CNC: juros altos travam o varejo e avaliação do empresário sobre o momento econômico cai 6,1% em um ano
Primeira edição do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de 2026 revela empreendedores menos satisfeitos, mas otimistas com um futuro de redução da Selic

 

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgado nesta sexta-feira (30), revela que o varejo brasileiro inicia 2026 sob o peso do restritivo cenário monetário. Embora o índice geral apresente sinais de recuperação mensal, a percepção dos comerciantes sobre as condições atuais da economia e do setor registrou queda de 6,1% em janeiro, quando comparada ao mesmo período do ano passado.

O principal detrator desse resultado é o indicador específico das condições atuais da economia, que despencou 8,1% na base anual. Segundo a análise técnica da CNC, esse movimento é reflexo direto do patamar elevado das taxas de juros, que encarece o crédito e desestimula o consumo de bens de maior valor agregado.

“O ciclo de endividamento e inadimplência do consumidor tem efeito no bolso das famílias brasileiras e no planejamento do investimento por parte do empresário. Precisamos fazer um esforço para ter taxas de juros menores, devolvendo poder de compra ao trabalhador, e assim avançarmos em 2026 com a nova reforma tributária e o período de eleições sem o aperto monetário que diminuiu a confiança do comerciante nos últimos meses”, avalia o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

O impacto dos juros e a “espera estratégica”

O ciclo de alta da Selic afetou de forma mais severa o segmento de bens duráveis – como eletrônicos, eletrodomésticos e veículos –, que registrou o maior recuo anual na percepção atual do comércio (-7,6%).

Apesar do pessimismo no presente, o setor vislumbra um ponto de inflexão no horizonte próximo. “Espera-se redução da Selic a partir do segundo trimestre do ano”, aponta o relatório da CNC. Essa perspectiva favorável para os juros nos próximos meses justifica por que as intenções de investimento, embora ainda em terreno negativo na comparação anual, foram os itens que menos tiveram perdas, com os varejistas aguardando o momento ideal para a tomada de decisão.

“O cenário de pleno emprego e a inflação menor do que o esperado são dois bons sinais da economia. No entanto, para que a população tenha poder de compra de bens duráveis e semiduráveis, ela precisa de acesso saudável ao crédito para desfrutar do parcelamento. Nestes setores do comércio, mesmo com a recente queda do dólar, dependemos de uma taxa Selic mais amena e de juros menos agressivos”, explica o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Sinais de resiliência no curto prazo

No comparativo mensal, o cenário apresenta nuances de melhora. Descontados os efeitos sazonais, o Icec avançou 0,9% em janeiro frente a dezembro, atingindo 103,0 pontos. Este é o maior nível do indicador desde julho de 2025, marcando a terceira alta mensal consecutiva.

Outros dados que reforçam o sinal de recuperação gradual no curto prazo incluem:

  • Intenção de Contratação: Crescimento mensal de 1,8%, sinalizando fôlego para o mercado de trabalho no início do ano.
  • Consumo das Famílias: A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 0,8% em janeiro, com destaque para a percepção positiva sobre o emprego atual.
  • Gestão de Estoques: Único subindicador com aumento anual (+0,2%), demonstrando que o varejista está planejando melhor suas compras do que no ano anterior.

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Novo aplicativo da Rede D’Or simplifica a jornada do paciente
Ferramenta facilita marcação de consultas e exames. Somente em 2025, o grupo registrou 5,7 milhões de consultas agendadas online

 

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Da Redação

A Rede D’Or acaba de lançar seu novo aplicativo, desenvolvido para centralizar e agilizar a jornada de cuidado do paciente em um único ambiente digital, de forma simples, segura e intuitiva. A ferramenta amplia o relacionamento com os usuários, facilita o acesso aos serviços de saúde e reforça a estratégia do grupo de oferecer um cuidado contínuo, integrado e personalizado. O lançamento da ferramenta marca uma nova etapa na evolução dos serviços digitais da Rede, que já vem registrando resultados expressivos com a assistente digital Dora, uma das primeiras soluções e mais completas voltada ao relacionamento em saúde no país.

Entre as principais funcionalidades do app está o acesso rápido e seguro aos resultados de exames realizados nas unidades da Rede D’Or, incluindo atendimentos de emergência e internações. A ferramenta funciona também como um histórico de saúde digital, possibilitando o armazenamento de laudos de exames realizados externamente, por meio do carregamento de documentos, garantindo que o paciente tenha todas as informações reunidas em um só lugar, a qualquer hora e em qualquer local. Pacientes que buscam o primeiro atendimento em uma unidade da Rede D’Or já podem utilizar o aplicativo para agendar consultas, exames e vacinas. Após a realização do atendimento inicial em uma unidade, o usuário passa a ter acesso completo a todas as funcionalidades da ferramenta.

Assim como a Dora, o app foi idealizado visa facilitar a vida do paciente, para que ele não tenha dificuldade na hora de fazer agendamento. “Por isso idealizamos um aplicativo com navegação intuitiva e totalmente integrada aos sistemas da Rede D’Or. O programa permite que o paciente agende consultas e exames com poucos cliques, acesse resultados de exames, laudos e imagens a qualquer momento, acompanhe o histórico de atendimentos e receba notificações importantes sobre sua saúde”, explica Kleber Linhares, vice-presidente executivo.

O agendamento de consultas e exames foi desenhado para ser prático. Ao acessar a funcionalidade, o paciente não precisa digitar dados da carteirinha, que já aparecem automaticamente, além de contar com a priorização das unidades favoritas. O aplicativo também disponibiliza orientações e preparos necessários para os exames, ajudando o paciente a escolher o melhor dia e horário para o atendimento.

Outros destaques são os alertas e notificações, exibidos na tela do celular ou na central de notificações do dispositivo, que informam sobre a liberação de resultados de exames, lembretes de consultas e exames pendentes de agendamento ou confirmação, entre outras comunicações relevantes para o cuidado com a saúde. O aplicativo também permite que o paciente vincule médicos de sua confiança, autorizando o acesso aos seus resultados disponíveis no app, independentemente de qual profissional solicitou o exame, o que contribui para um acompanhamento mais integrado e eficiente.

A crescente digitalização dos serviços de saúde e a preferência dos pacientes por soluções online reforçam um cenário de expansão contínua. Em 2025, a Rede D’Or registrou cerca de 47,2 milhões de exames entregues de forma digital, um crescimento de 73% em relação ao ano anterior. No mesmo período, 5,7 milhões de consultas foram agendadas online, um aumento de 41%, e 2,1 milhões de exames foram marcados de forma digital, o que representa 35,5% do total de exames agendados no ano. “Com a nova plataforma, também reforçamos o nosso compromisso com inovação, conveniência e qualidade no cuidado com a saúde, colocando a tecnologia a serviço de uma experiência mais integrada, ágil e centrada no paciente”, ressalta Linhares.

De olho na liderança de um mercado de R$ 1,7 bi, Lenovo inicia produção de storage
Fabricante chinesa de tecnologia também traz para o Brasil a manufatura de três workstations para ganhar competitividade, com menor tempo de entrega e preço

Do Brazil Economy

Estudo da Gartner aponta que, até o ano que vem, 75% dos dados empresariais serão gerados fora dos datacenters. Com isso, cresce a demanda por armazenamento privado. A Lenovo, fabricante chinesa de dispositivos tecnológicos, observa essa tendência desde 2018, quando estava na 8ª colocação em market share de storage no segmento de entrada brasileiro. Hoje, é a segunda no ranking. O plano é liderar esse nicho em 2027. Para isso, vai avançar em marketing, novos canais de vendas e, principalmente, na fabricação local de equipamentos. A partir do dia 15, a companhia começa a produzir a matriz de armazenamento modelo ThinkSystem DE Series em sua planta de Indaiatuba (SP), onde já fabrica tablets e notebooks.

Erick Pascoalato, general manager de infraestrutura da Lenovo Brasil, ressaltou que o aumento do portfólio de produtos locais é um movimento estratégico para ampliar a presença no País, gerar valor na cadeia e acelerar o desenvolvimento de competências nacionais.

“Produção local visa ao fortalecimento da operação nacional, reduz custos logísticos e gera capacidade de atendimento ao segmento de PMEs (pequenas e médias empresas) e também às grandes. Podemos chegar na inferência da Inteligência Artificial para esses clientes”, disse o executivo. “Ganhamos em competitividade, ganhamos em tempo de entrega e ganhamos em preço.”

O ThinkSystem DE Series é a linha de armazenamento líder na América Latina para o segmento entry level. Neste primeiro momento, as máquinas produzidas em Indaiatuba são destinadas apenas ao mercado nacional. Atendem desde cargas de trabalho críticas até aplicações de backup e streaming de mídia.

O modelo tem três vezes mais desempenho do que a geração anterior, é modular, escalável, fácil de instalar e configurar, e tem sete anos de garantia. Pode chegar a até 8 petabytes. “Para se ter ideia da capacidade, 1 petabyte armazena mais de 300 milhões de músicas em MP3. É muita informação”, disse Marcos Café, diretor de Soluções de Data Storage para a América Latina da Lenovo.

“Com a nossa estratégia de negócios dedicada a PMEs, permitimos que as companhias comecem com um modelo mais básico e depois escalem para soluções mais robustas”, complementou.

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270 empresas sustentam quase um quarto da arrecadação federal e geram 17% da riqueza nacional, diz FGV
Estudo inédito solicitado pela Abrasca mostra que as companhias abertas concentram R$ 639,6 bilhões em tributos, R$ 344,3 bilhões em salários e benefícios e representam 17% do PIB brasileiro

 

Levantamento conduzido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), demonstra o peso das grandes companhias abertas na economia brasileira e a abrangência do papel socioeconômico das grandes corporações. Apesar de representarem apenas 270 empresas em um universo de mais de 21 milhões de CNPJs, essas organizações concentram uma fatia desproporcional da geração de riqueza e da arrecadação de tributos do país.

Novo índice

Coordenado por Márcio Holland, professor na Escola de Economia de São Paulo da FGV e coordenador de programas de pós-graduação lato sensu na (FGV EESP), o estudo considerou um novo índice de valor adicionado para a sociedade, consolidando dados de salários, impostos e pagamentos a fornecedores. Este novo indicador traduz, em termos quantitativos,  o impacto direto das empresas sobre o bem-estar coletivo.

Em 2024, somente em tributos pagos – entre impostos federais, estaduais e municipais – o grupo respondeu por R$ 639,6 bilhões, o que equivale a 23% de toda a arrecadação empresarial brasileira. Além do impacto fiscal, o estudo revela que essas empresas as geraram R$ 2,1 trilhões de valor adicionado, o equivalente a 17,1% de todo o PIB nacional.

Remuneração acima da média

O estudo destaca ainda que essas empresas empregam diretamente 2,8 milhões de pessoas, com remuneração média de R$ 10.250 por mês – três vezes superior à média nacional (R$ 3.700). Esse diferencial pode ser explicado pelo perfil técnico, pelo maior grau de complexidade das atividades exercidas e pela exigência de maior qualificação nos quadros funcionais. No total, foram R$ 344,3 bilhões destinados a salários, benefícios e encargos sociais em 2024.

Somados aos tributos e à compra de insumos de terceiros, o montante movimentado por essas companhias alcança R$ 4,1 trilhões, consolidando-as como motores fiscais, produtivos e sociais do Brasil. Segundo os autores, o resultado reforça que a sustentabilidade das contas públicas depende diretamente da saúde do mercado de capitais.

“Esses resultados não são fruto do acaso. Empresas listadas tendem a adotar padrões mais rígidos de governança, transparência, auditoria, compliance e relacionamento com investidores. Precisam competir por capital, inovar com maior frequência, internacionalizar processos e buscar eficiência contínua. Não por acaso, onde o mercado de capitais é amplo, como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido ou Coreia do Sul, há produtividade mais elevada, melhor alocação de recursos e trajetórias de crescimento mais longas”, avalia Márcio Holland, coordenador do estudo.

“Essas empresas são a coluna vertebral da economia nacional e o pulmão fiscal e produtivo do país. Fortalecer o mercado de capitais é fortalecer o Brasil. Se o país cresce, todos crescem. Este é o nosso propósito. Somos o fórum onde as grandes empresas se encontram e dialogam para pavimentar este caminho. Precisamos fortalecer nosso ambiente de negócios e construir um país mais competitivo e próspero”, destaca Pablo Cesário, presidente-executivo da Abrasca.

“As empresas representam não só o seu valor de mercado. São representativas também em riqueza para a sociedade. O volume de tributos gerado permite o financiamento de políticas públicas em saúde, educação e segurança. Dessa forma, a riqueza transferida pelos grandes grupos empresariais ao setor público não pode ser vista apenas como um ônus fiscal, mas como uma das principais manifestações do papel social e institucional que exercem”, avalia Rodrigo Moccia, presidente da Comissão de Relações Institucionais e Governamentais da entidade.

Na avaliação de Felipe Cabral, diretor de relações institucionais e governamentais da Abrasca, o cenário captado pelo levantamento da FGV evidencia a relevância do setor produtivo no cenário econômico nacional. “A Abrasca é a entidade onde as grandes empresas se reunem para discutir uma proposta de país, de atração de investimentos. Nossas companhias são, de fato, a mola propulsora de uma relevante fatia da economia brasileira, algo que o estudo da FGV demonstra, em números, a relevância que as empresas possuem em impacto social e econômico”, afirmou.

Confira no link o levantamento completo: abrasca.