O Turismo após a pandemia
Martha Rocha*

 

Martha Rocha é deputada estadual (PDT)

 

No fim de agosto, o Copacabana Palace, um dos mais tradicionais hotéis do Rio de Janeiro, reabriu, após ficar 132 dias fechado por causa da pandemia. Entretanto, dezenas de outros estabelecimentos não tiveram o mesmo fôlego e não sobreviveram à crise causada pelo novo coronavírus. Essa é uma realidade global, que faz com que o Dia Mundial do Turismo deste ano seja marcado por incertezas.

Foram meses com aeroportos vazios, hotéis ociosos e pontos turísticos fechados. A previsão do Conselho Mundial de Viagens e Turismo é de que mais de 197 milhões de pessoas fiquem sem emprego por causa da crise que atinge o setor. Somente no Rio, o prejuízo é de R$ 720 milhões para a rede hoteleira, segundo o Sindicato dos Meios de Hospedagem do Município.

Mas antes mesmo desta tragédia planetária, o setor turístico carioca já penava as consequências de gestões irresponsáveis e, no mínimo, lesivas. Apesar de ser mundialmente conhecida por suas belas paisagens e atrações como o Cristo Redentor e o Maracanã, a cidade está longe de ser uma das 20 cidades mais visitadas do mundo. Mas oportunidades não faltaram: entre 2011 e 2016, sediamos cinco dos maiores megaeventos globais: Jogos Mundiais Militares, em 2011; Encontro Mundial da Juventude”, em 2013; a Copa do Mundo, de 2014; e as Olimpíadas e as Paraolimpíadas de 2016.

Só a transmissão dos jogos olímpicos teve audiência de 3,6 bilhões de telespectadores; a metade do planeta acompanhou aos 16 dias de competição. Um sonho que, à medida em que os participantes iam deixando a cidade, foi se transformando em pesadelo, com desperdício de bilhões de reais em investimentos, esfarelamento de equipamentos urbanos e esportivos e esta sensação de perda de oportunidades que até hoje dói fundo no coração carioca.

Do mesmo jeito que dezenas de novos hotéis abriram as portas impulsionados pelos grandes eventos, muitos deles tiveram vida curta quando a projeção de aumento de demanda não se concretizou. Somente em 2018, pelo menos 16 empreendimentos tiveram que encerrar as atividades, pois a taxa de ocupação na cidade mal chegava a 30%.

Mais do que nunca é preciso inovar e fazer diferente para acelerar a retomada do turismo após o fim da pandemia. O Rio sofre com problemas crônicos de transporte e segurança e a imagem do país abalada com a forma como lidou com o novo coronavírus também não contribui para atrair, pelo menos em curto prazo, turistas estrangeiros. Uma das alternativas é desenvolver um arrojado plano de marketing turístico da cidade voltado para dentro e assim atrair visitantes de todo o país. Também é preciso fortalecer o turismo de eventos, que sempre foi um braço importante por manter o ativo o setor ao longo dos anos, mesmo em períodos de baixa estação. Quem sabe assim, possamos, no ano que vem, ter razões para celebrar o Dia Mundial do Turismo.

Rádio Tupi completa 85 anos
Primeira emissora de rádio dos Diários Associados se tornou parte da cultura carioca

 

A Rádio Tupi é líder de audiência no Rio de Janeiro

 

Há 85 anos entrava no ar a Rádio Tupi, uma das emissoras mais tradicionais do Rio de Janeiro. A emissora, inaugurada em 25 de setembro de 1935, pelo jornalista Assis Chateaubriand, é uma das mais antigas rádios em operação no Brasil. A cerimônia contou com a presença do italiano Guglielmo Marconi, o inventor do rádio.

Chamada de “Cacique do ar”, a Tupi, na época instalada no bairro do Santo Cristo, na Região Central do Rio de Janeiro, participou intensamente da “Era de Ouro” do rádio brasileiro. Os mais importantes nomes da música nacional e internacional passaram pela emissora, como Dalva de Oliveira, Carmem Miranda, Dorival Caymmy, Jamelão e Nat King Cole. O auditório da Tupi era tão amplo, tinha capacidade para 1.500 pessoas, que ficou conhecido como o “Maracanã dos auditórios”. Atrações de sucesso marcaram época no auditório, como “Pausa para Meditação”, com Julio Louzada, “Calouros em Desfile”, com Ary Barroso, e “Rua da Alegria”.

A dramaturgia também fez história na programação com o Radioteatro. Por lá passaram atores como Paulo Gracindo, Orlando Drummond, Cordélia Santos e Silvino Neto. Outro fato importante que marcou a história da rádio foi o concurso lançado, em 1942, pelo comunicador Almirante, onde foi escolhida a versão brasileira do “Parabéns pra você”. A música é cantada até hoje em todo o país.

A Tupi sempre contou com grandes profissionais do rádio, como os comunicadores Almirante, Collid Filho e Abelardo Barbora, o Chacrinha, e Nena Martinez. Atualmente, a emissora ainda mantém em seu casting os principais comunicadores do rádio brasileiro, como Alexandre Ferreira, Antonio Carlos, Cidinha Campos, Clóvis Monteiro, Cristiano Santos, Francisco Barbosa, Garcia Duarte, Heleno Rotay, Isabele Benito, Luiz Ribeiro, Mario Belisário, Marcus Vinícius, Pedro Augusto, Roberto Canázio, Sérgio Luis, Valéria Marques e Vivi Romanelli.

O programa Patrulha da Cidade lançado em 1960 pelo jornalista Afonso Soares, é referência no jornalismo carioca. Ao todo, são 60 anos de história. Nomes como Samuel Correa (Samuca), Juarez de Getirana (Gegê) e Coelho Lima já comandaram a Patrulha. Hoje a atração é apresentada por Mario Belisário.

A emissora também é conhecida pelas transmissões esportivas, como o Campeonato Brasileiro de Futebol e a Copa do Mundo. Profissionais, como Ary Barroso, Oduvaldo Cozzi, João Saldanha e Chico Anysio já passaram pela rádio.

Hoje, a emissora mantém a tradição e conta com alguns dos principais nomes do radiojornalismo esportivo, como José Carlos Araújo (Garotinho), Washington Rodrigues (Apolinho), Odilon Jr, Evaldo José, Bruno Cantarelli, Dé Aranha, Gerson Canhotinha, Rubem Leão, Gilson Ricardo, Paulo César Caju, Ricardo Moreira (Tigrão) e Wagner Menezes.

Simpósio Internacional sobre câncer de pulmão debate avanços no tratamento e diagnóstico da doença
O atendimento a pacientes em tempos de pandemia será um dos destaques no evento

Os últimos avanços no diagnóstico e tratamento do câncer de pulmão serão apresentados no V Simpósio Internacional de Câncer de Pulmão Oncologia D’Or, que acontece hoje e amanhã. Pela primeira vez o evento será inteiramente virtual. O simpósio terá a participação de vários dos principais especialistas do cenário nacional e convidados internacionais de grande prestígio na área, para apresentar os temas de mais relevância da especialidade, as tendências para o futuro próximo e discutir casos reais. O presidente da Oncologia D’Or, Paulo Hoff, está entre os nomes confirmados na mesa de abertura.

Alguns destaques da programação científica: inovações em cirurgia robótica; avanços da terapia-alvo e da imunoterapia; novidades no cenário do tratamento adjuvante e neoadjuvante; abordagem da doença oligometastática e a oncologia torácica em tempos de pandemia.

“O público pode esperar um congresso dinâmico, focando no manejo multidisciplinar do câncer e com um olhar no futuro do tratamento dessa doença”, destaca a oncologista Milena Mak, que, ao lado do também oncologista Lucianno Henrique Pereira dos Santos e dos cirurgiões torácicos Ricardo Mingarini Terra e Rui Haddad, faz a Coordenação Científica do evento.

Lucianno observa que o Simpósio, do ponto de vista da situação atual em que o mundo se encontra, funciona como uma afirmação de que a ciência e a oncologia continuam de pé, mesmo diante da crise de saúde global que atinge a humanidade. “Disseminar informações e conhecimentos médico deve ser um processo contínuo e ininterrupto”, afirma.

Entre as mesas que compõem a programação, Milena destaca a que vai discutir os novos empregos de imunoterapia e terapias alvo que vêm sendo desenvolvidos, bem como a incorporação destes tratamentos na prática clínica. “Também tivemos o cuidado de trazer para a discussão o manejo de pacientes com câncer de pulmão em tempos de pandemia, mostrando uma sintonia do evento com a nossa realidade”, relata a oncologista.

Entre os nomes internacionais confirmados temos o do Roy Herbst, chefe de Oncologia Médica e diretor associado de Pesquisa Translacional no Yale Cancer Center (YCC) e na Yale School of Medicine. Ele é reconhecido mundialmente por trazer à tona a discussão do tratamento adjuvante do câncer de pulmão EGFR+ com a utilização de terapia alvo. “Nosso Simpósio vai trazer um tema que foi destaque no último congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) ocorrido em junho. É mais um exemplo de como a programação está alinhada com o que vem sendo feito nos principais centros oncológicos do mundo”, destaca Lucianno.

Simpósio faz parte do calendário de eventos virtuais

O Simpósiofaz parte de uma série de eventos virtuais promovidos pela Oncologia D’Or até o final do ano. “A necessidade de isolamento social devido à pandemia não permite a realização de atividades presenciais. Entretanto o câncer continua sendo um problema relevante de saúde e há a necessidade de disseminar os estudos mais recentes a todos os médicos.”, comentou Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or. A cada evento, profissionais poderão discutir com especialistas nacionais e estrangeiros o que há de mais recente e efetivo no tratamento dessa doença. Outra novidade é que todos eventos terão conteúdo on demand. Os participantes terão acesso ao conteúdo apresentado pelos palestrantes por três meses.  O calendário completo está disponível no sitehttps://eventosoncologiador.com.br/.

Academia Brasileira de Ciências e Instituto D’Or homenageiam um dos primeiros médicos negros do Brasil
A quinta edição em vídeo do projeto "Ciência Gera Desenvolvimento" presta tributo a Juliano Moreira, precursor da psiquiatria moderna no país

 

Da Redação

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) acabam de lançar mais um vídeo do “Ciência Gera Desenvolvimento”, projeto criado pela ABC em 2017 e com parceria do IDOR desde o ano passado. O objetivo da iniciativa é divulgar, através de animações curtas e com linguagem acessível, a vida e legado de grandes nomes da ciência brasileira. Em novembro do ano passado, foi escolhido o geógrafo Milton Santos; já em 2020, a quinta edição do projeto homenageia o psiquiatra Juliano Moreira.

Nascido em Salvador, no ano de 1873, Juliano Moreira foi um dos principais nomes da psiquiatria brasileira e um dos primeiros a trazer para a área os conceitos da psicanálise, criada por Sigmund Freud, e da genética psiquiátrica moderna, desenvolvida por Emil Kraepelin. Moreira representou o Brasil em diversos congressos na Europa, África e Ásia, além de ter revolucionado o tratamento de pacientes psiquiátricos através de práticas humanizadas, como a abolição do uso de camisas de força e do uso de grades nas janelas dos hospitais. O médico ainda foi um dos principais nomes da ciência nacional a refutar as teorias do racismo científico predominante na época, que defendia que transtornos psiquiátricos estavam associados a misturas étnicas, o que marcaria a sociedade brasileira como geneticamente inferior às europeias.

“Juliano Moreira foi um nome extremamente importante na história da psiquiatria no Brasil. E um aspecto é digno de nota: se nos tempos atuais o racismo perdura no país, no fim do século XIX, Juliano, um jovem negro, ultrapassou imensos obstáculos para entrar na faculdade de medicina enquanto ainda existia escravidão no Brasil, um dos últimos países do mundo a aboli-la. Ele viveu em um período no qual o país se definia prioritariamente pela cor da pele, até mesmo na ciência, cuja teoria de degeneração, na época, defendia que a miscigenação com pessoas negras trazia contribuições negativas para população. Mesmo assim, vivendo em um contexto adverso como aquele, Juliano alcançou a merecida fama, como um dos mais importantes médicos de toda a nossa história”, observa o psiquiatra Paulo Mattos, coordenador da área de neurociências no IDOR e professor da UFRJ.

Como relata Paulo, além de suas brilhantes conquistas profissionais e pioneirismos científicos, Juliano Moreira também rompeu rígidas barreiras racistas da época. Negro e filho de uma empregada doméstica, recebeu uma boa educação proporcionada por seu padrinho, e patrão de sua mãe, o Barão de Itapuã. E Juliano aproveitou bem a oportunidade, ingressando na Faculdade de Medicina da Bahia aos 13 anos — dois anos antes da abolição formal da escravatura no país. Mais tarde, Moreira ainda participou como membro fundador da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Neurologia e Medicina Legal e da própria ABC, na qual, como vice-presidente, recebeu o físico Albert Einstein no país, em 1925. No triênio seguinte, tornou-se presidente da entidade que ajudou a erguer.

“Juliano Moreira foi um memorável humanista. Ingressou em 1916 na ABC, foi vice-presidente e depois presidente, totalizando mais de 12 anos dedicados à Academia, de 1917 a 1929. Nesse período, recebeu Albert Einstein e Marie Curie em suas visitas ao Brasil. Ele teve grande atuação nos meios científicos internacionais, envidando grandes esforços para fortalecer a imagem da ciência brasileira no exterior. Foi realmente um grande líder da psiquiatria e da ciência brasileira. E é uma honra poder homenageá-lo com esse vídeo”, declara o físico Luiz Davidovich, atual presidente da ABC.