Fabricantes globais de máquinas pesadas e equipamentos levam lançamentos ao Concrete Show
Liebherr e Schwing-Stetter apresentam novidades durante a feira, que também reunirá fabricantes de destaque como Putzmeister, XCMG, Zoomlion, Fiori, Menegotti, SITI RCO, Convicta e a Petrotec

 

Da Redação

Os principais fabricantes mundiais de máquinas pesadas e equipamentos para concreto estarão reunidos na 17ª edição do Concrete Show. De 25 a 27 de agosto, no São Paulo Expo, o evento reunirá mais de 450 marcas expositoras, com lançamentos e novidades em autobetoneiras, bombas de concreto, betoneiras, centrais dosadoras e misturadoras de concreto, silos e sistemas para movimentação de agregados, acabamento de pisos de concreto, compactação de solo e corte de concreto e asfalto.

A alemã Liebherr, uma das principais fabricantes mundiais de equipamentos para construção, apresentará sua linha de betoneiras e lançará no mercado brasileiro uma nova geração de autobombas e bombas rebocáveis para concreto.

“A nova linha de autobombas e bombas rebocáveis para concreto foi desenvolvida para atender às necessidades do mercado brasileiro e latino-americano. Com esse lançamento, ampliamos nossa atuação também na etapa de distribuição do concreto, oferecendo soluções que combinam alta produtividade, robustez, operação segura e manutenção facilitada”, afirma o gerente divisional de Tecnologia do Concreto da Liebherr, Gian Romano.

Segundo o executivo, outro diferencial é o desenvolvimento e a fabricação nacional dos equipamentos, aliados a uma estrutura de pós-venda consolidada. “Essa presença local garante suporte técnico ágil, disponibilidade de peças originais, maior disponibilidade mecânica dos equipamentos e aumento da produtividade nas operações dos clientes”, destaca.

Para Romano, o mercado brasileiro apresenta perspectivas positivas, impulsionado pelos investimentos em infraestrutura, programas habitacionais e pela necessidade crescente de elevar a produtividade dos canteiros. Ao mesmo tempo, ressalta que fatores como juros elevados e custos operacionais tornam os clientes mais criteriosos na escolha dos equipamentos, priorizando confiabilidade, disponibilidade mecânica e suporte técnico especializado.

O executivo também avalia que conectividade, automação, inteligência artificial e eletrificação estarão entre as principais tendências para o segmento nos próximos anos.

“Soluções que permitam monitorar a operação em tempo real, reduzir desperdícios, planejar a manutenção e aumentar a disponibilidade dos equipamentos serão cada vez mais valorizadas. A conectividade terá um papel central, com recursos para monitoramento remoto, gestão de frotas e diagnóstico preventivo. A eletrificação também deve avançar gradualmente no Brasil, enquanto automação e inteligência artificial ganharão espaço como ferramentas para aumentar a eficiência e a segurança das operações”, ressalta Romano.

Outra fabricante alemã que escolheu o Concrete Show para apresentar lançamentos é a Schwing-Stetter, especializada em equipamentos para bombeamento e transporte de concreto. Durante a feira, a companhia exibirá as novas autobombas da linha XS, desenvolvidas para aplicações de alto desempenho, além da nova geração de autobetoneiras da marca.

“Nosso estande será focado nas linhas S e XS da Schwing. Entre os lançamentos estão a autobomba XS10022MA, projetada para bombeamento em altura de edifícios de até 70 pavimentos, além dos modelos XS8010GB e XS12013GB para operações de alto volume. Também apresentaremos as novas autobetoneiras AM8FHC e AM10FHC, desenvolvidas para proporcionar rápida absorção dos agregados, homogeneização do concreto em tempo mínimo e elevada durabilidade”, afirma o presidente da Schwing-Stetter, Renato Torres.

Vitrine das principais fabricantes mundiais

Além da Liebherr e da Schwing-Stetter, o Concrete Show reunirá alguns dos principais fabricantes mundiais de máquinas pesadas e equipamentos para construção.

Entre eles está a Putzmeister Brasil, subsidiária da tradicional empresa alemã especializada em bombas de concreto e soluções para grandes obras de infraestrutura; a italiana Fiori, referência em referência em equipamentos para produção de concreto em campo e sistemas de contenção inteligentes.

As fabricantes chinesas também terão presença no evento. A XCMG Brasil, braço da multinacional chinesa com amplo portfólio de escavadeiras, guindastes, carregadeiras, equipamentos rodoviários e máquinas para construção e a Zoomlion, uma das maiores fabricantes chinesas de equipamentos para concretagem, terraplenagem e içamento;

O segmento também contará com fabricantes brasileiros especializados em equipamentos para produção e transporte de concreto, como a Menegotti, SITI RCO, Convicta e a Petrotec.

Os ingressos para visitantes e congressistas do “Construindo Conhecimento” estão disponíveis no site do evento: https://www.concreteshow.com.br/

Serviço:

Concrete Show South América – 17ª edição
Data: 25 a 27 de agosto de 2026
Local: São Paulo Expo | São Paulo
Horário: 13h às 20 horas

Mobilidade é estratégia para ampliar a competitividade dos destinos turísticos brasileiros
Propostas do Sistema CNC-Sesc-Senac defendem investimentos em infraestrutura, integração entre modais, aviação regional e conectividade para reduzir gargalo

 

Da Redação

A mobilidade está entre os eixos estratégicos apontados pelo Sistema CNC-Sesc-Senac como prioritários para o fortalecimento do turismo brasileiro. Por meio do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apresentou aos pré-candidatos à Presidência da República, durante a Agenda dos Presidenciáveis 2026, uma agenda de propostas voltada à construção de políticas públicas capazes de ampliar a competitividade dos destinos, estimular investimentos e promover o desenvolvimento econômico e social.

Reunidas na publicação Políticas Públicas de Turismo – Propostas e Recomendações, as propostas consideram a mobilidade um fator determinante para a capacidade de atração e permanência de visitantes. A agenda defende a melhoria da infraestrutura urbana e regional, o aumento da conectividade e a integração dos diferentes modais de transporte como medidas essenciais para facilitar o acesso aos destinos e aprimorar a experiência turística.

O documento parte de um cenário de expansão da atividade. Em 2025, o turismo brasileiro alcançou seu melhor desempenho dos últimos 14 anos, representando cerca de 8,1% do Produto Interno Bruto (PIB), impulsionado pelo crescimento do turismo doméstico e pelo recorde de 9,3 milhões de turistas internacionais.

Pelo menos 850 instituições participaram do processo de construção das propostas, que contou ainda com a contribuição de 32 entidades nacionais representativas da cadeia produtiva do turismo. Essas organizações estiveram à frente da elaboração das recomendações nacionais e assinam o documento, consolidando uma agenda construída de forma ampla e participativa.

A importância da mobilidade aparece na consolidação das propostas elaboradas pelas 27 unidades da Federação durante as oficinas do programa Vai Turismo – Rumo ao Futuro, iniciativa nacional da CNC voltada ao desenvolvimento sustentável e ao fortalecimento da competitividade do turismo brasileiro.

Infraestrutura como fator de competitividade

A agenda estratégica destaca que a conectividade e a mobilidade influenciam diretamente a competitividade dos destinos turísticos. Sistemas de transporte mais eficientes contribuem para melhorar o acesso, reduzir gargalos logísticos e favorecer a circulação de visitantes entre diferentes regiões.

Nesse sentido, uma das propostas é priorizar investimentos federais na qualificação da mobilidade em territórios turísticos estratégicos, especialmente aqueles que apresentam alto fluxo de visitantes ou baixa conectividade. A recomendação prevê a articulação entre políticas de transporte urbano e regional, com critérios de elegibilidade e indução de projetos integrados.

A iniciativa busca melhorar a acessibilidade, a fluidez do tráfego e a experiência de deslocamento dos turistas, considerando a mobilidade como uma questão de infraestrutura, mas também como parte da própria experiência de viagem.

Aviação regional no centro da agenda

A conectividade aérea é outro ponto de destaque entre as recomendações. Para o trade turístico, o fortalecimento da política nacional de aviação regional passa pela modernização de aeroportos estratégicos, aperfeiçoamento regulatório e concessões.

A agenda também defende a adoção de incentivos fiscais e operacionais que possam aumentar o acesso a destinos prioritários e contribuir para o aumento da competitividade do setor.

A ampliação da conectividade regional é considerada especialmente relevante para destinos que possuem potencial turístico, mas enfrentam barreiras de acesso. A redução dos custos associados à mobilidade e a oferta de alternativas de transporte são apontadas como fatores essenciais para integrar territórios e distribuir melhor os fluxos de visitantes.

Integração entre diferentes modais

Além da aviação, as propostas defendem uma abordagem integrada da logística turística. A recomendação é articular, em escala nacional, a conexão entre os destinos turísticos e os principais centros emissores, coordenando os diferentes modais de transporte.

A medida busca reduzir gargalos estruturais, promover a integração regional, otimizar os fluxos e diminuir os deslocamentos necessários para que o visitante chegue aos destinos. A integração modal também pode contribuir para ampliar a circulação de turistas entre diferentes localidades, fortalecendo cadeias econômicas associadas à atividade.

Para o Sistema CNC-Sesc-Senac, o enfrentamento dos gargalos de mobilidade deve fazer parte de uma política pública estruturante, articulada entre União, Estados, Municípios e iniciativa privada.

Infraestrutura náutica e economia azul

A mobilidade turística também contempla os deslocamentos por vias aquáticas. Nesse campo, a agenda propõe a estruturação de uma política nacional para o desenvolvimento da infraestrutura náutica turística.

A recomendação prevê diretrizes para planejamento costeiro e hidroviário, licenciamento ambiental e incentivos a investimentos sustentáveis. O objetivo é aumentar a conectividade, fomentar a economia azul e, simultaneamente, contribuir para a conservação dos ecossistemas aquáticos.

A proposta amplia a discussão sobre mobilidade para além dos sistemas tradicionais de transportes terrestre e aéreo, considerando o potencial das vias navegáveis e das áreas costeiras para a integração dos destinos turísticos brasileiros.

Conectividade para distribuir os fluxos turísticos

Nas regiões Norte e Nordeste, a agenda regional destaca a necessidade de desenvolver a competitividade turística, com ênfase na melhoria da conectividade aérea, na qualificação da oferta e no fortalecimento do posicionamento dos destinos nos mercados nacional e internacional.

A expansão de rotas, a integração regional e o aprimoramento da mobilidade são apontados como fatores importantes para reduzir as barreiras de acesso aos destinos nordestinos e favorecer uma distribuição mais equilibrada dos fluxos turísticos.

A abordagem está alinhada à compreensão de que o crescimento do turismo depende não apenas da capacidade de atração dos destinos, mas também das condições oferecidas para que o visitante possa chegar, circular e permanecer neles.

Varejo brasileiro enfrenta mudança estrutural diante do avanço das plataformas digitais
Juros elevados agravam dificuldades conjunturais

 

Por Hugo Cilo, do Brazil Economy

 

Os balanços do segundo trimestre de 2026 expuseram uma divisão cada vez mais nítida no varejo brasileiro. De um lado, redes tradicionais enfrentam vendas fracas, crédito caro, consumidores endividados e estruturas físicas que exigem despesas elevadas. De outro, plataformas como Mercado Livre, Amazon e Shopee ampliam receitas, pedidos e participação de mercado, apoiadas em escala, tecnologia, logística e serviços financeiros.

A diferença não significa que as lojas físicas tenham perdido sua função ou que todas as empresas tradicionais estejam condenadas ao declínio. O desempenho recorde da Riachuelo mostra justamente o contrário. O ponto central é que o ambiente macroeconômico adverso passou a acelerar uma transformação estrutural que já estava em curso e que, anos atrás, provocou uma onda de fechamentos, recuperações judiciais e mudanças de formato no varejo dos Estados Unidos.

No Brasil, a conjuntura torna essa adaptação mais difícil. Mesmo após o início do ciclo de cortes, a taxa Selic permanece em 14% ao ano. O custo elevado do dinheiro limita compras parceladas, pressiona o capital de giro e aumenta as despesas financeiras das companhias. O endividamento das famílias, por sua vez, reduz a renda disponível e obriga o consumidor a concentrar gastos em itens essenciais.

Os efeitos são mais intensos em segmentos dependentes de financiamento, como móveis, eletrodomésticos e eletrônicos. Também atingem empresas com dívidas elevadas ou grande necessidade de recursos para financiar estoques, crediário e expansão.

Na temporada de balanços dos últimos dias, o Magazine Luiza registrou queda de 2,6% na receita líquida, para aproximadamente R$ 8,9 bilhões. O volume bruto de mercadorias, o GMV, recuou 5%, enquanto o indicador do comércio eletrônico caiu cerca de 12%, tanto nas vendas próprias quanto no marketplace. O desempenho das lojas físicas foi melhor, com crescimento de 10%, favorecido pela demanda por televisores durante a Copa do Mundo.

A diferença entre os canais revela uma das contradições do momento. O Magalu construiu uma das operações digitais mais relevantes entre as empresas brasileiras, mas precisa concorrer com plataformas globais dispostas a investir grandes volumes em frete, publicidade, tecnologia e aquisição de clientes. Ao mesmo tempo, carrega uma rede física, estoques próprios e uma operação financeira exposta ao custo do crédito.

A Casas Bahia representa o quadro mais grave. A companhia apresentou prejuízo superior a R$ 10 bilhões, dos quais R$ 9,1 bilhões decorreram de efeitos contábeis não recorrentes relacionados ao redimensionamento da operação. Mesmo descontados esses impactos, porém, o resultado permaneceu negativo. A rede fechou 298 lojas e passou a admitir a possibilidade de uma nova recuperação extrajudicial ou judicial.

A crise da empresa não pode ser atribuída exclusivamente à concorrência digital. Endividamento, dificuldades de financiamento, perda de rentabilidade e problemas de execução também pesaram. Ainda assim, o caso mostra como uma estrutura construída para outro ciclo do consumo pode se tornar vulnerável quando o crédito encarece e o cliente passa a comparar preços, prazos e condições de entrega em poucos segundos.

A pressão também chegou à moda, embora de maneira desigual. A Renner obteve receita consolidada de R$ 4,2 bilhões, avanço de apenas 1%, e lucro praticamente estável em R$ 405 milhões. Diante da desaceleração das vendas, a companhia reduziu sua estimativa de crescimento da receita varejista em 2026, anteriormente situada entre 9% e 13%, para uma faixa de 4% a 8%.

Além do ambiente econômico e da redução do fluxo durante a Copa do Mundo, a empresa mencionou o aumento da concorrência de plataformas internacionais. Esse elemento é importante porque mostra que o avanço dos marketplaces deixou de afetar somente eletrônicos e artigos para o lar. Shopee, Shein, Amazon e Mercado Livre disputam agora categorias como roupas, cosméticos, acessórios e itens de consumo recorrente.

A Riachuelo destoou desse cenário. A varejista alcançou lucro de R$ 167,9 milhões, crescimento anual de 36,2% e o melhor resultado já registrado pela companhia em um segundo trimestre. A receita líquida avançou 3,3%, para R$ 2,69 bilhões, enquanto o Ebitda cresceu 12,7%, para R$ 460,6 milhões.

O desempenho foi sustentado por vendas maiores de vestuário, redução de remarcações, controle de estoques, eficiência industrial e recuperação da operação financeira Midway. A companhia demonstrou que o cenário econômico não determina sozinho os vencedores e perdedores. Execução, posicionamento, diferenciação e disciplina financeira continuam decisivos.

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Endividamento recorde comprime renda e limita consumo das famílias brasileiras
Juros elevados e maior comprometimento do orçamento tornam recuperação mais lenta, e inadimplência avança entre consumidores mais pobres

 

Da Jaqueline Mendes, do Brazil Economy

O recorde de endividamento das famílias brasileiras revela um problema que vai além do crescimento das dívidas. Com uma parcela cada vez maior da renda comprometida antes mesmo de chegar ao consumo, o crédito começa a funcionar como um limitador da atividade econômica, principalmente entre os brasileiros de menor renda.

Em julho, 82% das famílias tinham algum compromisso financeiro a vencer, maior percentual da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Foi o sexto recorde consecutivo. Em junho, eram 81,6% e, um ano antes, 78,5%.

O dado mais preocupante, porém, aparece quando se observa quanto do orçamento já está comprometido. Entre os consumidores endividados, 29,5% da renda mensal, em média, está destinada ao pagamento de compromissos financeiros. A parcela das famílias que precisam reservar mais da metade dos rendimentos para pagar dívidas chegou a 19% em julho, maior nível desde março.

Na prática, significa que parte relevante da renda gerada pelo mercado de trabalho deixa de circular livremente pela economia e já chega às famílias destinada ao pagamento de obrigações anteriores. Isso reduz o espaço para novas compras e ajuda a explicar por que uma melhora da renda e do emprego não necessariamente se converte, na mesma intensidade, em expansão do consumo.

A situação se torna ainda mais delicada porque o crédito permanece caro. Embora o Banco Central tenha iniciado a redução da Selic, que chegou a 14% ao ano, a transmissão da política monetária para empréstimos, financiamentos e renegociações ocorre de maneira gradual.

Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a redução dos juros básicos abre caminho para uma melhora das condições financeiras, mas não será suficiente para produzir alívio imediato no orçamento.

“A decisão de reduzir os juros básicos tende a contribuir para a diminuição do custo das novas operações de crédito e para a renegociação de dívidas em condições mais favoráveis. No entanto, o elevado comprometimento da renda mostra que a recuperação da capacidade de consumo das famílias será gradual”, afirma Bentes.

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