Pedido de vista suspende discussão sobre julgamento conjunto de duas petições do caso Master
Plenário do STF analisa questão de ordem que propõe reunir as Petições 16662 e 16704; mérito dos processos não foi examinado

 

Da Redação

Pedido de vista do ministro Flávio Dino suspendeu a análise, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), da Petição (Pet) 16662, referente a relatório produzido pela Polícia Federal, no âmbito do caso Master, relacionado ao ministro Alexandre de Moraes. O colegiado não chegou a analisar o mérito da petição. No momento da suspensão, o colegiado examinava questão de ordem para julgamento conjunto do caso com a Pet 16704. 

Questão de ordem

A Pet 16662, apresentada ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, pelo ministro André Mendonça, tem origem em relatório, elaborado pela PF a partir de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que aponta supostos diálogos que teriam relação com o ministro Alexandre de Moraes. Em manifestação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a nulidade desse relatório.

Já a Pet 16704, autuada por determinação do presidente do STF a partir de informações apresentadas pelo ministro Alexandre, se baseia em relatório de inteligência da PF que sugere irregularidades na condução do caso Master pelo relator, ministro André Mendonça.

A questão de ordem foi apresentada pelo ministro Gilmar Mendes por sugestão do ministro Flávio Dino. Além da tramitação conjunta, o decano do STF propôs o sorteio de novo relator para as Pets, hoje sob a relatoria do ministro Edson Fachin (presidente). Também pediu a identificação e a certificação, nos autos, de todos os magistrados mencionados nas investigações relacionadas ao caso Master que apresentem indícios de recebimento indevido de valores do banco e a abertura de prazo para manifestação do procurador-geral da República e dos juízes citados.

Até o momento, o presidente do STF, a ministra Cármen Lúcia e os ministros Luiz Fux e André Mendonça rejeitam a questão de ordem. Para essa corrente, as Pets devem ser examinadas separadamente, e a relatoria deve ser mantida com Fachin. Já os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin votaram pelo acolhimento da proposta.

Impedimento e suspeição

Antes da análise, o ministro Nunes Marques se declarou impedido de julgar o caso. Ele ponderou que a decisão do julgamento pode gerar impactos no cenário político-eleitoral a 19 dias do primeiro turno das eleições e que, na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não se sente confortável para participar do julgamento.

Seguindo sua posição em outros julgamentos relacionados ao Banco Master, o ministro Dias Toffoli declarou suspeição, por motivo de foro íntimo, e também não vai participar do julgamento.

Análises separadas

No início do voto, o ministro Edson Fachin observou que o objetivo do julgamento é deliberar sobre a possibilidade de investigação de supostos indícios de crime praticado por magistrado, além da nulidade apresentada pela PGR. O presidente destacou que não está sendo analisada, no momento, a responsabilidade penal nem haverá conclusão sobre os elementos já reunidos, atribuições que cabem ao Ministério Público.

O ministro Fachin votou por manter o julgamento separado das duas Pets. Também sustentou que o presidente, por seu dever institucional de velar pelas prerrogativas do Tribunal, deve ocupar a posição de relator.

Para o ministro André Mendonça, não há impedimento para a realização de julgamentos separados, pois os fatos relativos aos dois casos não são os mesmos. Ele entende que a Pet 16662 traz uma notícia de fato e que as menções ao ministro Alexandre de Moraes não foram feitas por ele, mas pela Polícia Federal.

Para o ministro Luiz Fux, diante de omissão do Regimento Interno do STF (RISTF) quanto a essa situação, cabe ao presidente do STF assumir a relatoria dos dois casos. A seu ver, não há risco de decisões contraditórias que justifiquem a tramitação conjunta dos casos.

Na mesma linha, a ministra Cármen Lúcia salientou que, sem definição clara do regimento, deve ser seguido o rito estabelecido pelo relator. Segundo ela, o STF deve analisar o caso para que não haja dúvida sobre a conduta de nenhum dos integrantes do Tribunal.

Julgamento conjunto

Na corrente oposta, o ministro Gilmar Mendes salientou que não há previsão legal de que presidentes de tribunais assumam a relatoria de determinados processos. Também destacou a necessidade de identificar todas as autoridades supostamente envolvidas no caso.

Para o ministro Cristiano Zanin, as Pets devem ser reunidas para que haja um “procedimento lógico” nas duas análises. Também destacou que deveria ser analisado, unicamente, o pedido de nulidade apresentado pela PGR, que é a titular de procedimentos penais.

Na mesma linha, o ministro Alexandre de Moraes entende que o julgamento conjunto garantiria isonomia, caso ele e o ministro André Mendonça estejam impedidos de votar. Também observou que, como há apenas notícias de fato, sem abertura formal de investigação, e com pedido de nulidade da PGR, o Tribunal não poderia, por iniciativa própria, autorizar uma investigação que não foi pedida nem pela Polícia Federal nem pelo Ministério Público.

Varejo brasileiro acelera no 1º semestre de 2026, impulsionado por restaurantes e força da região Centro-Oeste
Dados são do Mastercard SpendingPulse

 

Da Redação

O varejo brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com saldo positivo de 2,9%. É o que revelam os dados consolidados do Mastercard SpendingPulse™, indicador que mede as vendas do varejo físico e online contemplando todos os meios de pagamento (sem ajuste inflacionário). O levantamento mostra que, após um início de ano mais tímido, com alta de 1,6% no primeiro trimestre em relação aos três primeiros meses de 2025, o consumo das famílias ganhou tração no segundo trimestre, avançando 4,1% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A análise semestral, que monitora 11 setores da economia, revela uma mudança no padrão de consumo do brasileiro. Enquanto setores ligados a serviços e bens de consumo imediato registraram altas consistentes nos seis primeiros meses do ano, bens duráveis enfrentaram retração.

O grande motor do varejo no semestre foi o setor de Restaurantes, que registrou crescimento consolidado de 10,7% na primeira metade do ano, sustentando taxas de 10,1% no 1º trimestre e 10,4% no 2º trimestre. O setor de Farmácias também demonstrou resiliência, com altas consistentes de 9,9% e 9,0% no primeiro e segundo trimestres, respectivamente. Já o setor de Combustível Automotivo chamou atenção ao saltar para 12,7% no segundo trimestre, refletindo a volatilidade dos preços do petróleo.

Em contrapartida, os consumidores adotaram uma postura mais cautelosa em relação às compras de maior valor. O setor de Móveis e Decoração apresentou desaceleração ao longo do primeiro semestre do ano (-4,7% no 1º trimestre e -3,7% no 2º trimestre), enquanto o segmento de Eletrônicos recuou 4,7% entre abril e junho.

“O balanço do primeiro semestre reforça a resiliência do consumidor brasileiro, que manteve o dinamismo em setores ligados à convivência e bem-estar, como em Restaurantes”, analisa Gustavo Arruda, Economista-Chefe para a América Latina do Mastercard Economics Institute (MEI). “Por outro lado, o cenário macroeconômico fez com que o consumidor adiasse compras que exigiam maior planejamento financeiro, como móveis e eletrônicos, o que ainda representa uma oportunidade de retomada para o varejo nestes segmentos ao longo do ano.”

Centro-Oeste lidera consumo e Sudeste fica na lanterna

Sob a perspectiva geográfica, o primeiro semestre de 2026 confirmou um ritmo de consumo heterogêneo no Brasil, marcado pela descentralização econômica. Todas as cinco regiões do país registraram crescimento no semestre, mas com velocidades distintas.

Centro-Oeste consolidou-se como a grande líder do varejo nacional, registrando o maior crescimento do país nos dois trimestres consecutivos (2,5% no Q1 e acelerando para 5,4% no Q2). No extremo oposto, a região Sudeste, historicamente o maior polo de consumo do país, registrou o avanço nacional menos acelerado em ambos os períodos (0,1% e 3,5%, respectivamente).

Entre os estados, Pernambuco e Distrito Federal despontaram como as unidades federativas com os melhores e mais consistentes desempenhos do semestre. Pernambuco registrou alta de 5,4% nos primeiros três meses e 12,2% no segundo trimestre, enquanto o DF avançou 4% e 6,6% nos mesmos períodos.

O Mastercard SpendingPulse™ mede as vendas no varejo nacional com base em insights agregados e anonimizados da Mastercard, representando todos os tipos de pagamento em mercados selecionados no Brasil e ao redor do mundo.

Avanço da Inteligência Artificial eleva pressão por limites de segurança na economia
Relatos de ações autônomas, ataques cibernéticos e pesquisas sensíveis aumentam a cobrança por salvaguardas e coordenação entre governos

 

Por Hugo Cilo, do Brazil Economy

O avanço acelerado da inteligência artificial abriu uma nova frente de preocupação entre pesquisadores, executivos e autoridades. Além dos benefícios econômicos prometidos pela tecnologia, episódios recentes envolvendo agentes autônomos e tentativas de uso criminoso reacenderam o debate sobre a capacidade das empresas de manter sistemas cada vez mais sofisticados sob controle humano.

A discussão ganhou força após Dario Amodei, CEO da Anthropic, empresa responsável pelo Claude, defender uma redução no ritmo de desenvolvimento do setor. O executivo advertiu que um conjunto coordenado de agentes de inteligência artificial poderia adquirir capacidade para assumir o controle de partes relevantes da internet dentro de seis meses a um ano se as companhias não destinarem mais tempo e recursos à implantação de mecanismos de segurança.

Amodei apresentou uma proposta para ampliar a cooperação entre desenvolvedores e governos. O objetivo seria assegurar que modelos mais poderosos continuem alinhados aos comandos, interesses e valores das pessoas responsáveis por sua operação. O alerta foi feito poucos dias depois de dois ex-pesquisadores de segurança da própria Anthropic afirmarem publicamente que os possíveis riscos existenciais da inteligência artificial recebem menos atenção do que deveriam.

A preocupação cresce à medida que os sistemas passam a executar tarefas mais complexas, utilizar ferramentas digitais e tomar decisões com menor intervenção humana. Essa evolução amplia a produtividade e permite automatizar atividades que antes dependiam de profissionais especializados. Ao mesmo tempo, aumenta a possibilidade de os modelos serem empregados em ataques cibernéticos, operações de vigilância, manipulação de informações e pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de armas.

Tentativas bloqueadas

A Anthropic informou ter identificado e bloqueado tentativas de agentes mal-intencionados de utilizar seus modelos em atividades potencialmente nocivas. Entre os casos estavam ações de espionagem digital, ataques contra sistemas de terceiros e consultas que poderiam contribuir para pesquisas ligadas à produção de armas biológicas.

A companhia afirmou que reforçou as restrições de seus modelos mais recentes para impedir o acesso a informações sensíveis na área de biologia. A avaliação interna, entretanto, é que a ampliação das capacidades dos sistemas deverá ser acompanhada pelo fortalecimento permanente das barreiras de proteção.

Segundo a empresa, “à medida que os modelos se tornam cada vez mais capazes, seus riscos aumentarão, a menos que os desenvolvedores de IA e os responsáveis pela defesa da sociedade ajam para torná-los mais seguros”.

Em outro episódio revelado pela Anthropic, hackers recorreram à inteligência artificial da companhia para realizar uma ofensiva cibernética contra aproximadamente 30 empresas e órgãos governamentais em diferentes países. A desenvolvedora avaliou como altamente provável que os responsáveis integrassem um grupo patrocinado pelo Estado chinês.

O caso chamou a atenção porque demonstrou que ferramentas criadas para atender usuários comuns podem ser incorporadas a operações digitais de maior escala. Com o auxílio de sistemas capazes de escrever códigos, analisar vulnerabilidades e organizar grandes volumes de dados, grupos criminosos ou ligados a governos podem acelerar etapas de um ataque e reduzir a necessidade de intervenção humana.

Ações autônomas

Relatórios divulgados por grandes empresas de tecnologia acrescentaram outro elemento à discussão. Anthropic e OpenAI comunicaram, em julho, que alguns de seus modelos conseguiram realizar ações além das tarefas originalmente solicitadas durante avaliações de segurança.

A Anthropic relatou que três sistemas, incluindo modelos comerciais e uma versão interna de testes, acessaram redes de outras organizações. Poucos dias antes, a OpenAI havia informado que uma combinação de seus modelos entrou em servidores da plataforma de inteligência artificial Hugging Face.

A empresa responsável pelo ChatGPT classificou a ocorrência como um “incidente de segurança significativo”. A Meta também comunicou, no início de agosto, que um de seus modelos encontrou maneiras de contornar as proteções digitais de outra companhia durante um teste.

Especialistas observam que, em parte dessas experiências, pesquisadores haviam retirado determinadas barreiras para medir o comportamento dos sistemas em condições extremas. Ainda assim, os resultados mostraram que agentes de inteligência artificial já conseguem identificar vulnerabilidades, formular estratégias e executar ações não previstas detalhadamente por seus operadores.

Quando um modelo “sai de controle”, a expressão não significa necessariamente que a tecnologia tenha adquirido consciência ou intenção própria. O conceito pode descrever uma situação mais simples, na qual o sistema encontra uma maneira inesperada de alcançar o objetivo recebido e ultrapassa os limites considerados aceitáveis pelos responsáveis pelo teste.

Esse comportamento representa um desafio para os desenvolvedores porque um agente não precisa receber uma ordem explícita para invadir uma rede ou contornar uma proteção. Dependendo da meta estabelecida e das ferramentas disponíveis, ele pode concluir que esse é o caminho mais eficiente para cumprir a tarefa.

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Terminam, nesta quinta-feira as inscrições para vagas de estágio técnico da Vale
São 450 vagas distribuídas em 5 estados

 

Nesta quinta-feira (10) termina o prazo de inscrições para o Programa de Estágio Técnico 2026, que vai até 10 de setembro. No total, mais de 450 vagas serão oferecidas a estudantes de cursos técnicos em cidades de Maranhão, Pará, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Somente em Minas Gerais, mais de 150 vagas estão disponíveis em várias cidades do estado. Os candidatos selecionados devem começar em novembro.

O programa tem como objetivo atrair, desenvolver e treinar profissionais para áreas técnicas essenciais para as operações da empresa. Em um momento de transformação da indústria, os estagiários terão exposição a um setor de mineração cada vez mais conectado à automação, digitalização, uso de dados e inovação. O objetivo é preparar jovens talentos para funções técnicas e contribuir para a força de trabalho do futuro.

“A mineração está se transformando, e as pessoas desempenham um papel fundamental nessa evolução. Preparar novos profissionais conectando treinamento técnico, aprendizado e experiência prática é uma parte importante para construir o futuro do setor e de Vale”, diz Bruna Maffra, Diretora de RH.

A iniciativa também reforça o posicionamento da Vale como uma empresa focada no desenvolvimento de talentos. Em 2026, a empresa ficou em 2º lugar na lista Top Companies do LinkedIn, que reconhece as melhores empresas para desenvolvimento de carreira no Brasil.

A Vale está buscando jovens com interesse em desenvolvimento contínuo e aprendizado, criatividade, comunicação assertiva e disciplina para seguir padrões de segurança. Dentro da empresa, os participantes encontrarão um ambiente para desenvolvimento técnico e comportamental, com trajetória de carreira, contato com profissionais experientes e desafios operacionais reais.

Para participar, os candidatos devem estar matriculados em um curso técnico, pelo menos no sexto mês de estudos; ter 18 anos ou mais; ter disponibilidade para trabalhar por pelo menos um ano; e residem em um local onde a Vale opera. A conclusão do programa técnico deve ser concluída até junho de 2028. Os cursos elegíveis incluem Mecânica, Eletromecânica, Engenharia Elétrica, Automação Industrial, Soldagem, Mecatrônica, Metalurgia, Manutenção Industrial, Desenvolvimento de Sistemas, Mineração, Meio Ambiente, Logística, Transporte Ferroviário, Portos, Segurança Ocupacional, Redes de Computadores, TI Industrial e Automação, entre outros.

“Entrar como estagiário técnico na Vale é uma oportunidade de aprender na prática e entender como a tecnologia já faz parte das operações diárias. Você segue processos reais, trabalha ao lado de profissionais experientes e desenvolve habilidades que fazem a diferença para o futuro da sua carreira”, diz Vanessa Firmino, ex-estagiária técnica que agora é analista de operações na Vale.

Os candidatos selecionados receberão uma bolsa de R$1.400,00, além de benefícios como assistência médica, seguro de vida, vouchers de refeição ou refeitório no local, vouchers de transporte ou transporte no local, incentivos para atividades físicas, um vale de cesta de Natal e o Programa APOIAR, que inclui apoio psicológico e orientação financeira e nutricional. O processo de seleção inclui inscrições e testes online, entrevistas com RH e líderes, avaliação psicológica e admissão a partir de novembro. Para se candidatar, visite https://vale.com/pt/estagio-tecnico

Detalhes:

O quê: Estágio Técnico Vale 2026
Inscrições: 13 de agosto a 10 de setembro, via site
Requisitos: matriculado em um curso técnico, pelo menos no 6º mês; 18+ anos; disponível por pelo menos um ano; deve residir onde Vale opera; conclusão técnica até junho de 2028
Bolsa + benefícios: R$1.400,00, assistência médica, Programa de Assistência ao Empregado (Apoiar), seguro de vida, trajetória de desenvolvimento de carreira, voucher de refeição ou refeitório no local, voucher de transporte ou transporte no local, incentivo para atividade física, voucher
para cesta de Natal Solicite em: https://vale.com/pt/estagio-tecnico