para liberar carga de 2 milhões de doses de vacina que comprou do Instituto Serum. Ontem, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Ernesto Araújo, disse que não havia prazo para receber as doses, mas negou que problemas políticos e diplomáticos com a Índia tenham atrasado a entrega.

“Em relação ao prazo para entrega das vacinas que estamos importando da Índia, eu não posso mencionar agora um prazo, mas queria reiterar que está bem encaminhado e que estou conduzindo pessoalmente as conversações com as autoridades da Índia”, afirmou o chanceler brasileiro.

O secretário das Relações Exteriores da Índia disse à Reuters que o fornecimento comercial da vacina começa na sexta-feira. Na quarta (20), o país começou a enviar suas primeiras doses para o país vizinho, Butão.

Na quinta-feira (21), a Índia enviou 1 milhão de vacinas contra Covid de graça ao Nepal.

Shringla explicou que as remessas estão de acordo com o compromisso do primeiro-ministro Narendra Modi de que as capacidades de produção da Índia seriam usadas para “toda a humanidade” para combater a pandemia.

“Seguindo essa visão, respondemos positivamente aos pedidos de países de todo o mundo de fornecimento de vacinas manufaturadas na Índia, começando pelos nossos vizinhos”, disse ele, referindo-se ao fornecimento gratuito.

“O fornecimento das quantidades comercialmente contratadas também começará a partir de amanhã (sexta), começando por Brasil e Marrocos, seguidos de África do Sul e Arábia Saudita”, acrescentou.

Incêndio na Índia atinge maior fabricante de vacinas do mundo
Fogo atingiu uma nova instalação que estava sendo construída para aumentar a produção de vacinas contra a covid-19

 

 

Do Valor Econômico

Um incêndio atingiu nesta quinta-feira um prédio em construção no Instituto Serum, na Índia, o maior fabricante de vacinas do mundo.
Os bombeiros estavam apagando a chamas no anexo que estava sendo erguido no complexo industrial, que fica na cidade de Pune, no sul do Estado de Maharashtra. A causa do incêndio e a extensão dos danos ainda são desconhecidas.

A empresa disse que o incêndio atingiu uma nova instalação que estava sendo construída para aumentar a produção de vacinas contra a covid-19 e garantir que o Instituto Serum esteja mais bem preparado para futuras pandemias.

As chamas não atingiram os demais prédios onde as vacinas estão já sendo produzidas. Um estoque de 50 milhões de doses também está intacto. Por enquanto, não há relatos de vítimas.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram uma enorme nuvem de fumaça saindo do prédio enquanto os bombeiros seguem trabalhando para controlar o fogo.

O Instituto Serum é um o maior fabricante de vacinas do mundo e foi contratado para produzir 1 bilhão de doses do imunizante desenvolvido pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford.

Como os países ricos já assinaram contratos com as principais fabricantes globais para garantir antecipadamente doses da vacina, o Instituto Serum deve produzir a maior parte dos imunizantes que será utilizada pelos países em desenvolvimento e pobres.

Apesar de não ter afetado a produção e o estoque, o incêndio pode atrapalhar os planos da empresa de ampliar a fabricação de vacinas ainda neste ano. A nova instalação era chave para que a produção passasse de 1,5 bilhão de doses para 2,5 bilhões de doses por ano ainda em 2021.

Saúde do coração preocupa
Cardiologista alerta para risco de doenças crônicas que são fatores de risco para problemas cardíacos

 

Ludhmila Hajjar alerta para o risco de crescer casos de hipertensão e a diabetes, que são fatores de risco para problemas cardíacos

 

Da Redação

Cardiologista intensivista da Rede D’Or São Luiz, Ludhmila Abrahão Hajjar avalia que 2020 foi um ano muito difícil para o coração dos pacientes. O novo coronavírus demonstrou ser bem perigoso para quem sofre de problemas cardíacos, por desequilibrar doenças cardiovasculares que antes estavam compensadas. “Houve momento em que 50% dos óbitos de vítimas do Covid19 ocorriam por problemas cardiovasculares”, destaca.

Ela alerta, no entanto, que o vírus não foi a única razão para o aumento de óbitos durante a pandemia. Outra letalidade cresceu de forma silenciosa. O país registrou, ao longo do ano, o aumento de mortes por doenças do coração. Ludmila cita estudos que apontam que Manaus, por exemplo, viu os óbitos por essas causas crescerem 132% a mais do que no ano anterior. Em Belém, o aumento foi de 126%; Fortaleza, 87%; Recife, 71%; Rio de Janeiro, 38% e São Paulo, 31%.

Entretanto, ainda há o temor de que esse cenário possa piorar caso aumente o número de casos de doenças crônicas, como a hipertensão e a diabetes, que são silenciosas e fatores de risco para problemas cardíacos. O relato de Ludhmila é de quem lida diariamente com o problema. Ela tem visto de perto pacientes que deixaram de fazer seus exames e agravaram seus quadros. O desafio é mudar esse cenário e incentivar que as pessoas retomem os cuidados com a própria saúde.

“As doenças cardiovasculares podem acontecer em qualquer idade. Nesse sentido, é fundamental ter hábitos de vida saudáveis e ir ao médico periodicamente, para prevenir enfermidades como a hipertensão, que pode provocar um AVC”, ressalta a cardiologista”, que também é coordenadora da UTI Cardio COVID do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.