Embraer celebra 25 anos do Programa de Especialização em Engenharia
Mestrado profissional em parceria com o ITA é um dos mais longevos modelos corporativos de desenvolvimento intelectual e tecnológico do Brasil

 

 

Da Redação

A Embraer celebra nesse mês de março 25 anos do Programa de Especialização em Engenharia (PEE) que se tornou uma das principais portas de entrada de engenheiros e engenheiras que desejam trabalhar na empresa. O mestrado profissional é realizado em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Ao longo desse período, 1.800 profissionais recém-formados em diversas áreas da engenharia concluíram a iniciativa de aceleração de aprendizado para atuação em tecnologias aeronáuticas. Outras 90 pessoas participam atualmente do programa, em linha com os objetivos de ter uma maior disponibilidade de profissionais altamente qualificados e alinhados às estratégias de crescimento da companhia.

“Ao longo desses 25 anos, o PEE esteve em constante evolução para adequar a especialização dos profissionais às necessidades e desafios da empresa. Além disso, proporciona uma oportunidade diferenciada de carreira por meio do desenvolvimento das competências técnicas e pessoais, colaboração e construção do futuro da aviação sustentável”, disse Andreza Alberto, Vice-Presidente de Pessoas, ESG e Comunicação Corporativa da Embraer.

 “O PEE tem nos permitido atrair e desenvolver talentos diferenciados que, ao longo dos últimos 25 anos, muito contribuíram para a criação de produtos de enorme sucesso como os E-Jets, KC-390, Phenoms e Praetors”, disse Luís Carlos Affonso, Vice-Presidente de Engenharia e Desenvolvimento Tecnológico da Embraer. “Em especial, agradecemos a parceria do ITA, instituição que promove ensino, pesquisa e extensão, com foco no desenvolvimento científico-tecnológico para atender às necessidades do setor aeroespacial brasileiro.”

A capacidade técnica e tecnológica da Embraer se fortalece continuamente por meio de parcerias com instituições de pesquisa e iniciativas de formação e capacitação de novos talentos. As aulas do PEE são ministradas por professores do ITA, por experientes profissionais da Embraer e consultores contratados, somando 3 mil horas de treinamento teórico e aplicado em regime de dedicação integral.

Em média, a Embraer recebe 5 mil inscrições por ano para o processo seletivo que é aberto para engenheiros de todo o Brasil. A última turma foi formada por 29% de mulheres, demonstrando um ritmo crescente do interesse feminino pelo programa.

Estrutura educacional

A primeira aula aconteceu no dia 19 de março de 2001, em São José dos Campos, interior de São Paulo. A metodologia de aprendizagem do mestrado tem, entre outros diferenciais, o uso da estratégia de learn by doing (aprender fazendo), com uso de prototipagem que estimula os grupos tornarem tangíveis soluções criadas para problemas reais, analisados enquanto desenvolvem um projeto colaborativo. Na fase final do programa os participantes devem desenvolver, em equipe, um conceito de produto aeronáutico que atenda aos requisitos de um desafio proposto, buscando uma solução técnica e economicamente viável.

Além disso, o programa tem reforçado o desenvolvimento das competências pessoais, relacionadas a atitudes, comportamentos e inteligência emocional que promovem o trabalho em equipe, flexibilidade, comunicação, liderança, empatia e outras habilidades emocionais e comportamentais que são igualmente importantes no ambiente de trabalho.

Cada turma recebe em média mais de 3 mil horas de treinamento teórico e aplicado em regime de dedicação integral. Em média, o processo seletivo recebe cerca de cinco mil inscrições. O número de vagas é variável e acompanha a necessidade estratégica futura da companhia. Cada profissional recebe uma bolsa mensal inicial de R$ 5 mil (com 20% de reajuste após 12 meses), além de assistência médica, alimentação, entre outros benefícios.

Copom deve iniciar ciclo de cortes com redução mais cautelosa da Selic
Economista avalia que cenário de incertezas externas e inflação ainda elevada deve levar a um corte mais moderado de 0,25 ponto percentual

Da Redação

Às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece nesta quarta-feira, o mercado financeiro ajusta suas expectativas para o início de um possível ciclo de cortes na taxa básica de juros no Brasil. Em meio a um cenário ainda marcado por incertezas externas e inflação resistente, a tendência majoritária é de uma redução mais moderada da Selic.

De acordo com Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, a projeção da casa foi revisada recentemente, reduzindo a intensidade esperada para o primeiro corte. “Nossa projeção é que chegaremos ao fim de 2026 com a mesma Selic terminal, de 12,5%, mas o ritmo ao longo do ano ainda é incerto”, avalia.

A expectativa predominante, segundo o economista, é de um corte de 0,25 ponto percentual, diante de um ambiente ainda desafiador. Entre os fatores que sustentam essa visão, estão a pressão de um dólar mais valorizado e do petróleo em níveis elevados, além da inflação que segue acima do patamar considerado ideal, conforme os dados mais recentes do IPCA.

A expectativa é um corte de 25 pontos base, tanto por conta da pressão trazida por dólar e petróleo mais altos, com alto nível de incerteza no ambiente internacional, quanto pela inflação, que ainda roda acima do ideal, conforme dados do IPCA de fevereiro”, afirma Perri.

Apesar da possibilidade de cortes mais intensos, como de 0,50 ponto percentual, o cenário atual ainda não oferece segurança suficiente para movimentos mais agressivos. Por outro lado, a manutenção da taxa de juros no nível atual é vista como pouco provável no momento. “A manutenção da SELIC só viria com uma desancoragem muito relevante da taxa de câmbio, o que, por ora, está longe de ser o caso”, explica.

Na avaliação do especialista, o Copom deve adotar uma postura cautelosa no início desse ciclo de flexibilização monetária, especialmente diante das incertezas geopolíticas e seus impactos potenciais sobre a economia global. “Não tem sido o perfil do Copom começar um ciclo de cortes e fazer pausas, por isso o mais provável é que os cortes sejam menores para depois acelerarem com um possível fim do conflito”, estima.

Diante desse cenário de possível queda gradual dos juros, algumas classes de ativos passam a ganhar destaque nas estratégias de investimento. Segundo Perri, os títulos pós-fixados ainda seguem interessantes, mas há uma atenção crescente às oportunidades abertas na curva de juros. “Seguimos com interesse em pós-fixados, e olhando com atenção para as oportunidades nas curvas de juros, que abriram recentemente -, enquanto a correção na bolsa pode trazer um momento interessante de alocação mais à frente”, diz.

Além disso, o economista aponta que ativos prefixados com vencimentos entre dois e três anos, bem como títulos atrelados à inflação com prazos entre 2030 e 2032, tendem a se tornar mais atrativos neste contexto de transição da política monetária.

Do relacionamento ao resultado: 5 dicas de CRM que fazem diferença no caixa
Renan Marafigo*

No atual cenário de negócios, em que cada investimento precisa ser justificado com resultados concretos, o CRM vai além de uma ferramenta de marketing para se tornar um aliado estratégico das finanças corporativas. Para os CFOs, sua relevância está justamente na capacidade de traduzir dados de relacionamento em indicadores financeiros claros e mensuráveis.

Muitas empresas investem em CRMs robustos, mas não conseguem extrair o melhor da tecnologia. A metáfora recorrente é a da “Ferrari sem motorista”: um ativo caro, mas subutilizado. Para o financeiro, isso significa custo sem retorno. Quando bem implementado, porém, o CRM contribui diretamente para aumento de receita, redução de custos e melhoria de margem de lucro.

Entre os indicadores mais relevantes para a alta gestão financeira nesta área, destacam-se:

  • LTV (Lifetime Value): mede o valor total que um cliente gera ao longo do relacionamento.
  • CAC (Custo de Aquisição de Clientes): mostra quanto custa trazer um novo cliente. Segundo a ClearlyRated (ago/2025), adquirir um novo cliente custa em média US$80, enquanto reter um existente custa cerca de US$30 — ou seja, três vezes mais barato manter quem já está na base.
  • Churn: a taxa de cancelamento ou perda de clientes. Controlar o churn é preservar receitas recorrentes e garantir previsibilidade no fluxo de caixa.
  • ROI aplicado ao CRM: calcula o retorno real da operação, conectando investimentos em tecnologia e campanhas ao impacto direto no P&L.

Esses KPIs permitem ao CFO alinhar estratégias de marketing e vendas ao resultado global da empresa, mostrando quanto das receitas totais vem de ações de CRM e, portanto, justificando ou ampliando investimentos.

Estudos recentes confirmam que a retenção de clientes é determinante para os lucros. De acordo com a Harvard Business Review, um aumento de apenas 5% na retenção pode elevar a lucratividade entre 25% e 95%. Já o levantamento da DemandSage (jul/2025) mostra que clientes recorrentes representam 65% da receita das empresas e gastam, em média, 67% mais do que novos compradores.

Esses dados reforçam a lógica de que a fidelização custa menos e gera mais retorno, criando um ciclo virtuoso de rentabilidade. Mas como transformar esse potencial em prática dentro das empresas? A seguir, reuni cinco recomendações fundamentais para que o CRM se traduza em resultados financeiros concretos.

5 dicas para transformar CRM em resultado

  1. Faça análise de viabilidade antes de contratar uma ferramenta: entenda métricas atuais de LTV, CAC e churn para projetar ganhos futuros.
  2. Defina indicadores e targets claros: estabeleça metas financeiras conectadas ao break-even e ao ROI esperado.
  3. Traduza relatórios em impacto de negócio: vá além de métricas operacionais de clique e abertura e mostre impacto direto no P&L.
  4. Integre marketing e vendas: alinhe CRM de Marketing e CRM de Vendas ou E-Commerce para garantir visão unificada do cliente.
  5. Invista em retenção: campanhas de fidelização, modelos preditivos de pré-churn e programas de indicação que reduzem custos e ampliam margem de lucro.

Mais do que atingir um estágio de maturidade, as empresas precisam transformar o CRM em pilar estratégico de negócio. O verdadeiro diferencial está em comprovar, com dados, quanto das receitas totais vêm diretamente das iniciativas de CRM e como isso impacta o resultado financeiro global.

Quando uma instituição financeira consegue demonstrar que uma fatia expressiva de suas vendas mensais é gerada por ações de CRM, não restam dúvidas: a ferramenta deixa de ser apenas suporte operacional e custo, passando a se tornar um motor essencial de crescimento e rentabilidade. Em mercados cada vez mais competitivos, não investir nessa visão integrada significa abrir espaço para perder clientes — e margem — para quem já está fazendo.

(*) Renan Marafigo é associate partner e diretor de CRM da Adtail e Cadastra. 

Perspectivas 2026: Brasil entra em ciclo de crescimento mais lento, com consumo acima do PIB
Estudo do Mastercard Economics Institute analisa impactos de juros, inflação, IA, comércio global e comportamento do consumidor na América Latina e no mundo

 

Da Redação

O Mastercard Economics Institute (MEI) divulgou seu Economic Outlook 2026, revelando como a aceleração das mudanças de políticas e a rápida adoção da inteligência artificial estão redefinindo o crescimento global em um cenário de crescente fragmentação.

Globalmente, o MEI espera que o crescimento do PIB real desacelere levemente para 3,1% em 2026, em comparação com uma estimativa de 3,2% em 2025. No campo da inflação, o MEI projeta uma desaceleração da inflação global para 3,4% em 2026, ante os 3,9% esperados para 2025.

O consumidor global continuará atento e estratégico, priorizando gastos orientados por tecnologia e focados em custo-benefício. O MEI espera que os consumidores deem preferência a “momentos significativos”, como viagens e eventos ao vivo, ao mesmo tempo em que permanecem sensíveis a preços em muitos bens essenciais.

“Os consumidores da América Latina estão demonstrando uma capacidade de adaptação notável à medida que avançamos para 2026, lidando com um crescimento mais moderado, mudanças no comportamento da inflação e cenários de políticas em constante evolução. Apesar dos desafios, mercados de trabalho resilientes e apoio fiscal direcionado mantêm o consumo em um ritmo sólido, especialmente à medida que as famílias reagem às mudanças nas taxas de juros e aos ventos contrários da economia global”, afirmou Gustavo Arruda, economista-chefe da Mastercard para a América Latina e o Caribe.

O relatório anual Economic Outlook destaca três grandes tendências a serem observadas em 2026: realinhamento do comércio global, adoção de IA e expansão fiscal, e pequenas empresas se adaptando às mudanças macroeconômicas.

Mudança nas relações comerciais

Uma onda de anúncios de tarifas remodelou o comércio global. O MEI espera que essa reorganização continue a redefinir os fluxos comerciais, a dinâmica da inflação e os gastos do consumidor. Produtos da China continental estão impulsionando a desinflação em países que ampliaram importações do país, enquanto os Estados Unidos enfrentam pressões inflacionárias devido a alternativas de fornecimento mais caras. O MEI acredita que essas tendências persistirão em 2026 e poderão se intensificar.

Adoção acelerada de IA e expansão fiscal

Empresas estão investindo fortemente em infraestrutura de IA, enquanto governos ampliam gastos estratégicos em defesa, iniciativas digitais e verdes. Essas tendências devem remodelar prioridades de investimento, dinâmicas inflacionárias e cadeias globais de suprimentos.

A transformação das PMEs

Pequenas e médias empresas (PMEs) estão lidando com disrupções comerciais e pressões tarifárias. O MEI observa que as tarifas afetam de forma desproporcional as PMEs dos EUA em comparação às grandes empresas. Ainda assim, ferramentas digitais estão aumentando a resiliência, otimizando operações e viabilizando modelos online-first. A adoção mais ampla de tecnologia e a demanda por nichos posicionam PMEs ágeis e orientadas por tecnologia para competir de forma eficaz e capturar crescimento em serviços de alto valor globalmente.

Destaques Regionais

Brasil

Desaceleração do crescimento do PIB e queda dos juros – O crescimento do PIB real do Brasil deve desacelerar para 1,5% em 2026, abaixo dos 2,2% em 2025 e dos 3,4% em 2024. Diante de um ritmo de crescimento mais fraco e de uma inflação melhor do que o esperado, é possível que o Banco Central reduza as taxas de juros ao longo de 2026. O MEI projeta que a taxa básica de política monetária encerre o ano em 12%.

Mercado de trabalho resiliente e transferências fiscais devem sustentar o consumo privado – O consumo privado real deve crescer 2,2% em 2026, superando o crescimento do PIB. O consumo tende a migrar modestamente para serviços, enquanto bens duráveis devem permanecer sensíveis às condições de financiamento.

O agronegócio se destaca – O agronegócio tem sido um ponto positivo e uma fonte de divergência regional. O MEI espera um crescimento consistente em polos agrícolas como o Centro-Oeste e partes do Sul e Sudeste. Já os ganhos devem ser mais modestos nas regiões urbanas, com maior concentração de serviços.

México

O MEI projeta uma recuperação modesta da economia mexicana em 2026, com crescimento do PIB estimado em 1,3%, acima da projeção de 0,2% para 2025. A Copa do Mundo da FIFA 2026 pode proporcionar um impulso temporário, porém relevante, ao consumo privado. No entanto, esse aumento também pode pressionar os preços. No cenário-base do MEI, a inflação deve atingir aproximadamente 3,8% ao final de 2026.

Argentina

Após uma recuperação em 2025, o MEI projeta crescimento do PIB de 3,5% em 2026 e inflação de 20% ao final do ano, com viés de baixa caso o processo de desinflação continue. O apetite por investimentos dependerá da execução das reformas no período pós-eleitoral. A demanda das famílias deve se normalizar após o forte avanço de 2025, apoiada pela melhora da confiança e pela flexibilização gradual das políticas.

Chile

O MEI projeta crescimento do PIB de 2,0% e inflação convergindo para 3,5%. Após os cortes de juros em 2025, o banco central deve manter cautela, equilibrando a desaceleração da inflação de bens básicos com a persistência da inflação de serviços. Novas políticas do governo serão acompanhadas de perto, enquanto a demanda segue como fator-chave para as exportações de metais e produtos florestais. O presidente e o Congresso tomam posse em março.

Colômbia

O MEI espera uma retomada para 2,8% de crescimento, inflação em 4,3% e taxa básica de 8,50%, em um cenário de flexibilização gradual. Como 2026 é um ano eleitoral, a incerteza fiscal e inflacionária pode aumentar. Os líderes podem reduzir a volatilidade ao demonstrar sinais claros de responsabilidade. O consumo privado continua sendo o principal motor de crescimento, embora os investimentos de capital possam ser adiados. O Congresso inicia suas atividades em julho, e a posse presidencial está prevista para agosto.

Peru

O MEI projeta crescimento do PIB de 2,8%, inflação em 2,2% e viés de queda nas taxas de juros. A eleição de abril pode introduzir volatilidade cambial e incerteza para os negócios, embora investimentos públicos direcionados e um pipeline robusto de mineração possam servir como amortecedores. As relações comerciais com a China continental representam uma faca de dois gumes para preços e volumes de metais. O presidente e o Congresso assumem seus cargos em julho.