Dificuldades financeiras afetam o bem-estar emocional de 89% dos brasileiros, segundo pesquisa
Especialista analisa os reflexos da insegurança econômica nas relações afetivas

 

Da Redação

Ser inadimplente afeta severamente o humor daqueles que veem suas dívidas crescerem exponencialmente. Não é à toa que para milhões de brasileiros, a pressão financeira também interfere no sono e na autoestima, aspectos que podem repercutir na maneira de se relacionar.

Uma pesquisa da Serasa, realizada em parceria com o Instituto Opinion Box em agosto de 2026, aponta que 89% dos entrevistados já tiveram a saúde mental afetada por problemas financeiros. O levantamento mostra como a instabilidade econômica pode ultrapassar o orçamento doméstico e alcançar outras dimensões da vida, incluindo a esfera afetiva.

Nesse cenário, o dinheiro também se torna um tema importante nas conversas sobre relacionamentos. A preocupação com o futuro, os diferentes padrões de consumo e as expectativas sobre o estilo de vida podem gerar conflitos entre parceiros, especialmente quando há desequilíbrio entre as condições financeiras de cada um ou dificuldade para falar abertamente sobre o assunto.

Para Caio Bittencourt, especialista em comportamento afetivo e relacionamentos do MeuPatrocínio, a falta de dinheiro causa frustrações que, na maioria dos casos, impactam os relacionamentos. “A liberdade financeira proporciona menos estresse, mais conforto e, consequentemente, melhora a qualidade de vida. Dinheiro pode até não comprar felicidade, mas a falta dele com certeza traz aborrecimento”, destaca.

Entre jovens da Geração Z, ficar sozinha é melhor que ter insegurança financeira
A discussão também abre espaço para refletir sobre a maneira como diferentes gerações encaram dinheiro, independência e compromisso amoroso. Em pesquisa realizada pelo MeuPatrocínio, constatou-se que 87,6% das Sugar Babies da Geração Z têm como principal critério na escolha de um relacionamento a saúde financeira do parceiro. A pesquisa foi feita com 1.698 usuárias, que afirmam preferir ficar sozinhas a ter um relacionamento em que precisarão se preocupar com as finanças.

Enquanto algumas pessoas priorizam a construção conjunta de patrimônio e a divisão de despesas, outras valorizam a complementaridade financeira e acordos mais definidos sobre o estilo de vida que desejam manter. Assim, falar sobre dinheiro deixa de ser necessariamente um tabu e passa a integrar as conversas sobre compatibilidade, limites e planos para o futuro.

No modelo de relacionamento sugar, as expectativas financeiras e afetivas podem ser discutidas de forma explícita desde o início. A proposta é baseada na construção de acordos consensuais entre adultos, com transparência sobre interesses e expectativas. “Pode soar clichê, mas o amor sozinho não coloca comida na mesa. Mulheres determinadas sabem o seu valor e não aceitam estar com alguém que não possa oferecer uma vida confortável”, finaliza Bittencourt.

Oito em cada dez (80%) consumidores afirmam verificar os ingredientes ao comprar um produto de beleza
Os dados estão no relatório “POWER Index” da LYMA e The Future Laboratory

 

Da Redação

O que você faz quando sente sua pele envelhecendo? Para muitos brasileiros, essa é hora daquele “glow-up” que está engavetado há anos. Cada vez mais conscientes da rotina de cuidados com a pele, oito em cada dez (80%) consumidores afirmam que sempre verificam os ingredientes ao comprar um novo produto de beleza, segundo o relatório inédito “POWER Index” da LYMA e The Future Laboratory.

E não é só isso. O aparecimento de rugas, linhas de expressão, olheiras e queda gradual do colágeno tem sido uma motivação para agir e começar a rotina de “skin care”. No entanto, o consumo agora pede cautela e orientação profissional, desde a escolha dos ativos até o planejamento dos resultados esperados.

Segundo a especialista em ‘biomedicina estética’ Jéssica Magalhães, com mais de uma década de experiência no setor e que já assinou o cuidado de personalidades como Tarsilla Alvarindo, Val Benvindo e Najara (NBlack), o consumo de skincare atual pede atenção e avaliação individualizada. Para aqueles que querem esticar as rotinas de cuidado até o fim do ano, a orientação é entender quais tratamentos focar para uma pele mais viçosa, sem cair nos mitos da internet.

“Procure sempre se afastar de tratamentos que vão garantir tudo em tempo recorde. A pele não é um guinness book, precisa de tempo, método e avaliação daquilo que o consumidor final deseja. É mais viço? Skinbooster. É flacidez? Bioestimulador de colágeno. São manchas ou textura irregular? Peelings, microagulhamento e lasers. O planejamento tem sido essencial para garantir não só o resultado esperado, como o tempo de resposta hábil da pele. E como estamos observando no consultório, cada vez mais pacientes vêm se informando sobre ativos e seus potenciais para devolver o brilho”, explica.

Quem for começar as rotinas de skincare para aquele “glow” de final de ano, Jéssica orienta um calendário trimestral, que pode variar entre os protocolos de hidratação injetável com skinbooster, cujas marcas somem em até 48 horas, ou até tratamentos com peelings químicos superficiais e lasers não-ablativos leves, que exigem de dois a cinco dias para a regeneração total da pele.

“Devemos lembrar sempre que as orientações não substituem a avaliação individual com o paciente. Quando pensamos em uma preparação para o fim do ano, o ideal é dividir os cuidados por etapas. No primeiro mês, o foco deve ser o fortalecimento da barreira cutânea e a renovação celular suave. Em casa, vale investir em ativos como ácido hialurônico para hidratar, niacinamida para acalmar e uniformizar, e vitamina C pela manhã para potencializar a proteção contra o estresse oxidativo. É o momento de preparar o terreno”, orienta.

No segundo e terceiro meses, Jéssica orienta que o foco passe a ser o estímulo da renovação e a entrega do brilho imediato. Na rotina caseira, entram ativos como retinol ou alfa-hidroxiácidos suaves à noite e antioxidantes pela manhã. Já em consultório, é a fase de combinar intervenções pontuais, como peelings superficiais e lasers não-ablativos para ajustar textura e manchas, finalizando com a hidratação injetável via skinbooster para garantir o viço profundo sem vermelhidão.

“É hora de tirar da gaveta aquela rotina de cuidados que sempre dissemos que faria, mas não tinha tempo. Avaliar os produtos ‘beauty’ e seus ativos é uma realidade por parte do consumidor, no entanto, a orientação profissional é indispensável. Quem já vai começar os preparativos para as festas do fim de ano, não esqueça de avaliar o período do resguardo indicado para cada protocolo. Assim, evitamos vermelhidão e sensibilidade, ou quem sabe, algum efeito rebote”, conclui.

Conahp 2026 reúne lideranças da saúde para discutir os desafios e o futuro do setor
Programação aborda sustentabilidade, integração entre os segmentos, inovação e caminhos para transformar o sistema de saúde

Edição de 2025 reuniu mais 6 mil congressistas

 

Da Redação

Começa hoje (14) e termina amanhã (15) 0 Conahp 2026, principal congresso de saúde do país, no Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP). O evento reunirá lideranças, especialistas e representantes de diferentes segmentos para discutir os desafios que pressionam o sistema de saúde e os caminhos para viabilizar as transformações necessárias ao setor. A edição também celebra os 25 anos da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp),

“Os 25 anos da Anahp representam uma trajetória de contribuição para o desenvolvimento da saúde no Brasil. O Conahp faz parte desse compromisso ao reunir lideranças, instituições e especialistas para discutir caminhos capazes de responder aos desafios atuais e futuros do setor. É uma oportunidade de compartilhar experiências e fortalecer o diálogo entre os diferentes elos da cadeia da saúde”, destaca Eduardo Amaro, presidente do Conselho de Administração da Anahp.

A programação abordará temas como sustentabilidade financeira, saúde suplementar, integração público-privada, inteligência artificial, regulação, novas tecnologias, formação e retenção de profissionais e envelhecimento da população. O congresso também discutirá os obstáculos que dificultam avanços em áreas fundamentais, como prevenção, uso de dados, interoperabilidade e integração entre os diferentes agentes da saúde.

“Temos um conjunto de temáticas que há anos reúne o apoio de diferentes segmentos da saúde, mas que avançam muito pouco na prática. Precisamos entender por que isso acontece. O desafio não é apenas saber o que deve ser feito, mas construir as condições para que as mudanças aconteçam. Isso passa pela capacidade de o setor atuar de forma articulada, reconstruir relações de confiança e estabelecer objetivos comuns”, afirma Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp.

Os debates ocorrem em um cenário de pressão crescente sobre o sistema, marcado pelo envelhecimento da população, pelo avanço das doenças crônicas, pelos desafios de financiamento e pela necessidade de ampliar o acesso à assistência. Na saúde suplementar, as relações entre operadoras, hospitais e fornecedores também estarão em pauta, com foco no diálogo e na construção de soluções sustentáveis para questões estruturais do setor.

Entre os destaques está a iniciativa Territórios Jornada do Futuro, concebida pela Anahp para apresentar perspectivas sobre a organização do sistema de saúde. A proposta conecta três frentes centrais: a coordenação do cuidado, a integração entre os setores público e privado e a articulação entre os diferentes elos da cadeia da saúde para ampliar o acesso à inovação.

A programação também contemplará os impactos da inteligência artificial na assistência e na gestão, os modelos de cuidado, o valor em saúde, a experiência e a participação do paciente, a segurança e a qualidade assistencial, a sustentabilidade ambiental e o papel das lideranças diante das transformações do setor.

Os debates estão organizados em cinco grandes eixos: Compromissos Setoriais; Tecnologia e Inteligência em Saúde; Financiamento e Sustentabilidade; Pessoas, Trabalho e Liderança; e Legitimidade Social e Impacto.

Especialistas do Brasil e do exterior

O Conahp 2026 contará com a participação de especialistas e lideranças nacionais e internacionais, entre eles Alexandre Kalache, médico-gerontólogo; Ann Somers Hogg, diretora de pesquisa em saúde do Christensen Institute; April Saathoff, do Johns Hopkins; Michelle Schneider, especialista em inteligência artificial; Carlos Nobre, cientista e pesquisador; Gonzalo Vecina, médico e professor; Arthur Aguillar, diretor de Políticas Públicas do IEPS; Bruno Sobral, diretor-executivo da FenaSaúde; e Renato Porto, presidente-executivo da Interfarma, entre outros nomes.

Veja aqui toda a programação.

Serviço

CONAHP 2026 – Congresso Nacional de Hospitais Privados
Data: 14 e 15 de outubro de 2026
Local: Transamerica Expo Center – São Paulo (SP)
Mais informações: Link

Produtividade na construção civil recua desde 2016, e Fiesp propõe agenda de modernização
Estudo sugere impulso à industrialização e ao uso da tecnologia na gestão de pessoas como caminho para sustentabilidade do setor

 

Da Redação

A construção civil brasileira enfrenta um impasse estrutural que ultrapassa a mera escassez de trabalhadores. Dados do estudo inédito Mãos à Obra: Emprego e Produtividade na Construção, elaborado pelo Departamento da Indústria da Construção e Mineração da Fiesp, revelam que a produtividade do setor caiu 25,8% entre 2016 e 2023. Lançado nesta quinta-feira (8/10), durante evento na sede da Fiesp que reuniu empresários, especialistas e representantes da cadeia produtiva, o levantamento discute os desafios e aponta caminhos para o avanço do setor.

A defasagem também aparece na comparação internacional. Em 2023, cada trabalhador da construção brasileira gerou, em média, US$ 19 mil por ano, patamar inferior ao de pares regionais como Chile (US$ 27 mil) e México (US$ 26 mil) e distante de mercados mais avançados, como Estados Unidos (US$ 84 mil) e Dinamarca (US$ 100 mil).

Para o diretor titular do Deconcic, Newton Cavalieri, a recuperação da produtividade passa por uma agenda estruturada de modernização do setor. “Precisamos tratar a produtividade como resultado de um conjunto de fatores que se estendem por toda a cadeia da produção. O primeiro são as pessoas, com qualificação e atualização dos profissionais. O segundo é a gestão, usando tecnologia e dados para melhorar o planejamento e tornar os processos mais eficientes. Por fim, a industrialização permitirá integrar etapas, racionalizar processos e buscar soluções com mais eficiência, qualidade e previsibilidade”, ressalta.

O momento econômico, no entanto, não deve ser usado como justificativa para postergar essa transformação, avalia Renato Corona, superintendente de Competitividade Industrial e Inovação da Fiesp. Para ele, mesmo em um cenário de ampla oferta de profissionais qualificados, a busca por escala e eficiência torna a automação uma tendência irreversível. “A construção brasileira não pode esperar o ambiente melhorar. As oportunidades não esperam, elas já estão se formando e quem quiser capturá-las amanhã precisa começar hoje a transformação em tecnologia, industrialização e produtividade”, afirma.

Essa transformação ganha relevância diante das próprias dificuldades do setor para recompor e reter sua força de trabalho. A construção civil enfrenta o envelhecimento da mão de obra formal e a alta rotatividade. Em 2024, 75,1% dos profissionais formais tinham entre 30 e 64 anos, enquanto a participação dos jovens de 18 a 29 anos caiu de 33,4% em 2010 para 22,2% em 2024.

O setor lidera o ranking de rotatividade no mercado formal, alcançando a taxa de 63% entre junho de 2024 e maio de 2025, o que impede o acúmulo de aprendizado, reduz a produtividade do trabalho e eleva os custos de recrutamento e treinamento. Entre as empresas que relatam dificuldades de contratação, 55,1% apontam a falta de interesse dos candidatos, 55,1% a escassez de profissionais qualificados e 42,1% a ausência de experiência.

A perda de atratividade é acentuada pela concorrência com a economia de plataforma. O contingente de trabalhadores por aplicativos de transporte e entrega cresceu 170% em dez anos, passando de 770 mil em 2015 para 2,1 milhões no segundo trimestre de 2025. Esse mercado atrai um perfil socioeconômico semelhante ao da construção — majoritariamente masculino (83,9%), jovem e com ensino médio completo —, oferecendo maior flexibilidade, autonomia e rendimento habitual médio mensal superior (R$ 2.996 no setor de plataformas contra R$ 2.786 na construção em 2024). Pesquisas citadas no estudo indicam ainda uma forte preferência pelo trabalho por conta própria (57,7%) e baixa escolha da construção como setor de atuação (4,8%).

Para reverter esse cenário, o estudo propõe uma agenda integrada de modernização baseada nos próprios dados do levantamento. Um ponto de partida favorável é o ganho de escolaridade do setor, com mais de 60% dos trabalhadores formais com ao menos o ensino médio completo (contra 33,8% em 2010), o que amplia o potencial de qualificação e adoção de novas tecnologias pelas empresas.

Como principal saída estrutural, o relatório aponta a aceleração da industrialização e da digitalização, incluindo a ampliação do uso de Building Information Modeling (BIM), com maior nível de padronização, mecanização, pré-fabricação e construção modular. Referências internacionais analisadas pelo estudo indicam que métodos industrializados podem reduzir entre 60% e 80% as horas de trabalho no canteiro e entre 14% e 50% a necessidade de mão de obra.

Um dos exemplos apresentados durante o evento foi a obra da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, que combina elementos pré-fabricados de concreto e estruturas metálicas. Para os especialistas, a integração de diferentes sistemas construtivos demonstra o potencial da industrialização para ampliar a produtividade e a eficiência na construção civil.

Clique aqui para ler o estudo completo.