Evento realizado em Gavião Peixoto (SP) contou com a presença do presidente Lula
Voo de demonstração do protótipo do eVTOL da Eve Air Mobility marca avanço na campanha de testes

Da Redação

A Eve Air Mobility recebeu autoridades do governo para a realização de um voo do seu protótipo de engenharia na unidade da Embraer em Gavião Peixoto (SP). O voo, realizado com sucesso, marca um novo avanço em sua campanha de testes em direção às etapas futuras de certificação de sua aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL, na sigla em inglês). O evento contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, do presidente da ANAC, Tiago Chagas Faierstein, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, entre outras autoridades.

A Eve segue em campanha de testes com seu protótipo de engenharia, que já soma 35 voos realizados e quase uma hora e meia de tempo de voo acumulado desde seu primeiro voo em dezembro de 2025. A aeronave já atingiu 140 pés de altura, o equivalente a 43 metros, estabelecendo novos marcos para o programa e demonstrando comportamento consistente em voo, nas condições testadas até o momento, inclusive em manobras com entradas simultâneas em três eixos. Os resultados preliminares indicam ganhos de eficiência, com desempenho de propulsão e de bateria acima das hipóteses iniciais, enquanto os níveis de ruído permaneceram dentro das projeções, significativamente abaixo do ruído dos helicópteros.

Os voos realizados até o momento concentraram-se em operações de baixa velocidade (até 15 nós, o que equivale a aproximadamente 28 km/h), permitindo validar leis de controle, eficiência aerodinâmica dos rotores, comportamento térmico e o modelo de propulsão. A Eve segue avançando com a campanha, que inclui a expansão do envelope de voo e testes em velocidades mais elevadas. “Estamos avançando com disciplina e consistência em nossa campanha de testes, reduzindo riscos e consolidando as bases para futuros voos para a certificação. Os resultados obtidos nesses primeiros meses de campanha pós-primeiro voo, em dezembro de 2025, reforçam nossa confiança na arquitetura da aeronave e na capacidade de entregar uma solução segura, eficiente e escalável para o mercado de mobilidade aérea urbana”, afirma Johann Bordais, CEO da Eve.

Além dos voos, a Eve concluiu testes e atividades no solo, incluindo a calibração dos sensores responsáveis pela medição das cargas aerodinâmicas existentes no veículo em voo. Essas etapas integram o processo de expansão do envelope de voo da aeronave, permitindo voos de até 30 nós (aproximadamente 56 km/h) nos próximos dias.

“A Embraer tem mais de cinco décadas de expertise comprovada no desenvolvimento e certificação de aeronaves e ver esse conhecimento aplicado ao programa da Eve reforça o nosso compromisso com a inovação e com o futuro da aviação sustentável. Acreditamos no grande potencial do mercado global de mobilidade aérea urbana e vemos a Eve posicionada para ser uma das líderes dessa indústria”, afirma Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer.

A certificação da aeronave permanece sujeita à conclusão bem-sucedida das etapas técnicas e à aprovação das autoridades regulatórias competentes.

Embraer celebra 25 anos do Programa de Especialização em Engenharia
Mestrado profissional em parceria com o ITA é um dos mais longevos modelos corporativos de desenvolvimento intelectual e tecnológico do Brasil

 

 

Da Redação

A Embraer celebra nesse mês de março 25 anos do Programa de Especialização em Engenharia (PEE) que se tornou uma das principais portas de entrada de engenheiros e engenheiras que desejam trabalhar na empresa. O mestrado profissional é realizado em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Ao longo desse período, 1.800 profissionais recém-formados em diversas áreas da engenharia concluíram a iniciativa de aceleração de aprendizado para atuação em tecnologias aeronáuticas. Outras 90 pessoas participam atualmente do programa, em linha com os objetivos de ter uma maior disponibilidade de profissionais altamente qualificados e alinhados às estratégias de crescimento da companhia.

“Ao longo desses 25 anos, o PEE esteve em constante evolução para adequar a especialização dos profissionais às necessidades e desafios da empresa. Além disso, proporciona uma oportunidade diferenciada de carreira por meio do desenvolvimento das competências técnicas e pessoais, colaboração e construção do futuro da aviação sustentável”, disse Andreza Alberto, Vice-Presidente de Pessoas, ESG e Comunicação Corporativa da Embraer.

 “O PEE tem nos permitido atrair e desenvolver talentos diferenciados que, ao longo dos últimos 25 anos, muito contribuíram para a criação de produtos de enorme sucesso como os E-Jets, KC-390, Phenoms e Praetors”, disse Luís Carlos Affonso, Vice-Presidente de Engenharia e Desenvolvimento Tecnológico da Embraer. “Em especial, agradecemos a parceria do ITA, instituição que promove ensino, pesquisa e extensão, com foco no desenvolvimento científico-tecnológico para atender às necessidades do setor aeroespacial brasileiro.”

A capacidade técnica e tecnológica da Embraer se fortalece continuamente por meio de parcerias com instituições de pesquisa e iniciativas de formação e capacitação de novos talentos. As aulas do PEE são ministradas por professores do ITA, por experientes profissionais da Embraer e consultores contratados, somando 3 mil horas de treinamento teórico e aplicado em regime de dedicação integral.

Em média, a Embraer recebe 5 mil inscrições por ano para o processo seletivo que é aberto para engenheiros de todo o Brasil. A última turma foi formada por 29% de mulheres, demonstrando um ritmo crescente do interesse feminino pelo programa.

Estrutura educacional

A primeira aula aconteceu no dia 19 de março de 2001, em São José dos Campos, interior de São Paulo. A metodologia de aprendizagem do mestrado tem, entre outros diferenciais, o uso da estratégia de learn by doing (aprender fazendo), com uso de prototipagem que estimula os grupos tornarem tangíveis soluções criadas para problemas reais, analisados enquanto desenvolvem um projeto colaborativo. Na fase final do programa os participantes devem desenvolver, em equipe, um conceito de produto aeronáutico que atenda aos requisitos de um desafio proposto, buscando uma solução técnica e economicamente viável.

Além disso, o programa tem reforçado o desenvolvimento das competências pessoais, relacionadas a atitudes, comportamentos e inteligência emocional que promovem o trabalho em equipe, flexibilidade, comunicação, liderança, empatia e outras habilidades emocionais e comportamentais que são igualmente importantes no ambiente de trabalho.

Cada turma recebe em média mais de 3 mil horas de treinamento teórico e aplicado em regime de dedicação integral. Em média, o processo seletivo recebe cerca de cinco mil inscrições. O número de vagas é variável e acompanha a necessidade estratégica futura da companhia. Cada profissional recebe uma bolsa mensal inicial de R$ 5 mil (com 20% de reajuste após 12 meses), além de assistência médica, alimentação, entre outros benefícios.

Copom deve iniciar ciclo de cortes com redução mais cautelosa da Selic
Economista avalia que cenário de incertezas externas e inflação ainda elevada deve levar a um corte mais moderado de 0,25 ponto percentual

Da Redação

Às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece nesta quarta-feira, o mercado financeiro ajusta suas expectativas para o início de um possível ciclo de cortes na taxa básica de juros no Brasil. Em meio a um cenário ainda marcado por incertezas externas e inflação resistente, a tendência majoritária é de uma redução mais moderada da Selic.

De acordo com Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, a projeção da casa foi revisada recentemente, reduzindo a intensidade esperada para o primeiro corte. “Nossa projeção é que chegaremos ao fim de 2026 com a mesma Selic terminal, de 12,5%, mas o ritmo ao longo do ano ainda é incerto”, avalia.

A expectativa predominante, segundo o economista, é de um corte de 0,25 ponto percentual, diante de um ambiente ainda desafiador. Entre os fatores que sustentam essa visão, estão a pressão de um dólar mais valorizado e do petróleo em níveis elevados, além da inflação que segue acima do patamar considerado ideal, conforme os dados mais recentes do IPCA.

A expectativa é um corte de 25 pontos base, tanto por conta da pressão trazida por dólar e petróleo mais altos, com alto nível de incerteza no ambiente internacional, quanto pela inflação, que ainda roda acima do ideal, conforme dados do IPCA de fevereiro”, afirma Perri.

Apesar da possibilidade de cortes mais intensos, como de 0,50 ponto percentual, o cenário atual ainda não oferece segurança suficiente para movimentos mais agressivos. Por outro lado, a manutenção da taxa de juros no nível atual é vista como pouco provável no momento. “A manutenção da SELIC só viria com uma desancoragem muito relevante da taxa de câmbio, o que, por ora, está longe de ser o caso”, explica.

Na avaliação do especialista, o Copom deve adotar uma postura cautelosa no início desse ciclo de flexibilização monetária, especialmente diante das incertezas geopolíticas e seus impactos potenciais sobre a economia global. “Não tem sido o perfil do Copom começar um ciclo de cortes e fazer pausas, por isso o mais provável é que os cortes sejam menores para depois acelerarem com um possível fim do conflito”, estima.

Diante desse cenário de possível queda gradual dos juros, algumas classes de ativos passam a ganhar destaque nas estratégias de investimento. Segundo Perri, os títulos pós-fixados ainda seguem interessantes, mas há uma atenção crescente às oportunidades abertas na curva de juros. “Seguimos com interesse em pós-fixados, e olhando com atenção para as oportunidades nas curvas de juros, que abriram recentemente -, enquanto a correção na bolsa pode trazer um momento interessante de alocação mais à frente”, diz.

Além disso, o economista aponta que ativos prefixados com vencimentos entre dois e três anos, bem como títulos atrelados à inflação com prazos entre 2030 e 2032, tendem a se tornar mais atrativos neste contexto de transição da política monetária.

Do relacionamento ao resultado: 5 dicas de CRM que fazem diferença no caixa
Renan Marafigo*

No atual cenário de negócios, em que cada investimento precisa ser justificado com resultados concretos, o CRM vai além de uma ferramenta de marketing para se tornar um aliado estratégico das finanças corporativas. Para os CFOs, sua relevância está justamente na capacidade de traduzir dados de relacionamento em indicadores financeiros claros e mensuráveis.

Muitas empresas investem em CRMs robustos, mas não conseguem extrair o melhor da tecnologia. A metáfora recorrente é a da “Ferrari sem motorista”: um ativo caro, mas subutilizado. Para o financeiro, isso significa custo sem retorno. Quando bem implementado, porém, o CRM contribui diretamente para aumento de receita, redução de custos e melhoria de margem de lucro.

Entre os indicadores mais relevantes para a alta gestão financeira nesta área, destacam-se:

  • LTV (Lifetime Value): mede o valor total que um cliente gera ao longo do relacionamento.
  • CAC (Custo de Aquisição de Clientes): mostra quanto custa trazer um novo cliente. Segundo a ClearlyRated (ago/2025), adquirir um novo cliente custa em média US$80, enquanto reter um existente custa cerca de US$30 — ou seja, três vezes mais barato manter quem já está na base.
  • Churn: a taxa de cancelamento ou perda de clientes. Controlar o churn é preservar receitas recorrentes e garantir previsibilidade no fluxo de caixa.
  • ROI aplicado ao CRM: calcula o retorno real da operação, conectando investimentos em tecnologia e campanhas ao impacto direto no P&L.

Esses KPIs permitem ao CFO alinhar estratégias de marketing e vendas ao resultado global da empresa, mostrando quanto das receitas totais vem de ações de CRM e, portanto, justificando ou ampliando investimentos.

Estudos recentes confirmam que a retenção de clientes é determinante para os lucros. De acordo com a Harvard Business Review, um aumento de apenas 5% na retenção pode elevar a lucratividade entre 25% e 95%. Já o levantamento da DemandSage (jul/2025) mostra que clientes recorrentes representam 65% da receita das empresas e gastam, em média, 67% mais do que novos compradores.

Esses dados reforçam a lógica de que a fidelização custa menos e gera mais retorno, criando um ciclo virtuoso de rentabilidade. Mas como transformar esse potencial em prática dentro das empresas? A seguir, reuni cinco recomendações fundamentais para que o CRM se traduza em resultados financeiros concretos.

5 dicas para transformar CRM em resultado

  1. Faça análise de viabilidade antes de contratar uma ferramenta: entenda métricas atuais de LTV, CAC e churn para projetar ganhos futuros.
  2. Defina indicadores e targets claros: estabeleça metas financeiras conectadas ao break-even e ao ROI esperado.
  3. Traduza relatórios em impacto de negócio: vá além de métricas operacionais de clique e abertura e mostre impacto direto no P&L.
  4. Integre marketing e vendas: alinhe CRM de Marketing e CRM de Vendas ou E-Commerce para garantir visão unificada do cliente.
  5. Invista em retenção: campanhas de fidelização, modelos preditivos de pré-churn e programas de indicação que reduzem custos e ampliam margem de lucro.

Mais do que atingir um estágio de maturidade, as empresas precisam transformar o CRM em pilar estratégico de negócio. O verdadeiro diferencial está em comprovar, com dados, quanto das receitas totais vêm diretamente das iniciativas de CRM e como isso impacta o resultado financeiro global.

Quando uma instituição financeira consegue demonstrar que uma fatia expressiva de suas vendas mensais é gerada por ações de CRM, não restam dúvidas: a ferramenta deixa de ser apenas suporte operacional e custo, passando a se tornar um motor essencial de crescimento e rentabilidade. Em mercados cada vez mais competitivos, não investir nessa visão integrada significa abrir espaço para perder clientes — e margem — para quem já está fazendo.

(*) Renan Marafigo é associate partner e diretor de CRM da Adtail e Cadastra.