Fazenda aumenta previsão oficial de crescimento do PIB para 3,2%
Estimativa para inflação em 2023 se mantém em 4,85%

Da Agência Brasil

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda elevou de 2,5% para 3,2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos). A estimativa para a inflação diminuiu. As previsões estão no Boletim Macrofiscal divulgado nesta segunda-feira (18).

Segundo o Ministério da Fazenda, a revisão no crescimento foi motivada pelo crescimento de 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) no segundo trimestre, pelo aumento da safra, pela expectativa de resultados positivos no terceiro trimestre e pela eventual recuperação da economia chinesa no quarto trimestre.

As projeções de crescimento para este ano melhoraram para todos os setores. Para o setor agropecuário, a projeção passou de 13,2% para 14%. Para a indústria, a estimativa avançou de 0,8% para 1,5%, enquanto a projeção para os serviços passou de 1,7% para 2,5%. A estimativa de crescimento para 2024 foi mantida em 2,3%.

Segundo o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, as previsões do mercado financeiro têm confirmado as estimativas do Ministério da Fazenda. “O conjunto de projeções do mercado tem tido um resultado bastante benigno na nossa leitura em relação à dinâmica da economia brasileira e tem tido também um comportamento que tem confirmado de alguma forma as projeções que nós fazemos aqui na SPE”, afirmou.

Inflação

A projeção de inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi mantida A estimativa está acima da meta de inflação para o ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 3,25%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,75% e o superior é 4,75%. Para 2024, a estimativa avançou de 3,3% para 3,4%.

Segundo a SPE, o impacto dos reajustes nos preços de combustíveis tem sido compensado pela queda nos preços de comida e de serviços associados à alimentação em casa. A projeção para 2024 foi elevada por causa de ajustes nas estimativas para o dólar e o preço das commodities (bens primários com cotação internacional).

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado para estabelecer o valor do salário mínimo e corrigir aposentadorias, deverá encerrar este ano com variação de 4,36%, segundo a previsão da SPE, contra 4,48% previstos no boletim anterior, divulgado em maio. A projeção para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que inclui o setor atacadista, o custo da construção civil e o consumidor final, caiu de deflação de 2,06% para deflação de 3%.

Médio prazo

Apesar da desaceleração econômica prevista para 2024, a SPE ressalta que as estimativas para o próximo ano estão melhorando. Mesmo com o desemprego em baixa, os núcleos de inflação (medidas que excluem variações extremas, como alimentos e preços administrados) continua a desacelerar. “Em linha com essa interpretação, a expectativa de mercado para o crescimento em 2024 tem se elevado, a despeito do aumento do crescimento projetado para 2023”, ressalta o documento.

Principal responsável pelo crescimento econômico em 2023, o setor agropecuário deverá desacelerar no próximo ano, por causa da repercussão da supersafra deste ano, que reduz os preços das commodities agrícolas, e da previsão de anomalias climáticas, que reduzirão o crescimento da área plantada.

Para outros setores, a perspectiva é mais otimista para 2024. Segundo a SPE, a indústria e os serviços devem se beneficiar com a queda dos juros, com as políticas de apoio à renegociação de dívidas, com os programas de transferência de renda e os incentivos ao investimento, como o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), estímulos para inovação e digitalização, fornecimento de garantias do Tesouro Nacional para parcerias público-privadas.

A desaceleração do e-commerce brasileiro deve preocupar o varejo?
Com alta de apenas 1,6% em 2022, varejo online apresenta estagnação e passa a disputar galpões logísticos com setores tradicionais

Desde 2020, o e-commerce brasileiro tem apresentado resultados positivos, muito por conta do efeito da pandemia, que acelerou de modo concreto o uso de compras pela internet por grande parte da população. Porém, este efeito positivo tem apresentado sinais de estagnação com o retorno do “novo normal”. De acordo com dados da Nielsen|Ebit, o faturamento do setor que subiu 41% em 2020 e 27% em 2021, apresentou alta de apenas 1,6% em 2022.

Diante deste cenário, os galpões logísticos, locais onde as mercadorias são armazenadas para serem distribuídas aos clientes após o momento de compra, voltaram a ser disputados por setores tradicionais, como o farmacêutico, automobilístico e agronegócio.

“O e-commerce brasileiro teve um grande crescimento em 2020 e 2021, impulsionado pela necessidade dos consumidores em terem os produtos de desejo, e também às restrições de circulação. Com a volta de um cenário normal em 2022, naturalmente as pessoas passaram a também retornar ao varejo físico”, explica Rogério Albuquerque, head de produtos e marketing da Card.

Rogério Albuquerque, head de produtos e marketing da Card.

A maioria dos moradores do estado de São Paulo está acostumada a observar suas encomendas estarem ou passarem por Cajamar, cidade da região metropolitana da capital paulista que abriga diversos galpões, e naturalmente se tornou um importante hub logístico para encomendas de todos os tipos.

Com maior disputa, os galpões de alto luxo apresentaram alta no crescimento de 41% desde 2019 no estado, liderado pelo e-commerce, que avançou 316% em área locada em três anos.

Assim como Cajamar, Guarulhos e Jundiaí também são protagonistas em serem centros logísticos do estado, e outros exemplos podem ser encontrados no país, como Extrema, em Minas Gerais.

“Os pontos logísticos são extremamente importantes para as grandes empresas, pois a partir deles os prazos de entrega que os grandes varejistas prometem ao realizar uma compra se tornam possíveis, e naturalmente o preço sobe, com a disputa com os setores tradicionais”, comenta Rogério.

O que podemos esperar para o futuro?

Mesmo com a aparente desaceleração da alta do e-commerce brasileiro, o setor não deixará de ser um importante agente da economia nacional e das compras dos consumidores brasileiros. Da mesma forma, o varejo físico deve se manter relevante, principalmente nos locais mais afastados do país.

“A disputa pelos galpões mostra que tanto o varejo online, quanto o físico enxergam perspectivas positivas para o futuro econômico do país e do consumo nacional de seus produtos”, finaliza o head de marketing.

Embratur tem nova plataforma digital para divulgação de dados do setor
Ferramenta permite acompanhar entrada de turistas estrangeiros no país

Da Agência Brasil

O Ministério do Turismo e a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) prometem agilizar a divulgação de informações sobre a entrada de turistas internacionais no Brasil.

Uma nova plataforma, disponível na internet a partir desta quinta-feira (14), permitirá aos interessados acompanhar o número de estrangeiros e brasileiros residentes no exterior que ingressaram em território brasileiro, bem como o quanto de dinheiro eles deixaram no país. Um terceiro painel contém a previsão de voos internacionais para os próximos meses, com o detalhamento dos locais de origem e destino.

Segundo a gerente de Informação e Inteligência de Dados da Embratur, Mariana Aldrigui, os resultados continuarão sendo atualizados mensalmente, conforme já ocorre desde o ano passado, mas gestores públicos, agentes do setor, jornalistas e outros interessados não precisarão mais demandá-los à Embratur, podendo acessá-los diretamente.

“Ainda não temos uma produção de dados de turismo em tempo real, pois a Polícia Federal, que é responsável por checar se quem anunciou que entrou no país como turista, de fato entrou, produz relatórios mensais. Daí termos dados parcialmente estáticos, atualizados mensalmente, com um delay [atraso] de 15 a 20 dias”, explicou Mariana. Ela informou que a Embratur estuda acrescentar, em breve, novas funcionalidades à plataforma, como detalhes sobre a motivação e a duração das viagens internacionais ao Brasil.

As informações atualmente disponíveis no Painel de Dados do Turismo são fornecidas pela Receita Federal e pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). E, embora a Anac atualize diariamente dados sobre a previsão de voos internacionais, os técnicos da Embratur optaram pela consolidação mensal das informações, para minimizar eventuais distorções nos relatórios.

Ao apresentar a nova ferramenta, a gerente da Embratur destacou que, entre janeiro e agosto deste ano, o Brasil recebeu mais de 4 milhões de turistas internacionais, superando, em oito meses, o resultado de todo o ano passado, quando o país recebeu 3,6 milhões de pessoas vindas do exterior.

Para o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, a agilidade e a transparência na divulgação de informações do setor tendem a conferir mais eficácia às políticas públicas e segurança ao setor privado. “Pensar e projetar o trabalho de inteligência de dados é muito importante na nossa relação com o setor público e o privado. Qualificando as informações [disponíveis], auxiliamos os secretários de Turismo, as prefeituras, os governos e todo o trade turístico”, disse Freixo, ressaltando que, com os painéis, autoridades municipais e estaduais poderão monitorar, de forma mais qualificada, a movimentação de estrangeiros e qualificar a estrutura receptiva.

O ministro do Turismo, Celso Sabino, também destacou a importância da ferramenta para gestores municipais e estaduais, em um contexto em que, segundo ele, o governo federal busca recompor o orçamento destinado à promoção do turismo doméstico e internacional. “Estamos trabalhando para lançar programas de promoção internacional e fomentar o turismo interno.

Petrobras firma parceria para desenvolver gerador de energia eólica
Acordo foi fechado com a empresa de equipamentos eletroeletrônicos WEG

Da Agência Brasil

A Petrobras informou nesta quarta-feira (13) que assinou uma parceria com a WEG, empresa brasileira global de equipamentos eletroeletrônicos, para o desenvolvimento de um aerogerador de energia eólica (gerada pela força dos ventos) no Brasil. Segundo a Petrobras, o aerogerador onshore (em terra) terá capacidade de 7 megawatts (MW) e será o primeiro desse porte a ser fabricado no Brasil.

Para esse projeto, que já está em andamento, a Petrobras vai investir R$ 130 milhões. O acordo prevê o desenvolvimento de tecnologias para a fabricação dos componentes e a construção e testes de um protótipo, com contrapartidas técnicas e comerciais para a Petrobras. A WEG prevê que o equipamento poderá ser produzido em série a partir de 2025.

“A parceria com a WEG prevê o desenvolvimento do maior aerogerador do país, com capacidade de 7 MW, suficiente para abastecer, sozinho, uma cidade de 16.880 habitantes”, disse Jean Paul Prates, presidente da Petrobras. Prates falou sobre a parceria com a WEG durante a WindPower, evento que está sendo realizado na São Paulo Expo, na capital paulista.

O aerogerador terá 220 metros de altura do solo até a ponta da pá, o que equivale a seis estátuas do Cristo Redentor. A estrutura pesará 1.830 toneladas, o que equivale ao peso de 1.660 carros populares.

Segundo o presidente da Petrobras, esse projeto representa um “marco importante” para a empresa pois “aumentará seu conhecimento em tecnologia de energia eólica, além de contribuir para impulsionar a transição energética no Brasil, em parceria com uma empresa que se destaca em inovação pelo desenvolvimento de soluções em eficiência energética, energias renováveis e mobilidade elétrica”.

“O dia de hoje vai ser um marco na história do Brasil em energia eólica”, disse o diretor-presidente executivo da WEG, Harry Schmelzer Jr. “Isso vai ser muito importante para os investimentos de energia eólica no Brasil e também vai ser um marco para a WEG”, destacou.

De acordo com o diretor de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Maurício Tolmasquim, a parceria tem interesse mútuo. “A Petrobras está entrando nisso porque é importante para o país, mas também porque é importante para a Petrobras. Vamos ter royalties, vamos ter preferência na aquisição de máquinas. Tem a questão de uma empresa estatal olhar para o interesse do país, mas também de olharmos para o interesse da empresa. E ambas as questões estão incluídas nessa parceria.”

Em maio deste ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fechou um financiamento de R$ 59 milhões para o desenvolvimento de um novo aerogerador da WEG “que permitirá a geração de energia de forma mais eficiente em parques eólicos localizados em terra”. Segundo o banco, o equipamento de alta potência (7 MW) será o maior em operação no mercado brasileiro e possibilitará a redução dos investimentos totais para a instalação de novos parques e emissão de carbono.