Inteligência artificial ganha protagonismo na 11ª edição do Onco in Rio
Segundo especialista, IA deve adicionar US$ 8 trilhões ao PIB mundial na próxima década

 

 

Da Redação

A inteligência artificial (IA) foi um dos principais eixos de discussão da 11ª edição do Congresso Internacional Oncologia D’Or – Onco in Rio, realizada entre sexta-feira (27) e sábado (28), no Windsor Oceânico, no Rio de Janeiro. Reunindo especialistas do Brasil e do exterior, o evento destacou inovação, tecnologia e avanços no diagnóstico e tratamento do câncer, além de registrar público recorde, com quase 15 mil inscritos — superando os 11 mil da edição anterior. “O sucesso desta edição do Onco in Rio, com um público ainda maior do que no ano passado, reforça a relevância do encontro como um espaço essencial para o aperfeiçoamento profissional, a troca de conhecimento e o fortalecimento de conexões que impulsionam a oncologia no Brasil”, celebrou o presidente da Oncologia D’Or, Paulo Hoff.

Ao longo dos dois dias, a IA foi apontada como uma transformação irreversível na medicina, com impacto direto na prática clínica, na gestão da saúde e no acesso ao diagnóstico. Durante o segundo dia do congresso, o presidente da Cirion Technologies no Brasil, Gustavo Salomon, destacou que a tecnologia deve ser encarada como aliada dos profissionais. “O profissional não perderá espaço para a IA, mas pode perder para quem souber utilizá-la”, afirmou. Segundo ele, além de revolucionar processos, a IA deve impulsionar a economia global, com estimativa de adicionar cerca de US$ 8 trilhões ao PIB mundial na próxima década.

Na saúde, os efeitos dessa transformação já são concretos. O mercado de imagens médicas, por exemplo, deve crescer de US$ 4 bilhões para US$ 26 bilhões nos próximos anos. Salomon também apresentou aplicações práticas, como sistemas utilizados na China que realizam triagens iniciais e apoiam diagnósticos e decisões terapêuticas, ampliando o acesso em regiões com alta demanda. Em outra frente, avanços na neurologia já permitem que pacientes com síndrome do encarceramento recuperem a comunicação por meio da combinação entre chips cerebrais e IA, inclusive com reprodução da própria voz.

Na radiologia, a IA vem ampliando a capacidade diagnóstica e otimizando o tempo dos especialistas. Rosana Rodrigues, médica radiologista da Rede D’Or e pesquisadora do IDOR, explicou que as ferramentas atuais já atuam na detecção, classificação e quantificação de lesões, além de apoiar o diagnóstico, o prognóstico e a avaliação de resposta ao tratamento. Na prática, sistemas conseguem priorizar exames urgentes, identificar achados críticos e destacar alterações por meio de mapas de calor.

Apesar dos avanços, a especialista ressaltou que a incorporação plena da IA ainda enfrenta desafios, especialmente devido ao caráter “estreito” da maioria das soluções atuais, voltadas para tarefas específicas. Como tendência, destacou o avanço de modelos multimodais, capazes de integrar dados de imagem com informações clínicas, laboratoriais e patológicas, aproximando a medicina de precisão. Entre os exemplos nacionais, foram apresentados projetos do IDOR já aplicados na Rede D’Or, incluindo ferramentas aprovadas pela Anvisa para análise de doenças pulmonares e soluções que identificam pacientes com suspeita de câncer que não retornaram para acompanhamento, contribuindo para diagnósticos mais precoces.

Além da inteligência artificial, o congresso abordou avanços relevantes em diferentes áreas da oncologia. No câncer de mama, o coordenador da Oncogenética da Oncologia D’Or, Rodrigo Guindalini, destacou a importância da personalização no rastreamento, levando em conta fatores como predisposição genética, densidade mamária, histórico familiar e estilo de vida. Estudos recentes com scores de risco poligênico também foram apresentados como ferramentas promissoras para aumentar a precisão das estratégias de detecção precoce.

Outro destaque foi a evolução dos conjugados anticorpo-fármaco (ADCs), que vêm ganhando espaço por combinarem características da imunoterapia, da terapia-alvo e da quimioterapia tradicional, permitindo maior precisão no combate às células tumorais.

O manejo da dor oncológica também esteve em pauta, com ênfase na necessidade de abordagens individualizadas. A especialista em medicina da dor Mariana Junqueira ressaltou que o tratamento deve considerar os diferentes mecanismos da dor — como neuropática, inflamatória ou relacionada ao próprio tratamento — e combinar terapias farmacológicas, procedimentos intervencionistas e estratégias não medicamentosas. Segundo ela, o modelo tradicional da escada analgésica da Organização Mundial da Saúde foi superado, dando lugar a abordagens mais dinâmicas, com uso criterioso de opioides, novas classes de medicamentos e intervenções precoces.

O evento também abriu espaço para discussões sobre aspectos humanos e emocionais do cuidado oncológico. A oncologista Clarissa Baldotto destacou a importância de integrar a família no processo de cuidado, respeitando a autonomia do paciente e adaptando a comunicação aos diferentes perfis familiares. Já a psicóloga Erika Pallattino abordou o impacto emocional da prática oncológica sobre os profissionais de saúde, ressaltando que o luto faz parte da rotina e precisa ser reconhecido e acolhido.

Um dos momentos mais emocionantes do congresso foi a participação da jornalista Lilian Ribeiro, no primeiro dia do evento. Diagnosticada com câncer de mama há quatro anos, ela compartilhou sua experiência como paciente, destacando o impacto do diagnóstico, o papel fundamental da família e a importância de um cuidado que enxergue o indivíduo além da doença. Sua fala reforçou a dimensão humana da oncologia e emocionou o público ao evidenciar a importância do acolhimento, da comunicação e do cuidado integral ao longo de toda a jornada do paciente.

Congresso Internacional Oncologia D’Or chega à sua décima primeira edição
Evolução no uso de IA no tratamento oncológico será um dos destaques do Onco in Rio

 

Da Redação

O Congresso Internacional Oncologia D’Or – Onco in Rio – abordará tecnologia e inovação em diagnóstico e tratamento do câncer, em sua décima primeira edição. Temas como inteligência artificial em terapia celular e radioterapia serão destaques na programação. O evento acontecerá nos dias 27 e 28 de março, no Windsor Oceânico, no Rio de Janeiro.

Considerado o maior congresso de oncologia no país, o Onco in Rio já conta com mais de 12 mil inscritos, superando o recorde alcançado no ano passado, de mais de 11 mil. Para isso, a programação também está voltada para a atualização multidisciplinar. “Um dos nossos diferenciais é a participação de profissionais de diversas áreas da saúde, pois proporciona um olhar integral sobre o cuidado do paciente oncológico”, ressalta o presidente da Oncologia D’Or, o Prof. Dr. Paulo M. Hoff.

A programação será dividida em módulos temáticos e reunirá centenas de palestrantes, incluindo convidados internacionais, como os norte-americanos Kelly Hunt e Mihir Desai. Responsável por estudos clínicos que mudaram o padrão de tratamento do câncer de mama, Hunt também é chefe do Departamento de Oncologia Cirúrgica de Mama do The University of Texas MD Anderson Cancer Center. Desai é uma das principais referências mundiais em cirurgia robótica, laparoscópica e endourológica.

Outro destaque será o painel de pesquisa clínica. No ano passado, a Oncologia D’Or fechou parceria com a Next Oncology para promover inovações no tratamento do câncer, com a realização de testes clínicos de fase 1 de potenciais agentes anticancerígenos. “Vamos aproveitar a oportunidade para apresentar os primeiros estudos que têm sido desenvolvidos”, revela Hoff.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra mais de 700 mil novos casos de câncer por ano. Projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que esse número continuará crescendo, podendo alcançar cerca de 1,15 milhão de novos diagnósticos anuais até 2050. Diante desse cenário, a constante atualização científica torna-se essencial para garantir precisão e inovação no cuidado oncológico. Com esse compromisso, a Oncologia D’Or promove seus congressos anuais, reunindo especialistas nacionais e internacionais para compartilhar conhecimentos e discutir avanços em diagnóstico e tratamento, contribuindo para a evolução contínua da oncologia no país.

As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas pelo site do congresso.

Serviço

XI Congresso Internacional Oncologia D’Or – Onco in Rio
Quando: 27 e 28 de março
Onde: Windsor Oceânico – R. Martinho de Mesquita, 129 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
Informações: Home – XI Congresso Internacional Oncologia D’Or – Onco in Rio

Com mais de 11 mil inscritos, Onco in Rio apresentou os principais avanços no tratamento e diagnóstico de câncer
Aplicação da Inteligência Artificial esteve entre os principais destaques. Oncologistas alertaram para aumento de casos em pessoas com menos de 55 anos

 

Um talk show entre o presidente da Oncologia D’Or, Paulo Hoff, e o CEO da Rede D’Or, Paulo Moll, fechou a décima edição do Onco in Rio

 

Da Redação

O uso da Inteligência Artificial e os avanços na patologia molecular estiveram entre os principais temas debatidos na décima edição do Congresso Internacional da Oncologia D’Or – Onco in Rio, encerrado no último sábado. Com cerca de 11 mil inscritos e mais de 300 palestrantes, o congresso foi uma oportunidade única de se atualizar nas práticas oncológicas mais modernas. “Antigamente demorava décadas para surgirem novidades relevantes na medicina. Hoje é uma questão de meses, tal é a velocidade que o conhecimento se renova”, ressaltou o presidente da Oncologia D’Or, Paulo Hoff, que aponta que o futuro do diagnóstico e do tratamento de câncer passa pelo aprendizado das melhores formas de se incorporar a IA nas clínicas e hospitais.

Para o cirurgião Carlos Domene, por exemplo, coordenador do curso de capacitação em robótica do IDOR, que participou da mesa sobre o uso de IA em cirurgia oncológica, a incorporação dessa tecnologia é inevitável e não há como negar as vantagens que ela entrega tanto para o médico quanto para o paciente. “Há quem ainda duvide do futuro da IA, mas lembro que houve quem disse que avião era uma coisa impossível e que a TV não teria futuro”, pontuou.

A anestesiologista e coordenadora do Centro de Estudos da Clínica São Vicente, Mariana Junqueira ponderou sobre como a IA pode contribuir na gestão da dor dos pacientes. Ela observou que muitas vezes as pessoas não leem as orientações para usos de opioides e considerou se a IA não pode ajudar, por exemplo, a fazer um vídeo que seja mais eficiente e ajude a melhorar a qualidade de vida do paciente.

As inovações foram destacadas em diversas palestras, ainda assim é quase que unanimidade que há muito onde avançar. A coordenadora da oncologia do Hospital São Luiz Jabaquara, Alexandra Khichfy, relatou, durante a mesa que debateu o estágio atual da oncologia, que o diagnóstico do câncer é um problema mundial, visto que, somente em 2019, cerca de 10 milhões de pessoas morreram por causa de algum tipo de tumor. Ela observou que é preciso melhorar o acesso aos exames, pois quanto antes diagnosticar, maior é chance de um desfecho positivo. Um exemplo é o câncer de intestino, que apresenta a taxa de sobrevida 90% em cinco anos e o de mama, que registra uma taxa de 100%. E as perspectivas para o futuro são ainda melhores. “Estamos caminhando para análises moleculares para entender profundamente os tumores e fazer tratamentos mais especializados”, afirmou.

O aumento do número de casos de câncer em pessoas com menos de 55 anos tem preocupado os oncologistas. O número de diagnósticos de tumores de intestino, por exemplo, cresceu de 11% para 20% entre 2005 e 2019. Outros tipos de câncer, como de esôfago e próstata, também têm registrado aumento de incidência em pessoas mais jovens. Hoff ressalta que a adoção de hábitos de vida saudáveis é uma das principais formas de se prevenir o câncer. “A obesidade crônica, vista pela OMS como um caso de epidemia global, está hoje entre os principais fatores de risco para a maioria dos tipos de câncer”, alerta.

O congresso também mostrou que pesquisadores estão cada vez mais otimistas no desenvolvimento de tecnologias que permitam prever as reais chances de uma pessoa vir a ter um câncer, bem como de antecipar a forma como ele vai se desenvolver. E o avanço da patologia molecular tem sido fundamental para permitir essa previsibilidade e identificar de forma mais precisa o tipo de câncer de cada paciente.

No sábado, encerrando a programação científica do congresso, uma mesa sobre o futuro dos testes moleculares reuniu o diretor médico da Anatomia Patológica da Rede D‘Or, Fernando Soares, e o norte americano Eric Walk, que tem mais de 20 anos de experiência em medicina de precisão e desenvolvimento de medicamentos oncológicos e hoje é diretor médico da PathAI, empresa que fechou parceria com a Rede D’Or para entregar soluções com IA. “A Inteligência Artificial vai ser o nosso melhor companheiro, pois vai atuar em diversos momentos, seja, por exemplo, avaliando resultado de exames de imagens ou de análises clínicas e patológicas. E a IA vai poder integrar todas essas informações”, ressaltou Soares.

Termina hoje o maior congresso de oncologia do país
Onco in Rio apresenta os principais avanços no diagnóstico e tratamento de câncer

A anestesiologista do Centro de Estudos da Clínica São Vicente, Mariana Junqueira

 

Da Redação

Termina hoje (05) a décima edição do Congresso Internacional da Oncologia D’Or – Onco in Rio. O maior congresso de oncologia do país, com mais de 11 mil inscritos, apresenta as principais novidades no diagnóstico e tratamento de câncer. No primeiro dia, o papel dos cuidados paliativos, os avanços nos tratamentos de câncer de mama e a gestão da dor do paciente oncológico foram alguns dos temas abordados. “Entendemos que era preciso pensar em outros setores da área da saúde, para proporcionar um evento que abrangesse o cuidado integral dos pacientes. Por isso temos mais de 300 palestrantes de diversas áreas da medicina”, ressaltou o presidente da Oncologia D’Or, Paulo Hoff, ao comentar na abertura que a programação contempla temas para especialidades além da oncologia.

O uso de Inteligência Artificial também foi um dos principais temas do primeiro dia. Para o cirurgião Carlos Domene, por exemplo, coordenador do curso de capacitação em robótica do IDOR, que participou da mesa sobre o uso de IA em cirurgia oncológica, a incorporação da IA é inevitável e não há como negar as vantagens que ela entrega tanto para o médico quanto para o paciente. “Há quem ainda duvide do futuro da IA, mas lembro que houve quem disse que avião era uma coisa impossível e que a TV não teria futuro”, pontuou.

A anestesiologista e coordenadora do Centro de Estudos da Clínica São Vicente, Mariana Junqueira ponderou sobre como a IA pode contribuir. Ela observou que muitas vezes as pessoas não leem as orientações para usos de opioides e considerou se a IA não pode ajudar, por exemplo, a fazer um vídeo que seja mais eficiente e ajude a melhorar a qualidade de vida do paciente.

As inovações no campo oncológico foram destacadas em diversas mesas, ainda assim é quase que unanimidade que há muito no que avançar. A coordenadora da Oncologia do Hospital São Luiz Jabaquara, Alexandra Khichfy, relatou, durante a mesa que debateu o estágio atual da oncologia, que o diagnóstico do câncer é um problema mundial, visto que, somente em 2019, cerca de 10 milhões de pessoas morreram por causa de algum tipo de tumor. Ela observou que é preciso melhorar o acesso aos exames, pois quanto antes diagnosticar, maior é chance de um desfecho positivo. Ela citou como exemplo o câncer de intestino, que apresenta a taxa de sobrevida 90% em cinco anos e o de mama, que registra uma taxa de 100%. E as perspectivas para o futuro são ainda melhores. “Estamos caminhando para análises moleculares para entender profundamente os tumores e fazer tratamentos mais especializados”, afirmou.

Já a oncologista da Oncologia D’Or de Salvador Nathália de Souza Del Rey destacou a importância do trabalho multidisciplinar, envolvendo diversos profissionais, para proporcionar tanto um melhor tratamento quanto qualidade de vida ao paciente. Ela contou que o entendimento do câncer como uma doença sistêmica, que afeta várias partes, é relativamente recente. “No século XIX, não se tinha ideia de ser uma doença sistêmica. Hoje sabemos que o tratamento sistêmico associado ao tratamento definitivo aumenta as chances de cura do paciente. A gente sabe muito, mas ainda precisamos aprender mais”, afirmou.

O Onco in Rio continua neste sábado, com mesas sobre aaplicações da patologia digital e da IA na medicina de precisão e pesquisa clínica, o futuro dos testes moleculares na prática da oncologia, cardio-oncologia, transplante de órgãos e tumores, entre outros.

Serviço
X Congresso Internacional Oncologia D’Or – Onco in Rio
Quando: 04 e 05 de abril
Onde: Windsor Oceânico- R. Martinho de Mesquita, 129 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
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